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domingo, 10 de abril de 2016

O mito da formação de professores

Não são os professores os únicos agentes de modificação dos sistemas educativos.

Antes de mais, devo fazer um registo de interesses: a grande maioria da minha vida profissional foi a dinamizar, realizar e investigar sobre a importância da formação de professores. Não sou um arrependido, mas pretendo, tão- -só, com esta reflexão, partilhar algumas ideias que penso que aprendi com este interesse e prática que exerço há muitas dezenas de anos.

Não é razoável pôr em causa a importância da formação de professores. A escola é a porta da entrada de culturas novas, de formas de ver e de ler o mundo muito distintas. É uma importante porta de entrada da inovação porque, por esta porta, entram serem humanos que, apesar de jovens, são já portadores de formas próprias de ver o mundo e são atores particularmente porosos e permeáveis ao mundo que os rodeia. Uma escola que tem permanentemente aberta a porta para esta juventude não pode ser conservadora. E aqui um primeiro argumento: precisamos de formação de professores para que eles lidem (gosto deste verbo dinâmico “lidar”) com pessoas que querem aprender, que querem desenvolver-se, mas de forma diferente do que as gerações anteriores o fizeram. Os professores, sem este acompanhamento formativo, ficariam certamente mais pobres na sua reflexão, nos seus valores e mesmo no seu trabalho pedagógico. Poder-se-ia perguntar qual a classe profissional que no momento atual pode passar sem ter uma proximidade com momentos de desenvolvimento profissional? 

A formação de professores — e agora refiro-me sobretudo à formação que é feita “em serviço”, isto é, quando os professores já se encontram em exercício profissional — é, pois, uma condição indispensável para que possam ter espaço para repensar e melhorar os seus valores e as suas práticas.

O reconhecimento da imprescindível importância da formação de professores tem, no entanto, conduzido a exageros que, de tanto incensar a formação, acabam por a tornar inatingível. Quando são equacionadas as mudanças que são necessárias no sistema educativo, logo à cabeça aparece a formação de professores. Ora, este realce, que parece benigno e positivo, pode afinal não ser tão benigno e consensual como originalmente se apresenta. Por três razões principais:

Em primeiro lugar considerar que a formação de professores é a alavanca fundamental da inovação coloca o ónus do conservadorismo nos professores: tudo estaria melhor, se os professores fossem mais bem formados. Todos os outros fatores que constituem uma intrincada e sólida rede de interesses que afeta a Educação (legislação, organização das escolas, currículos, encarregados de educação, famílias, comunidades, etc.), todos estes fatores são relegados para um segundo plano. Escolher a formação de professores como o elemento fundamental de mudança conduz à desvalorização de outros fatores que são, pelo menos, tão importantes quanto a formação. Este pensamento convida ainda a pensar que os professores (isto é, a sua falta de formação) são o verdadeiro problema da Educação. É inevitável citar em abono desta perspetiva o recente estudo publicado pelo Conselho Nacional de Educação sobre a dimensão das turmas e em que se sugere que a dimensão da turma pode ou não ser um problema em função da atuação do professor. Aqui temos, de novo, a ideia de que o professor e a sua formação são por si mesmo capazes de reverter fatores educativos adversos.

Uma segunda reflexão chama-nos a atenção para a insuficiência da formação de professores, se não forem criados contextos em que essa formação possa florescer e tornar-se útil. Um exemplo: já tive alunos de cursos de formação de professores que se mostraram brilhantes não só ao nível dos conhecimentos, mas também de uma perspetiva lúcida e clara do que é a sua missão na escola. Já aconteceu que, tendo encontrado estes alunos algum tempo depois de terem iniciado a sua prática profissional, fico muito dececionado com o conformismo e conservadorismo que eles evidenciam. A formação de que estes professores usufruíram esvaiu-se em ambientes escolares tradicionais, hierárquicos e temerosos de fazer algo que não seja “apropriado”. Assim, a formação de professores é um pobre e frágil argumento de mudança em estruturas escolares poderosas e conservadoras.

Por fim, falar de formação de professores sem apontar como ela deve ser feita é muito vago e muito “teórico” (no sentido pejorativo do termo). Hoje temos de perguntar qual é a formação que pode efetivamente fazer diferença. Muito recentemente o Brasil, através do seu Conselho Nacional de Educação, instituiu uma “residência” obrigatória de 1600 horas para estudantes que se querem tornar professores. Esta “imersão” em contextos reais parece uma medida que procura responder à necessidade de realizar uma formação de professores bem apoiada no conhecimento dos alunos, do ensino, das matérias e das sociedades. Escrever e defender simplesmente que é preciso mais formação para os professores é como dizer que é preciso tomar medicamentos. Mas quais medicamentos?

