A Universidade das Artes de Berlim (Alemanha) desenvolveu uma luva sensorial, a Mobile Lorm Glove, para pessoas com problemas de audição ou visão poderem ter acesso às novas tecnologias, tal como qualquer outro utilizador – ler, escrever, e disfrutar de conteúdos electrónicos.
A tecnologia está dotada de sensores na palma e os dados são enviados da luva para o dispositivo portátil (tablet ou smartphone) através de Bluetooth, ou seja, o utilizador recebe uma mensagem quando os motores de vibração na parte superior da mão emitirem um sinal que será possível de ler através de padrões tácteis.
A luva traduz o alfabeto tocando no texto com a “Lorm”, um meio de comunicação usado tanto por invisuais como por quem é privado de audição em alguns países da Europa e dos Estados Unidos.
A Mobile Lorm Glove fornece duas vias de comunicação inovadoras para surdos e invisuais: permite-lhes troca de informação à distância (enviar mensagens de texto, e-mails, etc.) e ainda a comunicação paralela, que é especialmente útil na escola e outros contextos de aprendizagem. Pessoas que tenham estas incapacidades poderão igualmente aceder a livros electrónicos e aplicações de tradução em simultâneo.
No entanto, a tecnologia ainda não está pronta para ser comercializada. A universidade propõe-se ainda a preparar uma aplicação de entrada e saída de voz.
A primeira «Cadeira Móvel Autónoma» portuguesa é amanhã apresentada no Instituto Politécnico de Leiria (IP Leiria). Este é um projeto do departamento de Engenharia Informática (DEI) da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) que permite o controlo de uma cadeira de rodas convencional por voz e pelo movimento dos olhos.
Uma das vantagens desta cadeira é “providenciar um pouco mais de condições de vida a quem mais precisa”, afirma João da Silva Pereira ao Ciência Hoje.
Outra vantagem, continua o coordenador do projeto, “é o preço”. E explica: “O custo de uma cadeira de rodas elétrica ronda os três mil euros e não possui qualquer tipo de processamento ‘inteligente’ de dados”, isto é, controlo por comandos por voz, controlo por movimento ocular, deteção de obstáculos, etc. Já o custo estimado de produção deste protótipo “versátil e inteligente”deverá ser de “mil euros, incluindo computador portátil, sensores e webcams, motores e baterias”.
Uma terceira vantagem “é o facto de ser um kit amovível”, ou seja, deverá ser possível acoplar e remover o módulo de motorização amovível a uma cadeira de rodas convencional, sublinha.
A ideia para este projecto surgiu no âmbito da disciplina «Projeto de Informática para a Saúde» onde foi proposto aos estudantes de 3.º ano do curso Informática para a Saúde que aliassem as novas tecnologias à área da saúde.
“Limitei-me a propor aos meus estudantes uma aplicação que pudesse suportar um sistema modular de controlo de movimentação autónoma de uma cadeira de rodas”, afirma João da Silva Pereira.“Adicionalmente, esse projeto tinha de ser de baixo custo”, acrescenta.
A ideia foi desenvolvida durante quatro meses sob orientação de João da Silva Pereira, que dividiu os estudantes Catarina Curioso, Duarte Ferreira, Flávia Simão, Inês Grenha, Mauro Pinheiro, Nuno das Santos, Silvia Fernandes e Tiago Neves em quatro grupos de trabalho designados por módulos.
“O grupo de estudantes do módulo I foi responsável pelo controlo dos motores; módulo II ficou com os comandos de voz; o módulo III tratou do reconhecimento dos movimentos oculares; e o último módulo encarregou-se da detecção de obstáculos por processamento de imagens”, descreve o professor.
O software utilizado foi o Labview 2010, “linguagem que se adapta facilmente ao desenvolvimento rápido de aplicações que conjuguem software e hardware”. Assim, em três semanas os estudantes concluíram a aprendizagem dessa nova linguagem de programação e nos três meses seguintes puderam concluir e mostrar uma primeira versão do protótipo.
Terminado o projeto, João da Silva Pereira encarregou-se de fundir e adaptar as quatro aplicações dos módulos.
Uma vez que se trata ainda apenas de um protótipo funcional, João da Silva Pereira e os estudantes do curso de Informática para a Saúde vão “fazer todos os esforços para angariar parceiros e financiamento para criar um produto desta ideia”. Assim sendo, os próximos passos na investigação incluem “refinar o protótipo, com a colaboração das áreas da Engenharia Mecânica e Eletrotécnica, para a produção da estrutura física amovível e respectivo equipamento eléctrico optimizado ao peso e portabilidade deste kit”.
O Instituto Politécnico de Leiria (IPL) criou um protótipo de uma cadeira de rodas low cost que é comandada pela voz e pela íris, disse nesta quinta-feira um dos professores responsáveis pelo projecto, Ricardo Martinho.
“A mais-valia deste projecto está no seu baixo custo e no facto do módulo poder ser adaptado à maior parte das cadeiras de rodas que não possuem motorização, como aquelas que se encontram habitualmente num hospital”, explica aquele que é o coordenador do curso de Informática para a Saúde, que integra o departamento de Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do IPL.
