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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Perturbação auditiva afeta 5% das crianças

Segundo um estudo da Universidade do Minho (UMinho), 83% das crianças com baixo desempenho nos testes de perturbação de processamento auditivo ( PPA) feitos durante a pesquisa tinham notas inferiores aos restantes colegas. A PPA traduz-se na incapacidade em interpretar sons, sendo, por isso, diferente de surdez.

A autora, Cristiane Nunes, sublinhou que a PPA tem ainda consequências na socialização, na realização das tarefas do dia-a-dia, e, em alguns casos, na gaguez e na dislexia.

"Enquanto uma pessoa surda nem sempre consegue detetar os sons, a que tem PPA apresenta dificuldade em interpretar o que ouviu e em perceber mudanças acústicas rápidas. Além disso, costuma demorar mais tempo para processar a informação que passa pelo nervo auditiva", explicou a investigadora (...).

O trabalho foi realizado no âmbito do doutoramento feito no Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC) da UMinho, que começou pela elaboração de testes padronizados para a população portuguesa, recorrendo a uma amostra de 60 crianças dos 10 aos 13 anos, sendo que a base de dados contém atualmente mais de 500 pacientes.

Os resultados obtidos nos testes mostram que as crianças com problemas de audição apresentam maior dificuldade no desempenho escolar, na comunicação, na leitura, na escrita e na articulação.

"Algumas não conseguiram repetir, por exemplo, um conjunto de números depois de os ter ouvido ou distinguir entre sons curtos, longos, agudos e graves. Isso tem implicações na leitura, escrita, fala e na forma como a informação é interpretada", afirmou.

Os sintomas associados variam em função da idade e da intensidade da perturbação. Em crianças com menos de 5 anos, verifica-se um atraso na aquisição da fala e, especialmente, dos sons "r" e "l", o que as leva, muitas vezes, a pronunciarem "plato" em vez de "prato".

A partir dos 7 anos, recorrem a expressões como "hein?" e "quê?", são mais distraídos e não percebem de imediato o que dizem o professor e os colegas em contexto de trabalho de grupo.

"Sem tratamento, o problema arrasta-se para a vida adulta, tendo repercussões no sucesso profissional, social e amoroso", alertou Cristiane Nunes.

A investigadora revelou ainda que os diagnósticos de PPA podem ser obtidos a partir dos 6 anos e que a quase totalidade das crianças normaliza após a realização de exercícios e técnicas que estimulam a formação de novas conexões no nervo auditivo."O segredo está no tratamento precoce da perturbação", disse.

No CIEC há testes capazes de detetar os casos mais graves e que, se fossem aplicados no início do 1.º ciclo, contribuiriam para eliminar "pelo menos metade das ocorrências", acrescentou. "O objetivo é identificar os alunos mais afetados e reencaminhá-los para um audiologista ou terapeuta da fala."

O tratamento personalizado pode, por exemplo, ajudar em caso de gaguez e atraso na linguagem, além de munir as crianças disléxicas de estratégias para melhorar a sua leitura e escrita.

A investigação deu origem a um livro recentemente publicado que é o primeiro sobre este problema lançado no país. A PPA é discutida desde a década de 1950 nos Estados Unidos e, pelo menos, desde 1980 no Brasil. Em Portugal o tema ainda "é pouco abordado".

In: JN

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Surdos já podem pedir ajuda por telemóvel com 'SOS Phone'

Investigadores da Universidade de Vila Real desenvolveram a aplicação móvel "SOSPhone" para ajudar as pessoas surdas a contactar os serviços de emergência sem recurso a uma chamada de voz.

"Esta é uma aplicação inovadora à escala global. Não existem soluções que sigam o mesmo paradigma de comunicação não-verbal", afirmou hoje, em comunicado, Benjamim Fonseca, do Departamento de Engenharias da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e responsável pelo projeto.

Segundo explicou, o "SOSPhone" é uma aplicação móvel que permite contactar os serviços de emergência sem recurso a uma chamada de voz, através de uma interface iconográfica.

O projeto é dirigido à comunidade surda mas poderá ser adaptado a grupos de cidadãos com necessidades semelhantes.

Com esta aplicação, o utente vai descrevendo a emergência, com elevado detalhe, através da seleção de ícones que surgem ao longo do atendimento.

No final, é gerada e enviada uma mensagem de telemóvel - SMS - automática com os detalhes da ocorrência, as coordenadas de localização e a identificação da pessoa que realiza o pedido.

"O SOSPhone proporciona rapidez, universalidade, localização exata, não permite pedidos anónimos, proporciona elevado detalhe e simplicidade, permite autonomia no pedido de ajuda de cidadãos surdos, mas também a qualquer utilizador" salientou o investigador.

Benjamim Fonseca sublinhou que, para o sucesso do projeto, foi fundamental a proximidade à comunidade surda, a qual possibilitou "a identificação informal de várias áreas de intervenção, relativamente a serviços, normalmente inacessíveis, devido às barreiras de comunicação que apresentam".

