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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Muitas crianças diagnosticadas com hiperactividade afinal têm problemas de sono

O director do serviço de Pediatra do Centro Hospitalar Leiria-Pombal alertou hoje para a falta de informação sobre os problemas do sono, o que leva, por vezes, a diagnósticos incorrectos de hiperactividade e défice de atenção em crianças e adolescentes.

Apesar de não existirem "números exatos" em Portugal, Bilhota Xavier revelou à agência Lusa que, "de acordo com dados de outros países, mais de 25 por cento das crianças tiveram em alguma fase da sua vida problemas ou patologia do sono".

"Existem vários problemas do sono, como crianças que têm grande agitação durante o sono", o que perturba a "boa higiene do sono". Bilhota Xavier aponta ainda as patologias que afectam as crianças como o ressonar e a apneia obstrutiva.

Ao contrário dos adultos, quando dormem mal, "as crianças ficam muito mais agitadas e mexidas" e "têm uma capacidade de atenção muito mais diminuída".

Estes comportamentos levam, por vezes, os médicos a diagnosticar défice de atenção e hiperactividade de forma errada em algumas crianças.

"Os próprios profissionais de saúde nem sempre estão devidamente informados e atentos a estas questões e acabam por prescrever injustificadamente estimulantes do sistema nervoso central", alertou.

"Estas são as principais razões para que haja em Portugal uma percentagem excessiva de crianças medicadas com sedativos, estimulantes do sistema nervoso central e medicamentos para as cólicas, quando estas crianças precisam é de ver tratado o problema do sono", acrescentou o pediatra.

Para Bilhota Xavier, os problemas do sono começam na fase do nascimento, "quando surgem as ditas cólicas, que não são mais do que a adaptação do seu ciclo vigília/sono".

Este período provoca "desestabilização" nas famílias e leva os pais a procurarem soluções para o desconforto da criança.

"Sem saber como se hão-de orientar, põem a criança a dormir com eles, adormecem-na ao colo ou acompanham-na quando muda de quarto. Cria-se logo aqui uma perturbação nos mecanismos que devem ser os indutores do sono".

O pediatra desaconselha ainda a luz acesa durante a noite, nem que seja apenas de presença, porque "a luz é um elemento muito importante para que o relógio biológico funcione" e que "o ciclo vigília/sono se vá estabelecendo".

A insónia surge durante a adolescência, devido a um "atraso de fase". Isto é, "em vez do seu relógio biológico dar sonolência por volta das 22 ou 23 horas, estes jovens têm um atraso e sono aparece mais tarde", explicou.

Esta situação, referiu Bilhota Xavier, leva a um "consumo indevido de sedativos e indutores do sono", quando "se pode corrigir com outras estratégias".

O pediatra considerou que o sono é um problema "muito importante" e que vai causar "dificuldades de aprendizagem".

"Está provado que 50 a 60 por cento das crianças com problemas do sono vão ter excesso de peso ou vão ser adolescentes obesos. A associação tem a ver com a produção de hormonas e com o nosso metabolismo celular", informou Bilhota Xavier.

As perturbações e patologias do sono são o tema das XX Jornadas de Pediatria de Leiria e Caldas da Rainha, que decorrem dias 29 e 30 no Hospital de Santo André, unidade do Centro Hospitalar Leiria-Pombal, sob o tema "Consensos sobre diagnóstico e tratamento das perturbações e patologia do sono".

Por: Lusa/SOL

In: Sol

sábado, 10 de novembro de 2012

Lisboa: Rastreio à hiperatividade e défice de atenção

O MindKiddo (núcleo da Oficina de Psicologia especializado em saúde infanto-juvenil) realiza, até ao dia 30 de Novembro, um rastreio gratuito da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) dirigido a crianças e jovens dos 6 aos 16 anos, em Lisboa.

Pensando na importância de um diagnóstico e de uma intervenção precoce, este despiste inicial avalia o grau de risco da criança ter um quadro de PHDA (luz verde - pouco risco, amarela - risco médio ou vermelha - risco elevado, aconselhada avaliação completa).

Este despiste permite tomar medidas de prevenção e saber qual a melhor intervenção para o caso de cada criança, ajudando simultaneamente a evitar diagnósticos errados ou tardios.

O rastreio, que se realiza nas instalações do MindKiddo, na Rua Pinheiro Chagas, 48, 4º andar (Lisboa), é gratuito mas é necessário fazer uma marcação prévia para o email contacto@mindkiddo.com ou preenchendo o formulário da página "Marcar" no site do Mindkiddo (www.mindkiddo.com).

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Criança de seis anos impedida de frequentar escola por ser hiperactiva

O jornal Público de hoje lançou a notícia que uma "Criança de seis anos impedida de frequentar escola por ser hiperactiva".

Eu não vou comentar o caso em si porque não o conheço e não quero fazer inferências embora me pareça que existem aqui comportamentos que não são de uma PHDA.

Vou comentar sim algumas situações que me parecem preocupantes.

A primeira é o facto de uma medida desta ter sido tomada e cito o jornal Público: "... concertada entre a equipa médica pedopsiquiatra, docentes da educação especial, direcção da escola e assistente social, que acompanham o caso." A mim espanta-me que a família/encarregado de educação não esteja presente nesta equipa, de modo a serem encontradas estratégias para a intervenção com todos os intervenientes.

Até porque para mim o que me preocupa não é o facto da criança ter sido suspensa, o que me preocupa é a atitude negligente de um estabelecimento de ensino e do Ministério que negam o direito de educação a uma criança. Não consigo perceber como é que uma escola se demite de ajudar e de intervir com um aluno.


De lamentar ainda é a postura deste Ministério que mais uma vez volta a tomar uma medida negligente que prejudica os alunos com necessidades educativas especiais.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Estudo revela que cafeína poderá ser usada em crianças hiperactivas

Pode parecer uma contradição mas a solução para os problemas das crianças com défice de atenção e hiperactividade pode estar, afinal, numa chávena de café. É pelo menos para aí que apontam as conclusões preliminares de um estudo que está a ser realizado por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), liderada por Rodrigo Cunha. 