Uma cadeira de rodas autónoma “pode custar entre 10 e 30 mil euros”, mas este projecto tem condições de assegurar que a comercialização ronde os 2500 euros, sublinha à Lusa, por outro lado, o coordenador do departamento de Engenharia Informática da ESTG, Patrício Domingues.
O mesmo responsável revela que o preço de produção deste protótipo não ultrapassou os mil euros. “É uma diferença muito grande em relação aos preços proibitivos a que as cadeiras de rodas autónomas podem atingir”, enfatiza.
Para a criação deste protótipo foi utilizado um portátil low cost, uma placa de aquisição de dados, dois motores, duas rodas, um microfone com auscultadores, duas ‘webcams’ e um capacete.
Uma vez concluído o protótipo, a fase seguinte passa por encontrar financiamento, desenvolver o projecto nas áreas da mecânica e da electrotecnia, bem como avançar para o desenvolvimento do design do módulo, que se transformará num ‘kit’ portátil.
“Um dos passos importantes passa por fazer um projecto de design industrial para a estrutura física amovível de suporte aos motores, às baterias e ao próprio mecanismo de tracção das rodas”, explica Ricardo Martinho.
Já o coordenador do projecto, o professor João Pereira, assinala que este “módulo low costadaptável para uma cadeira móvel autónoma faz o reconhecimento dos comandos de voz, de movimentos oculares, mas também a análise de imagens para prevenir colisões”.
Enquanto a primeira ‘webcam’ se destina a reconhecer os movimentos oculares, a segunda visa detectar obstáculos, precisa o responsável, sublinhando que o sistema de comando é simultaneamente assegurado por voz e pela íris para garantir maior fiabilidade.
A ESTG é uma das cinco escolas do IPL, instituto que representa actualmente cerca de 95 por cento do ensino superior do distrito de Leiria e abrange uma comunidade de mais de 12.000 estudantes e 900 docentes.
O projeto DACHOR, iniciativa inserida no programa MIT Portugal – e apresentado durante o Ciência 2010 – e que envolve diferentes instituições, tais como a Universidade do Minho (UMinho), o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e o Instituto Superior Técnico (IST), recebeu hoje o primeiro lugar do «Prémio Ser Capaz - Investigação e Tecnologia», promovido pela Associação Salvador.
O galardão, no valor de 5000 euros, reconhece o trabalho da equipa de investigação e o impacto social que poderá ter o produto – uma inovadora ortótese ativa para o tornozelo de indivíduos com mobilidade reduzida e com patologias neuromusculares do aparelho locomotor.
O DACHOR é um projeto do programa MIT Portugal, liderado por Miguel Tavares da Silva (IST) e que envolve Paulo Flores (Departamento de Engenharia Mecânica da UMinho), Carlos Vasconcelos e Jorge Martins (IST), Paulo Melo, Dava Newman e Hugh Herr (MIT). A inovação irá providenciar não só um suporte para patologias da marcha, mas também promover a reabilitação do aparelho musculosquelético. Esta característica deve-se à natureza híbrida da ortótese, que tem uma componente de atuação mecânica externa e uma componente de estimulação elétrica funcional.
“Consideramos que este projeto vai melhorar a qualidade de vida de pessoas com mobilidade reduzida e ajudar à sua integração na sociedade”, refere o professor Paulo Flores, que é também investigador do Centro de Tecnologias Mecânicas e de Materiais (CT2M) da UMinho.
A equipa do DACHOR espera que as inovações contribuam para uma melhoria da marcha, reabilitação muscular, aumento da autonomia, diminuição do consumo energético, tamanho e peso dos atuadores externos. Para o efeito, o projeto baseia-se em metodologias de dinâmica multicorpo, para modelar e otimizar a marcha humana patológica, e também em arquiteturas adaptativas de controlo inteligente de ambos os tipos de atuação. A Associação Salvador é uma entidade sem fins lucrativos que zela pela conquista dos interesses e direitos das pessoas com mobilidade reduzida, em especial dos portadores de deficiência motora.
Destinado a utilizadores com necessidades especiais, o presente Guia tem como objectivo dar a conhecer os equipamentos e funcionalidades nos serviços de telefone fixo, telemóvel e Internet actualmente disponíveis em Portugal, especificamente desenvolvidos para responder às suas necessidades, bem como aqueles que, sendo de utilização generalizada, podem ter especial interesse para estes utilizadores.
Aqui vai encontrar informação útil sobre:
equipamentos, funcionalidades e serviços de telefone fixo, telemóvel e Internet;
serviços de informação e apoio ao cliente, facturação e listas telefónicas;
Projecto com a APPACDM estende-se a várias cidades
Um grupo de investigação da Universidade do Minho, em parceria da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM), está a desenvolver um projecto para a utilização de robôs como meio de comunicação e interacção com alunos autistas. As experiências confirmam que estes conseguem realizar novas tarefas, como sentarem-se num local diferente para brincar com o robô ou realizarem uma actividade com outro colega, tal como a tinham feito com o autómato.