Temos muito conhecimento proveniente da investigação e de situações empíricas produzido sobre a formação de professores. Precisamos em Portugal -— e urgentemente — de melhorar os programas e os processos que conduzem à formação de professores. Mas não nos iludamos: os professores não são o problema — eles são é a solução do problema da inovação, da reforma dos sistemas educativos. 

Diz-se que nenhum sistema educativo é melhor do que os seus professores, mas não são eles os únicos agentes de modificação dos sistemas educativos. Se não soubermos disto, vamos continuar a dizer que “tudo depende da formação dos professores”. E é errado.

Por: David Rodrigues

Presidente da Pró-Inclusão / Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, Conselheiro Nacional de Educação

In: Público

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Professores recebem formação para identificar perturbações psiquiátricas nos jovens

Cerca de 1.500 professores vão receber formação para saberem identificar a diferença entre um comportamento desafiador, mas que é “normal”, e atitudes que podem esconder uma perturbação psiquiátrica nas crianças e adolescentes.

De acordo com a Aliança Europeia contra a Depressão em Portugal (Eutimia), o programa WhySchool vai abranger 16 agrupamentos de escolas, contando com o apoio dos centros de formação de professores e das autarquias.

O objetivo da formação dos professores é “melhorar a literacia e as aptidões na gestão dos problemas de saúde mental, em particular na identificação de casos, triagem, referenciação e apoio aos casos em risco”.

Ao todo, serão beneficiados cerca de 100 mil estudantes, entre os 12 e os 18 anos, assim como os respetivos pais e encarregados de educação.

A formação visa “melhorar o acesso dos jovens aos cuidados de saúde mental, já que atualmente apenas 10 a 15 por cento das crianças e adolescentes com problemas de saúde mental recebe ajuda”, lê-se no comunicado da Eutimia.

Para tal, será disponibilizada uma plataforma de e-learning com conteúdos educativos na área da saúde mental dos adolescentes e depressão, dirigidos a professores e educadores e um website para os jovens e encarregados de educação, que serão utilizados pelos professores na sala de aula.

Uma campanha nacional de sensibilização para o bulling e o ciberbulling está igualmente prevista.

Este projeto, financiado pelo programa Iniciativas em Saúde Pública/EEA Grants, que em Portugal é operado pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), conta com o apoio dos especialistas internacionais em saúde mental e suicídio na adolescência Lars Mehlum e Stan Kutcher.

Estes especialistas vão participar na conferência “Prevenção do Suicídio: Responsabilidade Partilhada”, que se realiza quinta-feira, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, em Beja.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

FORMAÇÃO DE PROFESSORES E EDUCAÇÃO INCLUSIVA


No trabalho apresentado, entre outros aspectos, releva a evidência de assimetrias e fragilidades significativas na formação dos docentes no que se refere à educação inclusiva e à resposta em sala de aula aos alunos com necessidades educativas especiais.

Para quem acompanha de mais perto esta realidade a constatação não é surpreendente. Aliás, o Conselho Nacional de Educação em 2014 chamava a atenção para a qualidade da formação dos professores de educação especial.

Creio que gostamos todos de acreditar e sentir que que existe um lado do trabalho do professor que decorre da “vocação”, do “jeito” do “gostar muito de crianças” ou qualquer outro atributo da mesma natureza e com a designação que lhe queiram dar. Assim será.

No entanto, aproveitando a afirmação conhecida de Bethelheim “L’amour ne suffit pas”, ou seja, é fundamental que se aceda à preparação adequada para a função.

Na verdade, o trabalho de várias décadas neste universo têm permitido constar justamente as fragilidades da formação de muitos professores, do ensino regular e da designada educação especial” para, primeiro, proceder à avaliação adequada e rigorosa das dificuldades dos alunos, condição imprescindível a uma intervenção mais eficaz e, segundo, planear, definir metodologias e actividades que promovam essa eficácia.

E isto aplica-se a docentes do ensino regular como também a professores de educação especial que muitas vezes face às crianças sentem as mesmas dificuldades impedindo que alguém ajude efectivamente outro alguém e, finalmente, o aluno.

O empenho, a vontade de fazer bem e ajudar mesmo em circunstância difíceis criadas por falta de recursos e orientações e políticas erradas, não chegam para assegurar o direito de crianças e jovens a uma educação de qualidade e junto dos seus colegas da mesma idade.