Trata-se de um projeto com origem académica, mas que acabou por levar à criação da "4ALL Software", uma empresa "spin off" incubada na UTAD, que irá dar continuidade ao projeto e transpor, para a sociedade, os resultados alcançados.

A esta empresa caberá ainda a identificação de novas áreas de atuação, através da realização de estudos com associações de surdos e com grupos representativos de cidadãos com necessidades comunicacionais semelhantes.

O projeto "SOSPhone" foi premiado recentemente pela Fundação para a Ciência e Tecnologia com cerca de 38.000 euros.

Das 60 candidaturas recebidas ao Prémio Inclusão e Literacia Digital, 18 foram premiadas, entre elas a iniciativa da academia transmontana.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Aplicação inovadora permite a cegos e surdos "ver", "ouvir" e até tocar obras de arte

Os surdos e cegos podem "ouvir" e "ver" o Centro Cultural Casapiano através de uma aplicação pioneira desenvolvida por professores e alunos da Casa Pia que dá autonomia a estes visitantes e está a receber o interesse de outros museus.

No caso de um visitante surdo, este recebe no início da visita um IPAD (tablet) com a aplicação, através da qual pode ver a explicação da peça que quer conhecer na sua língua: a gestual.

Esta autonomia é de tal forma valorizada que outros museus estão a contactar o Centro Cultural Casapiano para tentar disponibilizar uma aplicação semelhante


Uma das vantagens reside no facto de ser uma pessoa surda a traduzir o texto, o que torna a comunicação mais "acessível", como explicou Paulo Vaz Carvalho, especialista em língua gestual e professor no Centro de Educação e Desenvolvimento Jacob Rodrigues Pereira.

Este docente destaca o pioneirismo desta aplicação, uma vez que permite uma total autonomia a um visitante surdo.

"Nos outros museus com língua gestual, os visitantes têm de se dirigir a um local específico e obtêm uma explicação generalista da instituição. A aplicação, feita por um nativo da língua, permite ao visitante surdo passear livremente pelo museu, voltar às obras sempre que queira", disse.

Esta autonomia é de tal forma valorizada que outros museus estão a contactar o Centro Cultural Casapiano para tentar disponibilizar uma aplicação semelhante.

Para Paulo Vaz Carvalho, a grande vantagem deste projecto resulta dos seus autores serem surdos que trabalham para surdos.

"Somos a melhor turma de surdos do país", disse, sublinhando que alunos e professores do Centro de Educação e Desenvolvimento Jacob Rodrigues Pereira foram os autores do projecto e, simultaneamente, as suas "cobaias".

Paulo Vaz Carvalho disse mesmo que vários museus têm manifestado interesse nesta aplicação, destacando a sua inovação.

Também os cegos podem, através deste projecto, intitulado VOS (Ver Ouvir e Sentir), conhecer sensações únicas perante uma obra de arte, uma vez que podem tocar algumas peças.

Ao iniciar a exposição, cujo itinerário está indicado no chão (linhas guia), o visitante cego recebe um livro com a explicação das obras na língua escrita e também em braille.

Nesse livro, estão indicadas as obras que podem ser tocadas, e constam ainda imagens em relevo tácteis que visam dar uma ideia dos quadros a quem não os pode ver.

Sandra Barbosa, docente no Centro de Educação e Desenvolvimento Aurélio da Costa Ferreira, da Casa Pia de Lisboa, disse à Lusa que a ideia é pioneira e está ainda a dar os primeiros passos, mas que tem surpreendido positivamente estes visitantes, que, até agora, têm sido alunos e professores da instituição.

João Louro, director do Centro Cultural Casapiano e coordenador do projecto, disse à Lusa que não fazia sentido uma instituição como a Casa Pia, com elevado historial de respostas para cegos e surdos, que visam sempre a sua autonomia, não disponibilizar um instrumento que permita a estes visitantes usufruírem do espaço livremente.

"A visita pode começar logo em casa, pois, no caso dos surdos, a aplicação pode ser descarregada gratuitamente e o visitante ir desde logo escolhendo o que mais quer ver", adiantou.

Também a directora da instituição, Cristina Fangueiro, ressalvou o papel da Casa Pia nas deficiências sensoriais (surdez e cegueira), classificando o dia de hoje como "muito especial".

Antes da apresentação da aplicação, através de professores e alunos cegos e surdos, a instituição partilhou a história do Mundo de Carolina, um livro da autoria de Teolinda Gersão, inspirado numa aluna surdocega da Casa Pia de Lisboa, que esteve presente na iniciativa.

In: SOL

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Investigadora ajuda a criar gestuário para desportistas surdos

Fátima Sarmento, professora de Educação Física, defende que alunos surdos têm menor rendimento desportivo por falta de uniformização de língua gestual específica.

A trabalhar com alunos surdos há 22 anos, Fátima Sarmento, professora de Educação Física do ISMAI (Instituto Superior da Maia) e da Escola Secundária Aurélia de Souza, no Porto, acaba de contribuir para a criação de um gestuário digital bilingue destinado a professores, estudantes e atletas surdos.