O projecto Robótica-Autismo tem como objectivo à aplicação de ferramentas robóticas para melhorar a vida social de alunos com autismo, melhorando as suas habilidades de interacção e comunicação com pessoas e em contextos diferentes. “Temos trabalhado competências de interacção e de vocalização”, onde “o jovem teria de ser incentivado a pedir algo que quisesse – dizendo “dá”, por exemplo – e o robô iria trazer-lhe a bola”, explicou Filomena Soares, investigadora responsável.
As actividades visaram incentivar os jovens a interagir, pedir e participar em jogos e iniciativas em conjunto com outras pessoas. A ideia surgiu a partir de contactos já existentes com a instituição, onde se verificou haver terreno favorável para o desenvolvimento do estudo, inspirado em duas teses de mestrado em Electrónica Industrial.
A iniciativa procura igualmente “generalizar o conceito, levando-os para novos ambientes, fora da sala aula e junto de pessoas que nunca tinham visto e são experiências demoradas, nem sempre positivas, mas que acabam por ter um final positivo”, continuou.
A docente acrescenta ainda que “tendo por base a interacção, a comunicação e a vocalização, são definidas actividades muito simples, com competências bem definidas, registando-se a realização de novas tarefas pelos alunos com este tipo de problema, como por exemplo o facto de se sentarem num local diferente na sala de aula para brincar com o robô ou realizarem com outro colega uma actividade previamente realizada com o mesmo robô”, explicou.
Alunos têm de verbalizar que querem a bola para obtê-la. O facto de este projecto trabalhar contextos diferenciados acaba por influenciar um envolvimento das famílias, que, desta forma, participam no desenvolvimento e beneficiam de uma transferência de competências e de rotinas muito importantes para o contexto familiar. Segundo a investigadora, “revelou-se determinante o papel da APPACDM, que acabou por facilitar a interacção que proporcionou contactos durante o projecto, assim como uma acção de divulgação e partilha onde todos participaram”.
Através do Ministério da Educação, foram já realizados contactos com outras unidades de ensino estruturado, havendo já reuniões com mais quatro centros que se juntam à APPACDM de Braga no desenvolvimento deste projecto. Desta forma, este grupo de investigação passará a trabalhar com utentes de Arouca, A-Ver-O-Mar, Barcelos e Leça da Palmeira, para além de Braga. Estão igualmente a ser estudadas novas formas de interagir com os alunos com autismo em idade escolar, utilizando plataformas robóticas mais robustas e com maiores capacidades.
“Esperemos que a robótica seja um meio promotor, um interface útil para comunicar com esses jovens”, concluiu Filomena Soares.
Um menino argentino de sete anos de idade nasceu com uma paralisia cerebral que atrofia a sua capacidade motora. Os médicos disseram que a criança nunca seria capaz de andar. No entanto, o pai de Ivo, um mecânico, criou uma máquina “milagrosa” que desenvolveu a capacidade motora da criança, avança a BBC.
Jorge Cardile, o pai de Ivo, é mecânico em Buenos Aires e recusou aceitar o prognóstico dos médicos. Durante cerca de um mês, o pai do menino juntou peças de bicicletas e placas de madeira, construindo um reabilitador motor. Jorge aplicou todas as suas poupanças na construção de quatro protótipos.
“Disse a mim mesmo que tinha de fazer alguma coisa. Por isso fiz esta máquina e conseguimos resultados”, explicou à BBC. A máquina ajudou o menino a corrigir a postura e a movimentar braços e pernas.
Ao poucos, Ivo tornou-se capaz de andar sozinho. “Esta máquina corrige a postura, estimula os músculos, e pode mesmo promover um progresso cerebral nos mais novos”, disse à BBC.
Jorge Cardile quer pôr o aparelho à disposição de várias crianças ou até adultos que tenham o mesmo problema. O pai de Ivo está também à procura de uma empresa que ajude a produzir sua invenção em grande escala.
Adam Duran, juntamente com dois mentores, criou um software que permite a invisuais escreverem em braille num tablet.
Há uma app para isso” é cada vez mais uma forma apropriada de descrever a inovação crescente dos tempos em que vivemos. Um estudante norte-americano desenvolveu uma aplicação que permite a invisuais escreverem em braille num tablet.
Adam Duran, estudante universitário, desenvolveu esta app com a ajuda de dois mentores, Adrian Lew e Sohan Dharmaraja, durante um curso de verão na Universidade de Stanford, localizada em Palo Alto, na Califórnia.
Esta invenção poderá vir a facilitar em muito a vida dos invisuais, que até agora, se quisessem uma ferramenta de escrita, não tinham alternativa aos dispositivos com preços de vários milhares de dólares, os quais se assemelham às antigas máquinas tipográficas.
O desenvolvimento desta aplicação tomou lugar no Army High-Performance Computing Research Center (AHPCRC) da Universidade de Stanford, mas a ideia que esteve na sua origem não foi a de uma aplicação para escrever em braille mas, sim, para o ler.
“A tecnologia, apesar de definitivamente útil, seria limitada na sua aplicação ao dia a dia” disse Adam Duran à publicação “Stanford Report”. “A killer app não era um leitor, mas sim uma ferramenta de escrita” adicionou Sohan Dharmaraja.
