terça-feira, 23 de março de 2010

Uma rede muito especial

Ontem chegou até mim um mail com uma sugestão de visita a um site, o qual passo a partilhar.
Deixo-vos com o seu lema e com o endereço electrónico.

"Pais em Rede nasceu há pouco mais de um ano e tem vindo a crescer, ecoando por esse País fora num entusiasmo de esperança. É uma missão difícil mas move-nos o amor pelos nossos filhos. Temos que mostrar ao mundo como eles são amáveis e como podem ensinar a aceitação, a verdade, a persistência e a igualdade na diferença.

Contamos consigo para chegar lá."


segunda-feira, 22 de março de 2010

Escolas: cinco exemplos de boas práticas

Arcos de Valdevez - Primeiro compromisso, não aceitar

Há dois anos, o bullying foi tema de uma actividade desenvolvida na disciplina de Área de Projecto na escola EB 2,3 de Arcos de Valdevez.
 
Foi o ponto de partida para a constituição do Clube Mediador, um projecto lançado por dois professores e cuja actividade contribuiu, segundo conta um dos dois docentes responsáveis, Francisco Carvalho, para que o agrupamento de escolas de Valdevez (26 escolas) esteja hoje "muito sensível e atento ao fenómeno". Primeiro compromisso: "Entender o bullying não como um fenómeno natural de qualquer processo de crescimento, mas como um comportamento não aceitável, de discriminação e violento, com consequências gravíssimas para todos os envolvidos." Os alunos foram convidados a fazer trabalhos e cartazes sobre o fenómeno, que foram afixados nas "zona mais problemáticas da escola". Procedeu-se a um diagnóstico, através de inquéritos, disponibilizaram-se documentos, filmes e sites, para os directores de turma usarem nas aulas de Formação Cívica.
 
Criou-se a figura do "padrinho" para os alunos mais novos, do 5º ano, considerado como "o grupo mais susceptível de sofrer com este tipo de violência/agressão".

Desenvolveram-se também actividade lúdicas e desportivas com alunos do 4º ao 12º ano, onde se procurou integrar, "de forma controlada", tanto agressores, como vítimas. Foi ainda criado um blogue e um site (www.bullyingescola.com). (C.V.)

Vagos - Contra a política da avestruz

Quando assumiu funções, em 2007/08, Júlio Castro, director do agrupamento de Vagos, distrito de Aveiro (42 escolas), recusou a política de avestruz. Ao contrário do que ainda é norma, assumiu-se que o bullying existia no agrupamento, ainda que não com muitos casos.

Mas antes de intervir é preciso perceber o fenómeno, estudá-lo, diz. O agrupamento estabeleceu uma parceria com o então professor da Universidade de Aveiro e actual secretário de Estado da Educação, Alexandre Ventura, que delineou as acções de formação desenvolvidas para professores, auxiliares, alunos e pais. Foram adoptados dois planos de intervenção autónomos: um contra o bullying, outro contra a indisciplina. São fenómenos distintos, que exigem soluções diferentes, alerta.

Alunos do 9º ano foram chamados a acompanhar outros mais novos. Foi constituída uma equipa pluridisciplinar que integra docentes e duas psicólogas. A triagem dos casos sinalizados é feita por esta equipa, que propõe também as estratégias para cada situação. Não é só a vítima, mas também o agressor que precisa de ser acompanhado, defende Castro. Em vez da suspensão com proibição de frequência da escola, privilegia-se a realização obrigatória de trabalhos no espaço escolar. Júlio Castro assegura que, no geral, têm conseguido envolver os pais. (C.V.)

Damaia - "Um ninho"

Com 800 alunos, a Escola Dr. Azevedo Neves, na Damaia, situada numa zona problemática, aprendeu a ser "um ninho" para toda a comunidade. "Nem sempre foi assim, mas agora os alunos e as famílias estão conscientes de que a escola os protege e aprenderam os limites da indisciplina", explicou José Biscaia, professor neste estabelecimento de ensino há 16 anos, 13 dos quais como director.

