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sexta-feira, 9 de março de 2012

As famílias também pedem ajuda

O meu filho tem 13 meses e mordeu um colega. Será normal? A pergunta faz todo o sentido para os pais que, muitas vezes, desconhecem que os bebés passam por uma fase oral. O meu filho deixou de comer bem. O que devo fazer? Temos uma criança com défice de conhecimento. Como devemos atuar? Estas e outras perguntas são feitas nas escolas ou em consultórios de terapia familiar. Preocupados com a maneira de atuar, e perante dificuldades que se atravessam nas suas vidas, os pais procuram respostas para as dúvidas que diariamente lhes batem à porta. O EDUCARE.PT recolheu dois testemunhos de quem está do outro lado, de quem tem a árdua tarefa de responder, esclarecer dúvidas e indicar caminhos. Cristina Cruz é psicóloga. Trabalha no Infantário da Rochinha e na EB2,3 dos Louros e tem ainda um consultório privado no Funchal, Madeira. Lida com bebés, crianças e jovens, da infância à adolescência. "A minha intervenção centra-se essencialmente na procura de competências das famílias, numa posição de capacitá-las para a crise existente no momento", conta. "As famílias passam por várias etapas de desenvolvimento - a que chamamos ciclo vital da família - e nessas etapas, muitas vezes, surgem crises. É durante essas crises que as famílias nos procuram como forma de ajudá-las", acrescenta. 

Os tempos mudam, as necessidades alteram-se, as exigências aumentam, pais e mães querem dar conta do recado. Os técnicos são confrontados com as questões das famílias e, por isso, é fundamental desenvolver relações e estratégias positivas, que resultem. Neste momento, Cristina Cruz tem nas mãos um grupo de competências parentais. Fala de práticas educativas parentais adequadas para aumentar a eficácia na parentalidade, tenta prevenir ou reduzir a utilização de práticas menos recomendadas, dá formação a pais e dá conselhos. Sugere estratégias que possam funcionar. "É sempre possível dar respostas e sugestões. As nossas sugestões não são sugestões diretas, mas sim reflexões que as famílias poderão realizar", explica. 

Porquê isto acontece? O que devo fazer? Estarei a fazer bem ou estarei a fazer mal? As questões sucedem-se. "Temos sempre em conta a estrutura da família, o seu desenvolvimento, a sua relação com as gerações e a parte comunicacional, como é que os membros do grupo comunicam e se relacionam", adianta Cristina Cruz que na escola tem um gabinete só para si, onde pode receber as famílias e dar-lhes a privacidade que procuram para expor as situações. "A questão do ambiente é fundamental para as famílias se sentirem acolhidas e ouvidas, o que muitas vezes não acontece. Cada vez mais, as famílias não têm tempo para os assuntos da escola". 

Cristina Cruz recorda Minuchin, terapeuta familiar, que defendia que os técnicos devem entrar na dança com as famílias, mas depois têm de deixá-las dançar sozinhas. "Como terapeuta familiar, tem sido uma delícia trabalhar com famílias com filhos pequenos. Quando são famílias multiproblemáticas, o desafio de intervenção ainda é maior, no sentido de envolver outras entidades". O trabalho em rede é importante e pode fazer toda a diferença. 

Há 12 anos que a psicóloga Susana Gonçalves trabalha na Cercimor, em Montemor-o-Novo, e, neste momento, coordena a Equipa Local de Intervenção de Vendas Novas do Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância. Trabalha com crianças até aos seis anos de idade com deficiências pessoais e sociais e em risco grave de atraso de desenvolvimento. Trabalha com crianças, trabalha com famílias e é aqui que a terapia familiar se interliga no seu trabalho. 

"Trabalhar com famílias nem sempre é fácil e a formação em terapia familiar deu-me instrumentos para poder abordar as famílias da intervenção precoce de forma mais rigorosa e profissional", refere. É importante reunir todos os elementos da família nuclear para que todos participem na procura de soluções e se ajudem mutuamente, sobretudo no caso de uma criança portadora de deficiência - nestas situações, torna-se complicado gerir emoções, comportamentos e relacionamentos. 

Há situações em que as famílias procuram ajuda, em que os papéis parentais ficam confusos. "O nosso objetivo é sempre dar instrumentos, estratégias, informações para a família saber lidar melhor com a sua criança". "As questões que nos são colocadas têm muito a ver com as birras, a educação de uma forma geral. E os pais esperam quase sempre soluções mágicas de resolver os problemas, quando na verdade o primeiro passo da mudança passa pelo adulto e pela sua maneira de agir", refere Susana Gonçalves. 

As dificuldades financeiras também fazem parte das preocupações familiares. "Com o cenário social de crise que atualmente o país atravessa, começam a surgir situações complicadas de famílias sem possibilidade de satisfazerem as suas necessidades básicas, famílias que estavam organizadas e eram funcionais começam a perder a sua segurança e surge a instabilidade emocional, a ansiedade, as situações de depressão, que levam ao estabelecimento de relações menos boas com as suas crianças. Não há tempo, não há momentos de prazer, não há paciência...". Susana Gonçalves considera que é aqui que surge o maior alerta: é necessário perceber a importância do estar, do brincar, de incluir as crianças. "Os pais podem ter menos dinheiro para comprar, mas devem ter amor incondicional para dar". 

Incondicional significa estar presente, educar, saber dizer sim e não, partilhar problemas, incluir os filhos nas suas vidas e não esconder ou omitir coisas menos boas. "As crianças adaptam-se muito melhor do que os adultos a novas formas de vida, mas é necessário explicar o quê, o porquê e o como, e procurar ajuda sempre que surjam dúvidas sobre a melhor forma de o fazer". E os pais que se interessam, se envolvem e procuram apoio conseguem alcançar melhores resultados. Susana Gonçalves está contente com o que faz. "Numa perspetiva geral do meu trabalho, posso dizer que é bastante gratificante, é muito bom verificar as evoluções e mudanças por que as famílias passam quando têm de se adaptar a novas situações familiares, e partilhar com eles as conquistas que os seus filhos vão fazendo." 

In: Educare

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Atitude dos pais influencia resultados na escola

Os pais que estão mais focados na aprendizagem conseguem que os seus filhos tenham melhores notas do que os pais que estão mais preocupados com os resultados.

A conclusão é de uma investigação, desenvolvida junto de 500 alunos do 9.º ano para tentar perceber o impacto da atitude dos pais no rendimento dos alunos.

O estudo dividiu os encarregados de educação em dois grupos: os que se preocupam fundamentalmente com os resultados que os filhos têm e os que se centram mais no processo de aprendizagem e menos nas notas.

Os inquéritos revelaram que "as atitudes dos pais têm impacto ao nível da motivação dos adolescentes e dos próprios resultados escolares", explicou Francisco Peixoto, um dos investigadores do Instituto Português de Psicologia Aplicada.

"O facto de os pais pressionarem para ter boas notas acaba por ter um efeito contraproducente, porque os resultados normalmente são piores do que quando os pais estão mais preocupados com o processo de ensino da aprendizagem", disse o coordenador do estudo do ISPA.

As atitudes centradas no processo estão mais relacionadas com a motivação intrínseca.

