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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Bruxelas propõe regras sobre acessibilidade de deficientes a serviços e produtos

A Comissão Europeia propôs que sejam adotados requisitos comuns de acessibilidade a pessoas com deficiência a produtos e serviços essenciais, como os transportes e a caixa multibanco.

A Comissão Europeia propôs que sejam adotados requisitos comuns de acessibilidade a pessoas com deficiência a produtos e serviços considerados essenciais, como os transportes e a caixa multibanco, entre outros.

Os serviços e produtos em causa foram escolhidos em consulta com os cidadãos, organizações da sociedade civil e empresas e entre eles contam-se as caixas automáticas (ATM) e os serviços bancários, os computadores pessoais, os telefones e equipamentos de televisão, os serviços de telefonia e audiovisuais, os transportes, os livros eletrónicos e o comércio eletrónico.

A diretiva (lei europeia) hoje proposta deverá fomentar a inovação e multiplicará a oferta de produtos e serviços acessíveis para os cerca de 80 milhões de pessoas com deficiência na União Europeia (UE).

Na elaboração dos requisitos, foi considerada a necessidade de garantir a proporcionalidade, em particular para as pequenas e as microempresas, com a inclusão de uma “cláusula de bom senso” para evitar que os requisitos de acessibilidade tenham encargos desproporcionados, estando também previstas medidas de conformidade menos rigorosas para as microempresas.

As pessoas com deficiência passarão a dispor de uma maior oferta de produtos e serviços acessíveis a preços mais competitivos.

A melhoria da oferta destes produtos e serviços pode também beneficiar os cidadãos mais velhos que têm necessidades semelhantes em matéria de acessibilidade, bem como pessoas que se deparem com dificuldades decorrentes de um acidente, uma doença temporária ou um ambiente onde as condições de luz ou ruído, por exemplo, não sejam as melhores.

Cerca de 80 milhões de cidadãos da UE são, em maior ou menor grau, afetados por uma deficiência.

Em virtude do envelhecimento demográfico, prevê-se que este número venha a aumentar para 120 milhões até 2020, segundo a Comissão Europeia.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Só 1% dos sites das escolas públicas cumprem regras de acessibilidade

Uma análise da Universidade Portucalense confirmou que apenas 0,53% de 954 sites de escolas portuguesas segue têm boas ou excelentes práticas de acessibilidade.

A legislação já tem 15 anos – mas tarda em impor-se nas escolas públicas portuguesas. Pelo menos, é essa a conclusão a que chegou um estudo de investigadores da Universidade Portucalense sobre a aplicação de requisitos e mecanismos de acessibilidade que facilitam o uso da Internet por pessoas com necessidades especiais. De acordo com os investigadores da Universidade Portucalense apenas 1% dos 954 sites de escolas públicas analisados respeita as regras da acessibilidade.

O comunicado da Universidade Portucalense refere ainda que «os resultados apurados são pouco encorajadores já que, para além do número de escolas que apresentam o símbolo de acessibilidade ser residual (1%), apenas 0,53% são classificadas de muito boa ou excelente prática».

Além das boas práticas da acessibilidade, a equipa liderada pelo investigador Victor Henriques analisou os conteúdos de 305 escolas da Direção Regional de Educação do Norte (DREN). Esta vertente de estudo teve por base a avaliação de acordo com 174 critérios relacionados com a identificação e a descrição da escola, corpos diretivos, cursos e currículos de estudo, quadro docente, atividades extracurriculares, pesquisas, blogues, entre outros itens em análise.

«Mais de 48% dos sites das escolas não apresentam a sua oferta formativa e mais de 57% não mostra o seu plano de estudos», refere em comunicado Victor Henriques, apontando uma das conclusões obtidas durante à análise dos conteúdos publicados pelos vários sites das escolas públicas do Norte do País.

Além da publicação das datas de atualização do site e do contacto do administrador, Victor Henriques faz uma recomendação diretamente para o Ministério da Educação: «Relativamente ao URL, não existe nenhuma recomendação ou orientação do Ministério da Educação, permitindo que cada escola tenha a autonomia de escolher o seu domínio, no entanto, recomenda-se a escolha do domínio EDU.pt, uma vez que é o que corresponde aos sítios web educacionais portugueses. No estudo foi possível observar que apenas 11,48% das escolas da DREN utilizam este domínio».

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Resoluções sobre acessibilidades e eliminação de barreiras arquitetónicas

A Assembleia da República, pela Resolução da Assembleia da República n.º 102/2014, recomenda ao Governo o cumprimento da legislação sobre acessibilidades e medidas mais eficazes para a eliminação de barreiras arquitetónicas.

A Resolução da Assembleia da República n.º 103/2014 incide na eliminação das barreiras arquitetónicas pela garantia do direito de todos os cidadãos à mobilidade e à acessibilidade. Neste sentido, recomenda ao Governo que:

1) Proceda ao levantamento, ao nível de todo o território nacional, dos edifícios de serviços públicos, onde se presta atendimento aos cidadãos, que contêm problemas de acessibilidades ou mobilidade para pessoas com necessidades especiais.

2) Crie uma estratégia de ação, com um largo envolvimento e participação das autarquias, de associações, movimentos e dos cidadãos em geral, que estabeleça objetivos de curto, médio e longo prazo no que respeita à eliminação de barreiras à acessibilidade e à mobilidade de pessoas com necessidades especiais, promovendo a garantia de direitos.

3) Remeta urgentemente à Assembleia da República uma avaliação do grau de cumprimento do Decreto-Lei n.º 163/2006, de 8 de agosto.

In: Incluso

sábado, 9 de agosto de 2014

Recriação medieval é "Viagem Acessível" para cegos e surdos

A componente de acessibilidade da 18.ª Viagem Medieval em Terra de Santa Maria, que decorre até domingo no centro da Feira, recebeu até sexta-feira mais de 100 visitantes cegos e surdos, para os quais a organização preparou roteiros específicos.

Em causa está assim o programa da "Viagem Acessível", que, em dois dias predefinidos, proporcionou aos visitantes com limitações de mobilidade o acesso a conteúdos em Linguagem Gestual - como é o caso da peça de teatro "D. Sancho II - O último luar" - e também em Braille - como a exposição de usufruto táctil sobre armas, objetos e vestuário medievais.

