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sábado, 8 de novembro de 2014

Investigadores de Coimbra desenvolvem guia para cegos

Guia foi criado em colaboração com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO).

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um "guia inteligente para orientar pessoas cegas" no interior de edifícios públicos, anunciou esta sexta-feira a instituição.

O guia, que foi criado em colaboração com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), pretende "aumentar a autonomia das pessoas cegas nas atividades do seu quotidiano", sublinha uma nota da UC, agora divulgada.Trata-se, na prática, de uma aplicação para smartphone desenhada para ajudar, de forma rápida, intuitiva e segura, o utilizador a encontrar serviços e produtos desejados no interior de edifícios públicos.

A partir do telemóvel, o novo sistema - 'SmartGuia: Shopping Assistant for Blind People' (https://eden.dei.uc.pt/~jcecilio/videos/SmartGuia_Compressed.mp4) - utiliza as tecnologias Bluetooth e Wi-Fi para "orientar o cego até ao seu objetivo, respondendo a perguntas e facultando informação clara sobre lugares, produtos e serviços que se encontram no edifício", explica José Cecílio, coordenador do projeto.

"O guia é acionado pelo utilizador e, a partir daí, atualiza constantemente a informação", designadamente estabelecendo percursos, indicando distâncias, identificando pontos de interesse ou descrevendo o ambiente envolvente (referindo, por exemplo, a que distância há elevador ou escadas), exemplifica José Cecílio.

Simplifica trabalho

Uma das características mais distintivas do sistema é o facto de simplificar o trabalho do utilizador em termos de especificação daquilo que ele pretende, podendo "dizer simplesmente palavras que identifiquem o que deseja, tais como 'comer' ou 'comprar roupa'", salienta o investigador.

"O sistema consegue reconhecer essas palavras-chave, questionando de seguida sobre preferências mais concretas", como indicar os restaurantes que existem, podendo, depois, o utilizador escolher qual deles deseja. "Uma vez completo o processo de escolha do destino, o sistema guia o cego oralmente" até ao local pretendido, conclui José Cecílio.

Apesar de ter sido desenvolvido para guiar invisuais, este sistema, premiado recentemente pelo Instituto Fraunhofer Portugal, pretende alargar a utilização a qualquer cidadão. O objetivo é que, ao entrar num centro comercial, por exemplo, o cliente possa saber quais "as lojas que estão com promoção nesse dia, em que produtos e qual a percentagem de desconto", sintetiza o investigador da UC, adiantando que vai ser "implementado um projeto-piloto num centro comercial de Coimbra".

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Cientistas restauram visão total a ratinhos cegos

Um grupo de cientistas britânicos anunciou, recentemente, ter conseguido recuperar a visão de ratinhos de laboratório totalmente cegos por via da injeção, nos seus olhos, de células sensíveis à luz. O avanço pode, no futuro, constituir-se como uma nova esperança para o tratamento de casos humanos de cegueira.

Os investigadores da Universidade de Oxford, em Inglaterra, injetaram células precursoras - primitivas e indiferenciadas - em animais cujos olhos eram desprovidos de quaisquer células fotorreceptoras. Duas semanas após a injeção, a equipa constatou a formação de uma retina. 

"Recriámos toda a estrutura e, basicamente, esta é a prova de que é possível enxertar num ratinho totalmente cego as células em causa e reconstruir toda uma camada sensível à luz", explicou Robert MacLaren, um dos autores do estudo publicado na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), em comunicado.

Após o procedimento, os cientistas efetuaram um teste que mostrou que, dos 12 ratinhos que receberam o transplante de células precursoras, 10 obtiveram melhorias na contração da retina em resposta à luz, o que significa que os seus olhos voltaram a ser sensíveis à luminosidade, transferindo os estímulos recebidos até ao cérebro através do nervo ótico.

"Outros ensaios clínicos anteriores com células estaminais mostraram que é possível substituir a camada pigmentar da retina, mas a nossa investigação mostra que a camada sensível à luz também pode ser substituída de forma semelhante", apontou MacLaren.

Próximo passo é encontrar fonte confiável de células em humanos

"As células que são sensíveis à luz têm uma estrutura altamente complexa e nós observámos que podem recuperar as suas funções e que é possível restaurar todas as ligações após o transplante, mesmo quando os animais são totalmente cegos", sublinhou ainda o especialista da Universidade de Oxford.

Considerando, em perspetiva, a possível utilização de tratamentos celulares para a cegueira em humanos, MacLaren salientou que a equipa gostaria de, caso começasse a entrar nessa área, utilizar células estaminais pluripotentes, geradas a partir das próprias células do paciente (como células da pele ou do sangue) e que podem ser transformadas em células precursoras das células da retina.

"Todos os passos já foram dados para que possamos efetuar este procedimento em pessoas. O próximo passo é encontrar uma fonte confiável, nos pacientes, que possa fornecer-nos as células estaminais para utilização nestes transplantes", concluiu.

Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo (em inglês).