"O não estar motivado por qualquer ideia de recompensa ou pela nota que se vai tirar mas pela própria ideia de se aprender em si. As atitudes mais positivas são aquelas que se centram mais nos processos de aprendizagem", adiantou.

O tema é ponto de partida da conferência, que se realiza na próxima quinta-feira, no Instituto Português de Psicologia Aplicada, em Lisboa, sobre "A construção do auto-conceito e da auto-estima na adolescência".

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sensibilizar para Educar: "Como Estabelecer Regras"



Sensibilizar para Educar
"Como Estabelecer Regras"


No dia 31 de janeiro (terça feira), 

pelas 18 horas e 30 minutos, 

o ATL do Pendão vai realizar uma Sessão para Pais subordinado à temática: 

Como Estabelecer Regras.


A Docente de Educação Especial,Ana Rosa Trindade 
irá partilhar connosco a sua experiência na área.

A sessão será realizada no ginásio do ATL do Pendão,
e gostaríamos muito de poder contar com a sua presença.

Sensibilizar para Educar - Práticas Parentais: O poder da atenção positiva


No dia 9 de Dezembro o ATL do Pendão, em conjunto com o docente Nelson Santos, organizou a primeira sessão para Pais subordinada à temática: Práticas Parentais: O poder da atenção positiva.



A primeira sessão contou com a presença do Docente Nelson Santos, responsável pelo projeto "Sensibilizar para Educar" e docente de educação especial, que apresentou os objetivos do projeto com os presentes e debateu alguns temas que levaram a uma reflexão em conjunto.


A atual educação estraga as crianças - Eduardo Sá

Foi assim que iniciou a sua palestra no Colégio de Nossa Senhora do Alto, em Faro, uma iniciativa promovida em colaboração por aquela instituição e pelo Centro de Formação Ria Formosa sobre o “Envolvimento Parental na Escola”. 

Perante um auditório com cerca de 280 pessoas, o conferencista afirmou que “a estrutura tecnocrática, em que se transformou a educação, faz mal” e criticou o “furor da formação técnica e científica” que levou ao esquecimento de que “o melhor do mundo não é a escola mas as pessoas e, em particular, as relações familiares”. Lamentando a ausência de uma lei de bases para a família e para a criança, Eduardo Sá lembrou que “há aspetos muito mais importantes do que a escola na vida das crianças”, como a família. “Estamos a criar uma mole de licenciados e de mestres aos 23 anos que esperamos que sejam ídolos antes dos 30 e o fundamental não é isso”, lastimou, lembrando que “estamos a exigir aos nossos filhos que sejam iguais a nós: que ponham o trabalho à frente de tudo o resto”, esquecendo-nos de brincar com eles. 

O conferencista considerou que “criámos uma ideia absurda de desenvolvimento” e lembrou que “a vida não acaba aos 17 anos com a entrada no ensino superior”. “Só os alunos que tiveram pelo menos uma negativa no seu percurso educativo é que deviam entrar no ensino superior porque estamos a criar uma geração de pessoas imunodeprimidas”, defendeu, sustentando que “errar é aprender”. 

Eduardo Sá disse achar “uma estupidez” crermos que tecnocratas sejam “sempre mais inteligentes porque dominam a estatística”, “inacreditável” que “o mundo, hoje, privilegie o número à palavra” e um “escândalo” que, “nesta sociedade do conhecimento, não perguntemos até que ponto é que mais conhecimento representou mais humanidade”. “Este mundo está felizmente a morrer de morte natural. O futuro vão voltar a ser as pessoas”, congratulou-se, considerando a atual crise uma “oportunidade fantástica que temos a sorte de estar a viver”. “Esta crise representa o fim de um ciclo que aplaudo de pé. Este furor positivista está felizmente a morrer”, complementou, considerando que “o custo do positivismo foi a burocracia e a tecnocracia”.“Acho ótimo que possamos reabilitar algumas noções que parecem ferir os tecnocratas e que são preciosas para a natureza humana. Acho inacreditável que, depois do positivismo, a fé tenha passado de moda porque a fé é uma experiência de comunhão entre as pessoas”, acrescentou. 

Eduardo Sá defendeu que as “educações tecnológicas” possam dar lugar à “educação para o amor” como “a questão mais importante das nossas vidas”. “Acho fundamental que tenhamos a coragem, a ousadia e a verticalidade de dizer que a maior parte das pessoas se sente mal-amada e acho fundamental explicar aos nossos filhos que é mentira que acertemos no amor à primeira e que é notável aquilo que se passa dentro do nosso coração”, afirmou. 

Neste sentido afirmou que “devia ser proibido dizermos aos nossos filhos que se deve casar para sempre”. “Sempre que namoramos mais um bocadinho, casamo-nos mais um pouco e sempre que deixamos de namorar, divorciamo-nos em suaves prestações”, concretizou a provocação, considerando o casamento tão sagrado como frágil. “É uma experiência sagrada porque duas pessoas que decidem comungar-se é uma experiência tão preciosa que é sagrada, mas é frágil porque, às vezes, os pais estão tão preocupados com a educação dos filhos que se esquecem de namorar todos os dias”, lamentou, lembrando que “pais mal-amados tornam-se piores pais”. “É fundamental que a relação amorosa dos pais esteja em primeiro lugar, antes da relação dos pais com as crianças”, sustentou. 

Eduardo Sá defendeu que “as crianças devem sair o mais tarde possível de casa” e jardins de infância “tendencialmente gratuitos para todos”. “Não se compreende como é que a educação infantil e o ensino obrigatório não são a mesma coisa”, criticou, lamentando que os governantes, “nomeadamente a propósito da crise da natalidade”, não perguntem: “quanto é que uma família da classe média (se é que isso ainda existe em Portugal) precisa de ganhar para ter dois ou três filhos num jardim de infância”. 

O psicólogo defendeu ainda jardins de infância onde as crianças “brinquem e ouçam e contem histórias”, tenham educação física, educação musical e educação visual. “O ensino básico não é muito importante senão para que, para além de tudo isto, as crianças tenham português e matemática”, disse, considerando ser “mentira que as crianças não tenham competências para a aprendizagem da matemática”. “É ótimo brincar com a matemática mas a matemática sem o português torna-nos estúpidos. Não consigo entender que este país não acarinhe a língua materna”, criticou. 

Eduardo Sá disse ainda não achar que “mais escola seja melhor escola”, criticando os blocos de aulas de 90 minutos porque aulas expositivas daquela duração são “amigas dos défices de atenção”. “Acho um escândalo que as crianças comecem a trabalhar às 8h, terminem às 20h e que tenham, entre blocos de 90 minutos, 10 minutos de intervalo. Quanto mais as crianças puderem brincar, mais sucesso escolar têm”, defendeu, acrescentando que “os pais estão autorizados a ser vaidosos com os filhos mas proibidos de querer a criar jovens tecnocratas de fraldas”. “Devia ser proibido que as crianças saíssem do jardim de infância a saber ler e escrever”, advertiu. 

A terminar, defendeu ser possível “ter sucesso escolar” e “gostar da escola”. “Tenho esperança que um dia as crianças queiram fugir para a escola”, concluiu.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Os equívocos frequentes de pais preocupados…

A situação que passarei a relatar é verídica e, ao escolhê-la, tenho um objetivo muito preciso: refletir sobre um equívoco frequente, que ataca de uma forma grave muitos pais!