Essas visitas foram conduzidas por guias que, especialmente formados para o efeito, garantiram aos grupos aquilo que Joana Cottim, presidente da Comissão Nacional dos Jovens Surdos, define como uma forma de esses cidadãos "estarem em pé de igualdade com os ouvintes, vivendo e sentindo a mesma experiência".

Em declarações à Lusa, essa responsável admite que os surdos que frequentam o ensino têm algum conhecimento sobre a Idade Média, na perspetiva teórica, mas reconhece que, mesmo a esses, "faltava-lhes o sentir e o viver do antigamente".

"[Com estas visitas guiadas] conseguimos perceber a história, o contexto e a vida na época medieval", afirma Joana Cottim. "É uma boa iniciativa, porque a Linguagem Gestual Portuguesa é a nossa primeira língua e dá-nos acesso à informação de forma clara e muito acessível", explica.

Graças a esse idioma, os surdos que se inscreveram na Viagem Acessível puderam descobrir não só o património cultural e arquitetónico da cidade, mas também o ambiente da própria recriação histórica. "Foi ótimo poder conhecer o entretenimento e a animação do evento", assegura a presidente da Comissão Nacional de Jovens Surdos.

Paula Azevedo, técnica de mobilidade na delegação do Porto da ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, defende que "há cada vez maior sensibilidade para estas questões" por parte dos organizadores de grandes eventos públicos, mas realça que a escolha dos guias recrutados para acompanhar os cidadãos com deficiência visual será sempre determinante.

"O sucesso de uma iniciativa destas depende sempre da sensibilidade dos guias para descrever em pormenor aquilo que os visitantes não podem ver", esclarece.

"A questão do tato também é importante e aqui na Viagem, por exemplo, há uma exposição em que se pode tocar nos objetos", acrescenta a responsável da ACAPO. "Além disso, também temos oportunidade de tocar nos animais que estão no recinto, o que também ajuda a sentir as coisas de outra forma", refere.

A 18.ª Viagem Medieval é a segunda com programas específicos para cidadãos com limitações de mobilidade. Tendo em conta que a recriação abrange uma área de 33 hectares, Paula Azevedo considera que, a um cego, "será impossível explorar sozinho todo o recinto, sobretudo se se tratar de um espaço novo, do qual esse ainda não tenha referências".

Os roteiros em pré-reserva próprios para cegos e surdos já só voltam a realizar-se na edição de 2015, mas, até ao próximo domingo, ainda estão disponíveis algumas opções especificamente concebidas para essa comunidade, a começar pela exposição táctil "Sentir e Apreciar", patente no Museu Convento dos Loios com informação áudio e em Braille.

No site da Viagem também se pode consultar o programa do evento em Língua Gestual Portuguesa e, para cidadãos com limitações de mobilidade ao nível motor, o Posto de Turismo da Feira disponibiliza ainda mapas que identificam os percursos mais ágeis a adotar no recinto.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Viseu quer reforçar imagem de destino acessível

A Câmara Municipal de Viseu quer apostar no reforço da cidade como destino acessível, uma ideia que passa pelo objetivo de dar aos visitantes cada vez mais e melhores opções de mobilidade.

Esta garantia foi dada pelo presidente da autarquia de Viseu, Almeida Henriques, que falava na conferência “Turismo acessível”, em março. O autarca defendeu que “Viseu tem preocupações de inclusão, tem soluções para a inclusão, tem uma política municipal sensível e tem, por isso, um potencial de afirmação neste segmento turístico”.

A melhoria da acessibilidade de cidadãos com deficiência aos edifícios da cidade, bem como ao centro histórico é uma das apostas do Município de Viseu.

A Câmara quer, também, apostar na melhoria da mobilidade verde na cidade, através da criação de vias cicláveis que liguem pontos importantes de residência ou atividade.

Está, aliás, em fase de adjudicação a ligação da ecopista do Dão à radial de Santiago e ao seu parque urbano. E, futuramente, esta zona pode vir a ser ligada ao Fontelo.

In: Plural e Singular (p. 7)

Via: Incluso

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Execução do plano para tornar Lisboa mais acessível já está em marcha

O desenvolvimento de um modelo de paragem de autocarro acessível é uma das acções que vão sair do papel este ano.

O Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa já está em marcha. Até ao fim do ano, a intenção do município é concretizar 39 das cem acções nele previstas, incluindo o levantamento e correcção das “situações de conflito” criadas pela rede ciclável, a “eliminação progressiva” de barreiras nos equipamentos culturais a nas escolas e o desenvolvimento de “um modelo de paragem de autocarro acessível”.

A Câmara de Lisboa aprovou esta semana, por unanimidade, a Proposta Anual de Execução para 2014 do Plano de Acessibilidade Pedonal. É nessa proposta que estão elencadas as tais 39 medidas, três dezenas das quais já foram pelo menos iniciadas. O desenvolvimento da grande maioria delas está a cargo da equipa do plano, coordenada pelo arquitecto Pedro Homem de Gouveia, mas outras há que foram atribuídas a diferentes serviços municipais. 

A calçada portuguesa, matéria em redor da qual tanta polémica se tem gerado, não é esquecida: até ao fim deste ano a câmara propõe-se “desenvolver um estudo que enquadre a temática do revestimento dos passeios, aborde os problemas existentes, identifique os critérios mais relevantes para a segurança dos peões e para o cumprimento eficaz, eficiente e sustentável das responsabilidades da CML [Câmara Municipal de Lisboa] e das juntas de freguesia em matéria de manutenção”. Esse estudo, diz-se, deve ainda “abordar a questão da protecção da calçada artística e avançar princípios para uma estratégia de salvaguarda da calçada que tem (de facto) valor patrimonial”. 

Vai também ser realizado um “diagnóstico das condições de acessibilidade” no Castelo de São Jorge, com o objectivo de que venham a ser encontradas “soluções que, sendo viáveis e compatíveis com os valores patrimoniais, permitam melhorias substanciais” relativamente à situação hoje existente. Prevista está ainda a elaboração de um “guião de verificação de acessibilidades em assembleias de voto”. 

Uma das 39 acções agora elencadas já foi finalizada. Trata-se de uma obra de adaptação de quatro lugares de estacionamento reservados a cidadãos com mobilidade reduzida, afectos ao edifício da Rua Alexandre Herculano onde funcionam alguns serviços municipais, com vista a torná-los verdadeiramente acessíveis. 

