sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ministério da Educação quer “escolas municipalizadas” em vários concelhos já no ano letivo 2014/2015

O meu comentário: Em 2010 quando este senhor ainda não era Ministro da Educação, disse que este Ministério deveria implodir, desaparecer...Bem, penso que está a conseguir...ou pior, não é o ministério que está a implodir, são as Escolas!!! Se realmente quer transferir competências que as transfira para as Escolas!!!


O Ministério da Educação e Ciência (MEC) está por estes dias em reuniões consecutivas com mais de uma dezena de municípios nos quais quer avançar com a descentralização de competências na área da educação, ao nível do ensino básico e secundário.

O MEC queria que a chamada “municipalização das escolas” (com os municípios a assumir responsabilidades na definição da oferta curricular e, eventualmente, na gestão dos próprios docentes) arrancasse já no ano letivo de 2014/2015. Porém, embora haja concelhos interessados, o processo está atrasado relativamente ao calendário inicial.

Águeda, Famalicão, Matosinhos, Maia, Óbidos, Oliveira de Azeméis, Águeda, Oliveira do Bairro, Cascais, Constância e Abrantes são alguns dos 16 concelhos que já foram contactados no âmbito deste processo que, além do ministério de Nuno Crato, está a ser negociado no terreno pela secretaria de Estado da Administração Local e pelo ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro. A ideia era aglomerar um mínimo de 10 municipios na fase-piloto do projeto que deverá durar quatro anos, findos os quais, e dependendo da avaliação que vier a ser feita, a delegação de competências passará a ser definitiva.

As negociações têm, porém, seguido a ritmos diferentes nos diferentes municípios. Enquanto alguns, como Constância se terão posto de fora, outros, como Matosinhos, Óbidos e Águeda mostram-se entusiasmados com a ideia. “A proposta do MEC pareceu-nos muito bem formulada, embora as negociações não tenham sido ainda fechadas. O anterior processo de transferência de competências [nas escolas do básico] correu bem, trata-se agora de aprofundar isto e de alargar o processo ao secundário”, adiantou o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto. O vereador da Educação da autarquia, Correia Pinto, precisou que o que está sobre a mesa é “uma descentralização e repartição de competências entre os municípios e as escolas, ficando o Ministério da Educação com as questões de avaliação do próprio sistema e a definição de orientações que se pretende que sejam nacionais para garantir a equidade do sistema educativo”.

Em Óbidos, o presidente da câmara, Humberto Marques, também se mostra impaciente para pôr no terreno a sua “escola municipal”. De tal forma que já por diversas vezes avisou que com ou sem Governo colocará em setembro a sua marca no único agrupamento do concelho. Faz notar que, ali, o projeto “nasceu muito antes deste Governo ter pensado em tal coisa”; e, apesar de “acreditar que as negociações chegarão a bom termo”, desta vez prefere "prevenir a remediar". Do pré-escolar ao secundário, os alunos terão direito a uma oferta diversificada de atividades cujos custos podem ter de vir a ser suportados integralmente pela autarquia, admite Humberto Marques. “Um risco” que o presidente da câmara assume, publicitando desde já a oferta de Filosofia para crianças no 1.º ciclo, de ioga para as do pré-escolar, e de golfe e de oficinas de ecodesign para os alnos mais velhos, só para dar alguns exemplos.

Sem custos para o MEC

Mais paciente e sereno, o presidente da Câmara de Águeda, Gil Nadais, prefere sublinhar que tudo está ainda numa fase muito prematura e que, “ainda que entretanto se proceda às alterações legislativas necessárias”, os reflexos nos quatro agrupamentos de escolas “não se vão fazer sentir antes de 2015/2016”. “Estamos a dois meses do arranque do novo ano letivo, mas nada impede que o contrato seja assinado em setembro e que a transição de competências se faça de forma gradual”, admite Correia Pinto.

Desde 2008 que 113 municípios aceitaram assumir responsabilidades acrescidas relativamente às escolas do ensino básico e da rede pré-escolar, nomeadamente quanto à contratação e gestão do pessoal não docente, à ação social escolar, incluíndo as refeições, e às atividades de enriquecimento escolar, as chamadas AEC, e à construção, manutenção e apetrechamento dos edifícios.

