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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dia Mundial de Braille


Hoje, 4/01/2011, comemora-se o Dia Mundial de Braille...Durante uma das minhas "viagens" encontrei este excelente resumo da história de Louis Braille:


"Louis Braille nasceu na pequena aldeia francesa de Coupvray, no distrito de Seine-et-Marne, a cerca de 45 km. de Paris, no dia 4 de Janeiro de 1809. O pai, homem de certo prestígio na região, era seleiro ou correeiro. Aos três anos, quando brincava na oficina de trabalho do pai, ao tentar perfurar um pedaço de couro com uma sovela, aproximou-a do rosto, acabando por ferir o olho esquerdo. A infecção produzida pelo acidente expandiu-se e atingiu o outro olho. O menino ficou completamente cego.

Contando com o amor e fiel apoio dos pais, Louis acostumou-se logo à nova situação. Com o auxílio de uma bengalinha, ia à escola, onde demonstrou em pouco tempo inteligência superior aos meninos da sua idade, pois decorava e recitava as lições que ouvia, espantando os professores com a sua inteligência brilhante.

Aos sete anos consegue ingressar na instituição de Valentin Haüy, um homem culto e de nobre coração, que, em 1784, fundara em Paris uma escola para instruir os cegos e prepará-los para a vida. Haüy, apologista das filosofias sensistas - defensoras de que tudo depende dos sentidos -, adapta o alfabeto vulgar, traçado em relevo, a fim de que as letras fossem perceptíveis pelos dedos dos destinatários.

Também, por essa época, Charles Barbier de la Serre, um capitão de artilharia, aperfeiçoava um código através de pontos, que podia ler-se com os dedos e que era usado para velar os segredos das mensagens militares e diplomáticas, a que chamou "escrita nocturna" ou "sonografia".

Um encontro com Teresa von Paradise, concertista cega, foi decisivo na sua vida. Teresa idealizara um engenhoso aparelho para ler e compor ao piano, que fascinou Braille. Aprendendo música com ela, tornou-se rapidamente organista e violoncelista. Aos quinze anos foi admitido como organista da Igreja de Santa Ana, em Paris.

Nessa altura seus pais já tinham morrido, assim como o seu grande amigo Haüy, director do Instituto que se transformara no seu lar. Como dedicasse grande parte do seu tempo à educação dos novos alunos, aceitaram-no como professor do Instituto.

Rapaz educado e agradável, era recebido nos melhores salões da época. E foi num desses salões que Braille conheceu Alphonse Thibaud, então conselheiro comercial do governo francês. No meio de uma conversa Thibaud perguntou-lhe porque não tentava criar um método que possibilitasse aos cegos não apenas ler, mas também escrever.

A princípio, Braille irritou-se com a sugestão, pois achava que a tarefa devia caber aos que viam e não a ele. Reconsiderando, começou a admitir a possibilidade de realizá-la, mesmo sendo cego.

Foi então que começou a trabalhar no código de Barbier. Após três anos, o jovem estudioso conseguiu o que queria: o sistema dos pontos em relevo representando letras. A ponta de uma sovela, o mesmo instrumento que lhe tirara a visão, passara a ser o seu instrumento de trabalho.

Geralmente, aponta-se 1825 como o momento em que o jovem aluno inventa o sistema (que mais tarde veio a ter o seu nome).

Todavia, apenas em 1829 publica a primeira edição do trabalho, intitulado "Processo para escrever as palavras, a música e o canto-chão, por meio de pontos, para uso dos cegos e dispostos para eles". Deu-lhe forma definitiva na segunda edição, vinda a lume em 1837.
Este sistema é constituído por seis pontos, em duas filas verticais de três, num total de 63 sinais.

Este processo de leitura e escrita através de pontos em relevo é usado, actualmente, em todo o mundo. Trata-se de um modelo de lógica, de simplicidade e de polivalência, que se adapta a todas as necessidades dos utilizadores, quer nas línguas e em toda a espécie de grafias, quer na música, matemática, física, etc.

Uma desilusão o aguardava: dificilmente o seu sistema seria aceite. O capital empregado pelas escolas nos enormes livros para cegos não permitia que lhes fossem deixados de lado de uma hora para a outra.