Com esse propósito, a largura dos lugares foi alargada, a ligação ao passeio passou a ser em rampa em vez de degrau e a sinalização horizontal foi alterada, para garantir que não passa despercebido a quem se destinam estes lugares. Esta iniciativa é considerada um “projecto piloto”, com o qual se pretendeu também aperfeiçoar soluções que possam depois ser introduzidas noutros locais da cidade.

In: Público

quarta-feira, 5 de março de 2014

Propostas de melhoria dos serviços da CP para Clientes com Necessidades Especiais (CNE)

No passado dia 4 de Fevereiro dois elementos do Lisboa (In)Acessível e um do Movimento (d)Eficientes Indignados foram recebidos na sede da CP, pelos Conselheiros dos CNE, António Neves e Dirce Neves, por João Maurício do Concelho de Administração, e por Lígia Oliveira do Departamento de Marketing.

A reunião decorreu das reportagens sucessivas que apareceram nos media a denunciar lacunas no Serviço Integrado de Mobilidade (SIM) da CP aos clientes com necessidades especiais, nomeadamente a realizada pela equipa Lisboa (In)Acessível em parceria com o jornal online O Corvo.

Nesta reunião foram discutidas propostas para melhoria da autonomia e das condições de acessibilidade dos CNE, e entregue no final um documento síntese de propostas conjuntas do Lisboa (In)Acessível e do Movimento (d)Eficientes Indignados, em seguida apresentadas:

1. Redução progressiva do tempo atualmente necessário (48h) à prestação do Serviço Integrado deMobilidade (SIM).

2. Prolongamento do horário de prestação do serviço SIM, e a não obrigatoriedade do mesmo.

3. Substituição gradual do SIM pela utilização do Call Center.

Ao reduzir a necessidade de marcação com 48h de antecedência das viagens, a prestação de informação está relacionada diretamente com a necessidade de saber antecipadamente as condições de acessibilidade de determinado serviço e/ou estação. Assim, todos os operadores do Call Center deverão ter acesso às informações de acessibilidade das estações e dos comboios, e estes devem estar indexados a cada linha onde operam.

O Call Center deve também servir para planear viagens onde uma ou mais estações não permitam o embarque e desembarque dos passageiros pelos meios instalados no comboio. Nas estações onde não haja possibilidade de embarque pelos meios do comboio, a pessoa deverá ter acesso a meios alternativos, e nestes casos o serviço de Call Center servirá para informar o mais rápido possível desta necessidade.

4.Alocação de rampas aos comboios da série 3500.

Estas rampas podem ser guardadas nos armários técnicos da cabine, permitindo que o próprio Operador de Revisão e Venda (ORV), ou seja o revisor, possa colocar a rampa sem necessidade de pessoal adicional, ou que o cliente tenha que proceder à marcação prévia da viagem.

Além da alocação destas rampas, que a CP já possui, deverá ser efetuada a aquisição de rampas com o mesmo modelo de operação das instaladas nas séries 2300/2400 (existente na maioria das unidades), de forma a tornar o serviço mais rápido e confortável para todos. Esta aquisição deverá ser realizada o mais rápido possível, enquadrada no espírito de melhorias a que estão a ser submetidas as unidades da série 3500.



5. Mais informação aos revisores a bordo dos comboios.

Com a abolição da obrigatoriedade da marcação da viagem torna-se essencial resolver alguns problemas que possam advir desta alteração, como por exemplo a probabilidade de a pessoa que se desloca numa cadeira de rodas não ser vista na gare. Desta forma, deverá ser adotada a solução de nas bilheteiras ser possível informar os revisores a bordo dos comboios de que estará uma pessoa a necessitar de assistência à espera na gare. Cada revisor possui atualmente um equipamento que permite receber mensagens de texto, que pode ser utilizado para pôr em prática esta solução, sem custos adicionais para a CP. Assim, a pessoa que necessita de assistência para o embarque poderá de forma simples e rápida aceder a uma bilheteira e solicitar este serviço. Esta solução não afecta os passageiros no período em que as bilheteiras estão encerradas, uma vez que a essa hora há também um menor volume de passageiros.

6. Reforço da formação dos revisores sobre a utilização das rampas a bordo dos comboios, com enfoque especial nas das unidades 2300 / 2400, onde continuam a existir dúvidas na utilização das mesmas, e, na informação de quais os comboios equipados com rampas.

7. Aplicação de sistemas de alerta nos pórticos acessíveis, que disparam quando uma pessoa fica presa no pórtico.

8. Melhoria das informações disponibilizadas ao cliente, sobre os procedimentos e opções oferecidas pela CP relativamente às condições de acessibilidade, como as informações sobre quais os comboios que possuem rampas a bordo ou quais as estações que têm problemas de acessibilidades. Esta informação deverá também ser transmitida através do site da empresa e do serviço de Call Center.

9. Recolocação de rampas na Linha de Cascais.

Recolocação das rampas nas plataformas das estações de onde foram retiradas para reparação. A inexistência atual destas rampas implica que os clientes possam encontrar rampa na estação de origem, mas não na estação de destino, impossibilitando assim a saída do comboio.

10. Acessibilidade das máquinas automáticas.

Que todas as máquinas sejam acedíveis por todos os cidadãos, inclusive cidadãos cegos, crianças ou os que deslocam em cadeiras de rodas. Em alternativa e como solução mais imediata e sem custos, fazer com que seja o próprio revisor a vender o bilhete directamente ao cliente.

11. Melhoria das condições de acessibilidade web, procedendo a alterações de raíz na programação do site, com o objectivo de possibilitar ou facilitar a navegação e compreensão dos conteúdos a um maior número de pessoas, e de forma particular aquelas que têm maiores dificuldades em aceder à informação – como as pessoas cegas, que utilizam preferencialmente leitores de ecrã e teclado, em vez do rato.

A nosso ver também é necessário que as matérias incluídas no site sobre os clientes com necessidades especiais tenham um posicionamento mais destacado; que seja clarificado que o SIM não é obrigatório; e que o site inclua uma ferramenta de pergunta/resposta com conteúdos relacionados com as condições de acessibilidade aos comboios e às estações.

