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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Irrequietos, instáveis, cansados ou... com sono?

Uma entrevista recente da professora Teresa Paiva, reconhecida especialista em matérias relacionadas como o sono, sugeriu-me estas notas dirigidas, sobretudo, para o universo dos mais novos.

Em primeiro lugar, deve sublinhar-se, sem nada de novo, evidentemente, que a qualidade do sono, tantas vezes negligenciada, é um dos mais importantes contributos para o bem-estar geral de crianças e adolescentes, incluindo a sua vida escolar, uma fonte de preocupações para pais e educadores sempre presente.

A relação entre os estilos de vida e as rotinas, higiene e qualidade do sono de crianças e adolescentes é conhecida e estudada, mas, deve dizer-se, nem sempre parece devidamente considerada. Também entre nós, vários estudos sobre os hábitos e padrões de sono em crianças e adolescentes têm sido desenvolvidos, designadamente pela professora Teresa Paiva com resultados que deveriam ser considerados.

Neste universo, em 2013 um estudo da University College of London mostrava o impacto negativo que a ausência de rotinas como deitar com regularidade à mesma hora podem ter no bem-estar e saúde das crianças afectando, por exemplo, o processamento da aprendizagem. Na mesma linha, outras investigações referem que mais de metade dos adolescentes inquiridos apresenta quadros de sonolência excessiva e evidencia hábitos de sono pouco saudáveis.

Um estudo recente realizado nos EUA que acompanhou durante seis anos 11.000 crianças encontrou fortes indícios de relação entre perturbações do sono e o desenvolvimento de problemas de natureza diferenciada no comportamento e funcionamento das crianças.

Esta constatação vai no mesmo sentido de outros trabalhos com crianças mais novas. A falta de qualidade do sono e do tempo necessário acaba, naturalmente, por comprometer a qualidade de vida das crianças e adolescentes. Todos nos cruzamos frequentemente nos centros comerciais, por exemplo, com crianças, mais pequenas ou maiores, a horas a que deveriam estar na cama e que, penosa mas excitadamente, deambulam atreladas aos pais.

Várias investigações sugerem que parte das alterações verificadas nos padrões e hábitos relativos ao sono remetem para questões ligadas a stress familiar e sublinham o aumento das queixas relativas a sonolência e alterações comportamentais durante o dia.

É certo que as situações de stress familiar serão importantes mas parece-me necessário não esquecer alguns aspectos relacionados com os estilos de vida, quer com as rotinas, quer com a utilização mais ou menos regulada das novas tecnologias. Durante o dia, as crianças e adolescentes passam boa parte do seu tempo saltitando de actividade para actividade, passam tempos infindos na escola e, muitos deles, além de pressionados para resultados de excelência transportam ainda, frequentemente, tarefas escolares para casa.

Neste contexto, é também relevante considerar o número, alguns estudos sugerem cerca de 50%, de crianças e adolescentes até aos 15 anos que terão computador ou televisor no quarto, além do telemóvel.

Acontece que durante o período que seria dedicado ao sono, sem regulação familiar, muitas crianças e adolescentes estarão diante de um ecrã, computador, televisão ou telemóvel. Como é óbvio, este comportamento não pode deixar de implicar consequências durante o dia – sonolência e distracção, ansiedade, agitação e, naturalmente, o risco de falta de rendimento escolar num quadro geral de pior qualidade de vida frequentemente constatado e relatado por educadores e professores.

Creio que, com alguma frequência, os comportamentos dos miúdos, sobretudo nos mais novos, que são de uma forma aligeirada remetidos para o saco sem fundo da hiperactividade e problemas de atenção, estarão associados aos seus hábitos e padrões de sono como, aliás, os estudos parecem sugerir.