Na sua tese de doutoramento, defendida este mês na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, a investigadora concluiu que os alunos surdos revelam menor rendimento "não por falta de aptidão física, mas por dificuldades de entendimento do que lhes é solicitado nas aulas".

Durante a investigação, Fátima Sarmento apercebeu-se que não existem na língua gestual portuguesa gestos uniformes para terminologia específica do desporto, "como passe, finta, remate, penalti", dificultando a comunicação entre professores e alunos e, por consequência, piores resultados dos estudantes nas disciplinas de Educação Física.
Uniformizar gestos desportivos

O gestuário da docente, um dicionário digital de terminologia desportiva em português e correspontente língua gestual, apresenta gestos uniformes a aplicar em seis modalidades: andebol, voleibol, basquetebol, futebol, atletismo e ginástica artística.

O conteúdo do vídeo, feito com a colaboração do treinador de andebol Carlos Resente, técnico do ABC de Braga, da equipa de basquetebol de sub-18 do FC Porto, do selecionador de ginástica acrobática Lourenço França, e atletas de triatlo e decatlo, entre outros, vai ser enviado a várias escolas de referência de ensino bilingue de todo país.

Segundo Fátima Sarmento, o gestuário agora apresentado teve por base um exaustivo levantamento de recolha de gestos utilizados por alunos surdos ligados ao desporto e ainda de uma equipa de investigação de surdez do Instituto Jacob Rodrigues Pereira.

A divulgação do "Gestuário Digital Bilingue" é a fase que se segue do projeto da investigadora do Porto.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Daniel já ouve a voz da mãe mas Estado só paga operação a um ouvido

Daniel Lucas, de três anos, nasceu com surdez profunda. Sem hipótese de pagar o segundo implante, que o Estado não comparticipa, valeu à família a solidariedade alheia e do Hospital dos Lusíadas.

Luísa Mesquita, a médica que vai operar Daniel, pela segunda vez, explicou ao JN que, apesar de não estar escrito que o Estado não paga a colocação do segundo implante, "a verdade é que os hospitais não têm capacidade financeira, nem operacional para o fazer". Sublinha, porém, que uma das batalhas dos profissionais é realizar rastreios auditivos em todos os hospitais, aquando do nascimento. Hoje, esta é uma realidade, mas não aconteceu no caso de Daniel, cuja surdez só foi diagnosticada quando a criança completou um ano.

In: JN

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Menino ouve o pai pela primeira vez graças a implante

Um implante auditivo inovador permitiu a um menino norte-americano de três anos que nasceu surdo ouvir, pela primeira vez, a voz do pai. O pequeno Grayson Clamp participou num ensaio clínico desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte (UNC School of Medicine), nos EUA, e, depois de uma ainda curta vida de silêncio, pôde, finalmente, conhecer a experiência do som.

Grayson nasceu sem nervos auditivos em ambos os ouvidos e, com o objetivo de ajudar o filho e dar-lhe uma maior qualidade de vida, os pais, Len e Nicole Clamp, sempre procuraram todas as alternativas disponíveis. Depois de descobrirem que o implante coclear tradicional não era solução, voltaram-se para uma técnica pioneira da Universidade da Carolina do Norte.

A criança tornou-se, assim, a primeira nos EUA a receber um implante auditivo de tronco cerebral, uma prótese capaz de restaurar a função auditiva de pessoas surdas mas que, pelo facto de a região da cóclea, no interior do ouvido, não se encontrar intacta, não podem receber o equipamento convencional.

A operação é feita através de uma incisão atrás da orelha, envolvendo a colocação de um elétrodo e de um cabo diretamente na região onde os nervos saudáveis deveriam estar. Em vez de 'viajar' pelo ouvido, a informação sonora 'viaja' por meio do cabo, estimulando o cérebro e dando ao paciente a possibilidade de ouvir.

Sucesso do procedimento é esperança para outras crianças

Graças à ajuda da equipa da Universidade da Carolina do Norte, o menino ouviu o pai falar com ele pela primeira vez. "O pai adora-te", foram as primeiras palavras que Len disse ao pequeno Grayson, um momento que ficou registado em vídeo e, em menos de dois dias, já foi visto quase 700.000 vezes no Youtube.


"Nunca vi uma expressão no rosto dele como a que vi hoje. Quero dizer, ele olhou-me bem nos olhos. Ouviu a minha voz pela primeira vez. Foi fenomenal", confessou Len Clamp, pouco depois do grande acontecimento. "Depois de tudo o que passei, ele é muito mais homem do que eu alguma vez serei", acrescentou.

Para os médicos, o sucesso do caso de Grayson surge como uma esperança para muitas outras crianças. "Vê-lo responder ao som desencadeou muitos sentimentos dentro de mim. Senti que há potencial, que podemos estar, de facto, a mudar o mundo em certos aspetos", afirmou Craig Buchman, um dos cirurgiões envolvidos no procedimento, que trabalhou com Matthew Ewend, do departamento de neurocirurgia da Universidade.