Os pais de que vos vou falar são genuinamente preocupados e procuraram apoio, porque realmente sentem uma grande necessidade de ajudar o filho, que frequenta o 3.º ciclo e está, segundo eles, verdadeiramente desinteressado da escola. O motivo do desinteresse também está identificado por estes pais: os professores, para penalizarem o comportamento incorreto do filho e as atitudes negativas por ele assumidas na aula, têm vindo a atribuir notas na pauta abaixo do que seria de esperar, atendendo aos resultados obtidos nos testes. No discurso destes pais havia uma crítica implícita dirigida aos professores, porque não eram mais condescendentes com os comportamentos do filho e, ao não lhe atribuírem notas compatíveis com as obtidas nos testes, só contribuíam para a sua desmotivação.

Pelo que entendi e pelo que pude averiguar, esta intolerância dos professores deve-se ao facto de se tratar de um aluno inteligente e com todas as potencialidades para alterar os ditos comportamentos. Há um relatório médico a que os pais se agarram para justificar os comportamentos do filho, desfocando toda a realidade. O que o relatório refere é uma patologia. O comportamento deste jovem ultrapassa a patologia referida e toca frequente e claramente a má educação. O certo é que, em termos práticos, os pais agarram-se ao relatório, como náufragos, em busca de uma explicação, e este jovem vai reforçando a ideia de que o erro é efetivamente dos professores, pois, no fundo, é esta a leitura que as figuras parentais fazem desta situação.

Lá muito no fundo, estes pais até admitem que, efetivamente, a alteração do comportamento deste filho é algo importante. Partindo deste ténue pressuposto, procurei perceber o que é que, em termos práticos, têm feito para promover a mudança do comportamento do filho: ralhar com ele..., ralhar, ralhar, ralhar e nada mais. Esta estratégia, apesar de não ter tido qualquer efeito prático, não foi sujeita a nenhuma alteração, porque estes pais, tal como muitos outros, vivem na esperança de que a mudança ocorrerá com o crescimento! Se soubessem que no ensino secundário e até no ensino superior há alunos a serem expulsos da sala de aula por não se saberem comportar, talvez a sua esperança diminuísse e começassem a pensar que provavelmente a solução implica a alteração do estilo educativo tão permissivo, que hoje, de forma tão inconsciente, é usado!

Recentemente dizia uma professora, que é uma excelente profissional, em tom de desabafo: "Hoje em dia já tolero tudo, só não consigo tolerar a falta de educação". A desmotivação da classe docente passa também muito por aqui, por terem de se confrontar diariamente com a falta de educação dos alunos que, de forma frequente, é legitimada pelos pais. Quando os pais responsabilizam a escola e os professores pelos problemas dos filhos, não procuram uma atuação concertada para encontrar conjuntamente soluções e os resultados estão à vista! Em muitas situações, se os pais se aliassem aos professores, verdadeiros milagres ocorreriam. O problema é que se anda à procura de culpados e não de verdadeiras soluções!

Mas, afinal, qual é o grande equívoco a que faço referência no início? A dádiva que não é acompanhada de exigência. Atualmente, em termos educativos, os pais dão muito, dão mesmo o que não podem dar... o problema é que não exigem o que deveriam exigir e sem exigência não há mudanças!

Por: Adriana Campos

In: Educare

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Escolher o bem ou o mal compete a cada um…

É bastante comum as pessoas justificarem os seus erros, invocando as suas precárias condições de vida. 

Dizem que foi o desespero que as levou a tomar atitudes equivocadas ou que as circunstâncias negativas as fizeram agredir o seu semelhante ou as suas propriedades. 

Filhos agridem pais porque não lhes deram o que pediram no momento exato...Irmãos que mentem, enganam para ter um "quinhão" maior em heranças, não se importando em que condições ficarão os demais irmãos... 

Viktor Frankl, um judeu vienense, que foi prisioneiro dos alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, escreveu: "Nós que vivemos em campos de concentração podemos lembrar dos homens que andavam pelos alojamentos confortando os outros, distribuindo os seus últimos pedaços de pão..." Talvez eles tenham sido poucos. Mas são prova suficiente de que tudo pode ser retirado e um homem. Menos uma coisa, a última das liberdades humanas - escolher que atitude tomar em quaisquer circunstâncias, escolher o seu próprio caminho. 

Portanto, escolher o bem ou o mal compete a cada um. O que nos falta sim, é uma melhor educação. Mas aquela que tem a ver com a formação do carácter de cada um. E para isso precisamos, urgentemente, de pais conscientes que ensinem verdadeiros valores aos seus filhos. Que lhes digam que é nobre dizer a verdade, mesmo que isso não os credencie a receber algum prémio de compensação. 

Pais que tenham coragem de falar aos seus filhos sobre os dias mais tristes das suas vidas. Que tenham a ousadia de contar sobre as suas dificuldades do passado e como as conseguiram ultrapassar. Pais que não desejem dar um mundo aos seus filhos, mas que queiram sim abrir-lhes o livro da vida. Pais presentes que desenvolvam nos seus filhos: a autoestima, a capacidade de trabalhar perdas e frustrações, filtrar estímulos stressantes, dialogar e ouvir. 

Pais que tenham tempo, mesmo que o tempo seja curto, que se sentem para conversar com os seus filhos sobre tudo o que os rodeia, descobrindo-lhes desta forma o mundo íntimo. Pais que não se preocupem somente com festas, com roupas, aniversários e com produtos eletrónicos. Mas que também se preocupem em dialogar e refletir. 

Pais que sabem que não devem atender a todos os desejos dos seus filhos, pois isso torná-los-á fracos e dependentes. Existem pais que dão algo que "todo o dinheiro do mundo não pode comprar": o seu amor, as suas experiências, as suas lágrimas e o seu tempo. 

Um autêntico processo de educação em que o filho aprende que amar é o maior dos tesouros. E não haverá de se tornar infeliz somente porque não tem a roupa griffe, ou não conseguiu viajar ao exterior nas férias. 

É bom sempre pensar num bom processo de educação.

In: Educare

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sou uma mãe preocupada...


"Sou uma mãe preocupada. A minha filha foi adotada há cerca de três anos e meio, tendo ela na época 4 anos e meio. Tinha vários problemas, ao nível da fala, da audição e da visão. Tem sido acompanhada na Faculdade de Psicologia do Porto.

Aquando da sua entrada na pré-escola, começou a notar-se muitas dificuldades ao nível da aprendizagem. Contudo não seria de esperar outra coisa, dadas as circunstâncias de vida da minha filha. 

A pedopsiquiatra receitou-lhe ritalina e, segundo a professora, o seu comportamento melhorou. Feito um teste cognitivo pela psicóloga, os resultados, segundo a sua opinião, não são alarmantes tendo a menina um atraso de oito meses comparado com crianças portuguesas padrão e da mesma idade - 7, 8 anos. Contudo no mundo da psiquiatria infantil os resultados obtidos pela minha filha são avaliados como tendo mesmo um atraso mental ligeiro.

Perante esta situação, o que me aconselha para poder continuar a ajudar a minha filha, porque de facto a nível escolar a situação é complicada. Mais se complica porque os professores também não estão preparados para esta situação. Agradecia uma resposta."

