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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

OS JOGOS PARALÍMPICOS, OS DOS DEFICIENTES

Começam hoje os Jogos Paralímpicos.

Um dia os Jogos Paralímpicos deixarão de ser Jogos Paralímpicos e passarão ser apenas Jogos Olímpicos com a realização de todas as provas de todos os desportistas no mesmo período de tempo.

Até lá, todas as notícias relativas aos excelentes resultados de muitos dos atletas portugueses e das dificuldades e obstáculos que enfrentam deveriam ser colocadas na secção de política e não apenas na secção de desporto.

Talvez tivessem o relevo e produzissem o efeito que merecem. A questão é que as primeiras páginas, mesmo no desporto, não são para estes indivíduos, as pessoas com deficiência não têm "glamour", não enchem estádios e fazem gastar milhões, não são colunáveis, são apenas, simplesmente, campeões, a sério.

Texto de Zé Morgado

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Natação adaptada: Português bate recorde mundial

O atleta algarvio Filipe Santos, bateu um novo recorde mundial nos 50 metros mariposa, no Campeonato Nacional de Inverno de Natação Adaptada, que se realizou em Vila Franca de Xira no último domingo.

O nadador do FC Ferreiras, portador de Síndrome de Down, registou a marca de 32,68 segundos, superando os 34 segundos do italiano Paolo Manauzzi, registados em 2012. Filipe Santos venceu nos 50 metros mariposa, na categoria S21, revelou a Federação Portuguesa de Natação (FPN).

Nesta competição também se destacou João Pina, que garantiu os mínimos para os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, que se irão realizar no próximo ano.

O atleta da Gesloures registou um tempo de 5.50,53 nos 200 livres. João Pina torna-se assim no primeiro atleta de natação adaptada a obter mínimos para a competição do Rio de Janeiro.

De acordo com a mesma informação, foram ainda obtidos sete mínimos para os Mundiais de Glasgow, que se realizarão naquela cidade entre 10 a 20 de Julho. Os vencedores são Amadeu Cruz, Nelson Lopes, Gino Caetano, Ivo Rocha, David Grachat e David Carreira.

Nesta competição, que foi organizada pela FPN e a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, estiveram presentes cerca de 123 atletas (88 masculinos e 35 femininos) de 27 equipas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Já abriu a 1.ª escola de Atletismo Adaptado do país

Onde há vontade não há limitações. É este o lema da primeira escola de Atletismo Adaptado do país, que inaugurou esta quinta-feira em Lisboa. O objetivo é dar às pessoas com deficiência uma oportunidade de ultrapassarem as suas dificuldades e de saborearem a alegria e bem-estar trazidos pelo desporto.

A ideia é o concretizar de um sonho do atleta paralímpico Jorge Pina, ex-pugilista que se dedicou à maratona em sequência de ter perdido quase totalmente a visão aos 28 anos de idade. Depois de um ano piloto em que se limaram arestas e se afinaram estratégias, a escola entrou, finalmente, em funcionamento, no Parque de Jogos 1.º de Maio da Fundação INATEL.


Atualmente, esta escola de atletismo adaptado tem já 70 "aprendizes", mas Jorge Pina quer chegar a muitos mais. "Sabemos que são mais de 150 os alunos com deficiência em Lisboa e é a esses alunos que queremos chegar. E, para além desses que foram referenciados pela DREL, pela DGESTE, pelo desporto escolar, sabemos que há muitos mais que não estão sinalizados, que estão em centros de reabilitação", admite o maratonista português.

Projeto quer chegar a todo o país e abarcar outras modalidades

A escola funciona três vezes por semana, das 09.00h às 12.00h, e dispõe de técnicos especializados em todas as áreas, entre os quais José Santos, Luís Herédio, Rui Raposo ou Sérgio Silva, que oferecem aos alunos formação em diversas expressões do atletismo, desde o lançamento à velocidade, passando pelo salto em comprimento. 

"São técnicos já com muita experiência no desporto adaptado, treinadores já com várias medalhas conquistadas. Todos eles estão aqui prontos para poderem receber estes jovens e ajudar", frisa Jorge Pina, acrescentando que a escola está preparada para acolher e treinar "pessoas com qualquer tipo de deficiência".

Embora a maior parte dos alunos tenha sido sinalizada pelos organismos responsáveis, todos estão convidados a juntar-se ao projeto. "Os pais podem vir por iniciativa própria, trazer os seus filhos e inscrevê-los, ou podem procurar no site da Associação Jorge Pina e pedir informações e lá nós vamos ajudar e indicar o que devem fazer e como devem aparecer", explica o atleta paralímpico. 

Agora que o ano de experiência terminou e que a escola arrancou a todo o gás, Jorge Pina ambiciona fazer dela uma referência nacional. "Esperamos espalhar a escola por outras partes do país e esperamos crescer para outras modalidades", revela, desvendando que "já há contactos que estão a ser feitos para que isso possa acontecer". 

Apesar do projeto ser, para ele, um sonho antigo tornado realidade, o ex-pugilista faz questão de sublinhar que a maior sensação de realização provém dos sorrisos que vê estampados no rosto dos alunos sempre que ali se juntam para a prática desportiva e que o 'feedback' de todos é "muito bom".

"É uma alegria e uma felicidade enorme, porque ao saber que estou a dar alegria e felicidade estou a recebê-la também. Isso para mim é melhor do que receber qualquer prémio ou qualquer coisa, porque é isso que eu procuro e todos nós procuramos, felicidade e alegria", confidencia, visivelmente emocionado.

"Venham, inscrevam-se e divirtam-se!"

Soraia Oliveira, de 17 anos, foi uma das primeiras jovens a ingressar na escola e garante ao Boas Notícias que a experiência "está a ser óptima", até porque pode fazer exercício físico sem sair da sua cadeira de rodas. "Eu acho que é uma grande oportunidade para nós, que temos problemas", destaca a aluna, que diz ter "gostado muito" de conhecer Jorge Pina e de "participar nas atividade".

