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terça-feira, 28 de abril de 2015

Ser normal com Síndrome de Down

Em primeiro lugar e acima de tudo eles são. Este é o mote que rege o trabalho de Sigga Ella sobre as pessoas com Síndrome de Down. E as suas fotos são retratos de quem quer apenas ser.

São vinte e um retratos de pessoas com Síndrome de Down. Um número simbólico, já que esta doença é causada pela existência de mais um cromossoma no par 21 do código genético humano. A mensagem é simples: “Cada uma destas pessoas é igual a todas as outras e não deve ser julgada por ter um cromossoma extra”, defende a fotógrafa Sigga Ella, que criou este projeto. “First and Foremost I Am” (que se traduz para em primeiro lugar e acima de tudo eu sou) pretende refletir sobre até onde vai a diferença e a igualdade.

Esta é uma questão que toca a artista de forma muito íntima. “Eu tinha uma tia que amava muito e que tinha Síndrome de Down, era a tia Begga. É muito difícil para mim pensar em eliminar a Síndrome de Down e nela ao mesmo tempo”, explica.

Foi depois de ouvir um debate na rádio sobre o assunto que decidiu avançar com o projeto. Sentou 21 pessoas de todas as idades e dos dois géneros numa cadeira em frente a uma parede forrada por flores, para representar a diversidade humana. A única coisa que tinham em comum era a doença. E deixou que elas agissem livremente, para mostrarem quem realmente são.

O resultado está na fotogaleria e vai estar exposto no Festival de Arte Fotográfica em Varsóvia a 15 de maio. Nas pode aventurar-se no trabalho de Sigga Ella no Facebook ou no site.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Filhos com Síndrome de Down trazem alegria, não arrependimento, aos pais

Quando Louise Borke descobriu que seu filho tinha Síndrome de Down, ele tinha apenas alguns dias. A reação dela? “Choque e surpresa, inquietação e ansiedade”, recordou.

Hoje, 22 anos depois, Borke é capaz de avaliar a vida com seu filho, Louis Sciuto, e diz: “Tem sido divertido. Tem seus desafios, não vou negar, mas tem sido divertido. É recompensador e não tenho arrependimentos”.

Borke não está sozinha. Em uma série de pesquisas recém-concluídas, 96% dos pais disseram não se arrepender de ter tido um filho com Síndrome de Down. Para quase 8 a cada 10, a criança melhorou suas vidas, ensinando-os a ter paciência, aceitação e flexibilidade, entre outras coisas.

Os irmãos expressaram visões semelhantes, com 94% se sentindo “orgulhosos” e 88% declarando que o irmão especial os tornou uma “pessoa melhor”. E virtualmente todas as pessoas com Síndrome de Down participantes da pesquisa disseram estar felizes com sua vida e com quem são.

“As vozes que ouvimos expressaram muita satisfação e positividade sobre suas vidas, a despeito de terem grandes desafios”, disse o médico Brian Skotko, coordenador das pesquisas, publicadas na edição de outubro do “American Journal of Medical Genetics”.

Skotko, do Programa de Síndrome de Down no Children’s Hospital Boston, espera que os resultados ajudem famílias a tomar decisões sobre os bebês ainda não nascidos, especialmente agora, que os testes pré-natais se tornam mais abrangentes.

Atualmente, o exame pré-natal para Síndrome de Down envolve risco de aborto e é feito por apenas cerca de 2% das mulheres grávidas. Mas testes novos e virtualmente 100% seguros estão para chegar ao mercado, e Skotko quer garantir que os pais às voltas com esta “complexa, sensível e difícil decisão” tenham informação de qualidade para guiá-los.

Passo à frente

Nos Estados Unidos, é permitido às mulheres optar pelo aborto ao saberem que a criança tem algum problema de saúde. Ninguém sabe exatamente quantas mulheres decidem interromper a gestação ao descobrir que seus filhos terão Síndrome de Down. Mas alguns estudos selecionados sugerem que o número pode ser alto: de 80 a 90%.

“Quando todo mundo tiver a oportunidade de saber, antes do parto e com um simples exame de sangue, quais decisões serão tomadas sobre a gestação? Será que os bebês com a Síndrome irão desaparecer pouco a pouco?”, questionou Skotko. “As pessoas com Síndrome de Down devem falar sobre o que significa ter esta condição”.