Estas matérias, a presença das novas tecnologias na vida dos mais pequenos, são problemas novos para muitos pais, eles próprios com níveis baixos de literacia informática. Considerando as implicações sérias na vida diária importa que se reflicta sobre a atenção e ajuda destinada aos pais para que a utilização imprescindível e útil seja regulada e protectora da qualidade de vida das crianças e adolescentes.

Aliás, a experiência mostra-me que muitos pais desejam e mostram necessidade de alguma ajuda ou orientação nestas matérias bem como, naturalmente, solicitam apoio e orientação na promoção e instalação de estilos de vida, qualidade e hábitos do sono, por exemplo, mais saudáveis para e com os seus filhos.

Por: José Morgado

In: Público

segunda-feira, 26 de março de 2012

Allan Hobson: “Não poderíamos ver se não fosse o sono”

Allan Hobson, o cientista que contrariou a teoria dos sonhos de Freud, está em Portugal para abrir o 9.º simpósio sobre o cérebro da Fundação Bial, uma oportunidade para ouvi-lo defender que quando sonhamos estamos “a treinar”.

O “Sono e os Sonhos” é o tema do Simpósio “Aquém e além cérebro” que abre no dia 28 de Março, no Porto, com a palestra de Allan Hobson que, em entrevista à Lusa, lembrou que “o sono é algo muito elaborado, a única coisa que se perde é consciência, mas a consciência no máximo ocupa cinco por cento da actividade cerebral”.

O cientista debruçou-se sobre os sonhos para concluir, por exemplo, que quando conservamos a visão durante o sono, conseguindo formar imagens perfeitas, aquilo que o nosso cérebro está a fazer no fundo "é treinar a visão e isso é muito importante que ele faça”.

“A minha teoria é que não poderíamos ver se não fosse o sono REM (Rapid Eye Movement), sem aquilo que considero ser o sistema trabalhar ‘off line’ ou a criação de uma realidade virtual para o cérebro”, afirmou Allan Hobson.

“E não é só a visão é também, por exemplo, a locomoção”, notou. “Todos os sonhos são animados, nós nunca ficamos quietos, sonhamos sobre correr, andar, mesmo voar, é como um programa de ensaio para o cérebro”, disse, garantindo que “é muito sobre integrar visão e movimento o que não coisa fácil, é um grande trabalho”.

O cientista que formulou esta teoria da “protoconsciência" que serve para o desenvolvimento e manutenção da “consciência desperta”, lembrou que vemos a consciência "como algo que só existe depois de acordarmos”, mas aquilo que tentou explicar “é que sonhar é uma outra forma de consciência, que precede no tempo o estado consciente".

Para Allan Hobson, essa actividade “começa a acontecer no útero, na terceira semana de desenvolvimento do feto, num momento em que certamente não regista significativos efeitos do meio que o rodeia, ou seja, o cérebro já se está a preparar para estar consciente e está a ‘correr programas’ como um computador que se prepara para o trabalho do dia seguinte”.

O neurocientista publicou em 1977 com Robert McCarley, um estudo em que concluiu que os sonhos são mudanças bioquímicas e impulsos eléctricos aleatórios que agitam o cérebro enquanto dormimos, sem qualquer significado no sentido que Freud lhes deu. Só que quando acordamos a nossa consciência, habituada a que tudo faça sentido, força uma “narrativa” para dar alguma lógica a esses impulsos.

Esta é a teoria de “ativação-síntese” comummente aceite no meio científico e que contraria a teoria psicanalítica, mas que Hobson atualizou em 1999 ao considerar que a parte do cérebro que gere as emoções também mantinha atividade durante os sonhos.

Apesar de ser apontado como o “maior provocador no campo dos estudos dos sonhos” afirmou que faz“o que Freud queria fazer, mas que em 1895 não podia, porque não sabia nada sobre o cérebro, por isso estava obrigado a elaborar a sua teoria dos sonhos a partir de especulação”. Para ele, “’A interpretação dos sonhos’ é um grande livro, mas não há ali nada de científico sobre os sonhos”.