“O princípio activo que é hoje usado para tratar crianças com défice de atenção e hiperactividade é o metilfenidato que é um derivado das anfetaminas, ou seja, um estimulante. Num sistema que já está tão acelerado, isto é quase como dar um empurrão que o obriga a regressar aos carris. E foi pelo facto de termos visto que havia um paralelismo tão grande entre as respostas à anfetamina e à cafeína, em termos sobretudo motores, que decidimos lançar este estudo que veio confirmar essa ideia de que é possível utilizar nestas crianças um estimulante que não tenha consequências tão gravosas como o metilfenidato”, sustenta Rodrigo Cunha, docente da Faculdade de Medicina da UC, ao PÚBLICO. 

A pesquisa, cujas conclusões foram aceites para publicação na revista European Neuropsychopharmacoly, poderá levar ao desenvolvimento de uma nova geração de fármacos muito mais selectivos, ou seja, “que actuam apenas no tratamento do défice de atenção, sem a toxicidade e a dependência” que, segundo o investigador, estão presentes nos fármacos actualmente utilizados para tratar um problema que se calcula afectar cerca de 7% das crianças europeias”. Mas, conforme ressalva Rodrigo Cunha, “a prudência manda que se espere por um estudo clínico antes de os pais se porem a mudar os hábitos dietéticos destas crianças”. 

Os primeiros ensaios decorreram, ao longo dos últimos três anos, em ratinhos. Por estes dias, a equipa de investigadores debate-se com a necessidade de conseguir financiamento na ordem dos “250 mil a meio milhão de euros” para as duas fases que se seguem. “Por um lado, queremos transpor esta intervenção para crianças com défice de atenção e hiperactividade em ambiente hospitalar e, em paralelo, queremos avançar para a segunda fase da experimentação animal que nos permitirá identificar os alvos moleculares e os mecanismos pelos quais a cafeína confere este benefício”, explica Rodrigo Cunha. 

O estudo pré-clínico foi financiado com verbas norte-americanas, do National Institute of Health, onde se calcula que 20% das crianças sofrem de problemas relacionados com hiperactividade e défice de atenção. Em regra, a patologia surge por volta dos nove anos de idade e “atinge o pico” de modificação de comportamento, entre os 13 e os 14 anos.

Mário Cordeiro alerta para diagnósticos "apressados"

Na reacção a esta investigação, o pediatra Mário Cordeiro alerta para os diagnósticos “apressados” de défice de atenção e hiperactividade em crianças que “o que têm é um problema de ritmos de vida e de sobrecarga de estímulos”. 

“Os rapazes, por exemplo, devido à sua constituição cerebral, têm grande dificuldade em se concentrar quando sujeitos a estímulos variados, e consequentemente dispersam-se, tornando-se depois irrequietos”, exemplifica, para sustentar que “o número de crianças com real síndroma de défice de atenção é reduzido, e nestas, sim, o fármaco deve ser dado porque substitui mediadores químicos cerebrais que estão ‘em baixa’”. 

No seu consultório, há muitos anos que Mário Cordeiro preconiza que seja dado café pela manhã a algumas destas crianças “desde o 1.º ano do 1.º ciclo”, porquanto este “ajuda a filtrar os estímulos inúteis laterais, a focar a atenção e, consequentemente, a aprender mais na escola e a levar menos estímulos e informação inútil para casa, aprendendo melhor e dormindo melhor porque à noite o cérebro tem menos “lixo informativo” para deitar fora”. Cordeiro acrescenta que “como a semivida do café é, no máximo, de dez horas, às seis da tarde já não há café no organismo e as crianças dormem muito bem”. “De resto”, acrescenta, “se não houver contra-indicação (certas situações patológicas raras), o café não tem efeitos colaterais e faz bem, nesta sociedade de hiperestimulação e de pouco repouso”.

Cafeína é benéfica para tratamento da hiperactividade infantil

Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Coimbra (UC) indica que a cafeína é benéfica para tratar a hiperatividade das crianças, disse hoje à agência Lusa o coordenador da investigação, Rodrigo Cunha.

Os investigadores procuram agora financiamento estrangeiro para continuar a desenvolver o estudo.

A administração de cafeína em doses equivalentes a três ou quatro chávenas de café por dia "controla o défice de atenção e hiperatividade, sem causar efeitos secundários", refere a UC em nota hoje divulgada a propósito do estudo.

A hiperatividade é atualmente controlada com a ritalina, fármaco derivado da anfetamina, que tem como um dos efeitos secundários a dependência.

"O que aqui se coloca não é dar café às crianças mas poder medicá-las com cafeína e identificar como ela atua" no cérebro, frisou Rodrigo Cunha, investigador de Neurocirurgia e docente da Faculdade de Medicina da UC.

Para este investigador, "é seguro afirmar que o consumo de café é benéfico em crianças e adolescentes, mas a clínica deve obedecer a todo um protocolo".

Os resultados obtidos carecem "de ensaios clínicos e, por isso, não devemos, ainda, recomendar aos cuidadores de crianças hiperativas a inserção de café na sua dieta", frisou.

Desenvolvida ao longo dos últimos três anos, a investigação veio demonstrar que a cafeína "restabelece a função da dopamina enquanto neurotransmissor do cérebro (com um papel muito importante no comportamento e cognição)" e permitiu evidenciar "modificações que ocorrem no cérebro em situações de défice de atenção e hiperatividade".

A inovação do estudo desenvolvido pela equipa da UC e Centro de Neurociências de Coimbra está, segundo Rodrigo Cunha, "no uso da cafeína em modelos animais para tratar do défice de atenção, o que abre caminho para se confirmar se a sua administração no homem causa menores riscos que a anfetamina e, a partir daí, desenvolver um novo fármaco".

Ao nível dos efeitos secundários, "o grande problema das anfetaminas é criar uma dependência muito marcada e a perda de eficiência ao longo do tempo, além de estar associada a uma maior propensão a processos irreversíveis de consumo de outros fármacos e drogas", explicou.

O estudo vai agora centrar-se no desenvolvimento de químicos semelhantes à cafeína, a serem validados em animais, disse o investigador, que procura financiamento fora do país.

