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terça-feira, 24 de novembro de 2015

OS DIREITOS DA CRIANÇA, A AGENDA POR CUMPRIR

No calendário das consciências está hoje registado que em 20 de Novembro de 1959 a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou a Declaração dos Direitos da Criança. É verdade que nestes 56 anos, pensando sobretudo na realidade portuguesa, muito evoluímos também no que respeita ao universo dos mais novos. No entanto, os Direitos da Criança continuam uma agenda por cumprir para muitos milhares por variadíssimas razões.

Cheguei há minutos de um evento alusivo, claro, organizado pela Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção de Crianças e Jovens para o qual recebi um gentil convite e a conclusão … continua por cumprir a Convenção tendo-se debatido sobretudo a participação e falta de voz de crianças e jovens.

Os ventos malinos que sopram e o enorme conjunto de dificuldades que atravessamos, ancorados num quadro de valores que tende a proteger mercados e interesses outros que conflituam com os interesses e bem-estar da maioria das pessoas vão criando exclusão, pobreza e negação de direitos. Aliás, é cada vez mais frequente a afirmação de que os direitos devem ser entendidos como sendo de geometria variável, ou seja, dependem da conjuntura económica pelo que os que menos têm também terão os seus direitos diminuídos.

Neste cenário, conforme os estudos e a experiência mostram, os mais novos constituem um grupo especialmente vulnerável.

Nesta vulnerabilidade existem três áreas em que me parece que os direitos estão particularmente ameaçados, as crianças e adolescentes em risco de maus tratos, abusos e negligência, a pobreza infantil e o direito à equidade nas oportunidades de acesso à educação de qualidade para todas as crianças, sublinho, TODAS as crianças.

De uma forma geral, os discursos e a retórica política sempre acentuam a importância destas matérias mas é preciso ir um pouco mais longe. Por exemplo, dotar as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens dos meios suficientes e qualificados para a detecção e acompanhamento eficaz dos casos de risco, ou caminhar no sentido de diminuir o número de crianças institucionalizadas e sem projecto de vida.

No que respeita aos risco de pobreza, as crianças são como que o elo mais fraco de uma sociedade com um fosso demasiado grande entre os mais ricos e os mais pobres, cerca de dois milhões em risco. As políticas sociais não podem deixar de entender como prioritário, sobretudo nos tempos que atravessamos, os apoios sérios e fiscalizados aos problemas das famílias que envolvem, necessariamente, os mais novos. É o seu futuro que está em causa.

No que respeita à educação, a equidade e a tentativa de que todos atinjam o patamar possível de sucesso educativo e qualificação é o grande desafio. Os discursos políticos nunca esquecem o grande desígnio da educação ou a paixão pela educação. Precisamos de caminhar de forma séria e não tentados pela sedução do sucesso estatístico, para a qualidade dos processo educativos que se traduz nos níveis de qualificação das pessoas (não da simples certificação), na diminuição das taxas de abandono e insucesso, enfim, na construção de projectos de vida viáveis e bem-sucedidos. Muitas crianças e adolescentes com necessidades especiais vêem atropelados os seus direitos a dimensões básicas da qualidade de vida, a educação, por exemplo.

Continuamos com uma agenda por cumprir em matéria de bem-estar dos mais novos.

Texto de Zé Morgado

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Crianças com deficiências fechadas em jaulas de instituição na Grécia

São alimentados através das grades, deitam-se em colchões forrados a plástico, vestem macacões de ganga. Lechaina fica na Europa e os responsáveis usam a crise para justificar a desumanidade.

São 65 pessoas, crianças e adultos. Têm graus de deficiência vários, problemas como autismo ou síndrome de Down. Vivem todos no mesmo edifício nos confins do Sul da Grécia, numa pequena aldeia. São tratados por seis funcionários. Os que têm alguma autonomia passam os dias numa sala, e à noite recolhem-se em camas gradeadas, como jaulas. Os outros passam todos os dias, todo o dia, dentro de jaulas. São alimentados através das grades, dormem num colchão de plástico, tomam banhos raros e apressados.

“Tudo é feito para que sobrevivam, sem se magoarem e sem dar o mínimo de chatice”, comenta Catarina Neves, uma psicóloga portuguesa que fez voluntariado no centro de Lechaina em 2008.

Nessa altura, um grupo de dez voluntários internacionais, que estiveram no local através do serviço de voluntariado europeu, fizeram uma campanha para chamar a atenção para o que se passava no centro. Fizeram queixas a todas as entidades que conseguiram, escreveram um blogue. O primeiro efeito prático foi que o centro deixou de receber voluntários.