Situações como esta que aqui é relatada fazem parte do dia a dia de quem trabalha em contexto escolar. Esta mãe poderia ser uma, entre muitas, das que se vão cruzando comigo no exercício da minha prática profissional. Quem não vive na primeira pessoa o drama de um filho que não aprende, provavelmente terá dificuldade em perceber a angústia e o desespero que acompanha os pais, quando tal acontece. Num mundo em que o saber é tão importante e tão valorizado, a dificuldade em gerir "o não aprende" é ainda mais difícil e dolorosa.

No caso desta mãe, até já existia a expectativa de que as dificuldades na escola poderiam e certamente iriam surgir, mas muitos pais são apanhados de surpresa, pois há muitas crianças que apresentam capacidades cognitivas médias e, por motivos vários, não conseguem aprender. Nestas circunstâncias, o que acontece frequentemente é que as crianças são acusadas injustamente de preguiçosas e desinteressadas, quando a raiz do problema tem contornos bem diferentes.

Depois destas considerações iniciais, falta a resposta à pergunta: então o que fazer? Parece-me que, com esta criança, já muito foi feito e que houve uma grande preocupação no sentido de perceber o que a limita na sua capacidade de acesso ao saber. Qualquer diagnóstico só faz sentido se, na sua sequência, forem tomadas medidas muito concretas. Neste caso sublinharia essencialmente três estratégias que me parecem muito importantes.

Crianças com este tipo de perfil precisam de um apoio muito especializado. As escolas frequentemente têm bons técnicos, mas estes não chegam para "as encomendas". Quando os pais têm possibilidade de recorrer ao apoio externo, então sugiro que o façam. Qual deverá ser o perfil deste técnico? Uma pessoa muito experiente, que tenha trabalhado ou trabalhe com crianças com necessidades educativas especiais. O investimento neste tipo de apoio deve ser o mais precoce possível, pois esperar que o tempo resolva o problema é uma péssima opção.

Para quem não aprende, a escola vai-se tornando um fardo muito pesado, que vai progressivamente esmagando a autoestima. Com a autoestima "de rastos" e sem perspetiva de melhores dias, o desânimo e o desinvestimento são quase certos. Os que não desistem acabam por sofrer mais, pois o confronto com as dificuldades diárias torna-se mais doloroso. Face ao exposto é importante tentar ajudar as crianças a encontrar áreas fortes. Quando o insucesso académico é contrabalançado com uma área em que se tenha algum brilho, torna-se menos arrasador o não conseguir aprender. Acompanhei um aluno com muitas dificuldades cognitivas que conseguia gerir melhor o facto de ser mau aluno, porque era excelente na equitação.

Para terminar, a escola e os professores têm também um papel decisivo, pois uma criança com o perfil que aqui é traçado precisa obrigatoriamente de um currículo adaptado e de medidas muito concretas que sejam potenciadoras de sucesso. Nunca desistindo delas, é importante que os professores estabeleçam metas ajustadas às suas potencialidades!

Espero ter ajudado!

Por: Adriana Campos

In: Educare

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Encontro de Pais "O Sono Infantil e as suas Perturbações"

No dia 15 de Dezembro, pelas 18 horas, o Instituto Português de Pedagogia Infantil vai realizar um Encontro de Pais subordinado à temática do Sono Infantil.

A Psicóloga Mafalda Leitão,responsável pela consulta de perturbação do sono no CADIn terá a gentileza de partilhar connosco a sua experiência na área.

O Encontro será realizado no ginásio do IPPI, e gostaríamos muito de poder contar com a sua presença.

In: IPPI

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um leque de soluções para um leque de dificuldades

Criada em 2009, a Leque - Associação Transmontana de Pais e Amigos de Crianças com Necessidades Especiais, de Alfândega da Fé, Bragança, inaugurou em Novembro a nova sede na antiga Casa do Povo. A criação de um centro de noite e de uma fábrica de brinquedos adaptados são os próximos projectos.

Ateliês de cozinha, jardinagem e até estágios numa cabeleireira e esteticista da localidade são alguns dos projectos promovidos pelo Centro de Actividades Ocupacionais da Leque,vencedora do Prémio Manuel António da Mota.

Ali, no edifício cedido pela autarquia e segurança social e recuperado pelo financiamento de 40 mil euros atribuído pela Fundação EDP, funcionam também, de segunda a sexta-feira, as várias terapias, como a psicomotricidade, literacia ou fisioterapia. Os utentes da Leque também têm a oportunidade de usufruir de asinoterapia e de balnoterapia (banhos turcos e massagens).

A associação conta com dois funcionários contratados. Dez voluntários garantem diariamente o funcionamento do centro. Quando há actividades especiais, chegam a ser entre 50 a 60 aqueles que se oferecem para ajudar.

Actualmente, são 17 os frequentadores da associação. "Leques", como a presidente Celmira Macedo lhes prefere chamar. Em declarações à TSF, a responsável contou que aquele nome foi escolhido para a associação porque se pretendia fazer face a um leque de dificuldades com um leque de soluções.

O primeiro projecto a arrancar foi a escola de pais, inédito em Portugal, cuja primeira experiência decorreu em Bragança. Ali se ensina aos pais a lidarem com a diferença dos filhos e falar sobre as suas preocupações.

Brinquedos inclusivos

Para o futuro, a Leque pretende avançar com a criação de uma fábrica onde se produzam jogos e materiais inclusivos. A unidade deverá ficar instalada em Alfândega da Fé e metade dos funcionários serão pessoas com necessidades especiais.

Em entrevista à RTP, Celmira Macedo exemplificou o tipo de materiais que se pretende produzir com um porco em miniatura. O brinquedo deveria ter marcado o nome do animal em Braille e emitir o seu grunhido. Assim poderia ser utilizado ao mesmo tempo por uma criança cega, uma criança surda e outra sem limitações.

Outro dos projectos é a criação de um centro de noite, para colmatar uma necessidade das famílias.

In: JN online

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Atividades de leitura para a infância e a juventude

Quando se fala de leitura infanto-juvenil, penso que será pertinente falar-se de leitura, de leitura para e de leitura com, cada um dos três tipos com atividades específicas.

Chamaria leitura, simplesmente leitura, a todas as atividades de leitura autónoma, seja recreativa, para investigação, para estudo ou para qualquer outro fim. Leitura para e leitura com implicam a intervenção e a colaboração de pelo menos duas pessoas: a criança e um adulto (professor ou familiar). Leitura para, como o nome pressupõe, é uma atividade em que alguém lê para outra(s) pessoa(s). Leitura com, tendo a participação de um mínimo de duas pessoas, implica uma participação ativa de todas. Qualquer destes três tipos de leitura pode ocorrer em diferentes idades, desde o nascimento até à adolescência, tendo em conta apenas as faixas etárias a que nos referimos neste artigo.