"Estou neste momento a escrever uma proposta, a solicitar novo financiamento, mais uma vez aos Estados Unidos (National Institute of Health, que financiou o estudo pré-clínico)", afirmou o investigador, que viu o projeto ser recusado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Para os ensaios clínicos posteriores, de validação no homem dos dados obtidos em animais, é necessário "cerca de um milhão de euros", mas Rodrigo Cunha está ciente de que esse financiamento virá "sempre de fora de Portugal".

Na Europa, disse, sete por cento das crianças estão medicadas devido a défice de atenção e hiperatividade e estima-se que nos Estados Unidos sejam 20 por cento.

Regra geral, explicou, a patologia surge por volta dos nove anos de idade e "atinge o pico" de modificação de comportamento, que afeta o dia a dia da criança no seu desempenho escolar e interação social, aos 13/14 anos, idade a partir da qual surge o "perfil claramente patológico".

In: I online

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Vendas de medicamentos para concentração aumentaram 78% em cinco anos

Ontem, um pediatra alertou para o facto de a ruptura de stock de um medicamento para a atenção poder empurrar crianças para o insucesso escolar e a reprovação. Vendas sugerem que há cada vez mais crianças e jovens medicados

Quando B. chegou ao primeiro ciclo andava a correr à volta das carteiras na sala de aula. Hoje tem 12 anos e toma medicação para a concentração há dois. Marina, com sete filhos, vê o fenómeno por dois ângulos: é mãe e educadora de infância. Os dois rapazes mais velhos passaram por avaliações de neuropediatras, nenhuma aconselhando de forma taxativa os medicamentos. Mas os médicos deixaram-na à vontade e B. e T., com 10 anos, começaram a fazer a medicação: o mais velho para o desafio constante da autoridade e a impulsividade; o mais novo para superar as dificuldades provocadas pela dislexia e fazer render melhor o tempo na escola. “Sinto que seria diferente se tivessem tido uma educação pré-escolar mais estruturada, com objectivos e aprendizagens orientadas para a concentração e a memória. Ficam com ferramentas muito melhores para lidar depois com a guerra da escola e os novos desafios”, diz.

Depois de 12 anos numa IPSS, está agora num colégio onde as crianças, aos três anos, já fazem exercícios de leitura e matemática informais e têm um programa para treinar a concentração e a organização. “Tem muito a ver com os estímulos, e medir resultados. Não tem de ser aprender a ler, pode ser aprender marcas de carros. Não digo que a escola deva substituir os pais, mas quem é que hoje tem tempo para chegar a casa e brincar com eles aos legos ou aos jogos de tabuleiro?”

Embora não seja fácil ter uma percepção do número de crianças e jovens medicados em Portugal para problemas do foro do défice de atenção e hiperactividade, as vendas dos três medicamentos estimulantes do sistema nervoso usados nestes distúrbios mostram uma tendência de consumo crescente. Segundo dados da consultora IMS-Health cedidos ao i para as transacções entre armazenistas e farmácias, entre 2007 e 2011 o número de unidades vendidas de Concerta, Rubifen e Ritalina (princípio activo metilfenidato) aumentou 78% para 196 749 embalagens no ano passado. Nos primeiros três meses deste ano foram vendidas cerca de 65 mil unidades destes medicamentos, um aumento ligeiro em relação ao primeiro trimestre de 2011 (61 200).

Embora o fenómeno da “geração ritalina” seja um tópico de discussão comum nos últimos anos, os dados não permitem uma leitura inequívoca. Ontem o tema voltou a estar em cima da mesa depois do alerta do pediatra do desenvolvimento Miguel Palha a propósito da ruptura do stock de um destes medicamentos (o Rubifen) nas farmácias. À Lusa, o especialista diz que, porque a substituição de medicamentos nem sempre é viável e porque as alternativas são mais caras, a ausência de um medicamento está a levar pais e pediatras ao desespero: “As crianças querem estudar e não conseguem. Sem estudo e concentração não conseguem boas notas. Estão a ser empurradas para o insucesso e até para a reprovação”, disse.

DOIS MOVIMENTOS Se para o pediatra Mário Cordeiro o apelo é algo exagerado, por fazer depender o sucesso estritamente da medicação, a psicóloga Maria João Ferro acredita que há dois movimentos que podem explicar tanto o apelo de Miguel Palha como o aumento das vendas de metilfenidato e algum exagero na prescrição: “Acho que temos mais informação e as crianças que, de facto, estão bem diagnosticadas e a fazer medicação podem não progredir se o tratamento for interrompido. Por outro lado, há casos subvalorizados. A minha dúvida é se em Portugal se faz a escada toda de avaliação até à medicação.” Da mesma opinião é Linda Serrão, presidente da Associação Portuguesa de Crianças Hiperactivas. Embora acredite que o aumento das vendas não reflicta necessariamente os diagnósticos, sublinha que continuam a existir crianças bem e mal avaliadas. “Há profissionais a fazer diagnósticos aos três anos, há crianças a tomar medicação que não precisam, mas também famílias que precisavam de dar medicação aos filhos e não conseguem, por ser cara.”

Maria João Ferro admite que têm aumentado os pedidos de avaliação, tanto de médicos como por iniciativa dos pais. E alerta que, embora haja abordagens comportamentais importantes, há casos em que a medicação é a solução. “Estamos a falar de uma perturbação neurobiológica, com vários gradientes. Se tivermos um bom centro de desenvolvimento, tenho poucas dúvidas de que as coisas sejam mal feitas. Mas pode haver outros profissionais que os medicam por tudo e por nada.” De qualquer forma, sublinha, o aumento das crianças e jovens medicados não é um problema exclusivo do país. “Há investigações que apontam para a hereditariedade, há outras que apontam para que a falta de exercício e intelectualização da sociedade possam aumentar a agitabilidade, mas neste momento não temos uma causa para o défice de atenção e a hiperactividade. Mas são dois problemas que convém não misturar: os casos bem diagnosticados, com alterações neurobiológicas, e os meninos que se metem neste saco.”