Segundo os médicos, o dispositivo recebido por Grayson foi, inicialmente, concebido para ser utilizado em pacientes que perderam a audição devido a tumores nos nervos. Atualmente, a equipa está a analisar a possibilidade de a solução poder começar a ser utilizada para restaurar a audição em crianças.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

WEBINAR - AS ESCOLAS DE REFERÊNCIA PARA ALUNOS CEGOS E BAIXA VISÃO E AS ESCOLAS DE REFERÊNCIA PARA A EDUCAÇÃO BILINGUE DE ALUNOS SURDOS

Encontra-se disponível o webinar «As escolas de referência para alunos cegos e baixa visão e as escolas de referência para a educação bilingue de alunos surdos» - http://webinar.dge.mec.pt/ -, com a colaboração dos professores Isabel Delgado do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento e Helder do Carmo do Agrupamento de Escolas da Quinta de Marrocos.

In: DGE

terça-feira, 16 de abril de 2013

CGD cria linha pioneira para atender cidadãos surdos

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) prepara-se para disponibilizar uma linha pioneira de atendimento em vídeochamada para cidadãos surdos. A nova linha vai permitir a obtenção de informações sobre os produtos e serviços da CGD através do serviço Caixadirecta.

O atendimento aos clientes (ou não clientes) surdos vai ser efetuado por meio de uma colaboração com a empresa Zonadavanced, com recurso ao Serviço de Vídeo Intérprete (Serviin).

Por esta via, os cidadãos surdos estabelecem contacto visual com uma intérprete de Língua Gestual Portuguesa através da realização de uma videochamada. Depois, esta intérprete assegura a ligação em áudio com o Caixa Contact Center, o serviço de atendimento telefónico da CGD. 

A CGD, que assim se torna a primeira instituição financeira portuguesa a por à disposição dos cidadãos com necessidades especiais este tipo de atendimento, garante ainda a máxima confidencialidade e seguranaç do serviço quer para o operador/intérprete, quer para o cliente/não cliente com surdez.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Surdos têm de esperar pela meia-noite para ver notícias do dia no telejornal da RTP2

Desde a semana passada que o telejornal Hoje, que passava às 22h00 e era o único programa de informação em horário nobre nos canais em sinal aberto com tradução em língua gestual portuguesa (LGP), deu lugar ao 24 Horas. Este novo espaço informativo tem também intérprete de LGP, mas só vai para o ar à meia-noite. Os surdos, que agora têm de ficar a pé até tarde para saber as notícias do dia, queixam-se de desigualdade no acesso à informação.

À Associação Portuguesa de Surdos (APS) têm chegado diversas queixas (...). O presidente da APS, Jorge Rodrigues, questiona: "Qual a diferença para a RTP ter intérprete às 22h00 ou à meia-noite? Perde a RTP que está a pagar um intérprete que ninguém vê e perdem os surdos que não têm acesso à informação."

“Consideramos positivo que mantenham a interpretação em LGP, no entanto, pensamos que esta alteração não tem lógica”, acrescenta Jorge Rodrigues.

A RTP não esclarece os motivos que estiveram na origem desta decisão, dizendo apenas que houve uma "reorganização da grelha". Diz, por outro lado, que a nova programação prevê um aumento de 55% no número de horas com tradução em LGP em todos os canais do grupo – ou seja, a estação passa a garantir em média 140 horas de emissão semanal em LGP.

Para isso, contribui o facto de a RTP2 emitir (em repetição) desde terça-feira, de segunda a sexta-feira entre as 19h00 e as 19h50, programas de entretenimento que vão para o ar em horário nobre na RTP1. Nestes programas, a "janela" do intérprete, normalmente colocada no canto inferior direito do ecrã, passa para primeiro plano.

"Isso é fantástico e deve ser louvado, mas escolheram os programas errados", critica Josélia Neves, professora do Instituto Politécnico de Leiria e especialista em tradução audiovisual e legendagem para surdos. Josélia Neves considera que a decisão de passar o telejornal das 22h00 para a meia-noite é "discriminação pura e total" em relação aos surdos.

A legendagem, que na maior parte dos programas é automática, não resolve o problema por ser "ilegível" e porque grande parte dos surdos tem dificuldades em ler português escrito.

"Estamos a andar para trás"

A RTP diz que em 2012 produziu 3090 horas de legendagem de programas falados em português, das quais 2380 horas foram de legendagem automática, feita por computador. “Ninguém consegue seguir o raciocínio dessa escrita”, afirma Josélia Neves. A legendagem preparada só pode ser usada nos programas pré-gravados.

Num estudo que a especialista realizou em 2003 e que envolveu 153 pessoas surdas em todo o país, 75% dos inquiridos dizia ter dificuldades na leitura, mas todos viam quatro horas de televisão por dia durante a semana e 5h30 ao fim-de-semana – mais do que a média nacional, que ronda as 3h30. Os noticiários são os programas mais vistos pelos surdos, seguidos dos filmes, novelas e programas de desporto.