Para Soraia, a possibilidade de fazer desporto contribui para que as crianças e jovens com deficiência se sintam mais respeitados na diferença. "Apesar de sermos assim, somos iguais aos outros e temos direito a fazer todas as atividades que eles fazem. Somos diferentes, mas conseguimos fazer tudo", assegura. 

A mesma opinião é partilhada por Elói Pina, de 12 anos, também ele aluno desta escola desde o primeiro dia e dependente de uma cadeira de rodas para se locomover.

"Tanto para os mais novos como para os mais velhos, é uma grande oportunidade", defende, garantindo que a experiência o tem ajudado a sentir-se "perfeitamente normal".

Com um sorriso nos lábios e uma expressão orgulhosa - até porque vir à escola de atletismo adaptado é sempre "um entusiasmo" -, deixa uma mensagem a todos os outros meninos e meninas que queiram superar os seus limites e correr sem precisar de pôr os pés no chão: "Venham, inscrevam-se e divirtam-se!"

Por Catarina Ferreira e Rute Fidalgo

domingo, 24 de agosto de 2014

Portugal fecha os Europeus de Atletismo com mais 3 medalhas

Chegou ao fim o Campeonato da Europa de Atletismo IPC com mais 3 medalhas para Portugal: prata para Maria Odete Fiúza nos 1500m T12 e para Nuno Alves nos 1500m T11 e bronze para Cátia Almeida nos 1500m T20. Ao todo Portugal conquistou 10 medalhas nos cinco dias de competição, 1 de ouro, 6 de prata e 3 de bronze.

O dia abriu com o bronze de Cátia Almeida nos 1500m T12 que terminou a prova com a sua melhor marca desta época: 5:03.98 minutos. A prova foi ganha pela hungara Ilona Biacsi (4:59.33), seguida pela sua compatriota Bernadett Biacsi (5:00.71).

No lançamento do dardo, classe F12, Nelson Gonçalves foi o representante português conseguindo a melhor marca na prova aos 31.91 metros. A prova foi ganha pelo espanhol Hector Cabrera Llacer com 56.20 metros, seguido por Milos Grilica e Marek Wietecki com 54.19 metros e 51.39 metros respetivamente.

No período da tarde, Maria Odete Fiúza entrou em pista para a prova dos 1500m T12 sendo a segunda mais rápida na prova, precisando de 5:26.25 minutos para completar a distância. A prova foi ganha por Elena Pautova que terminou quase com um minuto de avanço. Em 3º lugar ficou a espanhola Maria del Carmen Rodriguez com 5:55.52 minutos.

Na última participação portuguesa, os 1500m T11, Nuno Alves foi medalha de prata com o tempo de 4:24.50 minutos atrás do turco Semith Deniz (4:19.51 minutos). Em 3º lugar ficou Manuel Garnica de Espanha e em 4º lugar o outro representante luso na distância, Carlos Ferreira com o tempo de 4:40.52 minutos.

Estando terminado o período competitivo é tempo de balanço da excelente prestação portuguesa:

   Medalha de Ouro

  •    Nuno Alves - 5000m T11
   Medalha de Prata
  •    Firmino Baptista - 100m T11
  •    Nuno Alves - 1500m T11
  •    Cristiano Pereira - 1500m T20
  •    Luis Gonçalves - 400m T12
  •    Lenine Cunha - Salto em Comprimento T20
  •    Maria Odete Fiúza - 1500m T12
   Medalha de Bronze
  •    Mário Trindade - 100m T52
  •    Carlos Ferreira - 5000m T11
  •    Cátia Almeida - 1500m T20
Os atletas regressam amanhã, dia 24, tendo chegada prevista no voo U2653 às 16h00 ao Aeroporto da Portela, Lisboa.

Está será uma oportunidade única para entrevistar os atletas e respetivas equipas técnicas que têm representaram as cores nacionais, pelo que convidamos todos a estarem presentes.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

DEFICIÊNCIA E PARTICIPAÇÃO


(...)
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
(...)
António Machado,

Defendo com muita frequência que o verdadeiro critério de avaliação das políticas e práticas de inclusão envolvendo as pessoas com deficiência, considerando grandes domínios da vida das comunidades como educação, vida social e profissional, é o seu nível de participação nos diferentes contextos em análise.

Participação é interagir e envolver-se com a comunidade e com todas as pessoas da comunidade na generalidade das actividades de acordo, evidentemente com competências e capacidades, de qualquer um, e não só das pessoas com deficiência.

A grande questão, já o tenho referido, é que, apesar do empenho e investimento que é colocado no trabalho e apoio a estas pessoas, muitos de nós não acreditamos que eles … são capazes. No caso de se tratar de pessoas com deficiência mental a situação é ainda mais óbvia.

Texto de Zé Morgado 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Menino carrega irmão deficiente em prova de triatlo

Um menino de oito anos realizou uma prova de triatlo com o irmão, que padece da doença de lisencefalia, que lhe impede de andar, falar, sentar e comer sozinho. Lucas empurrou o irmão ao longo de todo o percurso e, no final, confessou que não vê o irmão como uma pessoa diferente, diz o The Independent.

Lucas, um menino de seis anos, sofre de uma rara doença neurológica chamada lisencefalia que lhe afeta as suas capacidades motoras, o que significa que não se consegue sentar, andar, falar ou comer sem a ajuda de terceiros.

Isto nunca foi, no entanto, um entrave para o seu irmão que sempre achou que ambos poderiam brincar e divertir-se juntos, apesar das fragilidades do irmão.

E isso ficou provado num triatlo organizado em Idaho, nos Estados Unidos, no qual a criança de oito anos decidiu inscrever-se, juntamente com o irmão, como uma equipa.