Julie Cevallos, vice-presidente de marketing da NDSS, a National Down Syndrome Society (Sociedade Nacional da Síndrome de Down), disse que “esta pesquisa é um grande passo à frente. É particularmente notável que as informações venham direto das famílias, irmãos e das próprias pessoas com a Síndrome”. E acrescentou: “Quanto mais informação, e quanto mais acurada for esta informação, melhor. Há muita informação errada por aí, além de estereótipos”. Cevallos é mãe de Nina, de 2 anos, que tem a Síndrome.Skotko, membro do conselho da NDSS, tem uma irmã de 32 anos com a Síndrome. “Ela tem uma vida social ativa, mais do que eu jamais tive”.

Quanto a Louis Sciuto, sua mãe, Louise, diz que ele acaba de arrumar um emprego e também leva uma vida socialmente ativa, assistindo aos últimos lançamentos do cinema, praticando esportes e saindo com garotas e outros casais de amigos.

O que ela diria aos pais que descobriram que seus filhos podem ter Síndrome de Down? “Não tenham medo. É diferente, mas não pior. Meu filho tem amigos cujos pais me dizem que seus filhos se tornaram pessoas melhores por conhecerem Louis”.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A inclusão social de pessoas com síndrome de Down

O preconceito sempre foi um dos maiores inimigos de quem tem Síndrome de Down. Ele ainda não acabou, mas diminuiu muito com diversas iniciativas de inclusão. Hoje, quem tem Down tem direito a estudar em escolas regulares, trabalhar e pode ser artista de cinema.


In: Rede TV

terça-feira, 21 de junho de 2011

segunda-feira, 7 de março de 2011

Análise ao sangue pode detectar Síndrome de Down

Especialista espera que avanço possa ser dado, no máximo, daqui a dois anos.

Daqui por dois anos uma simples análise ao sangue das grávidas poderá ser suficiente para detectar casos de Síndrome de Down nos bebés.

A confirmar-se, este é um grande avanço porque vai dispensar testes invasivos e arriscados como a amniocentese - uma recolha de líquido amniótico, feita por volta da 15ª semana de gestação -, um exame que apresenta risco de aborto espontâneo.

Cientistas no Chipre ensaiaram com sucesso em 40 mulheres este método de análise ao sangue e posterior análise ao ADN, e conseguiram detectar com precisão os casos de Trissomia 21.

A pesquisa vai agora entrar numa nova fase, com mil grávidas a submeterem-se aos ensaios. O médico cipriota Phillippos Patsalis afirma ao jornal Nature Medicine que daqui por dois anos poderá generalizar-se a detecção de casos de Síndrome de Down através de simples análise ao sangue das grávidas.
 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Semana Comemorativa do Dia Mundial da Trissomia 21

 
No dia 21 de Março celebra-se o Dia Mundial da Trissomia 21. Como vem sendo hábito e como acontece um pouco por todo o mundo, a APPT21 celebra sempre esta data com a realização de uma reunião.

Este ano fomos mais ambiciosos no programa. Iremos celebrar durante uma semana inteira, de 16 a 26 de Março.

Programámos um conjunto de acções de sensibilização, por todo o país, destinados a instituições de ensino superior e a outros interessados. A calendarização destas acções, bem como os locais onde se irão realizar, serão divulgadas no site da APPT21, oportunamente.

No dia 16 de Março, a Companhia Nacional de Bailado, junta-se a esta causa, levando a efeito uma secção extra do Bailado Romeu e Julieta, no Teatro Camões, às 21 horas. O espectáculo reverte na integra para a APPT21. Os bilhetes poderão ser adquiridos ao balcão do Centro de Desenvolvimento Infantil DIFERENÇAS. Oportunamente serão fornecidas mais informações sobre o valor dos bilhetes.

No dia 21 de Março, as portas da Instituição estão abertas. Celebramos este dia como um DIA ABERTO, com mostras de produtos, de livros, exposições, e muita conversa e animação pelo meio.

Consulte o folheto desta iniciativa. Junte-se a nós e seja bem vindo.
 
In: APPT21

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Tesourinho no Consigo

Não podia deixar de partilhar esta história...Uma verdadeira mãe exemplo!!!