Usando microeléctrodos, capazes de gravar células individualmente, reavivou “a teoria dos sonhos” colocando-a “em linha com aquilo que hoje sabemos sobre o cérebro que, passados 115 anos, é certamente muito mais, o que não é surpreendente”.

E se dormir e sonhar é para Allan Hobbes tão importante, ele não acha que estejamos obrigados a dormir as aconselhadas sete horas. “Não percebo porque é que o sono deveria ser uniforme quando nada é uniforme na biologia”, sustentou.

Só aconselhou a quem “dorme 11 horas não deve tentar ser uma pessoa que dorme 4 horas porque é como tentar ser basquetebolista sendo muito pequeno". Por outro lado, as escolas de medicina, por exemplo, deviam perguntar se uma pessoa dorme muito ou pouco: “Quem dorme pouco deveria ser favorecido em profissões que limitam o sonho”.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Para um grave problema uma solução simples




"Querem que os portugueses trabalhem mais horas por dia, e mais dias por ano, ao ponto de discutirem "pontes" e abolições de feriados. Mas toda a gente parece ter esquecido que os portugueses adultos já trabalham mais horas do que os seus congéneres europeus, para a pior produtividade da Zona Euro, e os portugueses mais pequenos já vão mais à escola do que quaisquer outros, ficando também eles muito aquém dos objetivos que os outros atingem com menos tempo enfiados entre as quatro paredes de uma sala de aulas. A explicação, digo eu, além dos maus chefes e dos trabalhadores irresponsáveis, é da falta de sono. Se dormíssemos todos mais e melhor, tenho a certeza absoluta de que o caso mudava de figura. Porque, afinal, somos o país onde se dormem menos horas por noite, dos mais novos, aos mais velhos (...). E os efeitos da privação de sono explicam a incapacidade de produzir mais: falta de concentração, cabeça aérea, falta de noção da realidade, irritabilidade, raiva e por aí adiante. (...)"

Isabel Stilwell


Este artigo, que aconselho a ler na totalidade, traduz exatamente aquilo sobre que tenho vindo a refletir ao longo destes anos, como elemento de uma comunidade escolar. Nos atendimentos realizados com alunos e no contacto que vou estabelecendo com os professores, vou constatando aquilo que é referido, de uma forma tão clara, neste artigo: as crianças e adolescentes deitam-se tardíssimo, não dormindo o número de horas necessárias para o restabelecimento do seu equilíbrio.

A existência de televisão no quarto, de computadores e de múltiplos distratores são tentações a que os mais novos não conseguem resistir e que os adultos inconscientemente pensam controlar. Não é invulgar, diria mesmo que é cada vez mais frequente, sobretudo em adolescentes, o sono dos pais ser aproveitado para mais um jogo no computador ou para enviar um número infinito de mensagens até altas horas da noite. 

Paralelamente a esta constatação, há outra que, na minha opinião, tem relação direta com esta. Os professores com quem trabalho queixam-se de um fenómeno que se tem vindo a generalizar e a agravar: a falta de atenção/concentração nas aulas. Como podem os alunos estar atentos, se não têm satisfeita uma das necessidades básicas do ser humano?

Num atendimento recentemente realizado com um adolescente, que está neste momento deprimido, a mãe referia que o despoletar da depressão, que ocorrera pela primeira vez no ano anterior, surgiu na sequência de umas férias de Verão, em que ele simplesmente não dormia, porque passava as noites "agarrado" ao computador. 

Este é um problema que me preocupa bastante porque é extraordinariamente difícil de alterar. Como poderemos nós sensibilizar os pais a alterar a sua postura em relação aos hábitos de sono dos filhos, se eles próprios também ainda não interiorizaram que a sua vida teria mais qualidade se dormissem mais horas? A resolução desta questão, como a da maioria das questões educativas, passa pela velha, mas sempre atual, sugestão de Daniel Sampaio: Inventem-se novos pais. Precisamos urgentemente de pais que estabeleçam como uma das suas prioridades a hora de dormir dos filhos, ainda que isso implique a alteração de rotinas. Subjacente a este problema há, indiscutivelmente, outro: a capacidade de impor regras. E lá voltamos nós ao mesmo... 