Para isso, a escola repensou a sua organização e adaptou-se à realidade. "Percebemos que o caminho é a profissionalização e cruzámos a escola com empresas onde, desde o 9.º ano, os alunos podem estagiar com um subsídio de 100 a 150 euros. Parece pouco mas representa um terço do rendimento de muitas das famílias." Rita Peixeiro, subdirectora, reconhece que "impor regras exige um trabalho diário com todos" . Os mais velhos, do 11.º e 12.º ano, são responsáveis por apadrinhar os que se estreiam no 5.º ano. "São uma espécie de protectores, de irmãos mais velhos", disse. A escola dispõe de um Gabinete de Apoio Pedagógico que quando um aluno falta muito vai a casa do jovem com uma assistente social. "Temos uma muito boa relação com a junta, a câmara e com a polícia, no sentido de saber o que é que os alunos fazem lá fora para podermos ajudar e prevenir. O nosso lema é agir, o que implica antecipar os problemas, mas se for preciso vamos vê-los à prisão", acrescentou José Biscaia, para quem "o mais difícil é trazê-los para a escola e tirá-los do bairro". (R. B. S.)

Beja - A escola que soube dar a volta

Em Outubro de 2008, o então conselho executivo da Escola Básica 2, 3 de Santa Maria, em Beja, demitia-se em bloco, cansado de gerir situações de conflito marcadas por casos de violência, com agressões de pais a alunos, a professores e outros funcionários.

Domingas Velez, então presidente do conselho executivo e actual directora, considerou a situação insustentável e reclamou o reforço da vigilância e uma outra atitude pedagógica. A primeira decisão, a entrega da segurança da escola a uma empresa privada, revelou-se acertada. A escola contratou um mediador de etnia cigana para facilitar o contacto com as famílias desta comunidade. O segredo está na disciplina, que passou a norma no interior da escola; e no acesso a melhores condições e recursos aplicados tanto no funcionamento do estabelecimento, como na valorização dos conteúdos curriculares. Um aluno do 5ºano da escola, Nuno Figueira, recebeu ontem no Centro Cultural de Lisboa, o primeiro prémio do concurso nacional Faça lá Um Poema promovido pelo Plano Nacional de Leitura. (C. D.)

Algarve - O bullying enquanto peça de teatro

O bullying é como uma peça de teatro: há quem assuma o papel de agressor e há quem seja a vítima. Depois, há a plateia que assiste sem nada fazer para inverter o guião. A Companhia de Teatro do Algarve (ACTA) pegou nesta ideia e baralhou os personagens. Pelo segundo ano lectivo está a visitar escolas algarvias com uma peça interactiva onde os alunos são chamados a experimentar diferentes papéis e a arranjar soluções para a violência.

"Há alguns anos que temos o projecto Teatro para a Educação, através do qual fazemos várias peças sobre sexualidade, toxicodependência... Agora percebemos que o bullying é a nova realidade. Os alunos estão mais indisciplinados e a violência é a única linguagem que conhecem. Mas no fundo só querem que alguém os oiça e se interesse por eles", explicou ao PÚBLICO Elisabete Martins, 31 anos, actriz e vice-presidente da ACTA.

A peça - escrita por docentes e encenada por um professor - pretende que durante hora e meia os alunos imaginem o que é estar na pele do outro. Os actores dão um empurrão e desde a entrada que os maltratam e que lhes respondem à letra. "Os jovens são cada vez mais individualistas e não se preocupam com o outro. É importante perceber que ninguém é uma ilha e que a responsabilidade destes casos é também de quem fica a ver", acrescentou Elisabete.

O grupo de quatro actores (entre os 26 e os 43 anos) que integram o elenco de Bullying apresenta, inicialmente, um episódio com um agressor, uma vítima e dois amigos. Em geral, a peça é vista por cerca de 65 alunos com mais de 14 anos divididos em grupos. Cada grupo escolhe as pessoas que devem ser chamadas a intervir no conflito. Depois, devem representar as figuras seleccionadas que, "normalmente, são o professor, o director da escola, o pai ou a mãe", contou Elisabete.

Por fim, os alunos ficam com a tarefa de imaginar um final positivo e outro negativo para a história. "E o curioso é que o desfecho é semelhante em várias escolas, o que mostra que as crianças sabem o que está certo." (R. B. S.)

Ciclo de Sábados - "Falando com quem faz": NORTE

Hoje trago-vos uma novidade "fresquinha"...E que novidade!!! :)



A Associação Nacional de Docentes de Educação Especial começa a crescer e com esse crescimento as actividades estão a "espalhar-se" por todo o País...

Depois do sucesso das três primeiras sessões esta Associação brinda as "gentes do Norte" com um Ciclo de Sábados: "Falando com quem faz..."