Então pode começar-se a ler autonomamente desde que se nasce? Como, se não se conhece o código escrito? Quando um bebé brinca com um livro de pano e se diverte a experimentar as diferentes texturas ou a produzir os vários sons que ele proporciona, está a manipular um livro, a virar as suas páginas, a utilizá-lo para criar sentido e o tornar significativo. Com o passar do tempo, a criança vai conseguir ver as figuras de um livro e criar uma história a partir delas, o que é, à sua maneira, e de forma adequada para o nível etário, ler. Se esse livro já foi lido para ela, por exemplo, pelos pais, ser-lhe-á ainda mais fácil recriar a história que já ouviu e ir-se apercebendo de que aqueles caracteres que ainda não consegue descodificar transportam essa narrativa. Com a entrada na escola e a aprendizagem da leitura, a criança poderá, finalmente, começar a fazer uma leitura no sentido tradicional do termo. Existe uma grande variedade de livros, com texto mais ou menos longo, ou até mesmo apenas com palavras associadas a imagens ou com pequenas frases. Uma seleção cuidada dos livros a oferecer a uma criança poderá ajudar a que ela consiga ler autonomamente, o que, além do prazer associado à leitura, contribuirá para a tornar uma leitora mais motivada e mais competente, sendo cada livro, com texto cada vez um pouquinho mais longo, um novo desafio.

Ler para é uma atividade que pode ser iniciada mesmo antes do nascimento, com a mãe a ler para o filho que sente dentro de si. Quando a criança nasce, desde pequena que aprecia ouvir ler e contar histórias. As histórias tradicionais, as lengalengas, as rimas têm vindo a passar de geração em geração e continuam a encantar os mais miúdos e os mais graúdos (nos quais me incluo). Quando a criança começa a aprender a ler, pode deixar de ser o sujeito passivo da atividade de "ler para" e passar a ser um sujeito ativo, lendo para os seus pais. É essencial escolher bem o texto, para que o grau de dificuldade seja adequado e o desafio não seja excessivo. Ler alto para ouvintes interessados e carinhosos é uma atividade enriquecedora que pode contribuir para o desenvolvimento de competências de leitura, como por exemplo a fluência e a entoação.

Ler com pode acontecer também desde muito cedo e, frequentemente, mistura-se com "ler para". Quando lemos uma história aos mais pequenos, tendemos a solicitar a sua participação, fazendo-lhes perguntas ou pedindo-lhes que reproduzam o som das personagens: "Então apareceu um cão: Como faz o cão?", "Nesse momento, apareceu o lobo mau. O que é que ele disse ao porquinho do meio?". Quando a criança começa a aprender a ler, ou se for mais velha e tiver ainda dificuldades na leitura, estas atividades podem ajudá-la a desenvolver competências de leitura e autoconfiança nas suas capacidades. Se a mãe ou o pai se sentarem com o seu filho em torno de um texto curto, podem desenvolver algumas atividades lúdicas de leitura: cada um lê uma frase da história; o adulto lê primeiro uma frase e a criança repete-a; o adulto lê uma frase com um erro e a criança repete-a corrigindo o erro (Ex.: O adulto lê "O boi cruzou-se com o cão." A criança repete e corrige "O boi cruzou-se com o cavalo."); as duas atividades anteriores, sendo feita a leitura de várias frases ou de um parágrafo; recorte dos parágrafos de uma história e reconstrução da história, lendo cada elemento da família o(s) parágrafo(s) que lhe coube(ram).

Quando se sabe ler bem e se desenvolveu o hábito, ler é um prazer que sabe bem ter cultivado. O percurso para adquirir esse hábito é igualmente um prazer e pode ser um prazer partilhado. Na leitura podem-se encontrar/reencontrar as gerações. Pais e filhos, avós e netos, para todos há espaço no mundo das letras e dos livros.

Por: Armanda Zenhas

In: Educare

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Criança aprende a andar com máquina criada pelo pai

Veja, clicando no link abaixo, uma reportagem da televisão Telesur sobre a invenção


Um menino argentino de sete anos de idade nasceu com uma paralisia cerebral que atrofia a sua capacidade motora. Os médicos disseram que a criança nunca seria capaz de andar. No entanto, o pai de Ivo, um mecânico, criou uma máquina “milagrosa” que desenvolveu a capacidade motora da criança, avança a BBC.

Jorge Cardile, o pai de Ivo, é mecânico em Buenos Aires e recusou aceitar o prognóstico dos médicos. Durante cerca de um mês, o pai do menino juntou peças de bicicletas e placas de madeira, construindo um reabilitador motor. Jorge aplicou todas as suas poupanças na construção de quatro protótipos.

“Disse a mim mesmo que tinha de fazer alguma coisa. Por isso fiz esta máquina e conseguimos resultados”, explicou à BBC. A máquina ajudou o menino a corrigir a postura e a movimentar braços e pernas.

Ao poucos, Ivo tornou-se capaz de andar sozinho. “Esta máquina corrige a postura, estimula os músculos, e pode mesmo promover um progresso cerebral nos mais novos”, disse à BBC.

Jorge Cardile quer pôr o aparelho à disposição de várias crianças ou até adultos que tenham o mesmo problema. O pai de Ivo está também à procura de uma empresa que ajude a produzir sua invenção em grande escala.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A matemática e a família

O interesse, as crenças e as atitudes dos pais face à aprendizagem, em geral, e à matemática, em particular, influenciam muito os seus filhos.

A matemática existe em tudo o que nos rodeia. Contudo ela parece assustar muitas pessoas, surgindo como um papão, que desafia mesmo os mais inteligentes. Seria bom que ela deixasse de ser vista e sentida dessa forma e passasse a ser olhada e vivida como um desafio. Se os professores têm um papel importante a desempenhar para que tal aconteça, também os pais podem contribuir fortemente para tal.

A criança começa a aprender logo que nasce. Quando ela vai para a escola, a aprendizagem reparte-se entre o tempo das aulas e o tempo passado com a família. O interesse, as crenças e as atitudes dos pais face à aprendizagem, em geral, e à matemática, em particular, influenciam muito os seus filhos. Uma grande parte da aprendizagem faz-se por modelagem, sendo os pais os principais modelos das crianças.

No quotidiano surgem imensas oportunidades para os pais estimularem e desenvolverem as competências matemáticas dos seus filhos. Vamos ver algumas situações em que, com muita frequência, utilizamos cálculos mentais por estimativa. Podemos envolver as nossas crianças nessa atividade.

O cálculo mental por estimativa utiliza-se para, sem papel e lápis nem calculadora, encontrar rapidamente o resultado o mais aproximado possível de uma ou várias operações. É utilizado em muitas situações do quotidiano, em diferentes contextos, tais como a culinária, as compras ou uma viagem.

Eis alguns exemplos de situações em que se pode resolver os problemas por estimativa, com a ajuda das crianças:

- 1 euro chega para comprar 30 rebuçados de 3 cêntimos?

- Na época dos saldos e nas promoções é indicado o preço anterior e a percentagem de desconto, sendo, muitas vezes, necessário fazer o cálculo do preço a pagar.

- Chegou a altura da festa de aniversário. É preciso calcular o número de garrafas de 1,5 L de Coca-Cola que se vai comprar para encher 20 copos de 2 dl.

- Chegaram as férias. Quanto tempo se vai demorar a fazer um percurso de 230 km, a uma velocidade média de 90 km/h?

Também a estimativa de medidas e quantidades pode proporcionar situações interessantes:

- É preciso arrumar os lápis de cor. Quantos vão caber nesta caixa?

- Quantos palmos medirá a mesa da sala de jantar?

- Quanto tempo demoro a ler uma página de um livro?