12. Existência de informação nas estações com os diagramas das linhas, nos quais seriam assinaladas as estações e/ou comboios com acessibilidade.

Após esta reunião com a CP, esta demonstrou estar interessada em efetuar a curto/médio-prazo melhorias no seu site de forma torná-lo (mais) acessível a um maior número de pessoas.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O turismo inclusivo da Desafio das Letras (com VÍDEO)

Desenhada por um guia de montanha que queria que o seu sobrinho, miopata, o pudesse acompanhar nas caminhadas, a joelette é um meio de transporte de inclusão social, especificamente construído para o turismo de natureza – é uma espécie de cadeira todo-o-terreno que permite transportar pessoas com mobilidade reduzida.

Depois de um período de crowdfunding – financiamento colectivo –, a Desafio das Letrasadquiriu um joelette para as suas caminhas de ecoturismo inclusivo. “Dá para ir para sítios absolutamente incríveis. Já estive no fundo de uma mina romana, em sítios com arribas enormes. Isto dá para ir a qualquer lado”, explicou ao Economia Verde Isabel Pereira dos Santos, da Desafio das Letras.

No local onde o Economia Verde ficou a conhecer a joelette, a ecopista do montado, em Montemor-o-Novo, o piso não é muito irregular. Mas, ainda assim, difícil para pessoas com mobilidade reduzida. Esta cadeira todo-o-terreno permite chegar a sítios onde Isabel Pereira dos Santos, há pouco tempo, não sonhava ir.

“Quero ir ao Porto, que é uma cidade terrível para caminhar. E [a joelette] é a única maneira que tenho de lá ir”, explicou a responsável.

Para a Desafio das Letras, o turismo inclusivo é mais do que uma oportunidade de negócio. “É uma abertura para várias pessoas, ligada, também, ao facto de a população estar a envelhecer bastante”, frisou Isabel.

Ainda assim, a empresa não pretende unicamente associar-se a este público. “Poderia ser um nicho de mercado muito mais interessante, mas não foi essa a perspectiva. Queremos que todos sejam tratados em pé de igualdade”, afirmou Luís Jordão, também da Desafios das Letras.

Conheça melhor a joelette e os passeios inclusivos da Desafio de Letras no episódio 191 do Economia Verde.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Prémio Cidade Acessível 2014

Já estão abertas as candidaturas ao "Prémio Access City" - Prémio Europeu para as Cidades Acessíveis - de carácter anual, que reconhece e celebra as cidades que tenham adoptado medidas exemplares para promover a acessibilidade no meio urbano.

O "Prémio Access City" faz parte dos esforços da União Europeia em criar uma Europa sem barreiras, em estreita consonância com a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, na qual a acessibilidade é um dos pilares da Estratégia da UE para a Deficiência 2010-2020.

Podem candidatar-se ao Prémio as cidades com, pelo menos, 50.000 habitantes que demonstrem a implementação, de forma coerente e sistemática, da acessibilidade, no que respeita a bens, serviços e infraestruturas.

O vencedor do concurso será reconhecido como o "Vencedor do Prémio Access.City 2014" e recebe o troféu "Access City Award Trophy to the winner".

As candidaturas decorrem até à meia noite, hora de Bruxelas, do dia 10 de setembro de 2013.

Para mais informações consulte:

In: INR

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Quanto mais depressa, mais devagar: o longo caminho dos deficientes

Para quem anda de cadeira de rodas ou é invisual, o simples acto de atravessar uma passadeira nas movimentadas ruas da capital pode tornar-se uma aventura

Quando sai de casa, todas as manhãs, Madalena Brandão tem imediatamente um desafio à sua espera. No cruzamento entre a Avenida da República e a Avenida Júlio Dinis, em Lisboa, onde mora, o passeio tem um desnível de 10 centímetros face à passadeira. Madalena desloca-se em cadeira de rodas, pelo que, para chegar à plataforma onde se situam as paragens de autocarros e daí ao Campo Pequeno, tem de andar em plena estrada, à mercê dos automóveis que por ali passam.

Depois de pelo menos quatro desvios a que o desenho das passadeiras obriga, novo desafio a aguarda já em frente à Praça de Touros. Aqui, a passadeira tem uma rampa, mas excessivamente inclinada. Madalena só a consegue subir sem ajuda porque está numa cadeira de rodas eléctrica.

Hélder Mestre, numa cadeira manual, não tem a mesma sorte. "Isto é sempre um folclore", diz. Ultrapassadas as primeiras dificuldades, estão juntos os três autores do blogue "Lisboa (IN)Acessível", criado no mês de Fevereiro: além de Madalena e Hélder, Filipa Marcos.

Licenciada em Reabilitação Psicomotora, Filipa não tem qualquer deficiência física, mas partiu dela a iniciativa de criar o blogue.

"Esta área sempre me interessou muito. As pessoas não estão muito sensibilizadas para este tema", admite Filipa, que espera que o blogue contribua "para mostrar que é cool ser acessível". Algo que muitas ruas e edifícios de Lisboa ainda não são. Iniciando um percurso que já relataram na Internet, os três seguem pela Avenida da República acima, demonstrando as falhas da via para pessoas em cadeira de rodas.

Por exemplo, mal a Praça do Campo Pequeno fica para trás, em direcção à estação de Entrecampos, Madalena tem de circular uma vez mais em plena estrada, numa faixa reservada a autocarros, já que a altura do passeio é de, pelo menos, 15 centímetros.

Os veículos que ali passam vêem-se obrigados a abrandar e a desviar-se. "Uma vez, um autocarro teve de esperar que eu passasse", já que aquele troço não é suficientemente espaçoso para uma cadeira de rodas e um veículo largo ao mesmo tempo, afirma Madalena. Hélder segue no passeio, porque Filipa o ajudou a subir. Mas também aqui não é fácil circular.

O empedrado, além de não ser muito amplo, é inclinado em direcção à estrada e apresenta obstáculos como postes de iluminação e sinalização e caixotes do lixo. "Não há sensibilidade nem preocupação" para os problemas da acessibilidade, diz Hélder, que assume ter que empregar uma grande força de braços para manter a cadeira direita e não cair na estrada.