Entretanto, o provedor das crianças grego criticou as condições do centro e disse que contrariavam os direitos humanos básicos. A responsabilidade anda a mudar do Ministério da Saúde, que foi quem respondeu pelo centro em 2011, na altura deste relatório, e o Ministério dos Serviços Sociais, que é quem é hoje apontado como responsável.

Nestes cinco anos, houve duas mudanças, aponta uma reportagem da semana passada da BBC: as barras de madeira das jaulas foram pintadas de cores mais alegres, E há duas meninas que vão à escola. De resto, continua tudo na mesma.

Catarina descreve: o edifício tem três pisos. No primeiro estão os residentes que têm alguma autonomia; são entre 20 e 30 e passam o dia numa sala, juntos, embora sem qualquer tipo de distracção ou actividade. À noite são metidos nas suas jaulas. Os restantes estão divididos nos outros dois pisos, e estão sempre dentro das suas jaulas, excepto quando passam uma meia hora cá fora com um dos funcionários, o que acontece cerca de duas vezes por semana.

Abandonados
São alimentados com colheradas através das grades (porque se os funcionários entram dentro da jaula para os alimentar podem-se sujar com a comida, e têm de ir lavar a roupa de seguida, lembra Catarina). Recebem dois sumos por dia. “Tentámos que lhes dessem água, mas responderam que não havia copos suficientes e que eles não podiam beber todos do mesmo copo”, comenta Catarina.

Deitam-se em colchões forrados a plástico – não há lençóis porque um dos residentes morreu ao comer tecido, são vestidos com macacões de ganga com um fecho atrás, para que não possam tirar bocados. A casa de banho são as fraldas, que os poucos funcionários mudam.

Quem lá vive foi abandonado. Durante os oito meses em que esteve no centro, Catarina viu apenas uma visita: um pai que foi ver um filho. “Disseram-me que vai lá duas vezes por ano.”

Catarina Neves conta como inicialmente ficou chocada com a atitude de quem trabalha neste centro, tratando tudo como normal. Mas ao sair não conseguiu “apontar o dedo a ninguém”. São seis funcionários para 70 pessoas. Os directores rodam – a actual já não é a que Catarina conheceu. Vítima dos cortes, a actual directora, Gona Tsoukala, não recebe salário há um ano. Explica à BBC: "Obviamente não devíamos ter as jaulas mas é impossível não as ter com tão pouco pessoal no centro”.

Mas Catarina não culpa a crise pela situação que se vive no centro. “Penso que o problema é sobretudo cultural”, diz. “Porque há residentes que tomam 30 comprimidos por dia para estarem calmos, e os comprimidos são caros”, argumenta. E na Grécia há um problema com a aceitação de pessoas com deficiência. “Há casos ali em que os pais e os funcionários das maternidades disseram às mães que os filhos morreram e deixaram-nos aqui.”

Chamar a atenção
Apesar de longe da Grécia, Catarina continua ainda a fazer campanha e a divulgar a situação dos residentes neste centro. “Sei que para mudar era preciso muito, mas gostava que pelo menos não continuassem a mandar pessoas para lá. Há pessoas a viver neste sítio há 20 anos.” E “há lá pessoas que poderiam ter a possibilidade de ter uma vida diferente”.

A maioria dos que estão dados como incapazes não têm limitações físicas. Poderiam fazer uma vida muito mais activa se tivessem alguns cuidados. O facto de não saírem, não terem estímulos, é que os deixa naquele estado. “Em Espanha há pessoas com síndrome de Down a estudar.”

Para Catarina Neves, o mais importante era assegurar que quem trabalha no centro tem formação para lidar com pessoas com deficiência, já que os que lá trabalham hoje não têm, e não querem trabalhar ali. Isso seria o início para, pelo menos, mudar o foco da mera sobrevivência das pessoas com o mínimo de problemas para os funcionários.

Mas a questão só fica sob os holofotes uns instantes, para depois desaparecer. Foi assim em 2008, em 2011, e agora, com a reportagem da BBC, uma crítica da Human Rights Watch e uma petição. “No início tínhamos dez antigos voluntários activos” a fazer campanha pela melhoria das condições no centro. “Agora somos duas.”

In: Público

domingo, 23 de novembro de 2014

OS DIREITOS DA CRIANÇA, A AGENDA POR CUMPRIR

No calendário das consciências está hoje registado que em 20 de Novembro de 1959 a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou a Declaração dos Direitos da Criança. É verdade que nestes 55 anos, pensando sobretudo na realidade portuguesa, muito evoluímos também no que respeita ao universo dos mais novos. No entanto, os Direitos da Criança continuam uma agenda por cumprir para muitos milhares por variadíssimas razões.