Se não formos firmes, as crianças que, nesse aspeto, como em muito outros, são todas muito semelhantes, não querem ir para a cama e adiam indefinidamente este momento. Ou nos convencemos de que temos mesmo de controlar a hora de elas irem dormir e de ser rigorosos neste aspeto ou estaremos, ainda que inconscientemente, a limitar a sua capacidade de obter melhores resultados. Os meus filhos que, como os vossos, tentam adiar a hora de dormir, já ouviram vezes sem conta a mãe repetir: "Vamos dormir e já, porque quem não dorme não aprende."

Por: Adriana Campos


In: Educare

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Encontro de Pais "O Sono Infantil e as suas Perturbações"

No dia 15 de Dezembro, pelas 18 horas, o Instituto Português de Pedagogia Infantil vai realizar um Encontro de Pais subordinado à temática do Sono Infantil.

A Psicóloga Mafalda Leitão,responsável pela consulta de perturbação do sono no CADIn terá a gentileza de partilhar connosco a sua experiência na área.

O Encontro será realizado no ginásio do IPPI, e gostaríamos muito de poder contar com a sua presença.

In: IPPI

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Workshop Perturbações do Sono

As perturbações do sono das crianças criam frequentemente alterações no sono dos pais, uma vez que estas acabam por exigir a sua presença para dormir tranquilamente. 
Rapidamente os pais acabam por experimentar as consequências do mal dormir no seu funcionamento diurno, tanto ao nível do cansaço físico, como nas capacidades cognitivas e na estabilidade emocional.

Urge então dotar os pais de recursos e estratégias eficazes que lhes permitam ajudar o filho a dormir tranquilamente no seu quarto enquanto reconquistam a cama do casal.

Programa:

8.45 – 9.00
Receção e secretariado

9:00 – 11.00
Porque devem pais e filhos dormir em espaços próprios
Compreendendo os ritmos biológicos e o ciclo do sono
Alterações diurnas que acabam na cama dos pais (medos e ansiedade)

11.00 – 11.15 
Intervalo

11.15 – 13.00
Perturbações do sono que acabam na cama dos pais (insónia comportamental e higiene do sono, sonambulismo, terrores noturnos, pesadelos)
Reconquistando a cama do casal com tranquilidade e consistência
Discussão e conclusões

13.00
Avaliação do workshop e entrega de certificados.

Metodologia:
Apresentação formal de conteúdos, atividade prática, visualização de vídeo, casos clínicos ilustrativos e discussão aberta.

Destinatários
Pais e outros cuidadores
Psicólogos e outros técnicos de saúde
Estudantes do ensino superior nas áreas da psicologia ou da medicina

Dinamizadora 
Mafalda Leitão, psicóloga clínica e coordenadora da Consulta de Perturbações do Sono.

Custo de Inscrição: 30 euros
Inscrições limitadas a 20 participantes.
É necessário um mínimo de 8 participantes para a realização do workshop.

Modo de inscrição e pagamento:
Envie um e-mail para congressos@cadin.net, anexando a ficha de inscrição, juntamente com o comprovativo de transferência bancária.
A transferência deverá ser efectuada para o N.I.B. 0010 0000 3223700000246 (Banco BPI – Agência Cascais/Guia).

Esta documentação também poderá ser enviada por correio, para o CADIn.