 

Ah...e já agora, recomendo uma visita ao blogue: http://otesourinho.blogspot.com/

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Estímulos na infância levam jovem com síndrome de down a fazer pós

Estímulos físicos, motores e neurológicos feitos pelos pais durante a infância da portadora de síndrome de down Ana Carolina Fruit, de Joinville, em Santa Catarina, foram decisivos para determinar o futuro da garota. Hoje, aos 29 anos, a jovem tem pós-graduação, que completou no ano passado, trabalha em uma multinacional e conquistou a independência financeira.
Apaixonada por crianças, a jovem se formou em pedagogia e depois se especializou em educação infantil. Desinteressou-se pelo trabalho na área após alguns estágios. “Tem que ter paciência, lidar com os pais, que parece o mais difícil”, afirmou. Na empresa em que trabalha, Ana Carolina já passou por várias áreas e agora está no setor comercial. 
Quem conversa com ela por telefone percebe uma ótima dicção e articulação perfeita entre palavras e ideias. A evolução intelectual foi fruto de intensos exercícios feitos pelos pais com a garota dos 6 aos 9 anos sob orientação médica.

“Era uma programação bem intensa. Rastejava, engatinhava, corria. Tinha estímulo dos cinco sentidos. Dou graças a Deus”, afirmou Ana Carolina, que fazia ainda jazz e natação como atividades extracurriculares.

A rotina, que incluía exercícios motores e lúdicos, era toda voltada ao desenvolvimento da filha, segundo a mãe da jovem, Gina Fruit, de 52 anos, que abandonou o trabalho como professora de educação física para cuidar da filha. “Era cansativo e desgastante. Às vezes, ela sofria, chorava, mas depois vimos o resultado”, disse Gina.

O programa seguido por Ana Carolina foi criado nos Estados Unidos na década de 1950 pelo fisioterapeuta Glenn Doman e é desenvolvido no Brasil pelo Instituto Véras, no Rio de Janeiro. De acordo com a diretora do instituto, Conceição Véras, que é professora especializada em reabilitação, os estímulos motores e sensoriais, como contrastes luminosos, sons, contraste entre calor e frio, buscam a organização cerebral. "Entendemos a síndrome como causadora de uma desordem das funções cerebrais", disse Conceição.

Os exercícios têm alta frequência, intensidade e baixa duração. São feitos durante um a dois minutos dez a doze vezes por dia. "O propósito é ajudar a criança a ter um desenvolvimento normal, como o de qualquer criança. O programa faz com que tenha necessidade de se moviemntar", disse Conceição. O tipo de exercício a ser feito e a forma e a duração depende de cada caso. "A evolução depende da criança, do ambiente e da família", disse. O instituto cobra para desenvolver o programa com a família.

Questionada, Ana Carolina diz que as épocas da escola, que fez inteira em turmas comuns, da faculdade e da pós foram tranquilas. “Nunca percebi preconceito. Tinha um relacionamento legal com meus colegas e professores”, afirmou.

Atualmente, a jovem é independente e mora com os pais porque quer. “Ela ganha mais do que muito pai de família. Está feliz e realizada”, disse Gina.
In: G1 Globo

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Açoriana é campeã mundial de atletismo para pessoas com síndrome de Down

A atleta Maria João Silva, que representa a Santa Casa da Misericórdia da Madalena do Pico, Açores, "obteve dois títulos de campeã mundial" nos primeiros Mundiais de Atletismo para pessoas com síndrome de Down, no México.

Segundo um comunicado da direcção regional do Desporto, a atleta açoriana integrou a selecção nacional da responsabilidade da Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual (ANDDI) e "venceu as provas de 400m Marcha - Trissomia 21 (com o tempo de 3:22:46) e 1500m com o tempo de 13:34:50 (recorde mundial), obtendo assim dois títulos de campeã mundial".

"A participação da atleta e treinadora contou com o apoio do Programa de apoio ao desenvolvimento do Desporto Adaptado, da direcção regional do desporto, o qual abrange também o seu treino regular proporcionado pelo CAO da instituição de enquadramento", acrescenta a nota.

Os primeiros Campeonatos do Mundo de Atletismo para pessoas com síndrome de Down decorreram este mês, em Puerto Vallarta, no México, com a participação de representações de 15 países.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um exemplo de força - parte 1

Este vídeo (dividido em três partes) relata-nos a história de um jovem que se torna campeão de natação...

Grande exemplo, grande história...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

SARA, A LUZ

Depois de um lançamento, onde a grande "estrela" foi a Sara, aqui fica pequeno aperitivo...