Durante o percurso, Noah empurrou o irmão mais novo em todas as atividades de modo a que juntos conseguissem cortar a meta final. Os dois treinaram durante três meses para participar na prova, tendo Noah puxado o irmão num barco de plástico durante 200 metros na prova de natação, pedalado com o irmão como pendura durante mais 200 metros, puxando-o ainda durante o percurso de corrida. Ao todo, demoraram 54 minutos a completar a prova.

A mão confessou, no final, que a ligação entre ambos é muito especial.

“Foi um pouco stressante assistir à prova. Mas estamos muito orgulhosos. Como pais foi algo incrível de presenciar. No final, penso que o Lucas percebeu que fez parte de algo que era realmente importante”, disse.

Já o menino prova que não vê qualquer diferença no irmão. “Gosto de tudo nele. Ele é perfeito”, afirmou.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Campanha quer criar escola de atletismo adaptado

O atleta paralímpico português Jorge Pina quer criar aquela que será a primeira escola de atletismo adaptado em Portugal. A pensar naqueles com deficiências físicas e psicomotoras que também querem praticar a modalidade, o desportista convida Portugal a correr em prol desta causa que é também um sonho antigo.

Em parceria com a marca de desodorizantes Rexona, a angariação de fundos vai acontecer em 29 ginásios de norte a sul do país, entre os dias 19 de Maio e dia 1 de Junho. Neles, os que quiserem ajudar a tornar esta escola uma realidade só precisam de correr sem, para isso, terem de pagar. 

Por cada quilómetro feito, a marca patrocina com um euro para a concretização do projeto. Feitas as contas, este precisa de 50.000 quilómetros percorridos, para juntar os 50.000 euros de montante mínimo necessário para abertura da escola. 

Como tal, até dia 1 de Junho, os ginásios aderentes à iniciativa vão abrir as portas para receber até mesmo aqueles que não estejam inscritos mas que queiram contribuir para a causa de Jorge Pina. Para isso, basta inscreverem-se AQUI e escolher a data e o local onde pretendem correr em prol da primeira escola de atletismo adaptado. 

O objetivo passa pela criação de um espaço onde os cidadãos com limitações físicas e psicomotoras possam praticar desporto e onde se possa formar atletas de todas as idades.

A ideia vai de encontro à históira do atleta paralímpico que começou por ser pugilista profissional, modalidade que teve de abandonar depois de um acidente no ringue o deixar apenas com 10% de visão no olho direito.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Campeão paralímpico - Meia-maratona de Lisboa é um dos tópicos da lista de David Weir

David Weir tornou-se uma lenda do desporto em Londres2012, ao conquistar os títulos paralímpicos nos 800, 1.500 e 5.000 metros e na maratona, e quer no domingo vencer a meia-maratona de Lisboa.

O currículo de David Weir, ou "Weirwolf" [brincadeira linguística com o som de lobisomem, em inglês], como é conhecido, tem dezenas e dezenas de páginas: membro da Ordem do Império Britânico, foi bicampeão em Pequim2008, campeão mundial, em 2011, nas distâncias de 800, 1.500 e 5.000 metros, e é o detentor do recorde de vitórias da Maratona de Londres, com seis títulos.

Por isso, o atleta paralímpico britânico não participa em qualquer prova, escolhe-as a dedo, tal como fez com a meia-maratona de Lisboa, uma competição em que tem por objetivo não só ser o vencedor no segmento de cadeira de rodas, mas também um dos mais rápidos entre os rápidos.

"É uma boa corrida, tem bom tempo, e está muito bem organizada. Treino sempre em Portugal, então é uma boa corrida de preparação para a Maratona de Londres", justificou à Agência Lusa, explicando que "obviamente" o clima é um fator importante.

Weir faz de Portugal uma segunda casa e o motivo para que tal aconteça não podia ser mais compreensível: "Simplesmente o poder sair e treinar todos os dias... tenho estado em Monte Gordo, no Algarve, e consigo acumular muitos quilómetros na estrada, porque o tempo está bom e quente".

Apesar de ter conquistado tudo a que se propôs, o campeão paralímpico está longe de estar satisfeito.

"Ainda há muito mais coisas para ganhar e ainda há muitos objetivos para cumprir. Provavelmente, já não tenho muito mais vida em mim para continuar por muito tempo, por isso preciso de ter pequenos alvos este ano e alguns deles são ganhar em Lisboa outra vez, porque é uma prova rápida, e a maratona de Londres. Seria fantástico. E também tenho os jogos da Commonwealth... tenho um ano atarefado pela frente", confessou.

Para "Weirwolf", que começou a participar em corridas de cadeiras de rodas para mostrar aos irmãos, "grandes pugilistas", e aos amigos, "todos doidos por futebol", que era excelente em alguma coisa, o segredo de tanto sucesso está exatamente na capacidade de desenhar novas metas a cada momento para estar motivado, de caminhar lentamente rumo ao futuro, tão lentamente que não consegue antecipar os próximos Jogos Paralímpicos.

"Será duro, mas esse é o meu objetivo, dar-me bem no Rio2016. Mas tenho tantos objetivos este ano que ainda não estou a pensar no Rio2016. Tenho que viver cada ano à medida que vão chegando, não posso começar a planear muito à frente, porque posso perder o interesse", assumiu o atleta que, apesar de estar a ficar mais velho, não se sente a ficar mais lento.

Como homem sem medos, ou melhor, com um único, o de andar de avião, David Weir incentiva todos a correr, porque, acredita, "toda a gente pode fazer uma maratona, uma meia-maratona", que no fundo não são mais do que um dos tópicos na lista de coisas a fazer antes de morrer.

"Encarem-na de uma maneira descontraída. Espero que tenham feito todo o treino antes. Simplesmente divirtam-se, porque é uma corrida fantástica", concluiu o homem, de 33 anos, que encontrou nas corridas de cadeiras de rodas o seu sítio do Mundo.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Investigadora ajuda a criar gestuário para desportistas surdos

Fátima Sarmento, professora de Educação Física, defende que alunos surdos têm menor rendimento desportivo por falta de uniformização de língua gestual específica.