- Quantos berlindes cabem numa lata de Coca-Cola de 33 cl?

- Quantos centímetros mede um pau de esparguete?

É necessário que a criança tome consciência de que estas estimativas são fundamentadas e não feitas apenas ao acaso. Por isso é conveniente perguntar-lhe como chegou à conclusão que tiver tirado. É também importante que ela perceba que existem formas diferentes de resolver o mesmo problema. Para que isso aconteça, podem ser comparadas as estratégias utilizadas por várias pessoas.

Há situações em que se requer um cálculo absolutamente exato e outras em que a estimativa aproximada é suficiente. Elas ocorrem no quotidiano de todas as pessoas e de todas as famílias. Os pais podem contribuir para que a criança se vá apercebendo do tipo de cálculo mais adequado às diferentes situações.

Quando a matemática faz, conscientemente, parte do quotidiano da família e até serve de desafio e é fonte de brincadeiras e de passatempos, não será nunca um papão. A criança não só terá expectativas positivas e estará motivada para a sua aprendizagem, como ficará confiante nas suas competências.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Separação conflituosa dos pais gera atrasos no desenvolvimento cerebral dos filhos

Todos os dias, 72 casais divorciam-se em Portugal. Muitos têm filhos e não são raros os casos em que as crianças são envolvidas no conflito. As sequelas podem ser graves.

A falta de um clima de segurança e de serenidade na infância deixa marcas na criança, cicatrizes na "anatomia e na fisiologia do seu sistema nervoso central, difíceis de fazer desaparecer", assegurou o psiquiatra e psicanalista Emílio Salgueiro na conferência sobre o Superior Interesse da Criança que decorreu na quinta e na sexta-feira, em Lisboa. 

A neurociência moderna demonstra que os bebés criados por pais que não lhes proporcionaram um clima de segurança e de serenidade "mostram um atraso na maturação cerebral", contribuindo para que neles se instale "uma situação de stress permanente, lesando o cérebro e impregnando as vivências da criança de insegurança, aflição e desorganização", alertou Emílio Salgueiro, a propósito da discussão acerca do interesse da criança nos processos de separação dos pais.

SAP. Desde a década de 80 que esta sigla passou a ser usada nos tribunais e em relatórios médicos no âmbito dos processos de regulação das responsabilidades parentais. Introduzida pelo pedopsiquiatra americano Richard Gardner, SAP corresponde à "síndrome de alienação parental" e aplica-se a situações em que as crianças, filhas de pais separados, se recusam a estar com um dos pais, do qual por vezes têm uma imagem distorcida, devido à manipulação do outro. Habitualmente, o termo é utilizado para designar a manipulação da criança pela mãe para a afastar do pai. 

A opinião acerca da existência desta síndrome não é unânime e tem sido particularmente contestada por grupos ligados à defesa dos direitos das mulheres e contra a violência doméstica, que consideram que, em muitos casos, as crianças não podem conviver com os pais por suspeitas de que eles são os agressores das crianças, nomeadamente em situações de abuso sexual.

Este entendimento é rejeitado pelos defensores da igualdade de direitos quanto à tutela dos filhos, entre os quais se contam muitos homens que se dizem discriminados pelos tribunais, que os impedem de exercer o direito da guarda dos filhos.

O assunto esteve nos últimos dois dias em debate, em Lisboa, na conferência internacional intitulada O Superior Interesse da Criança e o Mito da Síndrome de Alienação Parentalorganizada pela Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, pelo Instituto de Apoio à Criança, pela Universidade Católica Portuguesa e pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. 

Os dados mais recentes do INE revelam que há quase 26.500 divórcios por ano, em Portugal, uma média de 72 por dia. Em grande parte dos casos, as separações são acompanhadas de conflitos cujos efeitos afectam, sobretudo, os filhos. 

E foi esta questão que o psiquiatra Emílio Salgueiro aprofundou na sua comunicação. "O superior interesse das crianças seria o de que não tivesse que haver regulação das responsabilidades parentais", começou por dizer. Notou que um dos direitos naturais da criança é o de "terem um pai e uma mãe que as desejem e que as amem (...)", um amor a que chama de "encantamento fundador". 

Quando se chega a um processo de regulação das responsabilidades parentais, "já houve muita coisa que correu mal ou mesmo muito mal, entre os pais, um com o outro, entre os pais e a criança, entre este trio fundamental e a sociedade", salienta. Esse direito nuclear de toda a criança "foi ficando pelo caminho, mais ou menos maltratado, mais ou menos danificado".

As "vicissitudes, positivas e negativas, que vão ocorrendo no casal acompanham-se de vicissitudes paralelas na relação com o filho", observa o psiquiatra, explicando que a neurociência moderna demonstra que os bebés que cresceram num clima sem segurança e serenidade "mostram um atraso na maturação cerebral, em especial dos lobos pré-frontais, com alterações neuronais e diminuição da taxa de serotonina, neurotransmissor fundamental, reequilibrador dos estados de ânimo e de desânimo, propulsor da força de viver e do prazer em estar vivo". E, sem a base de "apoio seguro", instala-se "uma situação destress permanente, lesando o cérebro".Salgueiro identifica três grandes momentos traumáticos que afectam a criança no seu desenvolvimento emocional: o "clima parental e social precoce negativo", a separação dos pais e as decisões que acompanham a separação, como a "gestão das guardas parentais". O acumular destas várias angústias pode ter um efeito "catastrófico", a menos que "surja uma intervenção exterior revigorante" e "portadora de esperança". E é nesse sentido que Emílio Salgueiro fala de um "tutor de resiliência", alguém que se ligue à criança "por um laço afectivo forte", restaurando um "reencantamento perdido". Na perspectiva deste psicanalista, "a sociedade deveria sentir-se e assumir-se como um gigantesco tutor de resiliência das nossas crianças e dos nossos jovens". 

Para Emílio Salgueiro, a chamada "síndrome de alienação parental" é "falada como se de uma doença se tratasse e não das consequências de um conjunto de medidas inapropriadas tomadas em relação a uma criança". E as "guardas partilhadas muitas vezes não passam de um processo de heranças e partilhas", nota.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A escrita na família

As práticas de leitura e de escrita na família, mesmo que de uma forma não intencional, influenciam muito o gosto pela sua aprendizagem e as possibilidades de sucesso das crianças.

A escola é um mundo em que a cultura escrita impera. Um bom domínio da leitura e da escrita é fundamental para o sucesso escolar. As práticas de leitura e de escrita na família, mesmo que de uma forma não intencional, influenciam muito o gosto pela sua aprendizagem e as possibilidades de sucesso das crianças.

Referi-me já, em vários artigos, a práticas de leitura e adiantei sugestões para as famílias promoverem o gosto por ela nas suas crianças ("Para que a leitura seja um prazer" e "Ideias para fazer da leitura um prazer"). O mesmo sucedeu com a escrita ("A família e o prazer da escrita I" e "A família e o prazer da escrita II"). Neste artigo, vou centrar-me sobre práticas familiares de escrita que podem influenciar positivamente a aprendizagem escolar, apoiando-me nas conclusões de estudos desenvolvidos por Bernard Lahire, sociólogo francês.