"Nos outros países da Europa estão a colocar LGP nos programas em horário nobre, nós estamos a andar para trás", lamenta Josélia Neves. Actualmente, os únicos programas de informação com LGP são o Bom Dia, Portugal, que passa na RTP1 das 9h00 às 10h00, e o Portugal em Directo, das 18h00 às 19h00. Tudo o resto é entretenimento: Sociedade Civil, na RTP2 das 14h às 15h30; Praça da Alegria, na RTP1 das 10h00 às 13h00; e Portugal no Coração, na RTP1 das 14h00 às 18h00.

A ERC diz que só irá pronunciar-se quando conhecer todas as alterações à grelha do canal. Lembra, porém, que o protocolo que define a "quota" de programas acessíveis aos surdos foi suspenso, após impugnação da SIC e TVI em 2009, e que por isso a RTP não tem de prestar contas à ERC neste âmbito. Em preparação está um novo plano.

Sérgio Gomes da Silva, do Gabinete para os Meios de Comunicação Social, aplaude o aumento do número de programas com tradução em LGP, mas defende que "seria ainda mais positivo" se os surdos tivessem acesso às notícias em horário nobre.

Não há números concretos, mas estima-se que 15% da população mundial tem uma deficiência e que 10% da população deficiente é surda. Os Censos 2011 não permitem apurar com certeza o número de pessoas com deficiência em Portugal, mas indicam que 13% dos portugueses têm dificuldade em ouvir. Ou seja, cerca de 1,4 milhões de pessoas.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Formação em Tecnologias de Informação para seniores surdos


Formação em Tecnologias de Informação para seniores surdos

7 de janeiro a 25 de fevereiro 2013

A Fundação PT, em parceria com a Fundação Portuguesa das Comunicações (FPC) e no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações, desenvolveram iniciativas tecnológicas com vista à inclusão social.

A Fundação PT, tem como missão de promover a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação de um modo sustentável, dando um enfoque prioritário às áreas da Saúde, da Educação e da Inclusão Digital, abrangendo sobretudo camadas da população desfavorecidas ou em risco.

A Fundação Portuguesa das Comunicações (FPC) tem tido, desde a sua criação, um ativo e importante papel na promoção e divulgação de projetos e soluções tecnológicas que incrementem o desenvolvimento da inclusão social, tanto em termos de acessibilidade como de sensibilização junto dos seus visitantes. Exemplo disto é a Casa do Futuro, com tecnologias preventivas e estruturantes, e as ações de formação na Escola do Futuro.

Assim, e em parceria com a FPC, a Fundação PT apresenta agora uma ação de formação em tenologias de informação vocacionada para o público-alvo Seniores surdos, e que abarca os seguintes objetivos:

  • Familiarizar-se com os conceitos e ferramentas fundamentais das tecnologias de informação;
  • Utilizar os recursos informáticos nas suas áreas de atuação profissional;
  • Conhecer o ambiente de trabalho;
  • Navegar e pesquisar informação na Internet;
  • Utilizar o correio eletrónico
  • Processamento de texto

Informações úteis:

Datas: 2ª feira, de 7 de janeiro a 25 de fevereiro (25 horas presenciais)
Horário: 14h00 – 17h00
Entrada livre.
Local: Fundação Portuguesa das Comunicações - Rua do Instituto Industrial, 16 Lisboa

Contacto para Inscrições: david-p-fonseca@telecom.pt

Parceria com:






Adira ao


Mensagem recebida via e-mail

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Esta televisão é para surdos que se querem fazer ouvir

A SurdoTv nasceu há três anos para preencher as falhas no acesso dos surdos à informação. No Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que se assinala nesta segunda-feira, o PÚBLICO mostra os bastidores de uma televisão em silêncio.


Uma pequena câmara de vídeo digital, um tripé, um computador portátil e pouco mais. O equipamento cabe todo no saco azul de plástico que Hélder Duarte traz ao ombro. As mãos estão livres para falar com o resto da equipa da SurdoTv – o director-geral da televisão, uma jornalista, e o editor de imagem.

Em comum, têm a surdez mas não só. São voluntários nesta que é a única televisão online portuguesa feita por surdos e para surdos. O PÚBLICO foi acompanhá-los num dia de reportagem.

Num canto do anfiteatro da Universidade Lusófona, em Lisboa, Fernando Padeiro despe a camisola de director-geral da SurdoTv e assume o posto de operador de câmara. Monta o tripé, instala a máquina, ajusta a imagem. Hélder Duarte, o director de informação, sobe ao palco onde vão discursar os convidados do V Congresso Nacional de Surdos e faz os testes de imagem: abre os braços, inclina-se para a direita, depois para a esquerda. Os oradores – quase todos surdos – tem de “caber” no quadrado que Fernando desenha no ar com as mãos. É este o espaço das palavras em língua gestual: uma espécie de quadrado invisível onde o discurso ganha forma.