Cito com frequência uma afirmação de 2000 do Council for Exceptional Children, "o factor individual mais contributivo para a qualidade da educação é a existência de um professor qualificado e empenhado".

Não desconhecendo o quadro existente no ensino superior no que respeita à autonomia sei também que deveríamos ter dispositivos mais eficazes de formação de professores, do ensino regular e “especializados” neste domínio, educação inclusiva.

Seria necessário reflectir, por exemplo, sobre as funções e perfis ajustados a essas funções que se atribuem aos professores nesta área e, a partir desses perfis, definir a formação adequada.

Sei também que os tempos não vão favoráveis à educação inclusiva que tem, justamente, como ferramenta operacional mais importante a diferenciação no trabalho educativo e nos percursos dos alunos de forma a acomodar as suas diferenças ou necessidades. Os tempos vão em sentido contrário, vão no sentido da normalização, da febre da medida, que exclui a diferença.

Também por isto a formação dos professores é tão importante.

Texto de Zé Morgado

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Formação Acreditada Gratuita - Ciclo de Palestras "Formação em contexto de trabalho: Reflexões e debate"

Visando a apropriação de conhecimentos e o desenvolvimento de competências relevantes para o exercício da atividade profissional dos alunos, realizando transições entre ciclos de ensino, bem como entre a Escola e o mundo do trabalho, a Formação em Contexto de Trabalho (FCT) tem conduzido a uma preocupação constante no sentido de dar cumprimento aos seus objetivos, o que tem suscitado algumas dificuldades, como o não reconhecimento e valorização da FCT pela Escola e pela sociedade.

É em contexto de reflexibilidade crítica que o Centro de Formação de Escolas António Sérgio, sito em Lisboa, organiza o ciclo de Palestras "Formação em Contexto de Trabalho: Reflexões e Debate", a decorrer nos dias 1, 15 e 29 de novembro, entre as 8:30 e as 13:30, no auditório da Escola Sede deste centro - Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa. Pretende-se ser um fórum transdisciplinar, onde participam alunos, especialistas, investigadores, empresários, professores, psicólogos e outros agentes educativos e sociais, dando voz aos diferentes intervenientes nos processos de FCT, contribuindo para uma melhor inclusão escolar e social dos alunos.

Este ciclo de palestras está acreditado pelo CCPFC para efeitos da progressão da carreira docente com 0,6 créditos, bem como pela DGAE para Psicólogos Escolares. 

A entrada é gratuita, sujeita a inscrição e á lotação da sala, devendo inscrever-se no seguinte link:


Para mais informações, por favor contacte-nos para o seguinte email palestrasfct2015@gmail.comou no site do Centro de Formação de Escolas António Sérgio 


Siga-nos no Siga-nos no Facebook 


P'la Organização,

Joaquim Melro (Diretor do Centro de Formação de Escolas António Sérgio)


Fernanda Bento (Psicóloga e Colaboradora do Centro de Formação de Escolas António Sérgio)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

NECESSIDADES DE FORMAÇÃO NA ÁREA DAS NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS

"OCDE Um quarto dos professores quer mais formação em educação especial"

Voltando ao Relatório TALIS (Teaching and Learning International Survey) de 2013, produzido pela OCDE, agora conhecido, retomo um aspecto que me parece interessante. Sem surpresa, a área em que os professores expressam maior necessidade de formação remete para o trabalho com alunos com necessidades educativas especiais, a média é de 22. 3% de professores que a identificam como a mais importante, sendo que entre os docentes português é de 26.%, veja-se a pg 347 do Relatório.

Também aqui nada de novo, é reconhecida a necessidade de formação adequada e de qualidade nesta área, como o Conselho Nacional de Educação e o Grupo de Trabalho do MEC para revisão da legislação na educação especial sublinharam em Relatórios recentes.

Sobre estas questões, coloca-se-me uma dúvida face ao que tem sido e parece ser a política educativa em curso.

No sentido de promover a capacidade de professores e escolas acomodarem adequadamente as diferenças entre os alunos e responderem às suas necessidades, numa perspectiva de educação inclusiva, as necessidades de formação dos docentes neste âmbito são óbvias.

Acontece que, do meu ponto de vista, vários aspectos da política educativa em curso e anunciada podem tornar dispensável esta necessidade.