Nada a que, aliás, não esteja habituado. Tetraplégico desde os 19 anos, Hélder Mestre continuou a fazer o que já fazia antes do acidente de automóvel que o atirou para a cadeira de rodas: atletismo.

No passado dia 24 de Março, esteve mais uma vez na Meia-Maratona de Lisboa, na prova de deficientes motores, cuja passagem pela nova Avenida da Ribeira das Naus - em mau estado na altura - poderia ter trazido problemas aos atletas. "A única maneira de evitar males maiores seria fazer a travessia do troço a uma velocidade muito moderada", o que acabou por acontecer, conta Hélder no blogue.

Dois minutos para um botão

De regresso ao passeio, depois de ultrapassado o viaduto ferroviário da estação de Entrecampos, Madalena vai relatando a experiência que é andar em transportes públicos como o Metro de Lisboa. "Tenho de telefonar a dizer que vou apanhar o metro e perguntar se os elevadores estão a funcionar." Segundo o Metropolitano, 35 das 55 estações da rede já têm acessibilidade plena e, de acordo com dados de 27 de Fevereiro, 85 dos 97 elevadores estavam operacionais.

A estação de metro de Entrecampos não é uma das que são acessíveis para pessoas em cadeira de rodas. Mas esse não é o único problema de mobilidade da zona, o que levou a que nove associações de deficientes apresentassem a proposta "Lisboa Acessível" ao Orçamento Participativo da Câmara de Lisboa em 2012. O projecto - orçado em 500 mil euros - foi seleccionado para ser executado no prazo de 18 meses e destina-se a eliminar todas as barreiras do eixo Entrecampos-Saldanha, o que significará a adaptação de 81 passadeiras e 16 paragens de autocarro.

De acordo com o Decreto-Lei 163/2006, que regula as acessibilidades de espaços públicos, estas alterações deviam ocorrer num prazo máximo de 10 anos, ou seja, até 2016. No caso dos edifícios novos, a acessibilidade plena deveria estar garantida logo no projecto.

Algo que não acontece, por exemplo, num edifício recém-construído no número 186 da Avenida 5 de Outubro, onde, exactamente em frente à porta de entrada principal, existe uma caixa de electricidade que quase impede a entrada no prédio. "É falta de formação, consciencialização, fiscalização e penalização", resume Hélder Mestre perante o insólito da situação.

As acessibilidades para deficientes em Lisboa parecem, assim, seguir a máxima do anúncio da Prevenção Rodoviária Portuguesa em que Hélder levava dois minutos a abotoar um botão de camisa: "Quanto mais depressa, mais devagar".

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Lisboa Acessível. “Somos um país habituado a guardar os deficientes numa caixa”

“Somos um país que está habituado a guardar os deficientes numa caixa fechada, para não poderem sair. Mas nós somos iguais a todos os outros, precisamos é de condições que nos ajudem a movimentar-nos”, diz ao i Deolinda Cruz, de 64 anos. Tinha 21 quando teve de amputar uma perna; um ano depois descobriu que tinha um osteossarcoma (tumor maligno dos ossos) e não foi preciso muito tempo para ter de usar uma cadeira de rodas. Ontem foi uma das dezenas de pessoas que estiveram presentes na acção de sensibilização “Um Passeio, por Lisboa (In)Acessível”, iniciativa que pretende alertar para as dificuldades que as pessoas com mobilidade reduzida enfrentam quando circulam pela cidade.

A Associação Salvador, juntamente com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), a Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA), a Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência (FDPP), a Fundação LIGA e mais quatro associações decidiram promover, com o apoio da câmara, a iniciativa “Um Passeio, por Lisboa (In)Acessível”, incluída no programa da Semana da Mobilidade da autarquia.

O ponto de encontro marcado em Entrecampos tinha dois objectivos: fazer o percurso até ao Campo Pequeno a pé ou em cadeira de rodas e, depois, de transportes públicos até ao Saldanha. As dezenas de pessoas com mobilidade reduzida foram acompanhadas pelo vereador da Mobilidade e Infra-estruturas Viárias da autarquia, Fernando Nunes da Silva, e por Inês Gomes, presidente da Junta de Freguesia de Benfica, que foram desafiados a fazer todo o percurso de cadeira de rodas: “Foi muito difícil e muito complicado. E acho que quem trabalha o espaço público, sobretudo os autarcas, deveriam, antes de começar a trabalhar o espaço público, fazer um percurso destes para ver as dificuldades e os obstáculos que existem, de forma a poderem trabalhar e executar melhor as obras de melhoramento que podem fazer para facilitarem e darem autonomia a estas pessoas”, disse ao iInês Gomes. Para a presidente da junta, o mais difícil foi “atravessar as estradas e as passadeiras, cujos lancis não estão nivelados à altura regulamentar”.

A altura dos lancis dos passeios e a falta de adaptação dos transportes públicos são dos problemas mais apontados pelas pessoas de mobilidade reduzida. Durante o percurso foram várias as vezes que muitas das pessoas em cadeira de rodas tiveram de ir para a estrada, por não conseguirem subir ou descer sozinhos.

“É preciso que se vá progressivamente corrigindo, pelo menos nos grandes eixos da cidade, onde há grandes equipamentos públicos e uma maior densidade de pessoas idosas. Isto não é só um problema de pessoas com dificuldade motora. Portanto, tem de se actuar nesses sítios para progressivamente criarmos condições mais dignas, e sobretudo mais humanas, para que esta gente possa utilizar a cidade como nós”, sublinhou ao i o vereador Fernando Nunes da Silva.

LISBOA ACESSÍVEL O projecto “Lisboa Acessível”, realizado pelas nove associações de mobilidade reduzida, é um dos candidatos ao Orçamento Participativo da Câmara de Lisboa, que dá oportunidade a todos os cidadãos de votarem, desde ontem até 31 de Outubro, nos projectos que querem ver desenvolvidos na cidade.

Este pretende promover as acessibilidades no eixo Entrecampos-Marquês de Pombal, tornando o troço um modelo “daquilo que deverá ser a cidade do futuro”. O objectivo é eliminar todas as barreiras à acessibilidade neste percurso, incluindo a adaptação das passadeiras e paragens de autocarro, remoção dos obstáculos nos passeios, relocalização do mobiliário urbano e regularização do pavimento. “O mais importante é que todas as pessoas votem e se envolvam nesta causa, porque é muito difícil para uma pessoa com limitações poder fazer o seu dia-a-dia, tentar sair de casa e não conseguir ir a uma caixa multibanco, não conseguir ir a um café ou a um supermercado. Daí criar este troço, entre Entrecampos até ao Marquês, todo acessível”, afirmou ao i Salvador Mendes de Almeida.