Doravante, e entre outros aspetos, os municípios que assinarem os chamados contratos de educação e formação municipal assumem também poder na definição de currículos escolares próprios - dentro das balizas estabelecidas pelo MEC - não só no básico mas também no secundário. Tudo isto tendo em vista objetivos como a prevenção do risco de abandono e insucesso escolar mas também, por exemplo, a ligação ao mundo do trabalho.

“A câmara de Matosinhos tem 46 escolas que gere em termos de manutenção e conservação, e cujas despesas assumiu, e já tem 700 funcionários não docentes sob sua responsabilidade. Tratar-se-ia aqui de somar mais seis escolas do secundário e mais cerca de 200 funcionários”, concretiza o vereador Correia Pinto, para acrescentar que o mais importante, porém, será a possibilidade de, em conjugação com as escolas, intervir na oferta educativa do concelho, adequando-a à realidade local. “Vamos poder dizer se teremos cursos vocacionados para a área do turismo ou da restauração, que são fundamentais para o concelho, e isso fará toda a diferença.”

Estes contratos que o Governo pretende firmar com os municípios só deverão fazer-se mediante “forte vontade” dos autarcas mas também da direção das escolas ou dos agrupamentos escolares. Nos casos em que avançar, câmaras e MEC deverão, até 180 dias antes do final do último ano letivo da experiência, avaliar o projeto-piloto e decidir sobre a sua continuidade em regime definitivo. Mas esta delegação de competências surge desde logo balizada por alguns aspetos. Em primeiro lugar, surge a regra do não aumento da despesa para o MEC. E isto significa, entre outras coisas, que não poderá aumentar o custo médio por aluno no contexto da escola.

Professores prometem polémica

A gestão dos recursos humanos, sobretudo dos professores, é uma das questões que se adivinha mais polémica.Embora apontando como positiva a experiência de recrutamento de docentes pelos municípios no âmbito das AEC, o próprio MEC reconhece tratar-se de matéria de grande complexidade, “designadamente jurídica”. É assim a questão que obriga a “maior ponderação e concertação”. De forma um tanto dúbia, o contrato proposto limita-se, e recordando as permissões da lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, quanto à afetação temporária de recursos humanos nas delegações de competências do Estado nos municípios, a reconhecer aos municípios a competência de recrutamento de pessoal docente para projetos específicos de base local.

Em casos como o de Matosinhos, o presidente Guilherme Pinto garante que a câmara “não tem nenhum óbice” a assumir a gestão do pessoal docente, desde que assegurado o reforço da transferência financeira para a autarquia, mas ressalva que tal implica que haja entendimento entre Governo e professores. “Não aceitaremos fazer isto contra as pessoas”, precisa Correia Pinto, que vai para a semana reunir com Fenprof e Federação Nacional da Educação para que o processo seja “partilhado e assumido”.

Sobre a tutela dos professores, tanto Humberto Marques, de Óbidos, como Gil Nadais, de Águeda, asseguram que a possibilidade de aquela passar para as autarquias está posta de parte. O último acrescenta, no entanto, “para já”. “Pelo menos numa primeira fase isso está fora de causa, o processo já é suficientemente complexo sem isso”, avalia o autarca de Águeda. Humberto Marques diz que seria “contraproducente indispor os professores quando o que mais importa é que eles estejam motivados para se envolverem no projeto”.

Será uma batalha difícil de ganhar. Mário Nogueira, da Fenprof, começa por apontar o “mau exemplo” das atividades extracurriculares. “Há registo de atraso no pagamento dos salários aos professores contratados pelas autarquias, com alguns destes docentes a terem de trabalhar até três meses sem receber. Noutros casos, assistimos ao recurso a empresas privadas para colocação de docentes. E como seria quanto ao exercício da ação disciplinar? As pessoas têm medo que surjam, aqui e ali, critérios de discricionariedade, sobretudo nos concelhos pequenos em que a relação das pessoas é muito próxima”, opõe-se aquele líder sindical, apontando ainda o “número significativo de câmaras que estão em falência técnica”. (...)

quinta-feira, 3 de julho de 2014

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Apple desenvolve aplicação em português para terapia da fala

A Apple App Store já tem uma aplicação em português europeu para terapia da fala. Segundo avança o jornal i, chama-se Articula e está disponível para download na vertente paga e também gratuitamente.