Se atentarmos no facto de que através de sucessivos exames promovermos uma selecção rigorosa dos alunos sendo que os menos bem sucedidos serão encaminhados para o ensino vocacional e os alunos com necessidades educativas especiais poderão retomar um caminho de aproximação às instituições acontecerá que as necessidades de formação para lidar com estes alunos que colocam mais dificuldades se atenuarão significativamente, eles não estarão nas salas de aula, junto dos seus colegas, como seria legítimo e de direito acontecer, tanto quanto possível.

No entanto, para não ser demasiado pessimista e como diz o Velho Marrafa lá no Alentejo, deixe lá ver. 


Por: Texto de Zé Morgado

terça-feira, 10 de junho de 2014

Falta qualidade na formação de docentes do ensino especial, diz David Justino

Um dos problemas na educação especial, referiu David Justino, é a transferência de docentes do ensino regular, que não têm a devida especialização para acompanhar estes casos, questionando ainda a sua real motivação

O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) defendeu hoje que a educação especial tem “um problema que tem de ser enfrentado”, que é a qualidade da formação inicial e da formação contínua dos professores, que acompanham estes alunos.

“O problema começa na formação inicial. Quando se desenvolvem instrumentos de identificação de necessidades especiais altamente complexos isso vai exigir de quem participa nesses processos competências acrescidas”, defendeu David Justino, presidente do CNE e ex-ministro da Educação.

O presidente do CNE – órgão consultivo do Ministério da Educação e Ciência (MEC) – falava hoje em conferência de imprensa, em Lisboa, a propósito dos pareceres e recomendações hoje divulgados pelo Conselho, um dos quais relativo a Políticas Públicas de Educação Especial.

No parecer, os conselheiros do CNE sublinham que já anteriormente tinham alertado para a qualidade da formação especializada dos docentes da educação especial como “uma fragilidade”, alertando que esta “não tem registado melhorias significativas”.

“A profusão de cursos de educação especial, com qualidade diversa e, por vezes, duvidosa, sem qualquer regulação por parte da tutela, tem permitido o acesso ao sistema educativo de docentes que não estão preparados para intervir junto de crianças e jovens com NEE [Necessidades Educativas Especiais] e que não dispõem do perfil necessário para esta missão”, lê-se no parecer.

Muitas especializações feitas a partir de pós-graduações apresentam uma falta de qualidade que compromete as competências dos docentes de educação especial, referiu David Justino, que não tem casos identificados, mas apenas uma perceção do que foi afirmado no processo de consultas e auscultações realizado pelo CNE, para elaborar este parecer.

Um dos problemas na educação especial, referiu David Justino, é a transferência de docentes do ensino regular, que não têm a devida especialização para acompanhar estes casos, questionando ainda a sua real motivação.

“Em alguns casos, a apresentação a concurso em educação especial não decorre da escolha intencional de um percurso profissional, mas antes da possibilidade de obtenção de emprego ou de aproximação à residência, uma vez que os grupos de recrutamento de educação especial possibilitam maior facilidade na colocação de docentes”, afirma-se no parecer.

Por tudo isto, os conselheiros recomendam o desenvolvimento de “processos urgentes e rigorosos de regulação dos cursos de formação especializada […], com particular incidência na sua qualidade científica e na componente de prática pedagógica”.

Recomenda-se ainda que na formação inicial de professores se trabalhe a adaptação de currículos a alunos com NEE, e que na formação contínua de professores, técnicos e pessoal não docente se desenvolva, “com urgência”, um plano de formação “no âmbito da sensibilização aos princípios de uma escola inclusiva”.

In: I online

terça-feira, 29 de abril de 2014

Formação de Professores de Educação Especial

A Formação de Professores de Educação Especial é, reconhecidamente, um fator fundamental para a melhoria de qualidade educativa que é proporcionada a alunos que evidenciam dificuldades na aprendizagem. São conhecidas algumas das condições que tornam esta formação mais útil e mais eficaz para apetrechar os formandos com instrumentos, atitudes e metodologias de intervenção. Sabemos, entre outros aspetos, que é imprescindível um período de contacto reflexivo com realidades análogas às que se poderão encontrar na vida profissional. Sabemos ainda que, para uma vida profissional em que é indispensável o trabalho de equipa, a formação deve também contemplar experiências de cooperação e de trabalho em grupo. 

A presente situação da formação de Professores de Educação Especial é particularmente preocupante dado que muitos dos pressupostos que consideramos essenciais e fatores de qualidade são menosprezados ou estão mesmo ausentes de muitos dos cursos de formação. 

Apontamos três lacunas graves: 

Existem cursos conducentes a uma especialização em Educação Especial em que a esmagadora carga horária é dada “on line” e por “e-learning”. As oportunidades de interação e de análise de situações de cooperação entre profissionais estão completamente ausentes. 