De acordo com o fundador e presidente da Associação Salvador, a falta de acessibilidades nas ruas, transportes e edifícios impede muitas pessoas com mobilidade reduzida de terem uma participação mais activa na sociedade.

“Se este projecto sair vencedor, e se forem criadas estas acessibilidades, vai beneficiar toda a população, tornando Lisboa uma cidade mais atractiva, uma cidade mais amiga dos peões. Vai ser bom não só para as pessoas em cadeiras de rodas, mas para todas as pessoas, pois muitos são os idosos e muitas são as pessoas que temporariamente partem uma perna e que se vêem à rasca para se conseguir movimentar”, realçou Salvador Mendes de Almeida.

In: Jornal I

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ministro simplifica lei de instalação de rampas para pessoas com deficiência

O ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, anunciou, esta terça-feira, alterações na lei para pôr fim à necessidade de aprovação por dois terços dos condóminos para a instalação de rampas de acesso ou plataformas elevatórias nos edifícios.

"Hoje uma pessoa com deficiência ou alguém que tenha dificuldade de locomoção, para instalar uma rampa de acesso ou plataforma elevatória, essencial para entrar ou sair de casa, precisa de dois terços da aprovação no seu condomínio, o que muitas vezes barra na incompreensão", disse o ministro, na cerimónia de inauguração de um lar residencial para deficientes, na Moita.

Pedro Mota Soares disse que as alterações vão ser efectuadas em breve e que vai dispensar esta necessidade.

"Vamos conseguir garantir que esta maioria possa ser dispensada e que as pessoas a possam colocar, a expensas próprias ou usado ajudas públicas para o efeito. Muitas vezes, porque não conseguem esta maioria, são obrigadas a mudar de casa. O que queremos fazer é que as pessoas não sejam expulsas das suas casas", salientou.

O ministro defendeu que esta medida é rápida e tem um impacto "muito grande" na vida das pessoas.
"Queremos chegar mesmo a garantir que seja um direito das pessoas, que não seja oponível a outros. Desde que se cumpram todas as regras de segurança, queremos que seja garantido o direito de mobilidade", concluiu.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Estratégia Europeia para a Deficiência 2010-2020

Na sua reunião plenária de 21 de Setembro de 2011, que decorreu em Bruxelas, o Comité Económico e Social Europeu, consultado pela Comissão Europeia, emitiu um parecer sobre a Estratégia Europeia para a Deficiência 2010-2020. 

Em concreto, o CESE insta a União Europeia a implementar, mediante instrumentos efectivos - que incluam a criação de um Comité para a Deficiência na UE - , a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a adoptar uma forte legislação europeia sobre acessibilidade. 



In: Ajudas

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Acessibilidade nos Museus, uma visão integrada - acção de formação

O Instituto Nacional para a Reabilitação, INR, IP, em colaboração com o Grupo para a Acessibilidade dos Museus - GAM - e em parceria com o Instituto de Museus e Conservação, IMC, IP, vai realizar em Lisboa, entre 30 de Maio e 29 de Junho, às segundas e terças, a acção de formação "Acessibilidade nos Museus, uma visão integrada". 

Esta será a primeira de duas acções de formação do curso relativo a esta temática, que trata a área da acessibilidade de forma transversal a toda a actividade do museu. Serão abordadas questões ligadas à arquitectura, ao design de exposições, aos suportes de comunicação (escrita de textos acessíveis, guias multimédia, maquetas, relevos, réplicas, internet), às actividades desenhadas pelo serviço educativo dos museus e outros eventos, bem como a outros serviços (como os cafés e restaurantes) e também aos seus recursos humanos.

Esta acção terá uma duração total de 50 horas e será monitorizada por formadores especialistas nestas áreas.

Para efeitos de participação na acção, anexa-se o programa e a respectiva ficha de inscrição que deverá ser enviada para manuela.s.branco@inr.mtss.pt ou inr@inr.mtss.pt

In: INR

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ana Isabel obrigada a circular na estrada

"Quem faz as leis não anda de cadeira de rodas", critica Ana Isabel, 33 anos, de Setúbal. Mesmo rebaixadas, as passadeiras continuam altas, obrigando-a a circular na estrada. Como se não bastasse, refere, os autocarros adaptados, em Setúbal, não estão identificados nem os motoristas sabem lidar com deficientes.

A Câmara de Setúbal ganhou a medalha de ouro no que toca a acessibilidades. "Mais de 70% dos passeios estão rebaixados e cumprem a lei, que estipula três centímetros de lancil", disse ao CM fonte camarária. Acrescenta, porém, que há passeios mal rebaixados porque as condições não permitem uma construção eficaz devido aos materiais utilizados ou à existência de ruas estreitas.

Por sua vez a Transportes Sul do Tejo garante que o dístico de veículo adaptado será colocado à medida que o processo de remodelação se for concretizando. "Está em curso a colocação de estruturas internas de fixação das cadeiras de rodas em seis viaturas, situação que se pretende generalizar à restante frota", explicou Luís Guedes Machado, administrador da empresa. Trinta viaturas já têm rampas para cadeiras de rodas e os motoristas serão objecto de formação.

"HÁ PESSOAS EM SITUAÇÃO PIOR"

Há cinco anos, Ana Isabel Cardoso, de 33 anos, teve um tumor na base do crânio que a deixou tetraplégica. Apesar de ter conseguido recuperar grande parte dos movimentos do lado esquerdo, esta antiga agente imobiliária ficou paralisada do lado direito, estando completamente dependente de terceiros para sair de casa. Dentro da habitação desloca-se sozinha, com a ajuda de uma cadeira de rodas manual, e consegue tratar da higiene pessoal sem ajuda graças à casa de banho adaptada oferecida pela Associação Salvador.