Articula é a primeira aplicação disponível na Apple App Store para terapia da fala em português europeu, segundo a dwitmee, responsável pelo seu desenvolvimento.

A aplicação está disponível para download na Apple App Store, em duas variantes: uma gratuita e outra paga, disponível por 14,99 euros. Foi desenvolvida para suportar o treino da articulação das palavras e respetivos sons da Língua Portuguesa e é adequada para audiências de todas as idades.

A iniciativa partiu da terapeuta da fala Rita Loureiro, que procurou dar resposta à falta de materiais de validade técnica e teórica nas áreas da terapia da fala e educação em Português europeu.

Em equipa com Marcelo Ribeiro, engenheiro de computadores e telemática, foi possível converter este projeto numa aplicação para dispositivos móveis.

Para utilizar a Articula, o utilizador seleciona o som que pretende treinar (a aplicação disponibiliza 19 fonemas na versão paga, sendo que está apenas um disponível gratuitamente). Ao som é associado um conjunto de imagens e palavras que correspondam à seleção.

Os utilizadores podem criar um perfil e acompanhar, ou monitorizar, o progresso dos seus treinos.

A MENINA CHAMADA SÓ

Era uma vez uma menina chamada Só, tinha sete anos e andava numa escola. A Só quase nunca brincava com ninguém e ninguém quase nunca brincava com a Só.

Na sala tinha uma mesa onde não estava nenhum colega e de onde a Só, à espera de vontade de fazer os trabalhos, via a janela, a única coisa que parecia chamar a sua atenção.

No recreio, a Só procurava sempre um cantinho, uma espécie de cantinho encantado e por ali ficava a brincar com as suas ideias.

Num destes dias, o Professor Velho, o que está na biblioteca e fala com os livros, ao passar no recreio viu a Só lá no seu cantinho encantado e sentou-se ao pé dela.

- Em que pensas Só?

Em histórias.

- Também penso muito em histórias e já tenho um monte delas guardadas lá na biblioteca.
- Velho, tu sabes inventá-las e contá-las?

- Claro, queres ouvir alguma?

- Velho, como sou Só nunca tenho uma história em que eu entre. Inventas uma onde possa entrar uma pessoa Só?

Texto de Zé Morgado

terça-feira, 1 de julho de 2014

UM RAPAZ CHAMADO INSEGURO

Era uma vez um rapaz, tinha oito anos e chamava-se Inseguro. Era esperto mas tinha sempre algum receio de fazer o que lhe pediam, tinha medo de não fazer bem as coisas. O Inseguro era quase sempre assim, em casa, na escola ou a brincar com os amigos. Tinha tanto receio de não fazer bem feito que, quando a professora lhe pedia para inventar uma história, o Inseguro preferia contar uma história já inventada dizendo que era mais bonita do que a que ele tinha começado a inventar.

Nunca se oferecia para dar uma resposta quando a professora fazia alguma pergunta para o grupo. Quando era interpelado em alguma circunstância, o Inseguro respondia muito baixinho, tinha medo de não responder bem.

A pouco e pouco, foi ficando mais calado, discreto, enfiado no canto mais cantinho que a sala tinha. A professora, quase sem dar por isso, foi deixando de falar com ele, até se esquecia, dizia ela, e os colegas achavam que o Inseguro não era grande companhia para trabalhar ou brincar pelo que também deixaram de lhe dar atenção.

Um dia, o Inseguro não apareceu em casa à hora do costume, os pais, preocupados, foram até à escola que estava quase a fechar, já sem ninguém.

Procuraram e no canto mais cantinho da sala de aula, estava um vulto que mal se via. O Inseguro, sem ninguém se dar conta, estava a ficar transparente. Já era muito difícil reparar nele, quase não se percebia que existia.

Se conhecerem algum miúdo que também esteja a ficar transparente, assim como o Inseguro, ofereçam uma caixa de tintas para ele se pintar às cores e ver-se ao espelho. Ele vai rir-se e não se esquecerá de que existe. Nem nós. 

Texto de Zé Morgado