A trabalhar com alunos surdos há 22 anos, Fátima Sarmento, professora de Educação Física do ISMAI (Instituto Superior da Maia) e da Escola Secundária Aurélia de Souza, no Porto, acaba de contribuir para a criação de um gestuário digital bilingue destinado a professores, estudantes e atletas surdos.

Na sua tese de doutoramento, defendida este mês na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, a investigadora concluiu que os alunos surdos revelam menor rendimento "não por falta de aptidão física, mas por dificuldades de entendimento do que lhes é solicitado nas aulas".

Durante a investigação, Fátima Sarmento apercebeu-se que não existem na língua gestual portuguesa gestos uniformes para terminologia específica do desporto, "como passe, finta, remate, penalti", dificultando a comunicação entre professores e alunos e, por consequência, piores resultados dos estudantes nas disciplinas de Educação Física.
Uniformizar gestos desportivos

O gestuário da docente, um dicionário digital de terminologia desportiva em português e correspontente língua gestual, apresenta gestos uniformes a aplicar em seis modalidades: andebol, voleibol, basquetebol, futebol, atletismo e ginástica artística.

O conteúdo do vídeo, feito com a colaboração do treinador de andebol Carlos Resente, técnico do ABC de Braga, da equipa de basquetebol de sub-18 do FC Porto, do selecionador de ginástica acrobática Lourenço França, e atletas de triatlo e decatlo, entre outros, vai ser enviado a várias escolas de referência de ensino bilingue de todo país.

Segundo Fátima Sarmento, o gestuário agora apresentado teve por base um exaustivo levantamento de recolha de gestos utilizados por alunos surdos ligados ao desporto e ainda de uma equipa de investigação de surdez do Instituto Jacob Rodrigues Pereira.

A divulgação do "Gestuário Digital Bilingue" é a fase que se segue do projeto da investigadora do Porto.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Andebol 4 All: 2ª jornada do Campeonato Regional Norte de Andebol 5x5 em Fafe

As inscrições devem ser feitas para a ANDDI (Fax 227.129.143 ou email info@anddi.pt) até ao próximo dia 24 de fevereiro de 2014.

A ANDDI-Portugal vai organizar a 2ª jornada do Campeonato Regional Norte de Andebol 5x5, sendo esta da responsabilidade do Clube CERCIFAF. 

A 2ª jornada Campeonato Regional Norte de Andebol 5x5 está marcada para o próximo dia 7 de março de 2014 (sexta-feira), no Pavilhão Municipal de Fafe. A recepção das equipas faz-se às 09.30 horas. 

Está isenta, nesta jornada, a equipa MADI-V.Conde. 

Os jogos a disputar são os seguintes: 

10h00 - CLUBE CERCIFAF – CARPD-TOUGUINHA 
10h30 - CENTRO NOVAIS E SOUSA – CLUBE GAIA 
11h00 - CLUBE GAIA – CLUBE CERCIGUI 
11h30 - CARPD-TOUGUINHA – CENTRO NOVAIS E SOUSA 
12h00 - CLUBE CERCIFAF – CLUBE GAIA 

As inscrições devem ser feitas para a ANDDI (Fax 227.129.143 ou email info@anddi.pt) até ao próximo dia 24 de fevereiro de 2014. 

A ficha de inscrição pode aqui ser encontrada:


In: FPA

sábado, 25 de janeiro de 2014

Andebol Adaptado para a Deficiência Intelectual: campeonato arrancou em Vila do Conde

O Pavilhão Municipal de Vila do Conde recebeu a 1ª Jornada do Campeonato Regional Norte de Andebol Adaptado 5x5.

Este ano, em prova, estão 7 equipas da zona Norte do país, sendo que em Vila do Conde estiveram em ação 4 equipas: MADI e CARPD-Touguinha de Vila do Conde, Clube CERCIGUI de Guimarães e os campeões regionais em título, o Clube Gaia. 

Foram precisamente os gaienses e os vimaranenses os grandes dominadores desta 1ª jornada somando duas vitórias cada um em outros tantos jogos, sendo os primeiros lideres do campeonato. 

Isentos desta jornada estiveram o Centro Novais e Sousa de Braga, o Clube CERCIFAF de Fafe e a CERCIESTA de Estarreja. 

A 2ª Jornada está marcada para o próximo dia 14 de Fevereiro no Colégio de Gaia. 

Resultados da 1ª Jornada: 

CARPD-Touguinha – Clube Gaia, 0 – 9 
MADI-V.Conde – Clube Gaia, 1 – 14 
CARPD-Touguinha – Clube CERCIGUI, 2 – 9 
MADI-V.Conde – Clube CERCIGUI, 1 – 13 
MADI-V.Conde – CARPD-Touguinha, 1 – 12

In: FPA

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Aula de andebol adaptado

A Fundação Sporting, em parceria com a Fundação Aragão Pinto, a Associação Salvador, a Federação de Andebol de Portugal, a Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência e a Associação Portuguesa de Deficientes de Lisboa, vai organizar uma aula/demonstração de andebol adaptado no Multidesportivo do Sporting, este sábado, entre as 10h30 e o 12h00.

Esta acção tem como objectivo, não só divulgar a modalidade e sensibilizar a sociedade portuguesa para as dificuldades das pessoas com incapacidade motora, como também averiguar se existem jogadores interessados, e em número suficiente, para num futuro próximo se constituir uma equipa de andebol adaptado em Lisboa.

Para tal, estão convidadas todas as pessoas, de todas as idades, quer do sexo masculino, quer do sexo feminino, que tenham algum tipo de incapacidade motora, para virem experimentar esta modalidade. Os interessados devem comparecer no Multidesportivo do Estádio José Alvalade pelas 10h00 de sábado.