Existem cursos conducentes a uma especialização que não contemplam prática supervisionada ou mesmo observação e análise de contextos de intervenção. Referimo-nos, obviamente, a uma componente que seja considerada academicamente séria e não a “visitas de estudo”. 

Desenvolveu-se um mercado de cursos de especialização que oferecem por vezes em três meses uma especialização e, num pouco mais de tempo, duas especializações. 

A formação em Educação Especial deve implicar um elevado grau de qualidade antes de mais porque se trata de uma formação para pessoas que já são professores e, em segundo lugar, porque estes formandos devem contribuir para a resolução de problemas complexos de aprendizagem que necessitam de uma intervenção mais cuidada. 

Assim: 

A Pró – Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial apela ao Ministério da Educação para que seja rapidamente feito um relatório sobre a oferta de formação em EE. É imprescindível também que seja exercido um controlo estrito (nomeadamente através da A3ES) sobre os cursos que frequentemente não cumprem “o que está no papel”. 

É importante que se volte a discutir os contornos desta formação, nomeadamente a necessidade de prática pedagógica prévia à frequência da especialização em Educação Especial, a obrigatoriedade de prática supervisionada e uma análise dos currículos e do corpo docente de forma a assegurar a qualidade nesta formação. 

Por: A Direção da PRÓ– INCLUSÃO - Associação Nacional de Docentes de Educação Especial

In: Editorial da Newsletter nº 71 da Pró-Inclusão: Associação Nacional de Docentes de Educação Especial

sexta-feira, 21 de março de 2014

Mestrados mais longos para quem quer ser professor

Novas habilitações para a docência e vinculação de 2000 professores aprovadas em Conselho de Ministros.

O Conselho de Ministros aprovou nesta quinta-feira o diploma que estabelece as novas habilitações que serão exigidas a quem quer dar aulas. O objectivo do Governo é aumentar a “exigência” e o “rigor” na formação dos docentes que saem das universidades e politécnicos para as escolas básicas e secundárias. Uma das novidades destacadas pelo ministro da Educação, Nuno Crato, é o aumento da duração dos ciclos de estudos dos cursos que formam professores.

Em conferência de imprensa, o ministro da Educação explicou que o novo regime de habilitações para a docência estará em vigor em 2015/2016. “As escolas [superiores] têm tempo para se prepararem, para reajustarem currículos e professores”, disse Nuno Crato.

Os novos ciclos de estudos precisarão de ser acreditados para começarem a funcionar, disse ainda o ministro.

Alberto Amaral, que dirige a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, tinha levantado dúvidas, no final do ano passado, de que fosse viável, num curto lapso de tempo, acreditar tantos cursos (“cento e muitos”). Mas na tarde desta quinta-feira, contactado pelo PÚBLICO, fez saber que houve “uma alteração importante” no diploma aprovado esta quinta-feira e que é a de dar mais um ano para que esse processo se realize. “Inicialmente era para ser até Outubro de 2014.”

O novo regime de habilitações determina que os mestrados em Educação Pré-Escolar e em Ensino do 1.º Ciclo passam de dois para três semestres. E o mestrado conjunto em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo passa de três para quatro semestres.

Para além disso, a duração dos restantes mestrados, que poderiam ter entre três e quatro semestres, é fixada em quatro semestres.

O ministério diz, em comunicado, que “as alterações introduzidas têm por objectivo reforçar a qualificação dos educadores e professores nas áreas da docência, das didácticas específicas e da iniciação à prática profissional”.

Desdobra-se ainda o mestrado em Ensino do 1.º e do 2.º Ciclo do Ensino Básico (separando a formação de docentes do 2.º ciclo de Português, História e Geografia de Portugal da formação de docentes do 2.º ciclo em Matemática e Ciências Naturais) e o mestrado em Ensino da História e da Geografia no 3.º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário (ajustando-o às licenciaturas existentes — História e Geografia separadas).

A todos os que pretendam ingressar num curso de professores do ensino básico passará a ser exigido que tenham feito exame, no 12.º ano, a Português e Matemática, lembrou ainda o ministro que sublinhou outras medidas já adoptadas para melhorar a preparação dos futuros professores, nomeadamente a regulamentação da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades para a admissão aos concursos de selecção e recrutamento de pessoal docente.