Os ventos malinos que sopram e o enorme conjunto de dificuldades que atravessamos, ancorados num quadro de valores que tende a proteger mercados e interesses outros que conflituam com os interesses e bem-estar da maioria das pessoas vão criando exclusão, pobreza e negação de direitos. Aliás, é cada vez mais frequente a afirmação de que os direitos devem ser entendidos como sendo de geometria variável, ou seja, dependem da conjuntura económica pelo que os que menos têm também terão os seus direitos diminuídos.

Neste cenário, conforme os estudos e a experiência mostram, os mais novos constituem um grupo especialmente vulnerável.

Nesta vulnerabilidade existem três áreas em que me parece que os direitos estão particularmente ameaçados, as crianças e adolescentes em risco de maus tratos, abusos e negligência, a pobreza infantil e o direito à equidade nas oportunidades de acesso à educação de qualidade.

De uma forma geral, os discursos e a retórica política sempre acentuam a importância destas matérias mas é preciso ir um pouco mais longe. Por exemplo, dotar as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens dos meios suficientes e qualificados para a detecção e acompanhamento eficaz dos casos de risco, ou caminhar no sentido de diminuir o número de crianças institucionalizadas e sem projecto de vida.

No que respeita aos risco de pobreza, as crianças são como que o elo mais fraco de uma sociedade com um fosso demasiado grande entre os mais ricos e os mais pobres, cerca de dois milhões em risco. As políticas sociais não podem deixar de entender como prioritário, sobretudo nos tempos que atravessamos, os apoios sérios e fiscalizados aos problemas das famílias que envolvem, necessariamente, os mais novos. É o seu futuro que está em causa.

No que respeita à educação, a equidade e a tentativa de que todos atinjam o patamar possível de sucesso educativo e qualificação é o grande desafio. Os discursos políticos nunca esquecem o grande desígnio da educação ou a paixão pela educação. Precisamos de caminhar de forma séria e não tentados pela sedução do sucesso estatístico, para a qualidade dos processo educativos que se traduz nos níveis de qualificação das pessoas (não da simples certificação), na diminuição das taxas de abandono e insucesso, enfim, na construção de projectos de vida viáveis e bem sucedidos. Muitas crianças e adolescentes com necessidades especiais vêem atropelados os seus direitos a dimensões básicas da qualidade de vida, a educação, por exemplo.

Continuamos com uma agenda por cumprir em matéria de bem-estar dos mais novos.

Texto de Zé Morgado

quarta-feira, 7 de julho de 2010

“Os Direitos da Criança” por Matilde Rosa Araújo

A Criança,

Toda a criança.

Seja de que raça for,

Seja negra, branca, vermelha, amarela,

Seja rapariga ou rapaz.

Fale que língua falar,

Acredite no que acreditar,

Pense o que pensar,

Tenha nascido seja onde for,

Ela tem direito…


… A ser para o homem a

Razão primeira da sua luta.

O homem vai proteger a criança

Com leis, ternura, cuidados

Que a tornem livre, feliz,

Pois só é livre, feliz

Quem pode deixar crescer

Um corpo são,

Quem pode deixar descobrir

Livremente

O coração

E o pensamento.

Este nascer e crescer e viver assim

Chama-se dignidade.

E em dignidade vamos

Querer que a criança

Nasça,

Cresça,

Viva…


…E a criança nasce

E deve ter um nome

Que seja o sinal dessa dignidade.

Ao Sol chamamos Sol

E à vida chamamos Vida.

Uma criança terá o seu nome também.

E ela nasce numa terra determinada

Que a deve proteger.

Chamemos-lhe Pátria a essa terra,

Chamemos-lhe antes Mundo…


…E nesse Mundo ela vai crescer.

Já sua mãe teve o direito

A toda a assistência que assegura um nascer perfeito.

E, depois, a criança nascida,

Depois da hora radial do parto,

A criança deverá receber

Amor,

Alimentação,

Casa,

Cuidados médicos,

O amor sereno de mãe e pai.

Ela vai poder

Rir,

Brincar,

Crescer,

Aprender a ser feliz…


…Mas há crianças que nascem imperfeitas

E tudo devemos fazer para que isto não aconteça.

Vamos dar a essas crianças um amor maior ainda.


E a criança nasceu

E vai desabrochar como

Uma flor,

Uma árvore,

Um pássaro,


E

Uma flor,

Uma árvore

Um pássaro

Precisam de amor – a seiva da terra, a luz do Sol.