A parede cinzenta e branca, com uma cortina cor-de-laranja, levanta problemas. Alexandra Ramos, uma das intérpretes de língua gestual portuguesa (LGP) que vai traduzir os oradores – e que serviu de intérprete ao PÚBLICO durante esta reportagem –, explica: “O campo visual dos surdos não pode ter muitas cores, para evitar que se distraiam.” As intérpretes têm de usar roupa de cor neutra, de preferência escura. Até os ramos de flores são proibidos. A poluição visual é ruído para quem ouve com os olhos.

Na parede ao fundo do anfiteatro, é fixado o tecido verde que serve de pano de fundo ao espaço de entrevistas. É ali que Susana Amaral, a jornalista de serviço, há-de entrevistar os convidados, em LGP. Na mesa junto ao palco, Hélder Duarte e Pedro Miguel Silva, o editor de imagem, preparam os computadores. O congresso começa à hora marcada, em silêncio. Nem parece que está quase uma centena de pessoas na sala.

Pode ler mais em: Público online

In: Público

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Surdos já têm serviço telefónico de apoio a clientes

Os surdos já podem utilizar o telemóvel em Portugal com o apoio de um serviço de apoio a clientes em Língua Gestual Portuguesa (LGP) lançado pela Vodafone. Desde Abril que este serviço, pioneiro em Portugal, funciona num call center, através de videochamadas grátis atendidas por uma equipa apta para dar informações através de língua gestual.

Pode consultar o vídeo clicando aqui.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Invisuais e surdos já podem ler conteúdos electrónicos

A Universidade das Artes de Berlim (Alemanha) desenvolveu uma luva sensorial, a Mobile Lorm Glove, para pessoas com problemas de audição ou visão poderem ter acesso às novas tecnologias, tal como qualquer outro utilizador – ler, escrever, e disfrutar de conteúdos electrónicos.

A tecnologia está dotada de sensores na palma e os dados são enviados da luva para o dispositivo portátil (tablet ou smartphone) através de Bluetooth, ou seja, o utilizador recebe uma mensagem quando os motores de vibração na parte superior da mão emitirem um sinal que será possível de ler através de padrões tácteis.

A luva traduz o alfabeto tocando no texto com a “Lorm”, um meio de comunicação usado tanto por invisuais como por quem é privado de audição em alguns países da Europa e dos Estados Unidos.

A Mobile Lorm Glove fornece duas vias de comunicação inovadoras para surdos e invisuais: permite-lhes troca de informação à distância (enviar mensagens de texto, e-mails, etc.) e ainda a comunicação paralela, que é especialmente útil na escola e outros contextos de aprendizagem. Pessoas que tenham estas incapacidades poderão igualmente aceder a livros electrónicos e aplicações de tradução em simultâneo.

No entanto, a tecnologia ainda não está pronta para ser comercializada. A universidade propõe-se ainda a preparar uma aplicação de entrada e saída de voz.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Cães-guia ajudam crianças surdas no Reino Unido

Uma instituição de solidariedade do Reino Unido deu início, o ano passado, a um projeto piloto para fornecer cães-guia a crianças com problemas de audição. A Hearing Dogs for Deaf People já colocou 12 destes amigos de quatro patas especiais em diferentes famílias e os animais têm ajudado a transformar vidas.

Uma delas é a de James Cheung, um menino surdo de 11 anos a quem foi entregue um labrador que se tornou no seu melhor amigo. O cão, Kurt, alerta-o quando precisa de acordar de manhã, avisa-o em situações de perigo - como um alarme de incêndios que dispara - e pede-lhe que o siga quando a mãe o chama até outra divisão da casa.

"Se estou a cozinhar no andar de baixo só preciso de fazer sinal ao Kurt e ele chama o James, que o segue. Assim não tenho de subir e descer as escadas sempre que quero chamá-lo", explica a mãe da criança, Louise Cheung, à BBC. 

Segundo a progenitora, o comportamento de James mudou muito depois da chegada do animal, que veio facilitar a vida diária da família, tornando o menino mais feliz e independente. "Estou surpreendida com o que um animal é capaz de fazer por um ser humano. O James também tinha problemas de fala mas está mais confiante, a sensação de isolamento diminuiu", acrescenta. 

Kurt foi treinado para responder a certos sons e ordens e o seu mais pequeno dono faz questão de frisar que já não consegue imaginar a sua vida sem ele. "Adoro o meu cão. Ele é o meu melhor amigo", diz James.

À semelhança do que aconteceu com este menino britânico, a Hearing Dogs for Deaf People agraciou outras onze famílias com um novo membro e em todas o sucesso tem sido visível. Segundo a BBC, todas as crianças envolvidas no projeto passaram a dormir melhor, ganharam confiança e dizem sentir-se mais seguras.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Saiba o que são deficiências

A deficiência é tão antiga quanto a humanidade. Ao longo dos tempos, desde a pré-história até hoje, as pessoas sempre tiveram que decidir qual atitude adotar em relação aos membros mais vulneráveis da comunidade que precisavam de ajuda para obter alimento, abrigo e segurança, como as crianças, os velhos e as pessoas com deficiência.

