segunda-feira, 18 de maio de 2015

DA ABSURDIDADE DO MEC

A narrativa que se vai construindo a propósito dos exames de 4º e 6º anos do Básico mostra, mais uma vez o absurdo entendimento de "normalidade" da equipa da 5 de Outubro que, do meu ponto de vista, remete mais para a absurdidade.

Deslocalizam-se os miúdos para que não realizem os exames na sua escola, estabelecem-se regras rigorosas para enfrentar os potenciais delinquentes que se apresentam a exame, desconfia-se dos professores impedindo-os de acompanhar os seus alunos, no passado foi assim, os exames não podiam ser vigiados por professores das disciplinas em exame.

Claro que boa parte destas regras não se aplicam aos estabelecimentos de ensino privado pois estes são frequentados por pessoas de bem, entidades proprietárias, directores, professores, pais e alunos

Realizam-se a meio do período torpedeando completamente o trabalho de aprendizagem pois o período é muito curto e todo o trabalho é centrado nos exames, sendo que os que alunos que tenham insucesso terão aulas de compensação e uma "Nova Oportunidade" cuja eficácia está, evidentemente, por provar.

Fecham-se as escolas aos alunos dos outros anos de escolaridade, obrigando os pais a aceitarem a excepcionalidade da situação sob pena de ficarem responsáveis por perturbar o que já nasceu perturbado.

Determina-se que os professores que avaliam os exames sejam dispensados das aulas mas que os seus alunos deverão tê-las, não sabendo boa parte das escolas como providenciar aulas sem professores disponíveis. A situação implica também que muitos alunos com necessidades educativas especiais fiquem estes dias sem os apoios habituais porque os seus professores são deslocados para o serviço de exames.

O Conselho de Escolas afirma que o MEC, negligenciando a realidade das escolas, decide de forma a lançar a perturbação nas escolas.

No entanto, como sempre, o Ministro da Educação virá dizer que tudo decorreu com a maior normalidade e que no quadro de autonomia(?) das escolas todas as situações estão e foram devidamente acauteladas.

Na verdade tem razão, já nos habituámos a esta normalidade, uma espécie de absurdidade.

Texto de Zé Morgado

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