O relato da aventura única de Sandra e Sara. O livro, que está repleto de dicas, técnicas, dados clínicos e outros conselhos úteis e baseados na experiência, torna-se, assim, num verdadeiro manual para quem é pai de uma criança com Trissomia 21. Mas também num documento inspirador para todos os que pensam que o nascimento de uma criança diferente - seja com Trissomia 21 ou com outra diferença qualquer - significa entrega e resignação. "Sara, a Luz", que é, de facto, uma extraordinária lição de vida, abre as portas da esperança para todos os que se julgam infortunados.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Trissomia 21 pode desenvolver bronquiolites

Um estudo holandês revela que a Trissomia 21 é um factor de risco agravado para o desenvolvimento de bronquiolites. A investigação incide no vírus sincial respiratório que apenas circula no Inverno e está associado à humidade.




                                                                                                          In: http://tv1.rtp.pt/noticias/

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Qual o sentido da vida para pessoas com necessidades educativas especiais?

Excelente artigo!!!

"Toda a pessoa deveria ser concebida por e em Amor. A partir do momento que existe como Vida ganha supostamente os mesmos Direitos, Liberdades e Garantias que todos os outros. Ao nascer alguém com necessidades especiais, a sociedade cataloga essa pessoa como “diferente”, “especial”, tratando-a com preconceito e exclusão.

Diferentes somos todos nós uns dos outros, e nem por isso deixamos de ter o nosso lugar na sociedade e de uma forma ou de outra desempenharmos o nosso papel. Especiais são todas as crianças, pois … são ou deveriam ser, o Melhor da Vida, elas são a Vida, a personalização dos valores supremos da humanidade, o Amor, a Alegria, a Felicidade, a Solidariedade, a Igualdade de direitos, a Paz.

Ao serem portadoras de uma necessidade especial, seja à nascença ou subitamente, automaticamente a sociedade encara-os como “os atrasadinhos, os incapazes, os fardos”, que terão de ser suportados.

Os “coitadinhos”, que levam todos às lágrimas, e causam a piedade, “coitadinho do miserável”. Quando um ser nasce, ele não pediu para nascer, ele vai-se descobrindo a ele próprio, e até ter idade suficiente para perceber são os pais os primeiros a terem de abrir-lhes caminho, numa estrada que a sociedade automaticamente fechou ao classificar aquele ser de “diferente”.

Somos nós, pais, que tendo necessidades especiais ou não, lhes temos de ensinar que a vida só tem sentido com Amor, Alegria, Igualdade, Solidariedade e Respeito. Só lhes temos que ensinar que têm tanto direito a estar ou fazer qualquer actividade como qualquer outra pessoa.

Para uma pessoa com necessidades especiais o sentido da sua vida é poder fazer o seu percurso de vida dentro das limitações que tem, sendo amada, respeitada, tratada com igualdade e carinho. Ser feliz acima de tudo e poder ter o seu lugar por direito e mérito na sociedade não se sentindo excluído. Ensinando aos “normais”, que o que conta na Vida não é o aspecto, não é o quanto se consegue fazer, não é mostrar, mas ser um coração grandioso, o como se consegue fazer, torneando os obstáculos e as dificuldades, não é mostrar que se é algo, é ser ela própria.

Por se ter necessidades especiais não quer dizer que não possa ir à escola, tirar um curso superior, casar, ter filhos, educá-los, criá-los. Pelo contrário, até se faz tudo isso com muito mais empenhamento, com muito mais Amor, com muito mais dedicação, tornando-se numa maior realização pessoal. Sentir que apesar das dificuldades, e por caminhos mais sinuosos, mais difíceis, também se alcançam as mesmas metas.

Ensinar que o lado Belo da Vida é aquele em que cada dia é uma conquista, que chegar mais além com Amor, Empenhamento é possível, sem ter que atropelar ninguém pelo percurso. Acima de tudo ensinar que Amar Incondicionalmente é aceitar alguém como ela é, esquecendo a sua limitação e valorizando o potencial e a grandiosidade que aquele coração tem.

Uma pessoa com necessidades especiais faz o seu percurso, tentando atingir as mesmas metas que os “normais”, mas valorizando cada degrau que vai subindo, a passo mais lento, mais sinuoso, mais difícil, o esforço para alcançar é tão mais grandioso que os demais exactamente pelo empenhamento e luta que tal implica.