Para qualquer esclarecimento: geral.fundacao@sporting.pt.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Primeira associação de surf adaptado é portuguesa

É a primeira associação de surf adaptado de Portugal e de toda a Europa. Nasceu do desejo de uma só pessoa e da sua paixão pelo mar. O Boas Notícias falou com Nuno Vitorino, o rosto por detrás da SURFaddict, que quer transformar a modalidade numa prática acessível a todos. 

O projeto saiu pela primeira vez à rua em 2009, com o nome "Estado Líquido". Depois do acidente que o deixou paraplégico aos 18 anos, Nuno (na foto abaixo) viu-se afastado do mar. Por muito que tentasse o contrário, a cadeira de rodas punha sempre um travão quando Nuno se aproximava do oceano. Até que um dia pediu ajuda aos amigos. 

"Não correu muito bem", contou ao Boas Notícias. "As pernas eram um peso morto na prancha e percebemos logo que ia ser muito complicado." Mas nem assim desistiu. Falou com amigos, conhecidos, família e, com a ajuda de especialistas na área, criou uma prancha adaptada para o seu perfil motor. 

Pouco tempo depois estava de volta ao mar. Em cima de uma prancha e a sentir a força do oceano nas ondas que apanhava, voltou a sentir o que era estar em "estado líquido". 

"Estado líquido porque somos só nós e a água quando estamos lá dentro. Não é preciso cadeira de rodas, não é preciso pernas, não é preciso nada. Somos nós e o mar... A ligação é tão forte que nós próprios nos sentimos líquidos", explica Nuno Vitorino, que foi também nadador paralímpico. 

Foi então que surgiu o "Estado Líquido". "Os meus amigos disseram que eu estava a ser egoísta por guardar esta experiência só para mim e incentivaram-me a criar um projeto que permitisse aos outros ter a mesma oportunidade que eu", conta.

Todos têm direito a desfrutar do mar

A adesão foi imediata e rapidamente ganhou novas proporções, levando à criação da primeira associação de surf adaptado da Europa. A SURFaddict apresentou-se ao país e ao mundo em 2012, como uma organização sem fins lucrativos, empenhada em levar a prática de surf a todos os que tenham dificuldades motoras e mobilidade reduzida - pessoas com deficiência ou até mesmo pessoas mais idosas, sendo que o aluno mais velho tem 82 anos. O lema é o de que todos têm direito a desfrutar do mar. 

"Hoje, ultrapassadas todas as barreiras políticas e feita toda uma campanha de sensibilização junto das principais entidades marítimas (capitanias, Instituto Hidrográfico, Instituto de Socorros a Náufragos e Marinha Portuguesa), estamos bem encaminhados, com inúmeras iniciativas pelo país e, inclusive, inscritos na Federação Portuguesa de Surf", conta o responsável.

Depois dos Açores, Peniche, Algarve, Alentejo e Figueira da Foz, o próximo evento é já no dia 6 de Julho, na praia da Ribeira d'Ilhas, na Ericeira. Aberto ao público e destinado a todos os que quiserem apanhar algumas ondas, este será apenas mais um exemplo das muitas iniciativas promovidas pela SURFaddict.

"A ideia é mostrar que o surf adaptado pode ir a qualquer lado, a qualquer praia, seja ela grande ou pequena". Em todas as iniciativas (assinaladas no local como "Fábrica dos Sorrisos") há um grupo de voluntários que se junta para ajudar todos os que aparecem para participar. 

"Estas coisas envolvem sempre muita gente. Já chegamos a meter, num só evento, 300 pessoas na água", conta Nuno Vitorino ao Boas Notícias. "Além disso, como isto é algo a nível nacional, há pessoas a vir de longe, a fazer centenas de quilómetros para se juntarem a nós". 

Para além deste tipo de iniciativas, a SURFaddict promove ainda diversas campanhas de sensibilização junto das escolas desta modalidade. "Queremos ajudar o maior número de escolas possível a pôr pessoas com deficiência na água. Por isso, é importante para nós promover este tipo de cursos. Desta forma estamos a levar cada vez mais gente para o mar! Gente que pensava que nunca conseguiria!"

O primeiro fato de surf adaptado do mundo

Foi também graças à associação que nasceu a primeira linha de pranchas adaptadas. "Temos um grupo técnico a trabalhar connosco, com especialistas em várias áreas com deficiência. Começaram por criar pranchas adaptadas a diferentes perfis motores e agora idealizaram o primeiro fato adaptado para surf do mundo".

Este fato "é mais elástico, mais maleável, tem um fecho que vai da meia perna para baixo (para vestir tipo calção), velcros entre as pernas para as segurar, e um fecho, atrás, com uma abertura muito maior. É muito mais fácil de vestir, permite uma grande autonomia e facilita imenso a prática da modalidade", explica Nuno.

Hoje, Nuno não acredita em barreiras físicas que impeçam alguém de apanhar uma onda. Quer fazer da SURFaddict um movimento cada vez maior e levar o mar a todos aqueles que pensam estar bem longe dele. 

Para isso, pede todo o tipo de apoios financeiros, que o ajudem a tornar o surf uma prática acessível a todos, sem restrições. "Isto não é fácil e obviamente que implica custos. Fazemos inúmeras deslocações e há sítios em que é preciso marcar alojamento. Além disso, oferecemos almoço em cada um dos nossos eventos.. E, lá está, nada disto é possível sem o apoio e contributo da sociedade civil."

Ainda assim, a adesão tem sido "brutal" e o número de participantes regulares é cada vez maior. Por isso mesmo, e para levar as ondas a todo o lado, Nuno promete uma coisa: "Comunidade surfista, preparem-se! O calendário para os próximos tempos está completamente cheio!" 