Realidades que se misturam na prática. Para Marina, a frustração e os maus resultados dos dois filhos na escola acabam por pesar mais do que um diagnóstico fechado, com apoio dos médicos. Mas assume que é muito um problema de maturidade e de degradação das relações e dos hábitos das crianças, porque o estilo de vida mudou. Na hora da verdade, o comprimido acaba por ser mais fácil e dar mais segurança a pais e crianças.

In: I online

segunda-feira, 12 de março de 2012

Crianças com problemas de sono tendem a tornar-se hiperactivas

Estudo de 11 mil crianças, seguidas durante seis anos, revela consequências de perturbações respiratórias no cérebro. 

As crianças que ressonam, dormem de boa aberta e sofrem de apneia durante o sono correm mais riscos de se tornarem agressivas e hiperactivas. Um estudo desenvolvido junto de 11 mil crianças, que foram seguidas durante mais de seis anos, concluiu que tais sintomas podem influenciar negativamente o desenvolvimento do cérebro, ou seja, não devem ser negligenciados. 

"Tanto os pais como os pediatras devem prestar mais atenção às irregularidades respiratórias durante o sono nas crianças pequenas, talvez mesmo durante o primeiro ano de vida", alertou Karen Bonuck, co-autora do estudo e investigadora no Albert Einstein College of Medicina da Yeshiva University, de Nova Iorque. Se nada for feito, concluem os autores do estudo publicado agora na revista norte-americana US Journal Pediatrics, as crianças têm entre 40 a 100% de probabilidades acrescidas de, por volta dos sete anos, se tornarem hiperactivas, ansiosas, deprimidas e com sérias dificuldades na interacção com os amigos. "Apesar de ser um problema muito comum, os pediatras e os médicos de família raramente lhe dão a atenção devida", insiste Karen Bonuck. "Na maior parte dos casos, os médicos limitam-se a perguntar "Como é que o seu filho dorme?", em vez de perguntarem especificamente sobre cada um dos sintomas." 

Um peso abaixo da média é outra das consequências comuns nestas crianças, cujo sono não é profundo o suficiente para que produzam as chamadas "hormonas do crescimento". 

As desordens respiratórias do sono ocorrem mais frequentemente entre os dois e os seis anos de idade, mas podem começar mais cedo. "Cerca de 10% das crianças ressonam por sistema, devido ao aumento significativo do volume dos adenóides, muito frequente entre os dois e os quatro anos", especificou ao PÚBLICO o pediatra Mário Cordeiro. "Quando a criança se deita, os adenóides e as amígdalas "caem", encurtando o espaço respiratório na rino e oro-faringe", prossegue o especialista, para acrescentar que, "em consequência, o ar tem maior dificuldade em passar quando entra pelo nariz". Logo, "a criança respira pela boca, fazendo um som mais intenso: o ressonar". 

Estes sintomas, ou seja, a má ventilação, também podem derivar de desvios no septo nasal. Em ambos os casos, quando a obstrução respiratória é grande, "os níveis de oxigénio começam a descer e os de dióxido de carbono a aumentar, fazendo com que a dada altura o centro respiratório "mande" a criança acordar para retomar a respiração - são as chamadas "apneias". Para Mário Cordeiro, "quando o grau de obstrução é tão grande que chega à apneia do sono, em que a criança deixa por momentos de respirar, isto poderá ser um motivo suficientemente forte para considerar extrair os adenóides". 

Esta "dança" entre o sono profundo e o superficial impede o descanso da criança, fazendo com que esta acorde com a sensação de noite mal dormida. Em resultado, a criança tende a mostrar-se sonolenta durante o dia e, consequentemente, mais irritadiça, birrenta e com défice de atenção e de concentração. A impaciência e a conflitualidade com os colegas vêm a seguir, o que "prejudica a relação social e escolar, bem como o processo de aprendizagem", acentua ainda Mário Cordeiro. "Acresce que o fácies da criança, com a boca semiaberta (porque respira pela boca) e não ouvindo bem, contribui para que seja rotulada de "estúpida" e alvo de troça dos colegas, o que aumenta a agressividade e o sentimento de injustiça".

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Aula Aberta sobre Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade

Realiza-se no dia 19 de janeiro, às 11h00, no Auditório do Instituto de Letras e Ciências Humanas (ILCH) da Universidade do Minho, em Braga, uma Aula Aberta sobre Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.

A iniciativa incide sobre dois temas:

   - O transtorno que se centra na hiperatividade e impulsividade das crianças e como isto repercute no seu desempenho académico;

   - As medidas que, desde o ponto de vista escolar, se podem adotar neste tipo de casos.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma síndrome caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade, causando prejuízos a si mesmo e aos outros em pelo menos dois contextos diferentes (geralmente em casa e na escola/trabalho). Entre 3% a 6% das crianças em fase escolar foram diagnosticadas com este transtorno. 30 a 50% dos casos persistem até à idade adulta.

Para mais informações, aceder ao sítio Universidade do Minho.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Birras e fúrias dos miúdos são fogo, mas resolvem-se

Foi quando assistia a um programa de saúde e bem-estar no canal alemão ZDF que achei que devia escrever sobre birras e fúrias dos miúdos. Todos os dias, muitos pais e encarregados de educação têm de enfrentar ou de conviver com vários tipos de birras das suas crianças, que por vezes degeneram em situações insuportáveis e que podem acontecer em todo lado e a qualquer hora. Quem já passou (ou passa) por isso sabe bem como é embaraçoso, além de provocar grande desgaste emocional, tanto para o adulto como para a criança.

Os pais nem sempre sabem lidar da melhor forma com situações desta natureza, o que por vezes só vem agravar a fúria da criança e acrescentar mais tensão ao momento. Foi exactamente por isso que eu decidi ver com atenção a programa da ZDF, que tinha como tema os diferentes tipos de comportamentos infantis, não só em situações perfeitamente normais, mas inclusive dentro de vários quadros patológicos passíveis de existir nas crianças. Não só assisti com tenção como resolvi procurar mais informação, de forma a poder partilhá-la aqui no blogue A Vida de Saltos Altos.