Um jovem que nasce sem uma perna, e toda a Vida usa uma prótese tem como sentido de vida, fazer o mesmo que os outros jovens da idade dele, só que de forma diferente. Ambiciona como os demais jogar À bola, andar de bicicleta, ser feliz, desfrutar da sua juventude, tirar um curso, constituir família e ter uma vida profissional.

Não consegue correr como os demais, não consegue fazer as traquinices como os restantes, mas faz tudo isso de forma diferente, com mais esforço, com mais empenhamento para chegar onde chegam os outros, carregando o peso de uma prótese, sobrevivendo ao preconceito e exclusão e no fim atingiu todas as metas e dos restantes “normais” muitos foram os que ficaram pelo caminho e nem tão pouco conhecem o sabor agridoce de algumas dessas conquistas, porque fizeram-no sem ter de ultrapassar barreiras.

À jovem que toda a Vida carregou um coração doente, que subitamente vê a sua vida atingida por multi necessidades especiais, que lutou contra muitas dificuldades para ultrapassando as mesmas atingir os objectivos, ser Feliz, tirar um curso, casar, ter filhos, o sabor de todas as conquistas é de facto o sabor algo amargo de vitória e sucesso, porque perante os demais é vista com exclusão, no entanto é uma guerreira que não se deixando vencer pelas limitações, mas nas mesmas, e no amor que a família lhe dá de uma forma incondicional, ultrapassa as dificuldades, surpreende tudo e todos com a sua grandiosidade humana e o seu extremo profissionalismo e é uma mulher de sucesso a todos os níveis.

Uma criança que nasce com T21, é uma inexplicável loucura e no dia em que nos olhando nos olhos sorri e nos transmite algo tão belo, tão extasiadamente simples como: “mamã adoro-te”. Um simples sorriso, o levantar o pé para subir um degrau, o esboço de uma palavra que para os ditos “normais” é natural fazer, para estas crianças é um deleite absoluto, porque por detrás de um gesto “normalmente” natural, está um longo percurso de trabalho, de investimento, de empenhamento, de trabalho, acima de tudo de muito Amor.

Este é o verdadeiro sentido na vida de alguém que tem necessidades especiais.

Este texto é também uma grande homenagem a pessoas muito importantes na minha Vida, pois fazem parte de mim, do meu viver e enriquecem a minha vida a cada dia que passa.

Porque o seu ensinamento de Vida é bem mais rico que dos demais. Acaba por ser também uma homenagem a todas as pessoas que tendo as suas vidas dificultadas por necessidades especiais, são detentoras de um coração de facto grandioso.

Porque quando Deus tira de um lado, dá do outro.

Porque nascer ou ver subitamente a sua Vida atingida por uma deficiência não é o fim da vida, é exactamente um Começo ou Recomeço!"

(Artigo de opinião enviado por uma Mãe e Mulher que todos os dias lida com pessoas especiais)

De: Sandra Morato


 

domingo, 31 de janeiro de 2010

Testemunho de Mãe - O Papel dos Audiovisuais, da Música no Desenvolvimento das Crianças

"Sou mãe de duas princesas, a Sofia de 9 e a Sara de 3. A Sara nasceu 12 minutos antes da Sofia completar 6 anos e a todos ela diz que a irmã foi a prenda dos 6 anos e a melhor prenda que teve na Vida. Para além desta surpresa, a Sara trazia consigo o cromossoma da diferença, sem que fosse detectado durante a gravidez – a Trissomia 21- , que a todos surpreendeu, a nós directamente sempre pela positiva!

Assim que saí da maternidade esperava-me em casa uma pesquisa efectuada na internet sobre o pior dos cenários de Trissomia 21, nomeadamente no que se refere à saúde e ao desenvolvimento.

Li tudo de “fio a pavio”, e depois de tudo ler, jurei a mim mesma que iria lutar por um milagre de Amor para a Sara, e reverter todo aquele cenário negro com que me deparei ao ler a informação. Era minha filha e precisava de mais apoio ainda do que a irmã, mas sem deixar a irmã de fora ou para trás, “arregacei” as mangas e “fui à luta”, tendo como fortíssimos apoiantes, que de braço dado estavam sempre ali, a irmã e o pai.

E tal como os 4 Mosqueteiros, temos sido “um por todos e todos por um”!

Desde sempre que soube o papel preponderante que a música tem na vida, nomeadamente no desenvolvimento, educação e formação das crianças.