"Sempre fui uma pessoa muito optimista, vi sempre as coisas pelo lado positivo pois há sempre pessoas em piores situações", explica Ana Isabel, para quem o facto de ter recuperado de uma tetraplegia foi uma grande vitória. "Só mexia os olhos", recorda a antiga agente imobiliária, actualmente reformada por invalidez. A filha Sara, de 11 anos, é a sua maior companhia em pequenas deslocações pela praceta do Monte Belo, em Setúbal.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Nuno não consegue ir ao centro de saúde

Nuno Cacheira, de 29 anos, sofre de distrofia muscular de Duchenne, doença degenerativa, e necessita de se deslocar com frequência ao centro de saúde de Alfena, em Valongo.

Só que pelo facto de não conseguir circular dentro da unidade, uma vez que se desloca em cadeira de rodas, tem de receber a visita do médico em casa. A Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte vai construir uma nova unidade.

"Só fui uma vez ao centro de saúde quando andava na escola e quando estava saudável", lembrou Nuno. O jovem precisa de receber tratamentos no centro de saúde no mínimo uma vez por mês, mas não consegue ultrapassar vários obstáculos. "A paragem de autocarros fica longe e não há passeios até lá. O centro tem corredores estreitos e muitas escadas", enumerou.

Confrontada com esta situação, a ARS do Norte anunciou que pretende construir um centro no espaço de dois anos. "A actual unidade de saúde funciona no edifício do centro social local e tem cerca de 20 anos. Na altura foi a melhor solução que se encontrou, mas agora vamos construir um edifício com condições dignas", disse fonte do gabinete de comunicação da ARS Norte.

"FIQUEI SEM VER OS MEUS AMIGOS"

Nuno era uma criança normal até que, aos 9 anos, começou a sentir fraqueza muscular. "A professora notou que eu não tinha força e caía muitas vezes", recorda. Foi-lhe diagnosticada uma distrofia muscular, a mesma doença congénita e degenerativa que vitimou um tio.

Pela necessidade de ter sempre acompanhamento médico e por questões financeiras, concluiu a 3ª classe e teve de abandonar a escola. Filho único, passou a depender dos pais, que também têm problemas de saúde. Primeiro teve uma cadeira de rodas manual, ficando dependente da ajuda da mãe. Depois foi construída uma rampa em casa, mas a inclinação acentuada dificultava a saída. "Fiquei sem ver os meus amigos", lamenta Nuno Cacheira.

A cadeira eléctrica que depois conseguiu não era a adequada e causou-lhe ferimentos. Com a nova cadeira que recebeu da Associação Salvador ganhou mais autonomia. "Gosto de passear mesmo não sendo fácil", diz, divertido.


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Alexandro sem acesso às caixas multibanco

Luís Alexandro, de vinte anos, sente-se marginalizado quando quer levantar dinheiro e encontra um degrau que o impede de chegar à caixa multibanco em Matarraque, Cascais, onde reside, ou quando não consegue aceder às cabines telefónicas, por estas estarem muito elevadas.

E até na Escola Secundária de São João do Estoril, que o jovem frequenta, há pavilhões que não estão adaptados para pessoas com deficiência motora.

Contactado pelo CM, o Ministério da Educação garante que a escola de São João do Estoril pertence ao grupo das que vão integrar a fase IV do Programa de Modernização de Escolas Secundárias. Adianta que a questão dos acessos é sempre tida em conta no âmbito das intervenções da Parque Escolar.

A SIBS, empresa que gere as máquinas de multibanco, esclarece que o elevado número de ATM por habitante – o maior da Zona Euro – permite que haja na proximidade imediata de um equipamento com menor facilidade de acesso outro cujas características asseguram a melhor acessibilidade. Já a PT disse ao Correio da Manhã que existem em Portugal cerca de 500 cabines telefónicas para clientes com necessidades especiais, estando ainda programada a implementação de mais 300 infra-estruturas.

"ACHO-ME CAPAZ DE FAZER TUDO"

Natural da África do Sul, Luís Alexandro veio para Portugal com nove anos para tentar ter uma vida melhor, apesar de ter nascido com uma malformação na coluna vertebral (espinha bífida). Desloca--se em cadeira de rodas desde sempre, mas, independentemente das limitações motoras, tenta viver o dia-a-dia de melhor forma possível. Actualmente tem vinte anos e está no 12º ano de escolaridade, a terminar o curso de Programação e Gestão de Sistemas Informáticos na Escola Secundária de São João do Estoril, em Cascais, apesar de o seu curso de sonho ser o Termalismo. Faz vela e basquetebol adaptado. Durante o Verão, inspecciona as praias da linha, a partir do paredão, prestando primeiros-socorros. E para este Verão já tem planos: "Arranjar um emprego, de preferência ao ar livre, ganhar algum dinheiro e mais independência."

O carro adaptado que ganhou ao participar na ‘Acção Qualidade de Vida’ da Associação Salvador mudou a vida deste jovem. "Antes estava dependente da minha mãe para tudo." E confessa que muitas vezes se questionou: "Porquê a mim?" Acrescenta que "ver pessoas em situações piores o ajuda a abrir os olhos, a superar e a achar que é capaz de fazer tudo".


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Passeios travam mobilidade de Selmiro

Selmiro Carvalho, residente em Alfena, Valongo, desloca-se numa cadeira de rodas há quase 13 anos, período no qual teve sempre grande dificuldade em percorrer as ruas da cidade, devido à falta de acessibilidades nos passeios e passadeiras. A junta de freguesia já gastou milhares de euros para construir rampas em várias ruas.

O homem de 39 anos é tetraplégico e vive no Centro Social e Paroquial de Alfena. Conhecedor das estradas da cidade, quando quer passear nas imediações do centro social tem de fazer sempre um trajecto alternativo. O motivo, refere, é o facto de não ter rampas nalguns passeios ou de elas existirem em locais onde não há passadeiras.

Confrontado com esta situação, o presidente da Junta de Freguesia de Alfena, responsável pelas obras nas ruas da cidade, revelou que está em curso uma reconversão das artérias. "Já refizemos os passeios que estavam velhos onde ninguém conseguia passar. Agora iremos fazer novas obras onde temos sempre essa preocupação de fazer rampas", disse Rogério Palhau. Já foram gastos, até agora, 15 mil euros e vão ser investidos mais 18 mil euros.