Este software aproveita-se dos amplos ecrãs táteis da maioria dos tablets, os quais já estão devidamente preparados para reconhecer o toque e agir consoante o mesmo, algo que torna a ferramenta útil para os invisuais pois o toque é um dos sentidos pelos quais se orientam no desempenho das tarefas diárias.
Graças à “inteligência” dos ecrãs táteis, o teclado e as teclas podem reajustar-se automaticamente à posição dos dedos do utilizador de cada vez que este os pousa no aparelho. O tamanho dos dedos e o estilo datilográfico dos utilizadores também não é um problema para o software.
Uma vez associada às tecnologias de reconhecimento de voz cada vez mais populares, esta invenção poderá providenciar uma panóplia de usos para os invisuais, como aliás demonstra Sohan Dharmaraja num vídeo do YouTube.
Adam Duran, estudante universitário, desenvolveu esta app com a ajuda de dois mentores, Adrian Lew e Sohan Dharmaraja, durante um curso de verão na Universidade de Stanford, localizada em Palo Alto, na Califórnia.
Esta invenção poderá vir a facilitar em muito a vida dos invisuais, que até agora, se quisessem uma ferramenta de escrita, não tinham alternativa aos dispositivos com preços de vários milhares de dólares, os quais se assemelham às antigas máquinas tipográficas.
O desenvolvimento desta aplicação tomou lugar no Army High-Performance Computing Research Center (AHPCRC) da Universidade de Stanford, mas a ideia que esteve na sua origem não foi a de uma aplicação para escrever em braille mas, sim, para o ler.
“A tecnologia, apesar de definitivamente útil, seria limitada na sua aplicação ao dia a dia” disse Adam Duran à publicação “Stanford Report”. “A killer app não era um leitor, mas sim uma ferramenta de escrita” adicionou Sohan Dharmaraja.
Este software aproveita-se dos amplos ecrãs táteis da maioria dos tablets, os quais já estão devidamente preparados para reconhecer o toque e agir consoante o mesmo, algo que torna a ferramenta útil para os invisuais pois o toque é um dos sentidos pelos quais se orientam no desempenho das tarefas diárias.
Graças à “inteligência” dos ecrãs táteis, o teclado e as teclas podem reajustar-se automaticamente à posição dos dedos do utilizador de cada vez que este os pousa no aparelho. O tamanho dos dedos e o estilo datilográfico dos utilizadores também não é um problema para o software.
Uma vez associada às tecnologias de reconhecimento de voz cada vez mais populares, esta invenção poderá providenciar uma panóplia de usos para os invisuais, como aliás demonstra Sohan Dharmaraja num vídeo do YouTube.
O Instituto para as Tecnologias da Informação da UNESCO (IITE) publicou recentemente um relatório que reúne um conjunto de iniciativas de referência de vários países com vista à promoção das tecnologias de apoio para as pessoas com deficiência e incapacidade. As iniciativas foram identificadas em colaboração com a European Agency for the Development in Special Needs Education, tendo sido seleccionado o caso da rede portuguesa de Centros de Recursos TIC para a Educação Especial.
Esta publicação tem como objectivo apresentar exemplos de casos de utilização das TIC em diferentes contextos educacionais para demonstrar o potencial das TIC enquanto instrumento de apoio à aprendizagem e também de inclusão de alunos com necessidades especiais e pessoas com deficiência e incapacidade.
Os alunos do curso de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humanas, da Universidade de Vila Real, estão a adaptar brinquedos, como carrinhos ou bicicletas, para poderem ser usados autonomamente por crianças com paralisia cerebral e motora.
Alguns dos brinquedos adaptados foram hoje testados pelas crianças da Associação de Paralisia Cerebral (APC) de Vila Real, e o resultado foi uma tarde de grande diversão.
Marta Almeida, terapeuta da fala na APC, explicou que os meninos "ficaram eufóricos" por poderem conduzir os brinquedos, como os carrinhos, as bicicletas ou as trotinetes, sem precisarem de intermediários.
Equipamentos que trazem, segundo a responsável, "muitos benefícios para estes meninos com paralisia cerebral e algum défice motor".
O professor Francisco Godinho, coordenador do Centro de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade (CERTIC) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), referiu que os brinquedos foram adaptados pelos alunos da primeira licenciatura nacional em Engenharia da Reabilitação e salientou que se tratam de equipamentos que não estão disponíveis no mercado.
E explicou que, por exemplo, meninos que não conseguem pegar num volante para conduzir estes carros elétricos o podem agora fazer através de um 'joystick' ou um outro manípulo que pode ser usado através de um movimento da cabeça ou do ombro.
"Para situações mais graves, para alguém que só tenha um movimento controlado, um sopro ou um som, pode-se introduzir um computador portátil. Neste caso vamos usar o Magalhães e com um sistema de varrimento que vai mostrar as várias direções que pode ter o carrinho, a criança simplesmente seleciona a direção e o carrinho segue em frente", salientou.
Estes trabalhos foram realizados no âmbito de unidades curriculares do curso de Engenharia da Reabilitação e pensados para fins recreativos, mas podem também ser usados com fins terapêuticos.