É habitual a utilização de escrita na família? Quem a usa? O pai, a mãe, um irmão mais velho, a avó? Para que fins? É uma tarefa feita com facilidade ou muito penosa? E é feita com prazer ou como um aborrecimento? Todos estes fatores influenciam a forma como as crianças crescem a considerar a escrita, vendo-a como útil e agradável ou não, desejando aprendê-la ou não. Lahire acrescenta que, além de constituírem um exemplo, muitas dessas práticas de escrita são também formas de organização doméstica com significativos efeitos indiretos positivos na vida das crianças.

O calendário e a agenda são apontados por Lahire como instrumentos de grande utilidade. Costumam ser utilizados na família para planificar as suas atividades? Se assim é,pode-se tomar em conta um determinado período de tempo (um ano, um mês, uma semana, um dia, etc.) e repartir as tarefas a desenvolver, de maneira que todas possam ser feitas. As tarefas mais urgentes tomam a dianteira, sendo as outras programadas para um tempo posterior, mas adequado ao seu cumprimento. O tempo a dedicar a cada uma é outro aspeto a ter em conta. Isto implica refletir sobre o tempo passado, presente e futuro e gerir as atividades de uma forma mais racional e menos espontânea e imediata. Exige também autocontrolo dos desejos, pois o critério de programação é a prioridade da tarefa e não a vontade pessoal de a realizar. As crianças aprendem e habituam-se, assim, a regular e a estruturar o tempo e ainda a respeitá-lo, controlando os seus impulsos.

Catalogar fotografias ou colecionar e organizar receitas de culinária são outras atividades úteis. Para além da prática da leitura e da escrita, promovem competências de organização e gosto por ela.

Lahire salienta ainda que a escrita obriga a uma organização do discurso mais precisa e ordenada, implicando reflexividade, rigor e cuidado. Por outro lado, a escrita possibilita uma relação especial com o tempo, na medida em que os registos escritos perduram e podem ser utilizados mais tarde.

Como conclusão, e retomando Lahire, as práticas de escrita familiar e de gestão doméstica implicam uma relação com a linguagem, o tempo e a ordem que é valorizada pela cultura escolar. Por conseguinte, além das vantagens da sua utilização para a vida familiar, estas práticas são também importantes na educação das crianças e facilitadoras do seu sucesso escolar.

Bibliografia: Lahire, B. (2004). Sucesso escolar nos meios populares: As razões do improvável. S. Paulo: Ática.
Por: Armanda Zenhas

sábado, 11 de junho de 2011

Pais e filhos brincam e dançam juntos

Projeto A Par - Aprender em Parceria promove o encontro de famílias e começa a colher frutos. Há mães que querem voltar à escola e que procuram emprego.


Uma hora por semana. Não há lições para dar, nem ordens a cumprir. Há sim histórias, brinquedos coloridos, músicas para acompanhar, canções para cantar, brincadeiras para partilhar, danças para aprender, sacos com livros e objetos lúdicos para levar para casa. É uma hora de encontro entre pais e filhos, até aos 6 anos de idade, que trocam sorrisos, brincam, contam peripécias. Os participantes fazem uma roda e a sessão arranca com uma canção de boas-vindas. Os nomes usados nas cantigas adaptam-se aos batismos dos intervenientes que estão na sala. O projeto A Par - Aprender em Parceria surgiu em 2006, no seio da Escola Superior de Educação de Lisboa, e tem lugar em três bairros de realojamento da capital. Ao todo, são 120 as crianças envolvidas.


Emília Nabuco criou o A Par. A professora e investigadora da Escola Superior de Educação de Lisboa adianta que o projeto surge para estender a mão "a pais de camadas sociais mais desfavorecidas e a crianças pequenas". Para que estejam juntos, para que explorem brincadeiras em conjunto. Um objeto e mil e uma atividades que podem ser feitas. Os pais são ajudados a construir um dossier com os gostos e conquistas dos filhos. Passos considerados importantes nas várias etapas do desenvolvimento das crianças e que podem fazer a diferença quando se entra no primeiro patamar do ensino. Na questão da segurança, da autoestima e até do sucesso escolar. "Estimulando os pais a aprenderem, os filhos vão mais preparados para o 1.º ano de escolaridade. Se cantarem, se brincarem, se disserem muitas histórias, se estabelecerem uma rotina para a alimentação e para o sono, se tiverem todos os cuidados", garante a responsável.


É feito um círculo e as líderes, educadoras de infância e psicólogas, orientam a sessão.


"Assumimos as pessoas tal e qual como são, sem críticas, sem imposições, sem lhes dizer não faça isso ao seu filho", explica Emília Nabuco. Não há autoritarismo, nem repreensões. "Há um modelo que se impõe pelo aspeto lúdico, pela brincadeira." "Há um ciclo de três sessões em que o mesmo tema é tratado de maneiras diferentes", esclarece. Três grandes secções: outono/inverno, primavera e verão.


A repetição é colocada de lado. "O que cativa nas sessões é a não repetitividade e a permanente componente lúdica." Nesse sentido, são usadas "estratégias lúdicas inovadoras". A partir dos dois meses de idade a criança tem contacto com os livros. Pais e filhos cantam e dançam ao mesmo tempo. Aprendem massagem para bebés e a contar histórias de uma forma dinâmica. No final, na hora do adeus, um pano colorido é partilhado por todos. Manuseado pelos pais e que passa por cima das cabeças dos mais pequenos. "As próprias crianças ficam como que envoltas numa magia." Depois disso, os pais levam um saco plástico para casa com um livro de histórias e brinquedos relacionados com essa obra literária. E trazem-no na sessão seguinte. "Investimos muito nos materiais: são muito bonitos e muito bons." Havia mães que nunca tinham lido um livro e crianças que nunca tiveram brinquedos.


Há aspetos que saltam à vista e que podem ser relacionados com a presença nas sessões semanais, com o contacto que é estabelecido entre pais. "Algumas mães estão a tentar ir para a escola", refere Emília Nabuco. Outras começam a procurar emprego. Nota-se vontade de complementar a vida. E também há mudanças a nível físico e de linguagem. "Há mais cuidado de apresentação consigo e com os filhos."


Emília Nabuco afirma que a maternidade e a paternidade não são inatas e, por isso, há que aprender a lidar com as situações. "Algumas mães e alguns pais, quando nascem os seus filhos, não assumem que são os principais responsáveis", observa. Há resistência em admitir a condição social de mãe e pai. Não se trata de uma questão psicológica. "Não assumem a maternidade e a paternidade como um facto. Algumas mães são adolescentes e para uma adolescente é muito pesado ter de assumir a responsabilidade de ter um filho", concretiza.


In: Educare

terça-feira, 15 de março de 2011

A importância de ser o modelo

Partilho o vídeo que uma amiga colocou no seu blog... muito interessante...
Como as atitudes dos adultos influenciam as crianças. Para que não se aplique o velho ditado: "faz o que eu digo e não faças o que eu faço"...

Para reflectir...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Apoio a Famílias Especiais em Peniche - AFESPE

Famílias Especiais são famílias que no seu seio têm pessoas com deficiência.
Normalmente estas famílias, e em pleno séc. XXI, vivem ainda fechadas sobre si próprias, muitas ainda vítimas do preconceito, da falta de formação, informação, sem apoio para lidar com a deficiência, com a naturalidade, a normalidade e o respeito que a mesma merece.
 