Clique AQUI para aceder ao site da SURFaddict e AQUI para conhecer a página de Facebook.

por Margarida Cruz

terça-feira, 25 de junho de 2013

Alexandrino Silva dá murro na mesa

O atleta paralímpico Alexandrino Silva disputou, dia 22, a Grandma’s Marathon, em Duluth, nos Estados Unidos, completando a distância em 1h37m37s, um registo que lhe permite a reentrada no projeto Paralímpico. À chegada a Portugal, o atleta desvalorizou o valor da marca alcançada e lançou duras críticas à Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência (FPDD): “Sei que consigo fazer muito melhor. Infelizmente desde há algum tempo, que não corro apenas contra o relógio. Querem matar a modalidade e estão prestes a conseguir.”

O atleta natural de Vilar do Monte, em Barcelos, foi proposto pela Associação Nacional de Desporto Deficientes Motores (ANDDEMOT), para integrar a comitiva nacional, ao Campeonato do Mundo de Atletismo Paralímpico, que se realiza em Lyon, de 18 a 29 de julho. “Um dia antes de ter viajado para os Estados Unidos, recebo uma chamada da FPDD a questionar-me se queria integrar a comitiva. Se sim, se estava disposto a pagar do próprio bolso a minha presença no Campeonato do Mundo. Como é óbvio disse que não, já suportei do meu bolso este ano, duas provas internacionais, para tentar fazer mínimos. O pior de tudo é que, quando chego aos Estados Unidos, vi na minha caixa de correio eletrónica a convocatória. O meu nome não estava lá”, adianta, frisando ainda que “este é já o segundo ano em que o Comité Paralímpico de Portugal (CPP) deixa atletas da área motora fora das competições. Esta situação é uma vergonha, porque o lema do CPP é Igualdade, Inclusão e Excelência Desportiva”.

Alexandrino Silva, que é membro da Associação Nacional de Atletismo em Cadeira de Rodas (ANACR), presidida por Mário Trindade, refere ainda já ter falado com a ANDDEMOT, que pediu explicações para o sucedido. “Mesmo que venham a dar-lhes razão, fico mais uma vez em terra depois de milhares de euros gastos, para apenas me deixarem competir com as cores nacionais”, conclui o atleta barcelense

Confrontado com as notícias, João Correia – Coordenador Técnico de Atletismo para a área motora – confirma que foram cometidas várias irregularidades pela FPDD ao longo dos últimos meses. “É com manifesto desagrado que tenho acompanhado de perto o processo do atleta em questão, que não é uma situação nova, de desrespeito hierárquico para com esta instituição. Existiram falhas graves, prontamente reportadas às entidades responsáveis.”, adianta João Correia, dado que cabe à ANDDEMOT coordenar todo o desporto paralímpico na área motora, estando esta entidade disposta a convocar Alexandrino Silva.

Questionado sobre os próximos passos a tomar pela ANDDEMOT, João Correia, responde que “as situações foram reportadas e teremos que aguardar por uma resposta. O que se passou com o Alexandrino Silva, jamais deveria ter acontecido, principalmente em vésperas de disputar uma importante competição.” lamenta.

In: Record

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Boccia: Portugal conquista ouro nos Europeus

A selecção nacional de Boccia conquistou esta quinta-feira a medalha de ouro no Campeonato da Europa, que se disputa por estes dias no Multiusos de Guimarães, no âmbito de Guimarães Cidade Europeia do Desporto 2013.

A vitória foi obtida pelos atletas José Carlos Macedo, Armando Costa e Luís Silva na categoria de pares BC3 depois de derrotarem na final a congénere grega.

A caminhada triunfal até ao lugar mais alto do pódio começou com a conquista do primeiro lugar na fase de grupos, depois da equipa portuguesa se superiorizar à Suécia e à Bélgica. Nos quartos-de-final Portugal elminou ainda a França e nas meias-finais a Dinamarca.

Na categoria BC1/BC2 equipas, a seleção das quinas – representada por João Fernandes, António Marques, Fernando Ferreira, Abílio Valente e Cristina Gonçalves – arrecadou, também uma medalha, desta feita de prata, depois de disputar a final da prova contra a Grã-Bretanha.

In: Record

terça-feira, 18 de junho de 2013

Portugal é campeão mundial de Atletismo Adaptado

Portugal acaba de revalidar o título de campeão do mundo, masculino e feminino, de Atletismo Adaptado, que já tinha conseguido em Itália há dois anos. As equipas portuguesas terminaram o 9º Campeonato do Mundo de Atletismo INAS, que decorreu em Praga, na República Checa, no lugar mais alto do pódio por nações, conquistando um total de 26 medalhas.

De acordo com a Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual (ANDDI), os atletas portugueses arrecadaram, no último dia de competição, mais cinco medalhas - três de prata e duas de bronze.

A primeira destas medalhas chegou por intermédio de Inês Fernandes, que conseguiu uma marca de 34.99m no lançamento de disco. Tiago Duarte e Erica Gomes foram também medalhados mas no salto em altura com, respetivamente, 1.72m e 1.48m. Lenine Cunha subiu, igualmente, ao pódio nesta especialidade, graças a um salto de 1.72m.

Samuel Freitas garantiu a última medalha portuguesa ao bater o novo recorde de Portugal nos 800m e terminar a prova na 3ª posição num tempo de 1.57.31. De destacar que, na mesma categoria, o jovem português Cristiano Pereira assegurou um "excelente quinto posto", afirma a ANDDI, com 2.00.88. 

Ainda no último dia de competição, destaque para os quartos lugares de Cláudia Santos nos 800m com 2.35.43 e para a estafeta feminina de 4x400 (Raquel Cerqueira, Cláudia Santos, Maria Graça Fernandes e Cátia Almeida) com 4.30.96. 

De referir também os quintos lugares de Ricardo Marques no disco com 32.41m, Bruno Gaspar nos 5000m com 16.47.89 e da equipa masculina de 4x400 com um tempo de 3.40.55.