Quando pensamos em quem são as pessoas com deficiência, imediatamente pensamos naquilo que as torna diferentes das demais, isto é, obviamente, a própria deficiência. É, portanto, a partir do conceito que a deficiência tem para nós que vamos nos posicionar frente às pessoas com deficiência.

Se você considerar a deficiência como uma desgraça, provavelmente vai sentir pena de uma pessoa com deficiência.

Mas você pode pensar diferente se considerar a deficiência como uma característica como outra qualquer e considerar que as dificuldades que ela enfrenta são o resultado do ambiente despreparado para recebê-la. A tecnologia moderna é uma prova de que isto é verdade. Uma pessoa com deficiência pode não conseguir subir uma escada, mas se houver um elevador ou uma rampa, ela vai estar em pé de igualdade com as outras pessoas, não é mesmo?

No Brasil, há definições médicas sobre o que é a deficiência. É importante que você as conheça, para saber como lidar com elas.

Deficiência física: Alteração completa ou parcial dos membros superiores (braços) e/ou inferiores (pernas), acarretando o comprometimento da função física. Ter uma deficiência física não significa ter um rebaixamento intelectual. Muitas pessoas fazem esta confusão. É importante saber fazer esta diferença para não ignorar o potencial desta pessoa. Geralmente, com algumas adaptações ela conseguirá acompanhar os colegas.

Deficiência auditiva: Perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras, variando em graus e níveis, desde uma perda leve até a perda total da audição. Pode-se trabalhar com os resíduos auditivos nas atividades educacionais, através do uso de aparelhos auditivos, que amplificam o som da sala de aula, por exemplo.

Deficiência visual: abrange desde a cegueira até a visão subnormal (ou baixa visão), que é uma diminuição significativa da capacidade de enxergar, com redução importante do campo visual e da sensibilidade aos contrastes e limitação de outras capacidades. Logo, que a deficiência é constatada, existem técnicas para trabalhar o resíduo visual nas atividades educacionais, na vida cotidiana e no lazer. Usando auxílios ópticos (como óculos, lupas etc.) as pessoas com baixa visão distinguem vultos, a claridade, ou objetos a pouca distância. A visão se apresenta embaçada, diminuída e restrita em seu campo visual ou prejudicada de algum modo.

Deficiência mental [1]: Segundo a definição adotada pela AAMR (American Association of Mental Retardation – Associação Americana de Deficiência Mental) [2], a deficiência mental é um “funcionamento intelectual significativamente abaixo da média, coexistindo com limitações relativas a duas ou mais das seguintes áreas de habilidades adaptativas: comunicação, auto-cuidado, habilidades sociais, participação familiar e comunitária, autonomia, saúde e segurança, funcionalidade acadêmica, de lazer e trabalho. Manifesta-se antes dos dezoito anos de idade.”

O aluno com deficiência mental tem um potencial, que pode ser estimulado na sala de aula e através do convívio com outros alunos. Muitas pessoas confundem a deficiência mental com a doença mental (esquizofrenia, paranoias e outras), o que não é correto. São fenômenos completamente diferentes. A pessoa com deficiência mental não tem surtos, não tem ataques e não tem convulsões. É perfeitamente possível conviver com ela.

Deficiência múltipla: é a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias mental / visual / auditiva / física), com comprometimentos que acarretam consequências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa

Surdocegueira: é uma deficiência única que apresenta as deficiências auditiva e visual juntas em diferentes graus. A pessoa surdocega pode desenvolver diferentes formas de comunicação para entender e interagir com as pessoas, com o meio ambiente e ter acesso a informações e a uma vida social com qualidade. Para sua autonomia, a pessoa surdocega precisa de um guia-intérprete para sua orientação e mobilidade, educação e trabalho.

A surdocegueira não significa, necessariamente, que a pessoa seja totalmente cega ou surda. Podem existir resíduos visuais (baixa visão) e resíduos auditivos funcionais, suficientes para escutar uma conversação, especialmente quando é usado um aparelho auditivo.

Existem duas formas de classificar a surdocegueira:

• Surdocego pré-linguístico: crianças que nascem surdocegas ou adquirem a surdocegueira nos primeiros anos de vida, antes da aquisição de uma língua;
• Surdocego pós-linguístico: crianças, jovens ou adultos que apresentam uma deficiência sensorial primária (auditiva ou visual) e adquirem a outra após a aquisição de uma língua (Português ou Língua de sinais), ou quando ocorre a aquisição da surdocegueira sem outros precedentes.

Como se comunicar com as pessoas surdacegas?

Geralmente, usa-se o alfabeto digital, formado pelos dedos. A pessoa que se comunica com o surdocego forma as palavras, letra por letra, na mão da pessoa com deficiência. Se não souber falar, o surdocego usa o mesmo método para se comunicar.