A iniciativa de hoje na APC visou testar o funcionamento dos brinquedos junto das crianças para ver, segundo Francisco Godinho, qual a solução mais adequada a cada tipo de deficiência.
A UTAD foi pioneira ao abrir há três anos a primeira licenciatura de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humanas. O segundo curso do género foi criado em 2009 na Universidade de Coventry (Reino Unido).
Esta licenciatura faz parte de um processo que começou há quase 10 anos com a criação do CERTIC, que agora dá apoio e cede os recursos ao curso.
Este centro desenvolve a sua atividade orientada para a aplicação da ciência e da tecnologia na melhoria da qualidade de vida das populações com necessidades especiais, nomeadamente pessoas com deficiência, idosos e acamados, em áreas como o acesso a tecnologias e serviços, educação, emprego, saúde e reabilitação funcional, transportes, vida independente e recreação.
Rob Summers é um jovem americano de 25 anos que foi atropelado por um carro em 2006, tendo ficado preso a uma cadeira de rodas. Os médicos disseram-lhe que nunca mais andaria. Mas Rob Summers provou o contrário, transformando-se na primeira pessoa paraplégica a conseguir levantar-se e andar.
As pernas de Summers conseguem movimentar-se por causa da estimulação feita por 16 eléctrodos implantados ao fundo das suas costas, por debaixo da pele.
Após dois anos de treino intensivo, suspenso numa espécie de arnês colocado por cima de uma passadeira rolante e contando com a ajuda de fisioterapeutas e de neurologistas, o jovem conseguiu finalmente levantar-se sozinho e andar, graças aos impulsos eléctricos que iam sendo enviados para a sua espinha dorsal. Para além de ter recuperado o movimento das pernas, o jovem recuperou a sua função sexual e o controlo da bexiga.
“É um sentimento assombroso. Ser capaz de dar um passo é incrível. É uma injecção de optimismo”, descreveu Summers.
Graças a esta extraordinária combinação de esforços o sistema neuronal da espinha dorsal de Rob conseguiu ser reactivado. A grande descoberta científica a partir deste caso, segundo o “The Guardian”, é que o cérebro não tem o papel decisivo na locomoção que, até agora, se pensava ter. É antes nas próprias pernas e na espinal medula que recai o grande trabalho no esforço de locomoção.
“O cérebro não está a controlar tanto o movimento como nós pensávamos”, indicou ao “The Guardian” Susan Harkema, do centro de pesquisas Kentucky sobre a medula espinal, da Universidade de Louisville, e uma das duas neurologistas que acompanhou o tratamento de Rob Summers. A informação sensorial relacionada com o caminhar vem das próprias pernas, indicou a perita.
“Isto é um grande avanço. Abre um precedente enorme na melhoria das funções diárias destes indivíduos... Mas temos à nossa frente uma longa caminhada”, indicou ainda Susan Harkema.
Na verdade, o facto de Summers ter alguma sensibilidade residual e estar em óptima forma física aquando do acidente fizeram dele um excelente candidato para este estudo. Escassas seis semanas antes do acidente, o jovem tinha ajudado a sua equipa de basebol universitário a vencer um importante título nacional e por isso estava em excelentes condições físicas.
Os cientistas e os médicos frisam que este avanço poderá simplesmente não ser replicável em todos as pessoas paralisadas da cintura para baixo.
Melissa Andrews, do Cambridge Centre for Brain Repair, indicou à BBC que, apesar de este estudo ser “incrível”, as pessoas não deverão dizer que isto é a cura. “Acho que as pessoas precisam de ler isto e dizer que a possibilidade [de uma cura] está aí, mas poderá não chegar amanhã. Isto é o que de mais aproximado temos e a nossa melhor hipótese neste momento”.
De qualquer maneira, depois desta conquista médica, mais quatro pessoas estão já em vias de ser sujeitas ao mesmo tratamento.
O tratamento de Rob Summers é o culminar de vários anos de muito trabalho e de intensos estudos científicos patrocinados pela Christopher and Dana Reeve Foundation, criada após o actor Christopher Reeve - mais conhecido pelo seu papel em “Super Homem” - ter ficado paraplégico em 1995, em consequência de uma queda de um cavalo. O actor acabou por morrer em Outubro de 2004 e a sua mulher, Dana, morreu pouco depois, em Março de 2006, vítima de cancro do pulmão.
Os detalhes deste caso estão explicados na revista médica “The Lancet”.
Jovens investigadores portugueses estão a desenvolver projectos específicos para melhorar a vida de pessoas com necessidades especiais. A iniciativa tem o apoio da Associação Salvador.
Mover objectos electrónicos com o poder da mente parece impossível, mas já existem inúmeras experiências em todo o mundo que pretendem tornar a comunicação entre o cérebro humano e as máquinas numa realidade.
Ainda não é possível implantar um microchip no cérebro que leia os sinais directamente e os transmita ao computador, mas as experiências com capacetes já deram os primeiros passos para que pessoas com necessidades especiais possam comunicar com o mundo. No futuro o que se pretende é que as máquinas consigam interpretar expressões faciais ou até pensamentos sem que seja necessário tocar sequer numa tecla.