Não se pode comparar um estado de irritação de uma criança hiperativa com o de uma criança ansiosa (por temer algo), nem com o de uma criança cujo objectivo é apenas a insistência permanente na mesma ideia ou num comportamento que já sabe serem errados.

É por isso essencial que se faça uma distinção entre os maus comportamentos ditos "normais" e os outros, que surgem por patologias clínicas diagnosticadas, como por exemplo têm as crianças com ansiedade crónica ou hiperatividade. Naturalmente que nestes casos deve haver acompanhamento especializado. Para as restantes crianças - as tais com quadros aparentemente normais, mas que tiram os pais muitas vezes do sério -, aqui ficam aqui as respostas a duas das perguntas mais frequentes dos pais. Os esclarecimentos são o resumo da opinião de três especialistas na área comportamental e na saúde infantil: um pedopsiquiatra, um pediatra e um psicoterapeuta infantil.

Diz quem sabe

P - Como se reconhece se uma criança é hiperativa, nervosa ou está apenas ater comportamentos próprios da idade?

R - As crianças hiperativas estão permanentemente irrequietas, impacientes, sob um estado nervoso e de alerta total a toda hora, seja em que situação for. Podem até mostrar agressividade e descontrolo perante situações aparentemente normais.

Já as crianças nervosas não o são constantemente. Revelam agressividade ou fúria apenas em determinadas situações, sobretudo nos momentos em que se sentem sobrecarregadas psicologicamente.

De resto, convém não perder a noção de que certos comportamentos nervosos e irrequietos são perfeitamente normais em certas idades. Não raras vezes, as fúrias, o descontrolo ou as reacções nervosas (que nem sempre passam por mera oposição), são apenas formas de chamar a atenção, de demonstrar aos pais que precisam de encontrar o seu próprio caminho e respostas. Aqui, o auxílio de quem cria é essencial.

P - Qual a melhor forma de se lidar com uma birra descontrolada?

R - Começar por prevenir a birra é um caminho eficaz. Obviamente que nem sempre é fácil de adivinhar quais as situações que podem desencadear uma birra, e consequentemente, evitá-la a tempo. No entanto, pode-se tentar evitar o cansaço ou a excitação em demasia na criança. Por exemplo, num centro comercial em que se perceba que a criança já está a ficar cansada ou muito excitada, deve-se sair a tempo do local, de forma a conseguir controlar as suas emoções. Por outro lado, se for durante uma atividade em que note que a criança já está a ficar sobrecarregada, deve parar imediatamente com essa tarefa e mudar o cenário, antes que fique frustrada por não a conseguir realizar. Neste caso, esta decisão deve funcionar como exceção e não como regra, ou a criança terá dificuldade em lidar com a derrota, o que também não é bom.

Já com a birra em curso, é importante que os pais, ou os seus substitutos, sejam um bom modelo de auto-controlo. Há formas certeiras de lidar perante uma birra descontrolada de um miúdo, mas note bem: a violência não é uma delas. A saber:

a) Sentar-se ao lado da criança, sem dizer absolutamente nada, e esperar até que a raiva se dissipe;

b) Mudar de local (se for um sítio público), ou seja, mudar de cenário. Não repreender enquanto a criança estiver descontrolada. Pode e deve conversar com ela, assim que se comece a acalmar;

c) Se a criança começar a ser agressiva, a bater nos pais ou nela própria, deve evitá-lo, segurando-a com determinação e, se possível, levando-a para um local plano e sem perigos, para que possa espernear à vontade;

d) Tentar distrair a criança, com outra coisa que ela aprecie habitualmente;

Lembre-se que, mesmo utilizando estas técnicas, as crianças fazem birras para chamar a atenção dos pais para os levar a fazer aquilo que eles querem. É importante não ceder. As crianças precisam de ouvir um "não" quando as coisas são perigosas ou inadequadas e têm de aprender que as regras devem ser respeitadas.

É importante que explique sempre a base das suas tomadas de decisão. Os miúdos não são tontinhos apenas por serem miúdos, pelo contrário, são exigentes na compreensão do que lhes é imposto, por isso, não resuma as decisões que lhes são penosas a um simples "porque não". Explique. Mesmo que continuem sem querer aceitar ficam com o quadro referencial que está na base dessa decisão. Além do mais, lembre-se que todos os dias eles crescem e que se se limitar ao "porque não", prepare-se para ouvir o mesmo quando forem maiores e os questionar sobre algo que quer saber. Aí, esqueça a expressão "Porque não, não é resposta". Foi você que os ensinou que era.

Por último, convém recordar o que todos os pais e educadores sabem: o amor é a base saudável de qualquer processo educativo e a que mais frutos colhe de sucesso no futuro. Ame as suas crianças incondicionalmente e verá que até das birras se tira proveito: o do prazer da reconciliação.

Por: Ana Real

Ler mais: Expresso online

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Hiperatividade: que podem fazer os pais?

O tema Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) foi abordado nesta rubrica, nos artigos "A polémica ritalina" e "Geração ritalina". A sua leitura poderá, de alguma forma, completar o que irei referir de seguida.

A minha experiência profissional tem-me sensibilizado bastante para a difícil missão que os pais têm de enfrentar ao conviverem diariamente com um filho permanentemente "ligado à corrente". Uma criança hiperativa não é uma criança com temperamento difícil ou com um comportamento mais irrequieto, mas sim um ser humano que apresenta uma constelação de problemas relacionados com falta de atenção, hiperatividade e impulsividade, manifestando-se estes em diferentes contextos e de uma forma prolongada no tempo.

A intervenção junto destas crianças deve implicar a colaboração estreita entre pais, professores, pediatra, médico de família, psicólogo e, eventualmente, neurologista. A criança deverá também ser uma participante ativa no seu tratamento, devendo ser informada de todo o processo que a envolve.