Aqui fica o programa do "Falando com quem faz..." NORTE

Programa para 2010

Data: 27/03/2010

Tema: A Escola que temos não serve

Dinamizador: Jorge Barbosa

Local: Instituto PIAGET
Escola Superior de Educação, Rua António Sérgio, Apartado 551
4410 - 269 Canelas VNG

Data: 24/04/2010

Tema: Alunos difíceis na sala de aula

Dinamizadoras: Helena Bilimória e Alcinda Almeida

Local: Casa do Professor
Av. Central 106-110, 4710-229 Braga

Data: 29/05/2010

Tema: Transição para a vida activa

Dinamizadoras: Maria de Belém e Alcinda Almeida

Local: FPCEUP
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
Rua do Dr. Manuel Pereira da Silva, 4200-392 Porto

Data: 26/06/2010

Tema: Intervenção Precoce e envolvimento parental

Dinamizadoras: Filomena Sobral e Alexandra Figueiredo

Local: ESE Porto
Instituto Politécnico do Porto: Escola Superior de Educação
Rua Dr. Roberto Frias, 602 › 4200-465 Porto

Data: 23/10/2010

Tema: Ajudas Técnicas e Sistemas de Apoio à Comunicação

Dinamizadoras: Helena Fernandes e Helena Nunes

Local: Universidade Aveiro: Ciências da Educação
Campus Universitário de Santiago 3810-193 Aveiro

Data: 20/11/2010

Tema: Intervenção no Espectro de Autismo

Dinamizadora: Noémia Coleta

Local: Universidade Portucalense
R. Dr. António Bernardino de Almeida, 541 4200 072 - Porto

Ciclo de Sábados: "Falando com quem faz...: Unidades de Ensino Estruturado - Autismo"

Realizou-se, ontem, dia 20 de Março, o sábado Temático organizado pela Associação Nacional de Docentes de Educação especial. Esta sessão estava subordinada ao tema “Unidades de Ensino Estruturado-Autismo” e a oradora era a Dr.ª Ana Alves, que veio partilhar connosco as suas experiências.

Numa manhã chuvosa a sala foi enchendo, revelando, uma vez mais, a pertinência dos temas e a qualidade do Evento.

A oradora colocou algumas questões aos presentes, decorrentes das dúvidas existentes nas suas práticas.
- Que instrumento utilizar para avaliar o desenvolvimento?
- Como elaborar um programa educativo individual equilibrado?
- Que programa de intervenção seleccionar?
- Como promover a complementaridade da Intervenção?

Quanto ao avaliar o desenvolvimento realçou a importância de encontrar uma cheeklist para definirmos um perfil de desenvolvimento que nos forneça todos os dados para a elaboração do PEI. Este Instrumento deve ser de fácil acesso para todos os Intervenientes no processo educativo da criança/aluno.

Na perspectiva da oradora a técnica a utilizar numa sala de Ensino Estruturado poderá ser uma ''mistura” do TEACCH e do ABBA.
A organização de trabalho e da sala similar ao Método TEACCH e as técnicas de intervenção semelhantes ao método ABBA.
A oradora descreveu os vários Programas de intervenção para a população com Espectro de Autismo.
Chamou atenção para o necessidade de envolver, coordenar e dinamizar com todos os agentes educativos, bem como toda a comunidade.
Na lei surge que se deve “desenvolver metodologias de intervenção interdisciplinares…”, quando na realidade quem aplica e desenvolve essas metodologias é o docente de educação especial.
Deu a conhecer uma questão que tem surgido nas mais recentes investigações nos Estados Unidos. A questão é se "devemos ser tão inclusivos com as crianças com o espectro de Autismo?".

Mostrou algumas práticas e sugeriu que O ''Espaço de Reunião' pudesse ser utilizado na sala de aula, dessa forma as crianças realizariam o trabalho com os seus pares.

O grande desafio das Unidades deve ser “passarem” as competências adquiridas nesse espaço para os mais diversos contextos. Incluir rotinas praticadas dentro da sala e passá-las para o exterior.

Ficou ainda desafio para a ANDEE organizar formações acreditadas. Em resposta a este desafio surgiu a resposta, onde se referiu que a Associação está a tratar do processo de acreditação para realizar as formações.

A oradora, partilhou com todos os presentes um vídeo demonstrativo de práticas baseadas no programa STAR. Um vídeo muito bom, onde foi possível visualizar práticas muito úteis para quem trabalha numa Unidade com crianças autistas e mesmo para Pais e Famílias. O vídeo retrata a realidade Americana, onde um Técnico está com cada criança, realmente uma realidade muito diferente da nossa.