Para surdocegos que ficaram deficientes depois de terem sido alfabetizados, a variante desse sistema é “escrever” (como se fosse num papel) sobre o braço ou a mão do surdocego. Parece muito complicado; no entanto os surdocegos se comunicam rapidamente e com muita eficiência usando esses sistemas.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Turma com alunos surdos aprende língua gestual

Em Famalicão, uma turma de alunos do 1º ciclo aprendeu a comunicar de uma forma muito especial. Pelo facto de quatro das crianças terem problemas de surdez, a Escola Conde de S. Cosme decidiu ensinar língua gestual a todo o grupo.

Esta decisão faz parte de um projeto de inclusão iniciado no ano letivo 2008/2009, depois de os responsáveis escolares terem tido conhecimento da presença dos quatro alunos surdos na turma do 1º ano de escolaridade.

Com a ajuda de uma formadora de língua gestual, a turma de 21 alunos, agora a frequentar o 4º ano, descobriu um modo diferente de comunicação e a adesão foi muito positiva. Na sala de aula há uma rotatividade constante de cadeiras, para que todos possam ter ao seu lado as crianças com problemas de surdez e praticar a língua.

Manuela Sarmento contou à agência Lusa que “os próprios alunos substituem muitas vezes os professores”, acrescentando que a turma é “fantástica, com espírito de entreajuda e bom aproveitamento”.

A propósito de entreajuda, esta professora de educação especial da Escola brinca mesmo com o facto de, agora, os alunos até já aproveitarem a língua gestual para “tirarem dúvidas” entre eles durante os testes, aproveitando eventuais desatenções dos professores.

O projeto de inclusão promovido pela escola resultou, entretanto, na edição de um livro intitulado “O Jardim Secreto dos Sons”, que vai ser apresentado publicamente esta sexta-feira no Centro de Estudos Camilianos em Vila Nova de Famalicão.

O livro conta a história de Matilde, uma menina que trata de um jardim onde as palavras nem sempre são ouvidas da mesma maneira. De acordo com Manuela Sarmento, tem “21 páginas, tantas quantas o número de alunos da turma. Cada página foi escrita por um aluno, conjuntamente com a respetiva família. São frases muito curtas, ‘escritas’ também em língua gestual, por meio de fotografias”.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Mulher surda de 29 anos ouve a sua voz pela primeira vez

Sarah ouve-se pela primeira vez aos 29 anos


Sarah nasceu surda mas recentemente foi-lhe colocado um implante auditivo. No dia em que foi posto a funcionar, o marido decidiu filmar a situação para a posteridade. E este é o momento único, mágico e irrepetível em que Sarah começa a ouvir e se esforça para que primeiro som que ouve não seja o seu choro de emoção...



domingo, 7 de agosto de 2011

PSP aprende língua gestual

Os novos agentes da PSP já serão capazes de comunicar com pessoas com deficiências auditivas. Os cerca de 1000 alunos do 8º Curso de Formação de Agentes, da Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, receberam formação em Língua Gestual, na disciplina de Comunicação e Atendimento, avançou ao Boas Notícias fonte da PSP.

Estes novos agentes receberam a primeira formação da PSP em língua gestual, podendo, a partir de agora, acompanhar de forma mais próxima situações que envolvam apoio à vítima, fiscalização rodoviária ou violência doméstica.

Para começar, os polícias aprenderam como levar a cabo algumas práticas operacionais com pessoas com estas limitações. Em aula, os novos alunos praticaram a abordagem em situações do dia a dia como pedir documentos numa operação Stop, ou, já na esquadra, receber uma queixa de um furto ou a descrição de um suspeito.

Segundo disse ao Boas Notícias fonte da PSP, os novos agentes ficaram “muito sensibilizados” com esta formação e manifestaram vontade de aprender mais sobre esta língua.

As aulas são dadas pelo agente João Cunha, licenciado em Tradução e Interpretação de Linguagem Gestual Portuguesa, que informou também os alunos à cerca da possibilidade de chamar à esquadra um intérprete, em caso de necessidade, através de um número de telefone disponibilizado aos alunos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

O panorama actual da educação de surdos. Na senda de uma educação bilingue.

Os séculos dezoito e dezanove foram uma época dourada para a educação de surdos. Existiam muitos professores surdos e era natural o uso da língua gestual. Tudo mudou com o Congresso de Milão, de 1880, que aprovou o método oral puro. Nos anos 1960, a consciência do fracasso do oralismo levou ao regresso dos gestos à sala de aula. Contudo, estes eram usados como um mero instrumento, e não como um marcador da identidade e cultura surdas. O bilingualismo/ biculturalismo apareceu nos anos 1980, procurando assegurar esse reconhecimento e garantir aos surdos o acesso à educação através da sua primeira língua. Embora a Federação Mundial dos Surdos considere que o uso deste método é uma questão de direitos humanos, as práticas escolares mostram que outras abordagens subsistem, nomeadamente o oralismo e a comunicação total.

Neste artigo, Maria do Céu Ferreira Gome leva-nos a reflectir sobre os obstáculos que se têm colocado à implementação do bilinguismo na educação de surdos, questionando os discursos actuais sobre a diferença.

Artigo completo aqui.

In: Incluso