Às cinco medalhas com que Portugal encerrou a prova juntam-se outras 21 conquistadas ao longo do campeonato, entre as quais sobressaem dois ouros de Lenine Cunha no triplo salto com 13.29m e no heptatlo com 4095 pontos, que o atleta (que se sagrou Melhor Atleta do campeonato) arrecadou ao quarto dia do mundial. 

Clique AQUI para conhecer em detalhe o desempenho de todos os atletas medalhados e saber mais pormenores sobre a participação portuguesa no campeonato do mundo.

Notícia sugerida por David Ferreira

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Special Olympics. Em vez de metal, estas medalhas têm outro sabor

A organização promoveu um torneio para a deficiência intelectual esta semana. O i foi acompanhá-lo

Ela nem sequer ia correr. Membro de pleno direito das equipas de basquetebol e futebol, foi apenas por acaso que Maria de Abreu resolveu entrar na prova dos 100 metros daqueles Jogos Mundiais de Atenas. Saiu de lá com uma medalha de prata, mas não quer repetir. “Ai, odeio correr! Se for num jogo de futebol ainda vá, agora correr a direito para o nada… Tudo menos isso!” Se isto fosse alta competição, quase podíamos apostar que a Maria iria continuar a correr, gostasse ou não. Mas isto são os Special Olympics – “a diferença é que aqui não participam só os melhores, participam todos, tenham jeito ou não”, explica a vice-presidente da organização em Portugal, Regina Mirandela da Costa.

Aqui estão 10 associações e cerca de 100 atletas. Há elementos de ambos os sexos, que jogam juntos, e as idades vão dos 20 aos 40. O que os liga é o facto de terem todos deficiência intelectual. Uns têm perturbações mentais, outros sociais, alguns com um grau maior, outros com menos. O torneio, organizado pela CERCICA (Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais), tem clubes de várias zonas do país, da Covilhã ao Montijo. As modalidades incluídas são a natação, a petanca (uma espécie de cruzamento entre o chinquilho e o bowling), o basquetebol e o futebol, de longe a mais popular entre os participantes.

“As raparigas também sabem jogar futebol!”, assegura Maria. Foi isso que a fez inscrever-se na equipa da CERCICA, para provar que também tinha jeito. Com 23 anos, era a única mulher no meio de tantos homens e ao fim de um ano já estava farta da situação. Daí que não descansou até trazer uma amiga da instituição para experimentar um treino. A amiga, também de nome Maria, gostou e acabou por ficar. “É uma chatice para nos distinguirem’”, conta-nos entre risos. Se para os dois Carlos da equipa já se arranjou a solução Carlão e Carlitos, para estas Marias-rapaz ainda não há alcunhas à vista. Excepto nas camisolas: uma tem lá escrito Maria de Abreu e a outra tem um original Di Maria.

Na equipa B da CERCICA está também João Guimarães. O colega da Maria tem a mesma idade dela e é igualmente falador. Tímidos ao início, depois de arrancar não param, embora raramente nos olhem nos olhos. Mas se Maria é mais sossegada, João não pára quieto e salta de um assunto para o outro. “Em casa tenho para aí umas cinco medalhas!”, avisa. “Olha-me estas caneleiras, são muita fixes, nunca me aleijo”, acrescenta, enquanto baixa uma meia para nos mostrar. “Sabes, eu hoje ‘tou um bocado eléctrico, já estive a tomar o meu cafezinho da manhã.” O café do João é sagrado: todos os dias bebe um Nespresso em casa, ou toma um na rua. “O médico deixa, por isso é na boa.” Depois apanha o 413 no Largo de Manique e sai na última paragem, no Estoril. Vai para o Centro de Congressos, onde trabalha graças a uma parceria conseguida pela associação. João ajuda a montar palcos, a levar cadeiras, a deixar tudo pronto antes de cada sessão. “Até tenho uma farda! É assim creme e preta.” E o ambiente no trabalho não é nada mau. “Até já me deram uma alcunha, vê lá! Um é o Alentejano, porque é do Alentejo, outro é o Careca, porque não tem cabelo, e eu sou o Pinguim.” Porquê? “Não sei!”, confessa com ar de satisfação.

UMA QUESTÃO EMOCIONAL Antes da eventual profissão há o meio académico, um dos maiores obstáculos que enfrentam. “Estes são miúdos que geralmente nunca brilharam em nada na vida”, explica Ana Flores, responsável da CERCICA há 12 anos. “No desporto têm essa hipótese, por isso é natural que adorem isto e que alguns até sejam ligeiramente gabarolas.” Ninguém lhes leva a mal. Da mesa, alguém grita para as bancadas um “não chamas nomes aos atletas!” Os ânimos exaltam-se, como em qualquer prova desportiva, mas os técnicos tentam dosear a competitividade. No fundo, a importância de ganhar relaciona-se mais com uma questão de reconhecimento e auto-estima. Assim o prova a reacção da Maria quando recebeu a sua medalha. “Eu nunca vi uma miúda tão feliz”, assegura Regina. “Até quebrei o protocolo e deixei-a ligar ao pai a contar. Ela só repetia ‘Já tenho a minha medalha…’”

“Hoje, se os meus pais estivessem aqui faziam a festa toda”, diz ela. Como muitos outros, os pais da Maria não podem faltar ao trabalho, daí que o pavilhão dos Lombos, em Carcavelos, esteja a meio-gás. O mesmo se passa com os pais do João. “Eu logo quando chegar a casa vou estar sozinho, que a minha mãe ainda não chegou do trabalho. Entretenho-me a jogar PlayStation e vou ao Hotmail ver se alguém me mandou alguma coisa pela internet.” Mas a relação entre as famílias e as instituições é por vezes complicada. Há associados órfãos a viver nas residências, há outros com famílias ausentes e até alguns cujos pais têm pulseiras electrónicas. No extremo oposto estão aqueles que dependem por completo dos progenitores que não conseguem cortar o cordão umbilical. “Por isso é óptimo quando os conseguimos levar para competições no estrangeiro”, explica Regina. “Eles cumprem os horários, vestem a roupa que mandamos, comem o que dizemos e fazem tudo isso sozinhos. Depois chegam mais autónomos e alguns pais não lidam bem com isso.”