In: Cadin

quarta-feira, 16 de março de 2011

Sono intranquilo nas crianças

Sono intranquilo nas crianças pode ser revelador de problemas de saúde. Despertar várias vezes durante o sono, por causa de pesadelos, é a situação mais frequente.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Falta de memória associada a distúrbios do sono

Pessoas que conseguem ter uma boa noite de sono lembram melhor das informações observadas durante o dia do que aquelas que passam longos períodos sem dormir, diz um estudo feito pela University of Lubeck, na Alemanha. A investigação sugere que o cérebro consegue filtrar tudo aquilo que foi absorvido durante o dia, retendo apenas aquilo que é mais importante enquanto dormirmos.

O estudo envolveu, em duas experiências, diferentes testes de memória em 191 voluntários. Durante o primeiro ensaio, cada um tinha que aprender 40 pares de palavras e o segundo consistia em participar num jogo da memória. Em cada um dos grupos, metade dos voluntários era informada que faria testes de memória sobre suas actividades do dia dentro de dez horas, enquanto a outra metade fazia o teste de surpresa.

Alguns dos participantes puderam dormir durante o período que mediou as tarefas e o teste. Os autores do estudo descobriram que aqueles que descansaram tiveram melhores resultados nos testes de memória do que os que ficaram acordados.

Isso acontece porque durante o descanso ocorre a síntese de proteínas responsáveis pelo desenvolvimento das conexões neurais, aprimorando habilidades como memória e aprendizagem. Durante a noite, o cérebro faz percorre as informações acumuladas, guardando aquilo que considera importante e descartando o supérfluo e fixando, assim, lições que aprendemos ao longo do dia. Por esse motivo, quem dorme mal, geralmente, tem dificuldade em lembrar-se de situações simples, como episódios ocorridos no dia anterior ou nomes de pessoas próximas.

Os investigadores consideram que este estudo, para além de provar que o cérebro consegue diferenciar o que vai ser usado e o que pode ser esquecido, mostra que ficar longos períodos sem dormir para estudar ou memorizar algo não é a melhor forma de absorver informações.

Dez sugestões para dormir bem
1- Antes de ir para o quarto, é fundamental aplacar as ansiedades do dia-a-dia. Não vá para a cama assim que chegar do trabalho. Primeiro tome um banho morno e procure relaxar;

2- Desligar a televisão e o computador é um método bastante eficaz. A luz desses aparelhos atrasa a produção das substâncias responsáveis pelo aviso de que é hora de dormir;

3- Exercícios físicos devem ser feitos até quatro horas antes de ir dormir, ou o corpo ainda estará agitado;

4- Um chá também ajuda, porém, é preciso escolher as ervas certas. Por exemplo, o chá preto ou verde são ricos em cafeína, que é estimulante. Infusões de melissa e camomila induzem ao sono e ainda melhoram a sua qualidade;

5- Deve optar-se por uma refeição leve, usando, por exemplo, aspargos, palmito, arroz, batata, aveia e soja;

6- As proteínas activam o sistema nervoso simpático, responsável, entre outras funções, por deixar o corpo em estado de alerta, favorecendo, assim, maior descarga de adrenalina;

7- Um ritual interessante é depois do banho morninho, acender uma lâmpada azul e pingar algumas gotas de óleo de lavanda na cama. É uma técnica que relaxa o corpo e induz o sono;

8- Um copo de leite morno também ajuda, porque possui triptofano, que é um precursor de serotonina, outro neurotransmissor fortemente associado ao relaxamento profundo;

9- A ingestão de álcool engana, porque a substância pode afrouxar estruturas da região da faringe comprometendo a respiração e o resultado é passar a noite a ressonar – o que prejudica as fases do sono, levando a acordar a meio da noite;

10- O ideal é dormir, pelo menos, oito horas por noite.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Crianças com sono irregular podem ter problemas metabólicos

O sono irregular nas férias pode trazer problemas metabólicos para as crianças. As férias escolares significam novas rotinas, também no que diz respeito ao sono. De acordo com alguns especialistas a falta de horário para dormir pode fazer com que a criança falhe uma refeição diária, o que é prejudicial para o organismo. Por outro lado os maus hábitos familiares podem prejudicar a qualidade de sono infantil.


quinta-feira, 29 de abril de 2010

RTP - SERVIÇO DE SAÚDE

Hoje trago até vós um episódio do programa Serviço de Saúde, transmitido na RTP1 e apresentado pela Maria Elisa...