Ainda no útero, eu cantava para as minhas filhas, ouvia muito música, de preferência clássica, ou de sons da natureza, como forma de relaxamento e assim nas minhas rotinas diárias a música era, e é, uma forte componente.

Por interesse, por hábito, por valor já enraizado, por herança genética, a Sofia nas suas brincadeiras, interesses, no cuidado e carinho com que sempre se relacionou com a Sara, tinha sempre uma fortíssima envolvente musical. Nas músicas que lhe trauteava, nos brinquedos com música, até no software a música era um grande estímulo a que a Sara reagia muito bem logo pelos 2 / 3 meses de nascida.

Como uma criança que necessitava de um profundo trabalho de estimulação precoce, todos os estímulos do dia-a-dia a Sara era sujeita, até ao palrear dos periquitos e dos agapornis que na altura tínhamos em casa.

Sempre que a Sofia nas suas brincadeiras, nos seus momentos de lazer, via as suas cassetes de vhs, ou os dvd’s e cd’s, sempre infantis e de musica infantil, fazia-o em partilha total e incondicional com a pequenina Sara.

Chegava a tirá-la do berço e com ela andar ao colo a dançar e a cantar, numa emocionante entrega mútua, e a Sarocas adorava, porque não se ouvia o mínimo sinal de contestação.

Ambas foram crescendo, e com tanto estímulo auditivo e visual que recebia, a Sara cedo despertou para um mundo de sons, imagens, rotinas, emoções e conceitos.

Cedo começou a partilhar e a fazer parte integrante dos momentos lúdicos da irmã e cedo ensinámos à Sofia a necessidade de trabalharmos, estimulando, a Sara em casa para que ela conseguisse atingir um bom patamar de aquisições que lhe permitisse ter um desenvolvimento o mais normal possível dentro do seu quadro de Trissomia 21.

Assim que saímos da maternidade e chegámos a casa, (sim porque ambas nasceram na Maternidade Dr. Alfredo da Costa, onde o encaminhamento de situações e o apoio aos pais é de facto de louvar), a Peniche ao fim de uns dias, a Sofia perguntou-me o que era a Trissomia 21? Respondi-lhe que eram crianças como ela, apenas que aprendiam tudo muito mais devagar do que ela. E que provavelmente a irmã iria ter mais dificuldades e iria aprender mais devagar. A Sofia respondeu que iria ensinar à Sara tudo o que ela precisava de saber. E ali se encerrou o assunto!

A Sofia chamou a si a missão de estimular a Sara numa entrega absolutamente incondicional, e aproveita todos os pequenos momentos para trabalhar a irmã, e acreditem que os resultados superam todas as expectativas, espantando e surpreendendo as técnicas que com a Sara trabalham numa base semanal, que vão seguindo e aplaudindo inclusivamente as dicas e as sugestões da Sofia.

E assim começámos a Era do Audiovisual aqui em casa, tanto com os vhs, dvds e cds da Sofia como depois com os da Sara, incluindo software mais específico. Aos 2 / 3 meses sentávamo-la na cadeira de ângulo recto e na mesa, para a ensinarmos a sentar, cujo modelo nos foi dado pela Psicóloga que muito nos acompanhou , e colocávamos o Software no computador, só para a despertar para a musica e para a imagem. Tudo o que era vhs, dvd, cd de músicas infantis, a Sofia cantava as músicas, dançava para a Sara e muitas vezes pegava nela e inseri-a naquele momento, que deixando de ser um simples momento lúdico, passava a ser um imenso trabalho, que orientado e apoiado pelas técnicas, era a sua grande mais-valia.

Desde sempre que a Sofia participou em tudo o que dizia respeito à irmã, desde os tempos da gravidez. Inclusivamente a própria educadora da Sofia, que na altura frequentava o pré-escolar oficial, dizia que em muitos anos de profissão nunca tinha testemunhado uma criança que participasse da gravidez da mãe e vivesse a ideia de ter uma irmã de uma forma tão emocionante e intensa. Nunca haviam visto tamanha entrega e uma ligação tão forte a um bebe que ainda nem se conhecia.

Depressa nos apercebemos que ambas eram a grande mais-valia uma da outra, e se a família já se tinha enriquecido com a chegada da Sofia, com a chegada da Sara a família ficou deveras iluminada.

Sempre em parceria e com a cumplicidade da irmã, a Sara cedo começou na Era dos Audiovisuais e indo atrás dos interesses da Sofia acabou e acaba por dar grandes saltos no desenvolvimento.