Crato sublinhou que este foi um diploma bastante debatido com reitores, representantes de politécnicos, do ensino superior privado e do Conselho Nacional de Educação (CNE), entre outros. Aliás, o CNE pronunciou-se, num parecer divulgado esta semana pela Lusa, dizendo que as propostas do ministério tinham vários pontos positivos, como a eliminação dos mestrados sem correspondência nos grupos de recrutamento para a docência — torna-se “mais clara a relação entre a oferta e a procura”.

Regras para vinculação extraordinária
Nuno Crato disse ainda, no final do Conselho de Ministros, que foi aprovado um processo excepcional de vinculação do pessoal docente, que deverá acontecer este ano e deverá abranger dois mil. “Este concurso é para este ano lectivo”, adiantou.

Para tal, está a ser preparada uma lista detalhada daquilo que a tutela considera serem necessidades permanentes do sistema. Esse trabalho está a ser feito “em cada quadro de zona pedagógica, em cada grupo de recrutamento”, disse. O anúncio de mais uma vinculação extraordinária tinha sido feito no início do ano. Trata-se da segunda, depois de já ter existido uma no ano passado.

Em comunicado emitido depois da conferência de imprensa, o Ministério da Educação e Ciência acrescenta alguns detalhes: “Ficaram definidos como requisitos de admissão ao concurso de vinculação extraordinária o exercício efectivo de funções docentes em estabelecimentos públicos de educação pré-escolar ou dos ensinos básico e secundário em pelo menos 365 dias dos três anos lectivos imediatamente anteriores à data de abertura deste concurso [e a] obtenção de um mínimo de ‘bom’ na avaliação de desempenho docente naquele período.”

As vagas a preencher serão fixadas por portaria conjunta dos Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência. “O ingresso na carreira produz efeitos a 1 de Setembro de 2014. Ficam dispensados do período probatório os docentes vinculados que tenham pelo menos 730 dias de serviço efectivo nos últimos cinco anos imediatamente anteriores ao ano lectivo 2013/2014 e com pelo menos cinco anos de serviço com avaliação mínima de ‘bom’.”

Os candidatos serão colocados em função da sua qualificação (anos de serviço, nota na prova de avaliação, etc.). E, se for necessário, será no próximo ano realizada uma nova vinculação extraordinária, faz saber o ministério.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

ciclo de sábados "Falando com quem faz..." Medidas Educativas



A próxima sessão do ciclo de sábados "Falando com quem faz..." irá decorrer já no próximo dia 2 de março, pelas 10h00 no Agrupamento de Escolas S. Vicente de Telheiras (Lisboa).

Para dinamizar este tema (Medidas Educativas) contaremos com a Diretora de Serviços da EE e Apoios Educativos da Direção Geral da Educação, Dra. Filomena Pereira.

Temos verificado que a aplicação das medidas Adequações Curriculares (artª 18º) e Currículo Específico Individual (artº 21º) tem suscitado dúvidas que derivam de diferentes interpretações.

A intervenção da Dra. Filomena Pereira será no sentido de contribuir para a clarificação destas questões permitindo mais um momento de partilha, discussão e reflexão da temática.

Informo que ainda se encontram abertas as inscrições para a sessão.

A sua frequência é gratuita para os sócios com quotas regularizadas e tem o valor de 10€ para os não sócios.

A inscrição deverá ser efetuada para proandee@gmail.com

Recebido via e-mail

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Formação de Professores para a Inclusão - As Necessidades Educativas Especiais e as TIC

Formação de Professores para a Inclusão - As Necessidades Educativas Especiais e as TIC


Estão abertas as candidaturas para a oficina de formação As Necessidades Educativas Especiais e as TIC, com a duração de 50 horas (25 horas não presenciais), acreditada pela CCPFCP.

1. Duração da oficina: 50 horas (25 horas não presenciais)

2. Destinatários: Docentes dos grupos de recrutamento 910, 920 e 930, até ao limite de 20 formandos.

3. Apresentação de candidaturas: Inscrição online disponível em http://area.dgidc.min-edu.pt/fneetic , entre os dias 6 de junho e 18 de junho de 2012.

4. Calendário e Horário: 
25 de junho – Manhã: das 9h.30m às 12h30 
Tarde: das 14h às 17h
26 de junho – Manhã: das 9h.30m às 12h30 
Tarde: das 14h às 17h
27 de junho – Manhã: das 9h.30m às 12h30 
Tarde: das 14h às 17h
28 de junho – Manhã: das 9h.30m às 13h 
Tarde: das 14h às 17h.30

5. Local de Realização: Instalações da CERCICA, em Cascais.
A DGE assegura os custos referentes a alojamento em regime de internato.