Projectos Portugueses
Mas à parte de cenários futuristas, são muitos os projectos que utilizam tecnologia já existente para que num futuro muito mais próximo, se consigam minimizar barreiras diárias. Nesta tecnologia inclusiva, muitas vezes são as ideias mais simples que podem fazer a diferença. Exemplo desta simplicidade é um projecto que surgiu num grupo de jovens para "ajudar um amigo que sofre de distrofia muscular e a ideia inicial foi fazer alguma coisa que o ajudasse na sua acessibilidade em casa", explica Flávio Soares, do Simon Project, que construiu um protótipo que "usa simplesmente um reflector que faz com que o sinal emitido seja reflectido e ao ser recebido, a luz é activada."
Este protótipo com um sensor para acender a luz de uma divisão da casa, apenas accionado pela passagem de uma cadeira de rodas, mereceu uma menção honrosa do concurso "Ser Capaz", da Associação Salvador, que premeia a investigação tecnológica que atenue a incapacidade de pessoas com problemas de mobilidade.
Braço Mecânico
Também a construção de um braço mecânico mereceu a atenção do júri com uma distinção de honra. A ideia é permitir que pessoas com algum tipo de incapacidade motora consigam alcançar objectos que estejam mais elevados ou no chão. Os conceitos de automação e robótica estão a ser desenvolvidos para a construção de um protótipo mais leve e fácil de manusear. O projecto está a despertar o espírito empreendedor já que um dos autores, Diogo Correia garante que estão a "melhorar o produto" para quando o apresentarem a uma empresa "seja mesmo muito bom" mas também já pensa "nos prós e contras de criar a nossa própria empresa para comercializar o produto a nível mundial".
1º Prémio: Walk HD
João Pedro Leite é um dos rostos do projecto que alcançou o primeiro lugar do concurso de investigação e tecnologia "Ser Capaz". Com um colega de mestrado em engenharia da concepção e desenvolvimento do produto, concebeu o "Walk HD", uma prótese que acompanha o crescimento de crianças amputadas.
"A ideia para realizar este projecto partiu de um documentário que estávamos a ver sobre um miúdo norte-americano que tinha nascido sem os membros inferiores, e à medida que crescia tinha de estar sempre a utilizar novas próteses porque aquelas que tinha iam-se desadequando à altura e nós pensámos: porque não criar uma prótese que consiga acompanhar todo o crescimento e que não seja necessário estar sempre a trocar sempre que a criança cresce?", conta João Pedro Leite.
Por ser um projecto simples, a construção do protótipo não precisa de nenhum método inovador, apenas a alteração da forma de encaixe das peças para que a prótese acompanhe o crescimento da criança.
São ideias simples e fáceis de concretizar que vão num futuro próximo mostrar que a tecnologia pode efectivamente trazer mais qualidade de vida a quem, por qualquer razão, tem algum tipo de incapacidade.
Com o acesso à banda larga as pessoas com deficiência ou incapacidade auditiva são o mais novo grupo de pessoas a beneficiar com a difusão das novas tecnologias. Já existem aparelhos para audição que utilizam o sistema wireless - o mesmo que é utilizado para acesso à da internet sem fios - para melhorar a qualidade de vida de quem tem dificuldades para ouvir, no Brasil.
Sabe-se que ter esta possibilidade promove uma vida mais activa e garante uma maior liberdade e segurança ao paciente.
Hoje existem sistemas que se conectam sem fios aos aparelhos auditivos e aos aparelhos de televisão, rádio, telefones, computadores, MP3 e até aos aparelhos de GPS. Garante-se assim que o utilizador tenha uma experiência de vida como a de qualquer pessoa com audição normal.
Através de um pequeno dispositivo que fica pendurado discretamente como um colar, pode por exemplo, ouvir-se música e atender um telefonema, sem estar com o telefone próximo ao ouvido.
Essa interacção entre os aparelhos ocorre porque o som que sai dos equipamentos portáteis é enviado via bluetooth para este acessório no pescoço e transmitido no mesmo instante, para o aparelho auditivo, sem a necessidade do uso de quaisquer fios.
Organização criada em 2003 por Salvador Mendes de Almeida premeia tecnologia made in Portugal para melhorar as condições de vida dos deficientes motores.
Talvez nunca tenha pensado nisto, mas uma criança a quem tenha sido amputada uma perna terá de trocar a prótese diversas vezes durante o seu crescimento. Para além de ser caro, a adaptação é quase sempre um processo penoso.
Sensibilizados com o problema, dois jovens estudantes de mestrado do Instituto Politécnico de Leiria, João Leite e João Ferreira, conceberam uma prótese que visa acompanhar o crescimento de crianças amputadas. Um projecto agora distinguido com o prémio "Ser Capaz - Inovação e Tecnologia", uma iniciativa da Associação Salvador .
A organização fundada em 2003 por Salvador Mendes de Almeida, tetraplégico aos 16 anos em consequência de um acidente de viação, pretende desta forma estimular a investigação na área da reabilitação psicomotora.