Deixo o endereço onde poderão visualizar alguns vídeos. ou excertos, visualizados durante a sessão:

Esta foi uma sessão com partilha de opinões/experiências e muito diálogo.. O objectivo inicial da Associação foi mais uma vez alcançado com sucesso.
Durante a sessão foi criticada, por alguns dos presentes, legislação lançada pelo Ministério, críticas nas quais me revejo, mas relembro as palavras do Dr. Mário Pereira durante o 1º Congresso Internacional “Ser Professor de Educação Especial”

            "Não desistimos, porque as más políticas não são tão fortes como os bons sonhos''

Gostaria só de referir que não são as políticas que fazem as práticas, estas podem limitar-nos, mas temos de ser nós a ''dar a volta'' para conseguir alcançar o sucesso com as nossas crianças.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Autismo e Perturbações no Desenvolvimento das Crianças - Palestra

Durante a noite de ontem, dia 18, decorreu uma palestra sobre o tema: Autismo e Perturbações no Desenvolvimento das Crianças. Esta palestra decorreu na Escola Secundária de Odivelas, com a organização do "Mundo Interior".

Como oradores estavam presentes o Dr. Nuno Lobo Antunes, a Escritora Ana Martins e um grupo de alunos do 12.º ano.

Devo confessar que foi com alguma surpresa e muita alegria que assisti a esta palestra numa sala cheia de pessoas ligadas à Educação Especial, Pais e Amigos que de algum modo estavam com "sede" de informação.

O grupo de alunos do 12º ano, começou a palestra com a apresentação do trabalho realizado durante a Área de Projecto. Da apresentação "saltou" a construção de brinquedos bastante apelativos e a construção de uma maqueta com espaços funcionais e adaptados às necessidades desta população.
Sensibilizaram para a diferença e para o respeito dessas diferenças, uma vez que "Diferentes somos Todos, nem melhores, nem piores".
Parabéns, continuem...pessoas e projectos destes fazem falta à nossa Sociedade...

De seguida foi a vez da Escritora Ana Martins, autora do livro: "Autista, quem...? Eu?", começar a sua prelecção. Trouxe até nós o seu testemunho de vida, procurando responder a algumas questões anteriormente lançadas pelos alunos.
Através do seu testemunho de vida revelou uma grande cumplicidade, amor, dedicação e entrega...Podia tentar encontrar muitas palavras para a descrever, mas chega uma...Demonstrou ser MÃE!!!

Chegou a vez do Dr. Nuno Lobo Antunes, conceituado neuropediatra, iniciar a sua prelecção.
Durante a sua prelecção foi notório o seu espírito de humor e o porquê de cativar tantas pessoas. Justificou o porquê de ser um "exemplo", se é que alguma vez alguém duvidou.

O Dr. Nuno Lobo Antunes "viajou pelo tempo" e trouxe-nos alguns exemplos, bem demonstrativos de características específicas de crianças/jovens com Asperger. Falou-nos sobre a diversidade existente neste tipo de Perturbações, comparando essa diversidade a uma constelação de estrelas, onde existem estrelas que brilham mais e outras que brilham menos. Assim são estas crianças, têm áreas muito fortes e áreas mais fracas. Cada criança é um caso e temos de ter em atenção quais os seus traços "mais acentuados".
Apesar da grande variabilidade de comportamentos e de características que estas crianças/jovens apresentam existe uma característica que "normalmente" é comum: as dificuldades na linguagem verbal e não verbal.
O olhar da criança para a mãe é fundamental, não havendo uma relação de cumplicidade entre ambos tudo se torna muito complicado.
Numa altura em que se fala tanto de Bullying, chamou atenção para este fenómeno nesta população em especial, uma vez que em muitas situações, as vítimas são crianças com Asperger.

O Dr. Nuno Lobo Antunes define os Asperger como "tão espertinhos para umas coisas e tão burrinhos para outras", uma expressão tantas vezes utilizada connosco o que revela bem que "diferentes, somos Todos!"

Para terminar, permitam-me a ousadia de fazer uma pequena adaptação ao poema de Rosa Lobato Faria, "Quem me quiser", lido pelos alunos do 12.º ano durante a palestra.

"Quem me quiser...", aceitará a pessoa autista tal como ela é...Respeitando o seu "eu", as suas diferenças...