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quarta-feira, 27 de abril de 2016

E - book: "O direito à autodeterminação das pessoas com deficiência"

Partilho o E - book que foi Vencedor da edição 2015 do Concurso de Ensaios “O direito à autodeterminação das pessoas com deficiência” da autora Cristina Simões. (para aceder clique no título)

Transcrevo pequenos excertos da Introdução:


"(...)

No entanto, somente o reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência não é suficiente, sendo necessárias oportunidades para exercerem esses direitos (VERDUGO et al., 2012). Além disso, as palavras, por si só, não trazem as mudanças necessárias para se alcançar uma maior equidade (PEARL, 2013). 

(...)

O presente ensaio estrutura-se em sete pontos fulcrais. Começa-se com uma breve resenha da Convenção e dos direitos preconizados por este documento norteador das políticas. Especifica-se a importância da sua adoção para Portugal. Aborda-se o conceito de autodeterminação, entendendo-se que é simultaneamente um processo e um resultado pretendido. Analisam-se os pontos da Convenção que estão relacionados com o direito da autodeterminação, enfatizando-se o exercício da capacidade jurídica. Reflete-se sobre a relação entre a autodeterminação e a qualidade de vida. Apresenta-se um estudo, muito sucinto, que sustenta a autodeterminação como preditora dos direitos e da qualidade de vida, em adultos portugueses com e sem DID. Por último, referem-se estratégias promotoras do direito à autodeterminação das pessoas com deficiência, no sentido de se intervir nos diferentes sistemas de apoios (i.e., micro, meso e macro).

(...)"

pp. 4-5

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Publicação do Manual de Intervenção e Apoio à Educação Especial

Foi publicado o Manual de Intervenção e Apoio à Educação Especial, um documento relevante para quem apoia crianças / alunos com necessidades educativas especiais no âmbito da educação especial ou está interessado nessa temática.

O autor é Francisco José Pires Alves, docente de educação especial e autor do blogue crianças e alunos com NEE.

A publicação do Manual de Intervenção e Apoio à Educação Especial pretende apresentar um plano estratégico de intervenção e apoio à educação especial nas escolas do ensino não superior. Nesse documento são também propostas respostas educativas e sociais para as crianças / alunos com necessidades educativas especiais.

O Manual de Intervenção e Apoio à Educação Especial está disponível na editora Bubok (livraria na internet) e nas seguintes livrarias convencionais: Fabula Urbis e Jade Livrarias (Lisboa); Lapis De Memoria (Coimbra); Livraria Minho e100ª PÁGINA(Braga); Livraria Boa Leitura (Leiria) e Livraria Manuel Magallón Gracia (Madrid).

In: Incluso

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"Programa de Treino de Competências Funcionais para alunos com necessidades educativas especiais"



No dia 2 de dezembro, na FNAC de Viseu, às 18 horas, vai ser lançado o livro "Programa de Treino de Competências Funcionais para alunos com necessidades educativas especiais", da autoria de Ana Beja e de Maria João Miranda.


Recebido via e-mail

segunda-feira, 23 de abril de 2012

sábado, 31 de março de 2012

“María e Eu”, uma banda desenhada sobre autismo

Já tínhamos visto o documentário. Agora chega a Portugal o livro de BD com a história de Miguel Gallardo e da filha María

O ilustrador espanhol Miguel Gallardo desenhou a história da filha María, autista, e o seu relacionamento com a sociedade, num livro editado este mês em Portugal e apresentado em Lisboa, segunda-feira, Dia Mundial da Consciencialização do Autismo.

“María e Eu”, editado pela Asa, foi publicado em Espanha em 2008, quando María tinha 12 anos. O autor relata uma semana de férias com a filha, descrevendo as características particulares de quem é autista e a forma como os outros olham para ela, precisamente por causa do autismo.

“Não há quem fale nisto na primeira pessoa e com esta sensibilidade, por isso eu tinha que o publicar. Não é lamechas e tem sentido de humor”, explicou a editora Maria José Pereira à Agência Lusa.