"A MINHA CASA TORNOU-SE PEQUENA"

A vida de Selmiro mudou a 15 de Agosto de 1997. "Estava a trabalhar no Algarve e passei o feriado em Albufeira com amigos. Depois do jantar quis ir embora. Conduzi a mota e o meu amigo ia atrás", recordou. Uma carrinha colidiu na traseira da mota. Selmiro foi projectado para os railes, partiu a cervical e ficou tetraplégico. O amigo teve morte imediata.

Na altura, com 26 anos, esteve uma semana em coma, foi operado e passou quase dois anos no hospital. Quando recuperou, voltou para casa. "A minha casa tornou-se pequena. Passei a viver com a minha mãe, de 72 anos, no centro de Valongo, mas a Segurança Social viu que tinha poucas condições", conta.

Em 2006, foi viver para o Centro Social e Paroquial de Alfena, onde se candidatou ao programa da Associação Salvador. "Tinha uma cadeira eléctrica, dada pelo hospital, mas era muito pequena. No ano passado, recebi uma cadeira nova e um portátil porque estou a pensar acabar a escolaridade obrigatória e é-me difícil escrever à mão", disse Selmiro.

Apesar de ter uma cadeira nova, continua com dificuldades em movimentar-se. "Uma saída para nós torna-se, por vezes, num tormento", desabafou.

Pode visualizar o vídeo em:



segunda-feira, 25 de abril de 2011

Vila medieval investe nas acessibilidades

Apesar de ser uma vila histórica da época medieval, Marvão não deixou de pensar nas pessoas com mobilidade reduzida na altura de remodelar e requalificar os acessos ao castelo. Ainda com as obras a decorrerem, é o próprio César Lopes, de 42 anos, tetraplégico e natural daquela localidade, que reconhece que os responsáveis tudo têm feito para que a sua mobilidade por qualquer recanto seja o menos dificultada possível.

"As ruas calcetadas têm uma passadeira onde a cadeira anda melhor. Nas obras do castelo, o piso vai ficar direito e com acessibilidade, mas ainda há sítios onde não consigo chegar", disse ao CM. Nesses locais onde há degraus, como a câmara, o museu, os CTT e a junta de freguesia, César diz que tem sorte de viver num "local onde toda a gente se conhece", resolvendo facilmente qualquer problema ou assunto que precise de tratar.

Também os comerciantes estão sensíveis aos problemas das pessoas sem mobilidade. Fernando Rosado, do restaurante Varanda do Alentejo, um dos locais que César frequenta, diz que a remodelação do seu espaço vai incluir rampas e um elevador para cadeiras de rodas: "Temos de estar preparados. Ninguém sabe o dia de amanhã."

"O QUE MAIS ME CUSTOU FOI NÃO FALAR"

Já passaram mais de vinte anos desde que um acidente de viação deixou tetraplégico César Lopes, de 42 anos. Na flor da idade, este aficcionado pelos touros, pelo futebol e candidato a entrar para a GNR despistou-se ao volante de uma Renault 4L, entre Portagem e a fronteira com Espanha, no concelho de Marvão. César esteve entre a vida e a morte, mas confessa que o maior trauma veio de não se conseguir exprimir por palavras durante os primeiros dois anos em que ficou tetraplégico. "Foi muito duro, mas graças à equipa do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que me acompanhou, recuperei a fala", disse ao CM o homem que há seis anos se movimenta numa cadeira eléctrica que lhe permite alguma liberdade. "Esta cadeira foi a melhor coisa que me aconteceu. Vou a todo o lado aqui em Marvão, enquanto que antigamente estava mais dependente porque a cadeira era manual." César, que tem um orgulho enorme na mãe, "companheira de todas as horas", recebeu da Associação Salvador um computador adaptado às suas dificuldades e um ar condicionado que serve para climatizar a divisão da casa em Marvão onde passa mais tempo, o seu quarto, que antes era "muito quente no Verão e muito frio no Inverno".
 

Metro instala rampas em todas as estações

A Metro Transportes do Sul compromete-se a criar rampas de acesso a todas as estações, zonas reservadas a pessoas com mobilidade reduzida no interior do veículo ou botões de paragem com maior tempo de abertura de portas. Medidas que irão agradar a Humberto Teixeira, de Almada.

Residente no Lar Santiago, Humberto Teixeira, de 64 anos, é tetraplégico. Um desnível impede-o de circular no único meio de transporte disponível, apesar da porta indicar que se trata de um veículo adaptado. A empresa assegura que cumpre todas as normas nacionais em termos de acessibilidade.

Mas os transportes não são o único factor de bloqueio na vida de Humberto. Aceder a serviços da Justiça constitui uma autêntica odisseia. Confrontado pelo CM, o Ministério adianta que está prevista a abertura de um Espaço Registos em Almada, conceito que integra vários balcões, eliminando as deslocações a diferentes serviços.

Outra dor de cabeça são os Correios. A remodelação está em curso e custa 600 mil euros – 74 estações aguardam intervenção. Dentro de dois anos todas as estações deverão ter rampas e elevadores de acesso a cadeiras de rodas.

"DEGRAUS OBRIGAM-ME A FICAR NA RUA"

Tinha 50 anos quando foi esfaqueado no decorrer de um assalto. Perdeu a mobilidade e ficou tetraplégico. Nos cinco anos seguintes viveu quase isolado num lar em Setúbal que não tinha acessibilidades. Humberto Teixeira tem agora 64 anos e ganhou um novo estímulo para viver graças à cadeira de rodas eléctrica oferecida pela Associação Salvador. Esta cadeira dá--lhe mais autonomia e é mais confortável do que a anterior que já nem andava de tão velhinha.

Humberto Teixeira vive actualmente no Lar Santiago, em Almada, que está inclusivamente a adaptar as suas casas de banho.

Para este fadista que ainda está a aprender a lidar com a deficiência, as mudanças têm de ser estruturais. O acesso ao registo predial, por exemplo, faz-se através de uma longa escadaria e a solução encontrada é esperar que uma funcionária desça: "Os degraus obrigam-me a ficar na rua". Para enviar uma carta pelo correio tem de esperar que um cliente o ajude. Um degrau impede-o de aceder à estação dos CTT, no Centro de Almada, e Humberto Teixeira fica novamente à porta. Apesar das limitações não desiste do seu sonho: "Ter um estabelecimento para cantar o fado", um meio onde diz ser "bastante discriminado".