6. Critérios de seleção dos candidatos:

Os candidatos serão selecionados por ordem de inscrição atendendo, sucessivamente, aos critérios abaixo indicados, aplicando-se o critério de seleção seguinte, caso o critério anterior não esgote o limite máximo de candidatos previstos no n.º 2:
1.º Critério-docentes em funções nos Centros de Recursos TIC para a Educação Especial.
2.º Critério-docentes em funções na educação especial.

Os resultados das candidaturas serão publicados no site da DGE, no dia 19 de junho de 2012.


Contactos:
Telefone:21 393 45 32.


In: DGE

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Metodologias Activas e Expressivas em Educação Especial

Metodologias Activas e Expressivas em Educação Especial (em parceria com a Pró-Inclusão) Formação - ainda há vagas



AA32
Metodologias Activas e Expressivas em Educação Especial (em parceria com a Pró-Inclusão)

FORMADORES: David Rodrigues e Luzia Lima

LOCAL: APEI, Lisboa

DESTINATÁRIOS

Educadores de Infância, Professores dos Ensinos Básico e Secundário e Professores de Educação Especial * (Custos especiais, consulte: Informações)

MODALIDADE: Oficina

CALENDARIZAÇÃO

Novembro: 05, 12, 19, 26; Dezembro: 03 Horário: 09h30/12h30 - 13h30/15h30

Nº DE HORAS: 25

UNIDADES DE CRÉDITO: 2

REGISTO DE ACREDITAÇÃO

ACC - 65701/11

CONTEÚDOS:

- Os métodos activos, as técnicas expressivas e a Inclusão; 
- As técnicas expressivas na formação pessoal e profissional dos educadores/professores e dos alunos; 
- A sociometria e os vínculos grupais; 
- Vivência de jogos de mapeamento sociométrico e de desenvolvimento grupal; 
- Vivência de técnicas expressivas que facilitam a aprendizagem (derivadas da dança, da música, da arte e do drama).

A certificação da acção está condicionada à obtenção de aproveitamento no curso

Mais se certifica que, para os efeitos de previstos no artigo 5º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente acção releva para a efeitos de progressão em carreira de Educadores de Infância, Professores dos Ensinos Básico e Secundário e Professores de Educação Especial. 

Para efeitos de aplicação do nº3 do artigo 14º do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente acção releva para a progressão em carreira de Professores dos Grupos 240, 250, 260, 600, 610, 620, 910, 920, 930.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Formação: "Necessidades Educativas Especiais: Modos de Ser e Fazer"


 
A APEI em parceria com a Pin vai dar início a formação, para tal basta consultar :
 

A primeira inicia-se já no próximo mês de Fevereiro:
 
AA30: Necessidades Educativas Especiais: Modos de Ser e Fazer
 
Formadora: Elvira Silva

Local: APEI, Lisboa

Bairro da Liberdade, Lote 9 – Loja 14, Piso 0 - 1070-023 Lisboa

Destinatários:

Educadores de Infância, Professores de Educação Especial e Professores do 1º CEB *

Modalidade: Curso
Nº de Horas: 25
Créditos: 1

Calendarização:

Fevereiro: 1, 3, 8, 10, 15, 17, 21 Horário: 18h/21h; Março: 3  
 
Horário: 17h30/21h30

Registo de Acreditação: ACC - 62139/10

Conteúdos:

- Escola Inclusiva.
- Modelos de Intervenção em Necessidades Educativas Especiais;
- Famílias em situação de luto;
- Breve abordagem à Intervenção Precoce;
- Necessidades Educativas Especiais;
- Classificação Internacional das Necessidades Educativas Especiais.

Para efeitos de aplicação do nº 3 do artigo 14º do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente acção releva para progressão em carreira de Professores dos Grupos 100, 110, 910, 920 e 930. 
 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Formação: Conhecimento Fonológico X Oralidade e Escrita

A Relicário de Sons organiza uma formação com o tema "Conhecimento Fonológico X Oralidade e Escrita". Esta formação irá realizar-se nos dias 26 e 27 de Março de 2010 e tem como objectivo, fornecer ferramentas não só para a avaliação e intervenção das/nas dificuldades da escrita decorrentes de défices fonológicos, como também capacitar os profissionais na identificação de sinais indicativos destas dificuldades, com vista ao encaminhamento mais adequado e atempado.

Programa:

Dia 26 de Março - Processamento e consciência fonológica

- Fala, linguagem e conhecimento linguístico.

- O que são 'o processamento e a consciência fonológica'?

- Relação entre a oralidade e a escrita.

- Quais as implicações de um défice de processamento e consciência fonológica na oralidade e na escrita?