Nesta primeira edição do prémio, o júri composto por António Câmara (YDreams), Fernando Lobo (Universidade do Algarve) e Salvador Mendes de Almeida, distinguiu ainda mais dois projectos: um dispositivo que permite alcançar pequenos objectos, como por exemplo um molho de chaves de Luís Alexandre e Diogo Correia (Universidade da Beira Interior), e um sistema que acende a luz de um quarto assim que a pessoa entra e apagá-la, quando sai. Um trabalho de Flávio Rosa Soares, aluno do Instituto Politécnico de Leiria.
O prémio "Ser Capaz - Inovação e Tecnologia" contou com o patrocínio dos mecenas da Associação Salvador, Banco Espírito Santo e Semapa. As candidaturas para a segunda edição serão abertas em meados de Abril.
A Relicário de Sons e o Centro de Formação Cnoti vão dinamizar mais um Curso de Tecnologias de Apoio para Necessidades Educativas Especiais.
Esta será a 9ª acção deste ano lectivo e a 2ª em parceria com a Relicário de Sons, em Lisboa.
Datas:
19 de Fevereiro e 5 de Março
Horário:
Início: 09h00
Término: 18h00
Local:
Relicário de Sons (Rua Rodrigues Sampaio, nº 19B – Loja, 1150-278 Lisboa)
Destinatários:
Terapeutas, educadores, professores, psicólogos e outros profissionais que trabalham com utentes com necessidades educativas especiais e também a estudantes das áreas mencionadas.
Objectivos:
• Conhecer e utilizar ajudas técnicas disponíveis no mercado – software, hardware e periféricos de acessibilidade;
• Avaliar necessidades de acessibilidade;
• Conhecer e utilizar tecnologias de apoio à comunicação e aprendizagem no âmbito das necessidades educativas especiais;
• Conhecer e utilizar sistemas de comunicação aumentativa e alternativa;
• Adequar a cada indivíduo as ajudas técnicas que potenciem as suas capacidades de comunicação e aprendizagem;
• Configurar periféricos de acessibilidade e software inclusivo.
Os participantes têm a possibilidade de instalar no seu computador portátil todo o software que será explorado durante o curso e beneficiam de condições especiais para aquisição dos mesmos.
Inscrições gratuitas para o curso: Tecnologias de apoio para necessidades educativas especiais
A Relicário de Sons irá SORTEAR duas inscrições para o Curso de Tecnologias de Apoio para Necessidades Educativas Especiais que irá decorrer nos próximos dias 19 de Fevereiro e 5 de Março, entre os concorrentes que façam encomendas até ao dia 11 de Fevereiro de 2011.
Para concorrer ao sorteio basta fazer uma encomenda (na loja online/física ou por email). Deverá também enviar um email para geral@relicariodesons.com com a indicação que pretende participar no sorteio.
A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) divulgou esta quarta-feira a criação de uma plataforma que permite transformar qualquer cadeira de rodas eléctrica numa cadeira de rodas inteligente capaz de ser comandada por voz e por sensores, noticia a Lusa.
O invento chama-se «IntellWheels» e é capaz de se desviar sozinho dos obstáculos, planear tarefas, comunicar com outros dispositivos, além de permitir ao paciente seleccionar o seu modo preferido de comando da cadeira de Rodas.
O protótipo, desenvolvido por um grupo de docentes da FEUP que investigam no Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência de Computadores (LIACC) e no INESC Porto, resulta de um projecto cujo objectivo era transformar uma cadeira de rodas comercial num equipamento inteligente, de custos reduzidos e com poucas alterações do ponto de vista ergonómico.
Iniciado em 2006, o projecto permitirá, de acordo com o comunicado da FEUP, «oferecer uma maior autonomia e qualidade de vida aos cidadãos de mobilidade reduzida, podendo vir a ser comercializado em breve».
O «IntellWheels» também prevê a realização de uma recolha alargada de dados e a realização de um vasto conjunto de experiências, utilizando pacientes reais, de modo a validar completamente todas as metodologias desenvolvidas.
Luís Paulo Reis, docente da FEUP e coordenador do projecto, admitiu em comunicado que a conclusão da investigação realizada e a validação da plataforma, protótipos e simulador vai possibilitar, a médio prazo, «transformar as cadeiras de rodas inteligentes em produtos comerciais, com elevadas capacidades no auxílio a idosos e outros indivíduos com graves deficiências motoras».
Para além da FEUP, do LIACC e INESC Porto, juntaram-se recentemente ao projecto três novos parceiros: Universidade de Aveiro (UA), Escola Superior de Tecnologia de Saúde do Porto (ESTSP/IPP) e a Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC).
O Eugénio é uma ferramenta de apoio à escrita vocacionado para pessoas com dificuldades motoras ou cognitivas. Trata-se de um agente de software que monitoriza a vizinhança do cursor para propor um conjunto de sugestões de palavras que possam completar o texto do utilizador. Desta forma pode evitar-se algum esforço adicional e possíveis erros de escrita.
Com o passar do tempo o Eugénio também se vai adaptando ao estilo de escrita do utilizador, tornando-se por isso mais eficaz na ajuda prestada. Para utilizadores com dificuldades de acesso ao teclado físico do computador o Eugénio dispõe de vários teclados de ecrã que permitem a escrita com recurso ao rato.