Os pais têm efetivamente um papel muito importante em todo o processo de tratamento, pois crianças com esta perturbação exigem a modificação do funcionamento familiar, de forma a poder responder às suas necessidades de acompanhamento, que são muito particulares. Tal como todas as outras, estas crianças precisam de regras, que devem ser simples, claras e curtas. Além do estabelecimento de regras, deve ser explicitado, de forma muito clara, o que acontecerá como consequência do seu cumprimento ou transgressão. A transgressão deve ser acompanhada de uma penalização, que deverá ser justa, rápida e consistente. A recompensa é também muito importante e deverá ser atribuída regularmente por qualquer comportamento que seja ajustado. Não nos podemos esquecer de que estas crianças são alvo de muitas críticas negativas e, por isso, é fundamental serem elogiadas pelas pequenas coisas que, ao longo do seu dia a dia, façam corretamente. Mesmo que a criança seja apenas parcialmente eficaz, isso deve ser reconhecido com apoio e elogios.

A existência de rotinas estruturadas facilita também o melhor desempenho da criança. Por esta razão, os pais deverão fazer um registo escrito, ao qual a criança tenha acesso, com as horas para acordar, comer, brincar, fazer os trabalhos de casa e todas as outras tarefas que ela terá necessariamente de realizar. A modificação da rotina deverá ser comunicada à criança com antecedência, de forma que esta se possa adaptar.

Um aspeto que é importante sublinhar é que estas crianças necessitam de uma maior vigilância relativamente às outras, uma vez que, devido à sua impulsividade, se colocam muitas vezes em situações de risco. A criança deve, por isso, ser vigiada por adultos durante todo o dia e os pais deverão certificar-se de que tal acontece.

Para mais informações sobre esta temática existem sites na Internet onde é possível obter, para além de mais dados, ajuda e, eventualmente, entrar em contacto com pais que estejam a viver situações familiares semelhantes. Um desses sites é: ddah.planetaclix.pt.

Para terminar, gostaria de sublinhar que, quando a criança é alvo de uma intervenção multidisciplinar na sequência de uma identificação precoce do problema, e de um tratamento adequado, aumentam as probabilidades de ela demonstrar as suas potencialidades e de se tornar futuramente num adulto ajustado.

Por: Adriana Campos

In: Educare

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Terá défice de atenção?

"Recentemente foi diagnosticado à minha filha, agora com 11 anos, um défice de atenção com hipoatividade (é mesmo sem hiperatividade!). Daí ter sido diagnosticada tão tardiamente, pois não tinha sintomas dos mais comuns que costumam acompanhar o défice de atenção. Claro que nós, pais, há algum tempo que estamos preocupados com o desempenho dela na escola, mas não duvidámos nem um pouco das suas capacidades, inteligência ou raciocínio, que são excelentes. Simplesmente não consegue organizar a informação e "provar que sabe" corretamente. Gostaria muito de ler proximamente algo sobre esta vertente mais específica: défice de atenção, sem a dita hiperatividade."
Maria João Valente

As crianças com défice de atenção sem hiperatividade passam muitas vezes despercebidas porque, contrariamente às ditas hiperativas, estão frequentemente no seu canto, sem dar muito nas vistas. Os professores habitualmente reconhecem o seu alheamento e, por isso, vão procurando chamá-las à terra. No entanto, sendo a sala de aula um espaço em que múltiplos acontecimentos se sucedem em catadupa, exigindo uma atuação rápida e contínua, estas crianças não são certamente o alvo da atenção permanente do professor. Se a este facto juntarmos a crença de que a atenção é algo que é controlável desde que para isso haja vontade, não sendo a sua ausência percecionada como patológica, então temos todas as condições para que o problema se prolongue, não sendo feito o adequado diagnóstico.

Quais os aspetos a que deverão estar atentos pais e professores, para clarificar se aquela criança, tantas vezes distraída, tem ou não défice de atenção? Note-se que ser detentor deste conhecimento não é algo de importância secundária, até porque este défice, que tantos problemas traz, pode ser minorado mediante a aplicação de terapêutica farmacológica e estratégias de índole comportamental.

A primeira grande questão que se poderá colocar relativamente a uma criança que não consegue permanecer atenta é se haverá fatores que justifiquem esta incapacidade. Existirão problemas familiares dos quais ela não consegue desligar-se? Não dorme o número de horas suficientes (são tantas as crianças que se deitam tardíssimo!)? Para além das dificuldades de atenção existem outras características que diferenciam aquela criança da maioria? Se a resposta a todas estas questões for negativa, então teremos de passar para um outro nível de análise.

Talvez para os professores seja mais fácil responder a uma outra questão muito importante, porque têm mais termo de comparação que os pais. Será que aquela criança sobressai pela incapacidade de estar atenta numa tarefa que exige esforço mental, quando comparada com outras que têm a mesma faixa etária? Os pais preocupados com a dificuldade de atenção dos filhos deverão analisar cuidadosamente esta questão com os professores. Se a resposta for positiva, devemos procurar responder a outras.

A incapacidade para estar atenta é restrita a um contexto ou é algo que se generaliza a outros? Se em casa nada lhe escapa e na escola os professores referem que está sempre na lua, ou vice-versa, então terão de ser equacionadas outras hipóteses que expliquem esta seletividade. Quando a falta de atenção é algo intrínseco, que parece ter nascido com aquela criança, que se evidenciou desde muito cedo, então estaremos mais próximos de um diagnóstico de défice de atenção.

A dificuldade em permanecer atenta é algo que prejudica de forma significativa a vida daquela criança? Note-se que o prejuízo não é apenas em termos académicos, mas muitas vezes generaliza-se a diferentes áreas. Se tal acontece, então este é mais um dado importante para o diagnóstico de défice de atenção.

Resumidamente, se não se encontram fatores de ordem externa que justifiquem a dificuldade de atenção, se é um problema mais acentuado que na maioria das crianças da mesma faixa etária, se é algo intrínseco que se manifesta em diferentes contextos e prejudica de forma acentuada a qualidade de vida da criança e até da família, então provavelmente estamos face a um défice de atenção.

Bibliografia:

Antunes, N. (2009). Mal-entendidos: Da hiperatividade à síndrome de asperger, da dislexia às perturbações de sono. As respostas que procura. Verso de Kapa.