O programa desta semana intitulava-se "O sono das crianças" e contou com a presença de médicos, técnicos de saúde, doentes, familiares e vários representantes "ligados" à problemática das Perturbações do Sono...

O programa é um pouco longo mas aqui fica o link:




terça-feira, 23 de março de 2010

Professoras portuguesas ganham prémio internacional com livro «Os Mistérios do Sono»

O livro infanto-juvenil Os Mistérios do Sono, de Teresa Paiva e Helena Rebelo Pinto, docentes da Universidade de Lisboa, foi distinguido com um prémio da Associação Mundial de Medicina do Sono.O livro, lançado na passada sexta-feira - Dia Mundial do Sono - pretende "fomentar o alerta para os problemas do sono", disse à agência Lusa Teresa Paiva, explicando que um dos grandes problemas é o sono das crianças e dos adolescentes.

"O que nós tentamos é fazer com que as pessoas estejam sempre atentas ou que haja sempre algo que venha lembrar que é importante que as crianças e os adolescentes durmam", referiu a especialista em assuntos do sono, adiantando que serão ainda lançados mais dois livros sobre a matéria, um no Dia Mundial da Criança e outro no Congresso Europeu do Sono, que vai decorrer em Lisboa.

"O objectivo é fomentar a descoberta e o interesse pelos assuntos, através de histórias que eles têm habitualmente na vida deles, e ensinar os problemas do sono. Há umas experiências que eles são levados a fazer e nas quais aprendem os problemas do sono", explicou a docente.

Este é um livro "que tem um profundo mistério, que é o próprio sono, e um personagem mistério, que só se revela no fim para manter o interesse dos miúdos", embora Teresa Paiva acredite que este livro também é lido por adultos “com agrado”.

O sono dos portugueses

Sobre os distúrbios do sono da população portuguesa, Teresa Paiva disse que "há uns anos atrás sabia-se que 47 por cento dos portugueses adultos não estavam satisfeitos com o seu sono, actualmente os indicadores objectivos são certamente mais complicados".
 
De acordo com a especialista, há vários estudos portugueses que demonstram que a prevalência da insónia é muito grande e que nos estudantes universitários e de liceu há uma grande prevalência de sonolência.
 
Há também uma relação provada entre o sucesso escolar e as horas de sono, sendo que num estudo a mais de 900 estudantes do Instituto Superior Técnico, apurou-se que "os alunos que têm notas acima de 18 dormem muito significativamente mais do que os que têm média de 15, 13 e 10" sublinhou Teresa Paiva.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Instituto Rensselaer «acende luz» para tratar insónia

Um estudo publicado na revista «Neuroendocrinology Letters» desvenda, pela primeira vez, quais os motivos para a dificuldade em conciliar o sono em adolescentes. A razão apresentada pelos autores da investigação está no ritmo ou ciclo circadiano – que designa o período de aproximadamente um dia (24 horas) sobre o qual se baseia todo o ciclo biológico do corpo humano e de qualquer outro ser vivo, influenciado pela luz solar.

Os investigadores do Programa em Iluminação do Instituto Politécnico do Centro de Investigação Rensselaer – Institute’s Lighting Research Center (LRC) –, nos Estados Unidos, avançam que o ritmo circadiano do corpo modifica durante a puberdade o que provoca nos jovens a necessidade de dormir mais tarde e de igualmente acordar mais tarde.