Porque as utopias deixam de o ser no momento em que alguém acredita e luta por elas, e porque só podemos falar de responsabilidade social quando primeiro cada um de nós desperta para a sua própria responsabilidade individual, torna-se agora realidade o que até aqui tinha sido uma utopia.

Num exemplo de união de esforços individuais e colectivos, tendo como base o espírito de entreajuda e a partilha de experiências, nasce agora em Peniche, com o patrocínio da Fundação ADRA em Portugal, tendo como parceiros o Portal Ajudas e o BIPP – Banco de Informação de Pais para Pais, um espaço semanal de atendimento a famílias especiais, a funcionar estritamente numa base voluntária e solidária.
 
Um atendimento que se pretende ser acima de tudo um encaminhamento para as famílias e uma partilha de saberes, visando sempre a Inclusão Social, tanto da pessoa com deficiência na comunidade local e na sociedade, como a quebra do isolamento e da exclusão a que as famílias recorrem, por não saberem como lidar com a situação, que respostas procurarem para o seu caso específico, acima de tudo por não ter quem as oiça e compreenda a mesma linguagem, traduzida na similaridade das situações.

Todo este serviço será prestado, numa base voluntária, solidária e personalizada, por um comum cidadão que, por sentir na primeira pessoa muitas das barreiras impostas pela sociedade, acima de tudo por se confrontar com a falta de informação, formação da maioria das pessoas às questões relacionadas com a deficiência, e pela importância urgente em se assumir esta temática como factor natural, normal que faz parte da sociedade, merece da parte da mesma o devido respeito e solidariedade!

Este atendimento terá o seu início no próximo dia 01 de Março, durante o período da manhã, sem um horário fixo, mas que se situará entre as 9 e as 13 horas e funcionará às Terças-Feiras, nas instalações da Igreja Adventista do 7º Dia, na Rua do Vale Verde, Nº. 1 em Peniche (perto da Biblioteca Municipal e da CerciPeniche).

Para qualquer contacto ou esclarecimento é favor contactar afespe@ajudas.com / 91-2363261(Apoio Famílias Especiais Peniche), e uma resposta será dada tão breve quanto possível.

Porque:

O Estado não consegue, nem pode, dar todas as respostas e muitas respostas têm de partir da iniciativa individual e colectiva, da sociedade civil e da solidariedade das pessoas;

Este é o Ano Europeu do Voluntariado;

aqui ficam os agradecimentos às entidades que, de forma simples e possível, conseguem agora juntar esforços e oferecer à comunidade local um apoio e atendimento, tendo em atenção a sensibilidade e delicadeza destas questões.

O nosso agradecimento às entidades que tornaram possível esta realidade:

• Fundação ADRA - http://www.adra.org.pt/ - patrocina o espaço e os recursos logísticos que dispõe em Peniche;

• Bipp - Banco de Informação de Pais para Pais - http://www.bipp.pt – como parceiro no encaminhamento de famílias que procuram respostas e esclarecimentos à sua própria especificidade e material de apoio logístico, quer em papel, quer em suporte digital

• Portal Ajudas - http://www.ajudas.com – como parceiro no apoio logístico, divulgação, informação e encaminhamento das famílias, e no que mais poder apoiar. Disponibiliza a conta de email e o telemóvel de contacto.

Espera-se ainda poder contar com o reconhecimento, a visibilidade das autoridades oficiais para que todos possam de facto ser encarados como iguais, sendo diferentes, e para que a comunidade local reaprenda que falar de deficiência é acima de tudo falar de Respeito, Capacidade e Igualdade, sendo que só com a Solidariedade de todos tal será possível

Em nome de uma plena e activa cidadania, só é possível ter uma igualdade de oportunidades quando se abre a porta para uma oportunidade de igualdade, e pretende-se que este atendimento possa ser para muitas famílias essa porta que se abre nas suas vidas!

Peniche, 22 de Fevereiro 2011

Artigo redigido por Sandra Morato


In: Ajudas

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Quando os pais não vão à escola...

"Os pais que não vêm à escola são os que mais precisavam de vir." É um lamento sincero que frequentemente se ouve aos professores ou até mesmo a encarregados de educação em reuniões de turma. Falam, obviamente, dos pais dos alunos mal comportados, com insucesso ou que faltam muito às aulas.

Porque não vão todos os pais à escola? As razões serão, com certeza, muitas. Pensemos em algumas:

O "professorês" ou "escolês" - Esta linguagem é frequentemente utilizada nos documentos distribuídos aos encarregados de educação e nos contactos orais ou escritos (competências transversais, áreas curriculares não disciplinares, critérios de retenção).

Abordagens negativas - Muitos pais são chamados à escola devido a ocorrências negativas: faltas às aulas, mau comportamento. Estas informações podem acabar por ser sentidas como acusações, porque nem sempre se lhes segue uma busca de estratégias de resolução do problema. Se a acusação é feita numa reunião de encarregados de educação, o vexame é maior ('O Francisco é insuportável e malcriado. Está sempre a insultar os colegas. Até no meio das aulas!') e a vontade de nova deslocação à escola desaparece.

Reuniões sem conteúdo significativo
- "Senhores encarregados de educação, chamei-os cá para lhes distribuir a ficha de avaliação do 1.º período. Não tenho muito mais para dizer. Estou à disposição para responder às perguntas que queiram fazer e depois dou por terminada a reunião". Os encarregados de educação poderão sentir-se defraudados perante uma reunião com tão pouco conteúdo. Terão vontade de se esforçar por ir a outra?

O que fazer para motivar os pais a irem à escola?As estratégias seriam, pelo menos, tantas quantos os problemas que afastam os pais da escola. Vejamos algumas, em contraponto aos problemas referidos.

A linguagem
- O director de turma precisa de conhecer bem o contexto sociocultural dos encarregados de educação e utilizar uma linguagem a ele adequada. Deverá ter esse cuidado na comunicação oral e na escrita.

Abordagens positivas
- Quando é preciso chamar os pais por haver problemas, há vários cuidados a ter:
1. Não culpabilizar os pais, seja de forma directa ou indirecta.

2. Respeitar a sua dignidade e a sua privacidade - Não se deve nomear alunos e respectivo mau comportamento diante de outros. Essa estratégia vexa e não motiva nem orienta para a resolução. Quando se quer falar de um aluno específico, tal deve ser feito num atendimento individual.

3. Sugerir e/ou procurar, em conjunto com eles, estratégias de resolução.

4. Reuniões com conteúdo significativo.

Há muitas coisas que podem ser transmitidas aos pais numa reunião. Podem ser dadas indicações de formas de apoio ao estudo dos filhos (organização do local de estudo, organização do tempo de estudo, eliminação de factores de distracção). Podem ser debatidos temas, como por exemplo 'A alimentação e o rendimento escolar'. O professor de Ciências da Natureza poderia colaborar na sua dinamização.

Da boa relação entre a escola e a família beneficiarão todos os envolvidos, particularmente os alunos. Há portanto que reflectir sobre ela e promovê-la.

VÍDEOS RELACIONADOS COM ESTE TEMAQuando devem os pais ir à escola

Por: Armanda Zenhas 

In: EDUCARE