De quanto amor a criança não precisará?

De quanta segurança?

Os pais e todo o Mundo que rodeia a criança

Vão participar na aventura

De uma vida que nasceu.

Maravilhosa aventura!

Mas se a criança não tem família?

Ela tê-la-á, sempre: numa sociedade justa

Todos serão sua família.

Nunca mais haverá uma criança só,

Infância nunca será solidão.


E a criança vai aprender a crescer.

Todos temos de a ajudar!

Todos!

Os pais, a escola, todos nós!

E vamos ajudá-la a descobrir-se a si própria

E os outros.

Descobrir o seu mundo,

A sua força,

O seu amor,

Ela vai aprender a viver

Com ela própria

E com os outros:

Ela vai aprender a fraternidade,

A fazer fraternidade.

Isto chama-se educar:

Saber isto é aprender a ensinar.


Em situação de perigo

A criança, mais do que nunca,

Está sempre em primeiro lugar…

Será o sol que não se apaga

Com o nosso medo,

Com a nossa indiferença:

A criança apaga, por si só,

Medo e indiferença das nossas frontes…


A criança é um mundo

Precioso

Raro.

Que ninguém a roube,

A negoceie,

A explore

Sob qualquer pretexto.

Que ninguém se aproveite

Do trabalho da criança

Para seu próprio proveito.

São livres e frágeis as suas mãos,

Hoje:

Se as não magoarmos

Elas poderão continuar

Livres

E ser a força do Mundo

Mesmo que frágeis continuem…


A criança deve ser respeitada

Em suma,

Na dignidade do seu nascer,

Do seu crescer,

Do seu viver.

Quem amar verdadeiramente a criança

Não poderá deixar de ser fraterno:

Uma criança não conhece fronteiras,

Nem raças,

Nem classes sociais:

Ela é o sinal mais vivo do amor,

Embora, por vezes, nos possa parecer cruel.

Frágil e forte, ao mesmo tempo,

Ela é sempre a mão da própria vida

Que se nos estende,

Nos segura

E nos diz:

Sê digno de viver!

Olha em frente!

« Os Direitos da Criança », de Matilde Rosa Araújo,

In As Crianças, Todas as Crianças

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Criança que calou o Mundo!

Para aqueles que dizem que as crianças não sabem nada, que não aprendem...Observem esta menina Canadense de 13 anos que cala uma Conferência Mundial com discurso sobre a vida!


Todo o seu discurso impressionou-me...mas as últimas frases são de uma sabedoria tal, que muitos Professores e Políticos deviam ouvi-las vezes sem conta..."Na escola, desde do Jardim-de-Infância vocês ensinaram-nos a  sermos bem-comportados. A não lutar com os outros. A resolver as coisas a bem. Respeitar os outros. Tratar dos nossos problemas. Não tratar mal outros seres. Dividir e não ser egoísta. Então porque fazem vocês justamente o que nos ensinaram a não fazer?...Eu desafio-vos. Por favor, façam com que as vossas acções sejam o "espelho" das vossas palavras."

Como já devem ter dado conta, traduzi aquilo que ouvi e vi...Penso que é escusado mais palavras...Sempre ouvi dizer que não faças aos outros o que não queres que te façam a ti...Pois bem Senhores e Senhoras Professoras...Senhores e Senhoras da Política vejam e revejam este filme...Aprendam e Modifiquem para bem de TODOS!!!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Direitos das Crianças: É preciso apostar na prevenção

As crianças devem estar alerta para eventuais abusos e desrespeito dos seus direitos. O alerta é lançado pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC), no dia em que vai ser apresentada a Plataforma dos Direitos da Criança.

Dulce Rocha, presidente executiva do IAC, defende que é necessário promover políticas de prevenção para a protecção dos direitos das crianças.

Esta responsável falava a propósito da apresentação, hoje, da Plataforma dos Direitos da Criança, criada em 20 de Novembro do ano passado, data que assinala os 50 anos da Declaração dos Direitos da Criança e os 20 anos da Convenção sobre os Direitos dos Menores.

Na sua opinião, alertar é importante porque as violações dos direitos das crianças são uma constante e Portugal não escapa há regra.

Daí a importância deste projecto pioneiro que foi lançado há cinco meses e, que se prolonga até Novembro deste ano, com várias actividades conjuntas destinadas a sensibilizar os mais pequenos para o tema.

Tratou-se de uma ideia conjunta das várias associações que fazem parte desta plataforma, como o IAC, a Associação de Apoio à Vítima e a Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens e Risco.

Por: Rádio Renascença