Uma experiência realizada em 11 estudantes mostrou que a falta de exposição diária à luz do dia poderia contribuir para o atraso no início do sono. Para o teste, os cientistas alemães deram aos participantes uns óculos especiais e estes tiveram de usá-los durante cinco dias seguidos. Os óculos evitavam a longitude de onda curta (luz azul) e quando a equipa de investigação recolheu a informação sobre o sono dos adolescentes, percebeu que a experiência provocou um atraso de 30 minutos no descanso dos estudantes.

Segundo Mariana Figueiro, autora principal e directora do programa no LRC, quanto mais tempo os jovens passarem em zonas interiores, “perdem mais horas de luz da manhã, essenciais para estimular o sistema biológico, que regulam o ciclo sono/vigília”.

Se não receberem luz diurna, “atrasam a produção de melatonina” (a hormona que indica ao nosso corpo quando já é noite), refere ainda no estudo. Esta falta de luz matinal faz com que os adolescentes se deitem mais tarde e durmam menos. “Estamos a pensar em chamar-lhe adolescentes com ‘síndrome do mocho da noite’”, acrescenta Figueiro.
 
Escolas com pouca luz

A equipa de investigação alerta também para o facto de as escolas, onde os jovens passam a maior parte do tempo, “não têm luz adequada ou necessária para estimular o sistema circadiano que regula a temperatura corporal, o estado de alerta, o apetite, as hormonas e os padrões de sono”.

Os dados fazem parte de um amplo estudo no qual ainda irão examinar, para além do impacto da luz azul da manhã, a época em que há maior exposição à luz durante a tarde, nos meses primaveris, aquando do início de produção de melatonina nos jovens. Os autores sugerem que estes avanços deveriam servir para que se redesenhe as escolas, para que a luz do dia entre mais e ajudá-los-ia a dormir melhor.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Perturbações do sono: Automedicação não é solução

Dormir ajuda a travar doenças

Passamos cerca de um terço da nossa vida a dormir, e a perturbação da qualidade do sono pode ter efeitos nocivos na saúde. Noites mal dormidas podem levar a diabetes, obesidade, falhas de memória, aumento da hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Tudo isto com repercussões intensas na qualidade de vida da pessoa.

Martins da Silva, responsável pela consulta de perturbações do sono do Hospital de Santo António, no Porto, refere que há três grandes motivos para que os doentes procurem ajuda: insónias; hipersónia (excesso de sono) e anomalias que acontecem durante o sono.

Os tratamentos são variáveis. "Temos uma consulta multidisciplinar: médicos de fisiologia, otorrino e pneumologia. Se o quadro for, por exemplo, de apneia, decidimos entre uma máscara ou outro tratamento. Podemos ir apenas pelo controlo do peso", explica ainda o especialista.

Se o caso é de insónia, a opção passa por fazer uma abordagem psiquiátrica. "Noutras situações, em que se trate de uma questão de turnos, temos de entrar em contacto com a entidade patronal para que percebam que determinado indivíduo não pode trabalhar à noite. Nem sempre é fácil", admite.

Muitos dos que têm problemas em dormir optam pela automedicação. Uma má opção, segundo Martins da Silva. "Não é boa, porque não sendo necessária cria dependência. O ideal é optar por um fármaco que permita fazer depois o desmame num mês." Os medicamentos ajudam a criar um equilíbrio, mas "é preciso que os factores que retiram o sono sejam eliminados".

A mudança de local de residência, de escola para os jovens ou de turnos pode influenciar profundamente os ciclos de sono.

PORMENORES

MUDAR DE CASA

Martins da Silva acompanhou uma paciente cuja mudança de casa, para um local junto a um pavilhão desportivo, perturbou a qualidade do sono.

MEMÓRIA

O sono pode ser inibidor da realização de tarefas e diminui a memória. Nos casos de incapacidade total, há casos-fronteira entre a consulta do sono e a psiquiatria.

DEZ MINUTOS

Para regular o sono a quem trabalha por turnos o especialista recomenda antecipar a hora de deitar dez minutos em cada dia. O reequilíbrio demora meses.