A dependência entre pais e filhos assenta também nas óbvias questões de saúde, mas ali não são problema. Enquanto conversamos, um jogo de basquetebol tem de ser interrompido porque um dos atletas está a ter uma convulsão. Os bombeiros aproximam-se, os treinadores e árbitros ajudam – é uma situação quase banal e já todos sabem lidar com isso. Pouco tempo depois já está tudo bem e todos os olhos se voltam de novo para o campo. No basquetebol, a CERCICA domina. No futebol, o equilíbrio é mais precário. “A Maria resolve, que ela marca golos a sério!” A garantia é do João, colega de equipa dedicado. Meia hora depois, ali está a confirmação. Maria inaugura o marcador para a CERCICA e tem uma equipa inteira a festejar à volta dela. Bem melhor do que qualquer medalha, apostamos.

In: Jornal I

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Lenine Cunha conquista medalha de bronze

Um salto de 6,95 metros garantiu esta terça-feira a Lenine Cunha a conquista da medalha de bronze na prova do salto em comprimento F20 (deficiência intelectual) dos Jogos Paralímpicos Londres'2012.

A prova foi ganha pelo espanhol Jose Exposito, com a marca de 7,25 metros (novo recorde paralímpico), que se impôs ao croata Zoran Talic (7,09), medalha de prata.

O atleta português, que tinha como melhor marca do ano 6,70 metros, melhorou o seu recorde pessoal de 6,74 metros. Lenine Cunha, de 29 anos, estreou-se em competições paralímpicas nos Jogos Sydney'2000, e esteve ausente durante 12 anos devido ao facto de a deficiência intelectual ter sido retirada do programa.

In: Record

quarta-feira, 25 de julho de 2012

UM CAMPEÃO DE MUITAS PROVAS

Trata-se de uma notícia verdadeiramente histórica e que mereceria o destaque que, provavelmente, não vai ter. Ao que parece, pela primeira vez nas história dos Jogos, um atleta com deficiência intelectual estará presente nos Jogos Olímpicos, Pedro Isidro de seu nome. O atleta vai participar na prova de 50 Km marcha, uma prova de uma extraordinária exigência, para cuja preparação se exigem requisitos de perseverança, empenho e motivação extraordinários, para além, naturalmente de condições físicas adequadas.

A vida de muitas pessoas com deficiência é, na verdade, uma constante e infindável prova de obstáculos, muitas vezes intransponíveis, que ampliam de forma inaceitável a limitação na mobilidade e a funcionalidade em diferentes áreas que a sua condição, só por si, pode implicar. Como é evidente, existem muitas áreas de dificuldades colocadas às pessoas com deficiência, designadamente, educação e emprego em que a vulnerabilidade e o risco de exclusão são enormes.

Aliás, na peça do Público sobre esta figura notável, são evidenciados muitos desses obstáculos e dificuldades. Do meu ponto de vista, esta notícia não deveria estar na secção de desporto, deveria ser título primeiro na secção política.

Reafirmo algo que recorrentemente subscrevo, os níveis de desenvolvimento das comunidades também se aferem pela forma como lidam com as minorias e as suas problemáticas.

Provavelmente o feito desportivo de Pedro Isidro não terá o relevo que merecia. As primeiras páginas, mesmo no desporto, não são para estes indivíduos, as pessoas com deficiência não têm "glamour", não enchem estádios e fazem gastar milhões, não são colunáveis, são apenas, simplesmente, campeões, a sério.

Texto de Zé Morgado

In: Blogue Atenta Inquietude

segunda-feira, 30 de maio de 2011

International Surfing Day 2011 - Surf Adaptado

Nos próximos dias 18 e 19 de Junho de 2011 a Praia do Castelo, na Costa de Caparica, irá ser novamente um dos palcos mundiais das comemorações do Dia Internacional de Surf em Portugal.

A DUCKDIVE – Bodyboard & Surf School & Camp, juntamente com a Associação Salvador, o Estado Líquido-ORG e a Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência, organizam a edição deste ano, inteiramente dedicada a pessoas com deficiência motora, visual e cognitiva.

SURF FOR ALL é um evento gratuito e com o único objectivo de promover a inclusão de pessoas com deficiência, garantindo a igualdade de oportunidades e acesso ao lazer, desporto e cultura, através do desporto de natureza. São esperados cerca de 50 participantes com diversos tipos de deficiência.

Programa diário:

08h30 - Transfer em autocarro adaptado Centro de Lisboa/Centro Lazer S. João Caparica

09h00 - Centro Lazer S. João Caparica – Acolhimento / Briefing / Piscina.

Serviço de Transfer em mini-autocarros adaptados do Centro de Lazer para Praia do Castelo

10h30/12h30 - Praia do Castelo - Surf / Bodyboard (actividade por grupos, acompanhados de monitores)

12h30/14h30 - Praia do Castelo - Almoço e Palestras

14h30/17h30 - Praia do Castelo - Surf / Bodyboard (actividade por grupos, acompanhados de monitores).

Serviço de Transfer em mini-autocarros adaptados da Praia do Castelo para o Centro de Lazer de S. João da Caparica.

18h30 - Transfer em autocarro adaptado. S. João Caparica / centro de Lisboa.

19h00 - Luau (opcional)

Clique aqui para aceder ao formulário de inscrição para pessoas com deficiência motora.

Data limite para inscrições: 2 de Junho

Nota: Os lugares são limitados. A selecção dos participantes terá em conta a ordem de chegada das inscrições e dará prioridade às pessoas que se deslocam em cadeira de rodas.

In: Ajudas