Por: Adriana Campos



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Intervir na Hiperactividade Ana Rodrigues - 04 Junho

Após o sucesso da formação de Lisboa e das várias solicitações do Porto, convidamos a Dr.ª Ana Rodrigues para novamente partilhar connosco o seu conhecimento e experiência sobre a intervenção na Hiperactividade, e convidamo-lo(a) a estar também connosco. Iremos reunir-nos no dia 4 de Junho pelas 14 h onde teremos um momento informal e descontraído de partilha mútua entre a Dr.ª Ana Rodrigues e todos os que quiserem juntar-se a nós neste momento. Falaremos sobre a hiperactividade mas sobretudo nos diferentes tipos de acção e respectivas estratégia na intervenção para pais e profissionais que lidam com crianças hiperactivas. 


O Local será Pousada da Juventude do Porto, no dia 04 de Junho com inicio pelas 10h e término pelas 12h. 

Este encontro tem um custo de 25€ com materiais, certificados e lanche já incluídos. 

Ana Rodrigues possui Doutoramento em Motricidade Humana na especialidade de Educação Especial e Reabilitação (UTL/FMH), Mestrado em Educação Especial; Licenciatura em Educação Física ramo Educação Especial e Reabilitação está também a concluir licenciatura em Psicologia na Faculdade de Psicologia da Univ. de Lisboa.

Com uma vasta experiência de intervenção terapêutica em crianças hiperactivas, actualmente exerce no CADIN para além de ser docente na Fac. Motricidade Humana 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Workshop: A Hiperactividade

PPDA - Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e do Autismo - Setúbal

Este Workshop terá uma parte mais expositiva, centrada na teoria e apresentando o corpo teórico que será a matriz da intervenção, e uma parte mais prática, centrada na intervenção e apresentando indicações gerais e específicas para orientar a intervenção e gestão diária do comportamento das crianças e adolescentes com PHDA nos diferentes contextos de vida. 

Formadoras: Joana Carneiro e Sara Simões

*Ambas técnicas do SEI - Centro Desenvolvimento e Aprendizagem

Destinatários: Pais; Professores e Educadores de Infância; Técnicos; Estudantes; Outros interessados.

Programa

  • 09:30h – Recepção dos participantes
  • 10:00h
    • - Pertubação da Hiperactividade e Défice de Atenção - Definição, Critérios de diagnóstico (DSM IV) e Subtipos
    • - Prevalência
    • - Etiologia
    • - Comorbilidade
    • - Modelo teórico
    •  
  • 11:30h - Coffee Break
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  • 12:00h    - Intervenção - Algumas Indicações Gerais
    • - Integração na Educação Especial e Adequações no Processo de Ensino e Aprendizagem
    • - Técnicas, Estratégias e Procedimentos úteis no contexto de sala de aula e no contexto familiar
    •  
  • 13:00h – Pausa para almoço
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  • 14:30h – Casos Práticos
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  • 15:30h – Intervalo
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  • 15:45h – Casos Práticos
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  • 17:30h – Encerramento

Local: Av. Cova dos Vidros, lote 2367 R/C Quinta do Conde 2975-333 Sesimbra

Número de Participantes: 24 Formandos (selecção por ordem de chegada das inscrições)

Duração: 6 Horas

Secretariado

Helena Romeiro – 933 407 369
Carmen Cristino – 919 530 777
Telefone/Fax: 265 501 681, Email: appda-setubal@sapo.pt

Coordenadoras

Elisabete Ferreira – 913 093 321
Isabel Batista – 966 044 589
 

Inscrição: Sócios da APPDA – Setúbal e Estudantes – 35.00€

                Não Sócios – 40.00€

 

Contactos e inscrições em :

Telefone/Fax: 265 501 681 
 

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Hiperactividade - Em casa e na escola

Para que os comportamentos impulsivos possam ser associados à hiperactividade é preciso que se manifestem nos vários meios em que a criança se move – em casa e na escola.

Assim, a uma criança que se mostre demasiado irrequieta, distraída e faladora nas aulas, mas que consiga relacionar-se normalmente em casa e noutras situações, não se pode diagnosticar uma perturbação por défice de atenção e hiperactividade.

Além da própria criança, pais e professores são os mais afectados e, a prazo, a própria sociedade. Para os pequenos “pestinhas”, o maior impacto da hiperactividade é o facto de, frequentemente, serem rejeitados pelos colegas. Associadas às dificuldades escolares, as de relacionamento social podem ter consequências graves, havendo estudos que mostram uma elevada incidência de acidentes com este grupo de crianças.

Os comportamentos anti-sociais podem, com a idade, levá-las a abusar de drogas ou a desenvolver manifestações de agressividade e violência. Para a família, a hiperactividade caminha a par da impotência, do desânimo.

Os pais sentem-se perdidos, sem saber o que fazer. Nada resulta e os métodos habituais de disciplina, como a argumentação, a repreensão ou mesmo os castigos, não surtem efeito.

A frustração empurra-os muitas vezes para métodos mais desesperados, mas gritar ou bater também não adiantam. No final, para os pais sobra um sentimento de culpa desnecessário, mas real.

Pais informados lidam melhor com a situação. Porque há técnicas a que os pais podem recorrer para modificar o comportamento destas crianças. A do intervalo – dizem os especialistas – tem o efeito de acalmar a criança quando ela está fora de controlo, incapaz de obedecer.

Sentá-la num local sossegado e deixá-la sozinha durante alguns instantes costuma ser benéfico. Do mesmo modo, é importante que os pais valorizem os comportamentos positivos, elogiando-os.

Hiperactividade - Em casa e na escola.

É aquilo a que os especialistas chamam de reforço das condutas positivas. O sistema de recompensas e castigos, segundo o qual se encorajam os comportamentos correctos e desencorajam os incorrectos, recompensando ou castigando a criança em conformidade com o resultado obtido, também costuma resultar.

A escola também pode ajudar. Perante uma criança hiperactiva, o professor pode incentivá-la a adaptar-se às regras de conduta da sala, adoptando pequenas estratégias que a centram na tarefa de aprender.