Eugénio disponibiliza ainda outro método de acesso para utilizadores com grandes dificuldades motoras – o varrimento. Com este método é possível a selecção de teclas através de um ou dois manípulos externos. O sistema também funciona em conjunto com o sintetizador de fala DIXI+, permitindo ao utilizador ouvir o texto que escreveu, ou transmitir uma mensagem a outra pessoa.
Este sistema funciona no ambiente Microsoft Windows e possui uma página internet (http://www.l2f.inescid.pt/~lco/eugenio) a partir da qual pode ser obtido de forma gratuita. O programa foi desenvolvido em colaboração entre o Laboratório de Sistemas Interactivos (LabSI) da ESTIG, o Laboratório de Sistemas de Língua Falada (L²F) do INESC ID e o Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral de Beja (CPCB), através do projecto «CAPE - Comunicação Aumentativa em Português Europeu» financiado pelo programa CITE IV do Secretariado Nacional de Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência.
Os autores deste trabalho receberam o Prémio de Mérito Científico “Maria Cândida Cunha 2004”. Este prémio foi criado para galardoar projectos de investigação e desenvolvimento que tenham contribuído para a melhoria da qualidade de vida e integração económica e social de pessoas com deficiência. Desde 1997 que este prémio está instituído no Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração de Pessoas com Deficiência (SNRIPD), enquanto iniciativa do Programa Ciência, Inovação e Tecnologia (CITE).
Encontra-se agora em desenvolvimento uma nova versão deste sistema mais vocacionada para a comunicação oral. Para que as palavras e frases propostas se encontrem mais adequadas a cada diálogo em particular o sistema irá utilizar outra informação do contexto além do texto escrito. Uma das capacidades já desenvolvidas consiste na determinação da localização do utilizador através de tecnologia de posicionamento (e.g. GPS) para a sugestão de vocabulário específico para cada local físico, que pode ser por exemplo uma sala de aula ou o bar da escola. As sugestões do sistema também irão ser formuladas com base no reconhecimento do tema da conversa e do próprio interlocutor. Para tal será utilizada tecnologia de reconhecimento de fala desenvolvida pelo Laboratório de Sistemas de Língua Falada (L²F) do INESC-ID.
Para mais informações, comentários ou sugestões contactar:
Luis Garcia
Laboratório de Sistemas de Informação e Interactividade da ESTIG
Rua Pedro Soares 7800-295 Beja PORTUGAL
Tel: +351 284 311 540
Fax: +351 284 327 184
luisbgarcia@estig.ipbeja.pt
http://www.estig.ipbeja.pt/~lfnhbg
Luis Caldas de Oliveira
Laboratório de Sistemas de Língua Falada do INESC-ID Rua Alves Redol 9, 1000-029 Lisboa PORTUGAL
Natural de Vila Verde, cego congénito, integra grupo que desenvolve software livre para invisuais
Abílio Guimarães começou como todos os invisuais a aprender braille, mas desenvolveu conhecimentos que o levaram ao topo da investigação mundial do software para invisuais.
Além do OpenOffice livre (o programa para invisuais custa 1300 euros), Abílio Guimarães tem participado no projecto NonVisual Desktop Access (NVDA), responsável por inúmeras adaptações informáticas que facilitam a vida a quem não vê, como por exemplo, a instalação de som nas caixas multibanco dos Estados Unidos.
A experiência de Abílio Guimarães iniciou-se em Vila Verde, na criação do fundo documental para cegos e amblíopes. Ali foi reunida documentação em braille e suporte áudio. "Fui investigando novos apoios, porque a ambição era alcançar os melhores meios. Investiguei e dei passos para a Informática. A ideia era criar software livre à escala mundial e a oportunidade abriu-se com o convite de um grupo australiano, integrando a investigação que previa instalação de software na região do Texas.
"Elaborei um projecto que envolveu todas as entidades de Dallas e Forthworth. Um cego que esteja numa paragem de autocarro fica a saber para onde vai, as páginas das entidades estão todas adaptadas para cegos. Seria interessante que houvesse esse laivo de inovação na região do Minho", lança o alerta Abílio Guimarães.
Em Vila Verde (e em Portugal), Abílio Guimarães destaca o facto de a Biblioteca Municipal local ser a "única instituição pública a disponibilizar software livre a quem procura. Este espaço vai além da biblioteca comum, preparando as pessoas e formando-as para acolher informação". Em termos práticos, com o software, qualquer invisual pode digitalizar uma carta do banco e ficar a saber o assunto. "Podem aceder e produzir informação, sem dependerem dos outros", destaca Abílio, lembrando que entre os 200 utilizadores já formados contam-se pessoas de todo o país. "Há pessoas que vivem escondidas, devido à sua deficiência. Se este software for alargado a outras instituições, certamente que haverá mais pessoas a aderir". E alerta os responsáveis: "ao nível económico, uma pessoa cega integrada custa muito menos ao erário público".
Abílio garante que quem frequenta o curso "não sai sem saber como evitar um vírus na Internet, usa todos os dedos para escrever, sabe corrigir um texto. Aqui funcionamos como uma espécie de centro consultivo, porque também indicamos que computadores ou telemóveis devem adquirir".