- Relação entre processamento auditivo, processamento fonológico e consciência fonológica.

Dia 27 de Março - Sessão prática: avaliar, intervir e prevenir em consciência fonológico

- Avaliação/despiste de processamento auditivo

- Avaliação/despite do processamento e consciência fonológica

- O que podemos fazer para intervir e prevenir em processamento e consciência fonológica?

- Exploração de materiais e desenvolvimento de actividades para o treino do processamento e consciência fonológica

Data da formação: 26 e 27 de Março de 2010

Local da Formação: Ibis Saldanha em Lisboa

Público alvo: Estudantes e profissionais de: Terapia da Fala, Ensino Escolar (1º e 2º ciclos), Ensino Pré-Escolar, Psicólogos e todos os interessados na área da Linguagem Escrita.

Formadoras: Dina Caetano Alves (Linguista e Terapeuta da Fala) e Tânia Reis (Terapeuta da Fala)

Vagas: 35 pessoas

Contactos: geral@relicariodesons.com ; (+351) 96 2989276 ou (+351) 91 2614049

Preço:

Até dia 26 de Fevereiro (até às 12h):

Profissionais: 100 euros

Sócios da APTF/estudantes: 95 euros

Após 26 de Fevereiro (após as 12h):

Profissionais: 130 euros

Sócios da APTF/estudantes: 125 euros

Inscrições:

As inscrições serão aceites por ordem de candidatura e em função da área de formação dos candidatos, sendo consideradas após pagamento (os dados/procedimentos serão fornecidos após aceitação da candidatura para inscrição).

Para realizar a sua inscrição deverá enviar por email (geral@relicariodesons.com) ou por correio (Rua Rodrigues Sampaio nº21 2ºA 1150-278 Lisboa) os seguintes dados:

Nome completo; Morada; Número de contribuinte; Instituição/local de trabalho; Profissão; Número de cédula profissional (se aplicável); Número de sócio APTF; Cópia de cartão de estudante ou outro comprovativo (se aplicável); Nome da instituição onde se formou/onde se está a formar.

Nota: após envio da informação solicitada, receberá um email de confirmação de dados, bem como os procedimentos para o pagamento da inscrição.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Formação: "Outro lado do Lápis - Desenvolvimento Gráfico Infantil e áreas de Expressão"

AA23

O Outro lado do Lápis - Desenvolvimento Gráfico Infantil e áreas de Expressão

Formador: Elvira Silva

Local: Instituto Português de Pedagogia Infantil, Póvoa de Santo Adrião

Destinatários: Educadores e Professores do 1º CEB *

Modalidade: Curso

Calendarização: Fevereiro: 23; Março: 11, 18 ; Abril: 08, 15, 22 Horário: 17h30/21h; Maio: 06

Horário: 17h30/21h30

Nº de Horas: 25

Unidades de crédito: 1

Registo de Acreditação: ACC - 61182/09

Conteúdos:

- Jogos de expressão, exploração, experimentação, relação corporal e globalização dos saberes;

- A expressão e Educação dramática;

- As actividades de Expressão como Actividades Globalizantes e Interdisciplinares.

A certificação da acção está condicionada à obtenção de aproveitamento no curso.
*
Para efeitos de aplicação do nº3 do artigo 14º do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente acção releva para a progressão em carreira de Professores dos Grupos 100 e 110.

Inscrições em www.apei.pt
 

Formação: "Necessidades Educativas Especiais: Modos de Ser e Fazer"

AA27

Necessidades Educativas Especiais: Modos de Ser e Fazer

Formadora: Elvira Silva

Local: Queluz

Destinatários: Educadores e Professores do 1º CEB

Modalidade: Curso

Calendarização: Abril: 29; Maio: 04, 11, 13, 18, 20 Horário: 17h30/21h; Maio: 27

Horário: 17h20/21h30

Nº de Horas: 25

Unidades de crédito: 1

Registo de Acreditação: ACC - 47562/07

Conteúdos:

Escola Inclusiva;

- Modelos de Intervenção em Necessidades Educativas Especiais;

- Famílias em situação de luto;

- Breve abordagem à Intervenção Precoce;

- Necessidades Educativas Especiais;

- Classificação Internacional das Necessidades Educativas Especiais.

A certificação da acção está condicionada à obtenção de aproveitamento no curso

*
Para efeitos de aplicação do despacho 16794/05, de 3 de Agosto, a presente acção releva para a progressão de carreira de Educadores de Infância e Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico.

Inscrição em www.apei.pt