Sentá-la mais perto do quadro, afastando-a de focos de dispersão da atenção, é uma delas. Dar-lhe mais algum tempo para fazer os testes, incutindo-lhes o sentimento de que tem mais uma oportunidade para mostrar o que sabe, é um desses pequenos truques.

É claro que quando a intervenção de pais e professores não parece dar frutos, há sempre o auxílio profissional, de um pedopsiquiatra ou de um psicólogo clínico. Terapia comportamental e medicamentosa pode ser a solução e, ao contrário do que poderia pensar-se, são os estimulantes, não os calmantes, os mais indicados.

O que pais e professores não devem é perder tempo a procurar as causas, mas sim direccionar energias para medidas que minimizem o impacto desta desordem na vida das crianças.

Por: Ana Costa

sábado, 11 de dezembro de 2010

Psicólogos de Leiria lançam guia para pais com crianças hiperactivas

Sair de casa de manhã a tempo de chegar a horas à escola pode ser uma tarefa herculiana para os pais de crianças com hiperactividade e défice de atenção. Simples rotinas como o vestir e tomar o pequeno-almoço acabam muitas vezes num autêntico braço-de-ferro entre pais e filhos. No regresso a casa, ao fim do dia, o “conflito” prossegue seja na hora dos trabalhos de casa seja nas pequenas tarefas do quotidiano.

E se as crianças precisam de ajuda, os pais também, para conseguirem lidar com os sentimentos de angústia, frustração, desespero e cólera que os assolam.

Foi justamente para ajudar os pais a encontrarem estratégias para lidarem com os filhos com hiperactividade e défice de atenção (PHDA), entre outras perturbações do comportamento de base neurodesenvolvimental, que os psicólogos Paulo Costa, Susana Heleno e Carla Pinhal, de Leiria, escreveram o livro “Juntos no desafio: um programa de promoção de competências para pais e crianças com PHDA”.

Segundo Paulo Costa, psicólogo de Pediatria no Hospital de Santo André, trata-se de “um guia de estratégias para fazer face aos principais constrangimentos e dificuldades sentidos pelos pais com crianças com estas perturbações”.

Uma criança com défice de atenção “não é capaz de focar a sua atenção numa tarefa”, seja um trabalho de casa ou um jogo. A hiperactividade traduz-se genericamente num excesso de actividade motora. “A criança fala demais, não consegue controlar os seus movimentos, não pára quieta mesmo a ver televisão ou à mesa”.

Hiperactividade ou excesso de energia?

Paulo Costa alerta, no entanto, para a necessidade de um diagnóstico médico, até porque é comum rotular de hiperactivas crianças que têm apenas excesso de energia.

“O diagnóstico tem de ser clínico, baseando-se em recursos validados e escalas de avaliação de comportamento”, refere o especialista, para quem o acompanhamento psicológico é muito importante, associado ou não a um tratamento farmacológico.

“Os fármacos não chegam”, sustenta, lembrando que estes têm um tempo de actuação limitado. O programa “Juntos no desafio” propõe assim doze sessões de intervenção, devendo cada uma ser implementada pelos pais durante o período mínimo de uma semana, individualmente ou com acompanhamento especializado.

“Aprenda a prestar atenção: utilize o tempo especial!”, “Elogios nunca são demais: Use e Abuse!”, “Desobediência ocasional – Novas ferramentas”, “O que fazer em público? Pense antes de agir!”, “Ajude o seu filho a regularas emoções” são algumas das etapas deste manual de educação parental que pode ser também utilizado por professores, educadores e técnicos de intervenção psicológica, comportamental e/ou clínica.

Para o efeito, o programa, protagonizado por Faísca, dispõe de materiais de apoio dirigidos a pais e crianças, que podem ser descarregados e impressos através do site http://www.juntosnodesafio.com/.

Por: Martine Raínho
martine.rainho@regiaodeleiria.pt

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

PHDA

Entrevista com a médica psiquiatra e escritora Dr.ª Ana Beatriz Barbosa Silva sobre Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) -, tema do livro de sua autoria Mentes Inquietas. (2ª Parte)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

PHDA

Entrevista com a médica psiquiatra e escritora Dr.ª Ana Beatriz Barbosa Silva sobre Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) -, tema do livro de sua autoria Mentes Inquietas. (1ª Parte)


sábado, 20 de novembro de 2010

Hiperactividade – A importância de um diagnóstico

Existem alguns comportamentos nas crianças que, embora possam estar presentes na hiperactividade, não são por si só um diagnóstico de Hiperactividade; esse diagnóstico tem que ser feito através da consulta de um médico especialista (como um neurologista) e da recolha de vários dados (relatórios dos comportamentos realizados pelos professores, psicólogos, terapeutas, …).

A importância de um diagnóstico correcto evita o arrastar de situações e o recurso a medicamentos que não resolvem os problemas (os medicamentos servem para quando são realmente necessários, e não para remediar situações).

- A Ansiedade pode afectar a atenção de uma criança porque esta pode estar preocupada com outros assuntos que não a deixam concentrar, aparentando estar distraída; deve-se tentar perceber se ela também adopta este comportamento quando está descansada. Isto porque a ansiedade pode estar a ser desencadeada por situações que estejam a ocorrer na vida da criança, estando a criança com dificuldades em lidar com isso e em expressar os seus sentimentos.

- Os Comportamentos Disruptivos são uma questão frequente na escola, mas não são exclusivos de crianças com hiperactividade; estes comportamentos podem ocorrer quando as crianças se sentem frustradas, quando têm dificuldades em lidar com a autoridade ou quando procuram a atenção do adulto (para estes casos, a medicação para a hiperactividade não é adequada, podendo existir outras formas de controlo comportamental).

- As Dificuldades de Aprendizagem afectam o desempenho escolar em algumas áreas e como tal, a criança pode estar menos atenta na realização dessas tarefas ou mesmo adoptar um comportamento evitante, fugindo a este género de trabalhos.

Além de estes comportamentos, podemos nomear outro ainda que pode ser confundido com hiperactividade; daí a importância da criança ser vista como um todo (emocional, social, individual) para poder ser compreendida também no seu todo.