Braille, então com vinte anos, começou a ser procurado pelos alunos do Instituto que lhe pediam lições do novo sistema. Estas aulas tinham que ser realizadas às escondidas, mas serviriam - pensava ele - para difundir o método e provar a sua funcionalidade. Braille tentava, ao mesmo tempo, exibir o sistema nos lugares que frequentava. O máximo que conseguiu foi um ofício, no qual o governo francês agradecia a sua contribuição à Ciência.

De entre os alunos a quem ensinava música havia uma pequena cega, Teresa von Kleinert. O seu talento ao piano era extraordinário, o que animou Braille a ensinar-lhe o seu sistema de pontinhos. Em pouco tempo, Teresa tornou-se concertista de sucesso. Recebida com agrado nos salões da Europa, Teresa difundia, a cada apresentação, o sistema Braille e pela primeira vez os jornais falavam no seu nome, até então desconhecido. A 6 de Janeiro de 1852 Braille morreu, sem chegar a ver reconhecido o seu trabalho. Só dois anos após a sua morte o sistema foi reconhecido oficialmente na França, depois que Teresa se exibiu na Exposição Internacional de Paris. Ao piano, pôde mostrar ao mundo como é que um cego podia aprender a ler e a escrever. Isso tudo, graças a um sistema criado por outro cego."

ACAPO lança alerta no dia Mundial do Braille

Não estão a ser produzidos manuais escolares em Braille que respeitem o acordo ortográfico. A denúncia é da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), pois receia que os alunos com deficiência visual tenham de suportar mais esta desvantagem.

O Ministério da Educação definiu que a entrada das novas regras da língua portuguesa nas escolas vai ser feita no próximo ano lectivo, mas para já, ainda não estão a ser produzidos materiais em braille a pensar nos alunos com deficiência visual, revela Rodrigo Santos, da ACAPO.

“Corremos o risco de os alunos portugueses virem a ser ensinados com manuais e outro tipos de ajudas à aprendizagem que ainda estejam de acordo com este acordo”, lembra.

A associação responsabiliza as editoras, mas também o Ministério da Educação pelos atrasos, já que em 2012 as aulas vão ter em conta as novas regras ortográficas. Este é um dos assuntos que quer levar à tutela, numa audiência que os dirigentes da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal vão pedir em breve.

A denúncia surge no Dia Mundial do Braille, data que assinala o nascimento do francês Louis Braille, o inventor deste método de leitura e escrita para cegos.

In: Ajudas

Professores deviam aprender Braille

O Braille deve integrar os planos de estudo da formação de professores para ajudar a que os alunos cegos tenham acesso à leitura e escrita, defende a Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO).

«A educação de uma criança cega privada do Braille está comprometida. Seria o mesmo que tentar educar uma criança normovisual sem lhe ensinar a ler ou a escrever, substituindo a leitura e a escrita pela passagem de informações orais», compara o presidente da ACAPO, Carlos Lopes.

Em vésperas do Dia Mundial do Braille, que se assinala terça-feira, Carlos Lopes lembra que é fundamental que as escolas tenham recursos técnicos e humanos que possibilitem a utilização do Braille por parte de um aluno cego.

Por isso, defende que «as entidades de ensino superior responsáveis pela formação de docentes incorporem uma componente académica sobre o Braille».

Outro dos entraves ao direito pleno à educação e informação é a carência de obras literárias ou científicas transcritas para Braille.

Não há estimativas fiáveis da produção em Braille de livros em língua portuguesa, mas a ACAPO assegura que é «manifestamente reduzida». E quando acontece nunca é feita pelas editoras, mas por entidades que se dedicam a apoiar quem tem dificuldades visuais.
«Deve ser prestada especial atenção a todos os sectores que concorram para o total acesso à informação e, assim, garantir às pessoas cegas a igualdade de oportunidades», refere Carlos Lopes à Lusa.

O presidente da ACAPO lamenta ainda a ausência de dados sobre os portugueses que sabem Braille e considera crucial realizar um estudo de caracterização de sistema de leitura e escrita.

«A ACAPO considera de enorme relevância a realização de um estudo de caracterização da utilização do Braille por parte das pessoas cegas, que nos permitisse conhecer quem, como e quando utiliza o Braille, mas também qual a relação já posta em evidência por estudos internacionais, entre o ensino e a utilização do Braille e o sucesso escolar e profissional», refere o dirigente associativo.

Por: Lusa/ SOL