DISCURSO DIRECTO

"A RESTRIÇÃO DO SONO PODE SER DRAMÁTICA", Martins da Silva, Consulta do Sono, Hosp. Santo António

Correio da Manhã – O que é a perturbação do sono?

Martins da Silva – Uma noite mal dormida não é uma patologia do sono. Só se pode definir enquanto tal quando o sono é de tal forma modificado que altera o comportamento biológico do indivíduo.

– Quando começaram a ser descritos os distúrbios durante o repouso?

– Os problemas de sono são descritos no princípio do século XX, em que surgiram alterações cerebrais e físicas, na sequência de infecções víricas comuns que simulavam gripes. Estas levavam a lesões cerebrais, responsáveis pela zona que controla o sono.

– Quais são as causas?

– Diversas. Nos EUA, mais de 60 por cento dos casos são psicogenéticos vários. Por exemplo, a insónia familiar pode ser fatal, mas é raríssimo e nunca seguimos aqui nenhum caso.

– Há um limite mínimo de horas de sono ?

– A restrição do sono pode ser dramática. Até quatro horas de descanso pode motivar o aparecimento de várias doenças. Entre as quatro e as seis horas de sono, em algumas pessoas, pode levar exactamente às mesmas consequências.

O MEU CASO: MANUEL OLIVEIRA

"NÃO ME LEMBRAVA DO QUE FAZIA NEM PARA ONDE IA"

Foram vinte anos a trabalhar das 20h00 às 08h00. Doze horas de noite em que não pregava olho. Podia dormir de dia, mas Manuel Oliveira, agora com 56 anos, pouco passava pela cama. "Duas a três horas, no máximo", confessa ao Correio da Manhã. À actividade como funcionário hospitalar juntava a labuta no campo.

"Não parava, até porque tinha os meus três filhos na escola. Depois não conseguia adormecer. Houve mesmo uma altura em que não me lembrava do que fazia nem para onde ia. Funcionava como uma espécie de amnésia", conta.

Os períodos de sonolência eram frequentes ao longo do dia. Não conseguia controlar o período de vigília, onde quer que estivesse. "No café, os olhos caíam-me. Às vezes até durante o trabalho isso me acontecia", diz. "Estive mesmo à beira do esgotamento", acrescenta Manuel Oliveira.

Começou a ser seguido na consulta do sono e as consequências foram visíveis. A solução para Manuel passou pela alteração dos turnos laborais. "Com a ajuda do médico foi possível passar a trabalhar durante o dia", afirma.

Actualmente está muito melhor. Já dorme de noite e sente que "vive com mais qualidade. "Já não tenho aquele sono intranquilo, o que é óptimo", assume.

PERFIL

Manuel Oliveira, de 56 anos, é natural de Gondomare trabalha como funcionário hospitalar há mais de 30 anos. Tem também um campo de cultivo em que frequentemente trabalha. Tem três filhose vive agora com menos problemas em descansar.

PARALISIA ENQUANTO SE DORME

A paralisia do sono é um fenómeno raro mas cuja experiência pode ser aterradora. As regiões do nosso cérebro que regulam a vigília controlam também a actividade muscular. "Há um desfasamento entre o período em que estão em vigília e a fase em que se dá inicio à actividade motora. Estamos a falar de poucos segundos, e depois desaparece. Os sintomas são é majorados devido à ansiedade", diz Martins da Silva.

PRIVAÇÃO DO SONO

A privação do sono é um dos métodos mais famosos das polícias políticas para conseguirem confissões dos detidos.

OBESIDADE E CAUSA

A obesidade é um dos factores que mais influenciamos problemas em dormir, principalmente a apneia do sono.

MILHARES DE DOENTES

Desde que abriu, em 1987,a consulta do Hospitalde Santo António, no Porto,já teve milhares de doentes.