Por tantas vezes ver os dvd’s, vhs e ouvir os cd’s a Sara começou por imitar movimentos, entendendo que o movimento traduzia algo, o desenvolvimento psicomotor “sofreu” uma grande evolução. Assimilou conceitos, repetindo sons, começou a dizer vocábulos, aprendeu as vogais, dobrou sons, começou a associar os conceitos às imagens e às palavras, a entender expressões, a desenvolver a expressão corporal e a criar lhe desenvoltura, autonomia e traquinice, que está apuradíssima.

Ao nível de aquisições, como categorizar os animais, os objectos, aprendeu novos animais como o pinguim, o dinossauro, a baleia, a girafa, o hipopótamo, e já vai fazendo algumas associações como uma perna às costas.

Este trabalho é feito através de momentos lúdicos, da brincadeira, do aprender. Se andamos a tratar do jantar à noite, coloca-se um destes dvd’s e tratando-se do que é preciso vamos vendo a Sara a interagir, nós a participarmos também, às vezes a cortar cebola, ou a por a mesa, damos por nós a dançar e a cantar com ela, e quando nos apercebemos estamos todos a interagir e a puxar por ela e claro ela colabora com toda a naturalidade. Se está a dançar, fazemos gestos como mexer os ombros, os braços, as mãos, as pernas, rodopiar e ela colabora. Um dos CD do Panda tem uma música em que diz roda a mão, o pé, etc.. Quando fazemos para ela ver e nos imitar apercebemo-nos que ela já faz sozinha e assimilou o conceito.

Resolvi fazer este registo escrito, não para mostrar elogiar as minhas filhas em detrimento de outras crianças. Este registo tem o objectivo primordial de passar uma mensagem a pais, familiares, amigos, técnicos ou a quem esta temática interesse, que tudo é trabalho, que tudo é uma aprendizagem contínua que quando tem uma forte componente musical lúdica, as aquisições acontecem tão natural e espontaneamente que somos completamente surpreendidos.

Escrevi sob a forma de testemunho na primeira pessoa, porque a melhor forma de demonstrarmos algo, de comprovarmos uma teoria é experimentando ou vivendo o que se pretende demonstrar. Diariamente eu tenho a consolidação do que aqui expus. Claro que para além de tudo isto, temos as terapias, os apoios, o trabalho efectivo, a escola ou creche, mas isto só para alertar que esta é uma das melhores, senão a melhor forma de aquisições, de alcançar objectivos e metas.

Aliás ao longo do tempo fui transmitindo estes registos às técnicas que acompanham a Sara desde os 2 meses de idade. Também desde essa altura já muitas utilizam estes materiais para apoiarem crianças com Autismo, deficiências mentais mais acentuadas, Trissomia 21 e casos onde a comunicação com o mundo exterior é pouca ou nula. Os resultados revelam-se quase sempre de forma muito positiva.

Todos os dias ao final da tarde ao chegarem a casa, a Sara vai direitinha à sala escolher o dvd, pega nos comandos e pede para pormos a tocar, se demorarmos muito já está ela a tentar adiantar serviço e por vezes a televisão perde a sintonização dos canais, encrava a tampa do dvd,... enfim…

Depois enquanto a rotina dos banhos, dos preparativos do jantar se faz, toca um cd ou dvd, e lá anda a família toda envolvida a cantar e a dançar. Depois acontece algo muito engraçado, que é andarmos a ouvir no carro alguns destes cd’s e depois ou porque vamos ao supermercado, ou tratar de algum assunto, ou mesmo às vezes no local de trabalho, damos connosco a cantarolar as músicas que repetidamente ouvimos.

Tudo só para vos dizer que:

Através de momentos lúdicos utilizando audiovisuais, acaba por se conseguir uma grande interacção familiar, e ganhamos todos, em especial os filhos que deliram com estes momentos, tenham ou não défice cognitivo. No nosso caso é Trissomia 21, mas há outras deficiências com este tipo de quadro ganham uma grande mais-valia.

Os audiovisuais, nomeadamente tudo o que tiver uma retaguarda de componente musical, desempenham um papel preponderante no desenvolvimento das crianças, em especial das que têm défice cognitivo.

Por isso achei que seria importante passar esta mensagem, esta partilha pessoal com outros pais, técnicos e todos os que directa ou indirectamente lidam com esta área."

De: Sandra Morato