O livro valeu a Miguel Gallardo um prémio e duas nomeações na área da banda desenhada, em Espanha, foi adaptado para um documentário (apresentado no ano passado em Lisboa) e pode ser visto como “um relato, um livro de ajuda, um livro de banda desenhada”, disse a editora. “Um manual não convencional para educadores e profissionais que têm que lidar com este tipo de problemas”, referiu.

Miguel Gallardo apresenta uma mancha gráfica que usa habitualmente com a filha María, imagens simples e inequívocas que relatam os rituais da filha, manifestações de alegria ou tristeza e alguns dos comportamentos de quem sofre desta síndrome. O autor também desenhou as caras de quem não sabe lidar com María, de quem tem medo do desconhecido, da estranheza. “Gosto de desenhar para ela e que isso seja uma forma de comunicarmos”, escreveu Miguel Gallardo.

Os direitos das pessoas

“María e Eu” será apresentado na segunda-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, numa sessão que assinala o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, organizada pela Federação Portuguesa de Autismo. No encontro serão debatidos os direitos das pessoas com autismo, com a presença de vários especialistas na área.

A presidente da Federação Portuguesa de Autismo, Isabel Cottinelli Telmo, considera aquele livro mais um instrumento para ajudar a explicar o que significa uma criança ter uma perturbação do desenvolvimento relacionada com o autismo. “É um livro interessante para as crianças mais velhas, talvez do terceiro e quarto ciclos, porque têm mais dificuldade em aceitar as pessoas autistas”.

No encontro em Lisboa, além do lançamento do livro, decorrerão debates com pediatras, pais, técnicos profissionais e representantes das várias associações que integram a Federação Portuguesa de Autismo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Todas as crianças podem ser Einstein

Todas as crianças têm potencial necessário para se tornarem génios. A teoria é defendida por Fernando Alberca, autor do livro “Todos as crianças podem ser Einstein”, que acredita ser apenas preciso motivação adequada para que se concretize esse potencial. “Todos temos uma mente brilhante”, assegura.

Fernando Alberca, especialista em educação, avisa que o título do livro não resulta de uma estratégia de marketing e que acredita ser mesmo possível, com a motivação certa, uma criança transformar-se num génio.

O autor está convencido que se se motivar adequadamente uma criança que tira más notas ela pode passar “de um fracasso enorme a alguém que sobressai”.

Alberca explica um pouco melhor a vida de Albert Einstein para provar a tese que pôs em livro. O cientista aprendeu a ler e a falar correctamente apenas aos nove anos, a mãe pensava que era atrasado e a professora classificou-o como “mortalmente burro”.

Einstein viveu com este rótulo até aos 15 anos, porque não “encontrou as pessoas adequadas para estimular a sua inteligência e a sua motivação”. Descobriu-as junto de um estudante de medicina, que começou a emprestar-lhe revistas de divulgação científica, e junto de um professor de matemática que deixou que assistisse às suas aulas.

“Houve uma série de pessoas que o começaram a motivar, sobretudo a família adoptiva que o acolheu quando teve de se mudar para estudar e que o começou a tratar como uma pessoa inteligente e cuja a opinião era interessante”, contou Alberca numa entrevista à TVE.

A genialidade do cientista reside no facto de ter sido capaz de usar o hemisfério direito, o mais criativo e intuitivo, para resolver problemas próprios do hemisfério esquerdo, o mais ordenado, mais racional, o mais matemático.

“Quando num jogo de futebol Messi se adianta aos outros jogadores, parece-nos muito brilhante, parece-nos genial e é... porque está um passo à frente por ter usado o hemisfério direito”, ilustra, para explicar por que é tão importante que as crianças desenvolvam os dois hemisférios cerebrais de forma a desenvolver todo o potencial.

O ensino tradicional está desenhado para “desenvolver mais o hemisférios esquerdo”. “Todas as disciplinas dividem-se em trimestres, em lições... No ordenado”, nota Alberca, para defender o desenvolvimento do hemisfério direito, “mais generalizador e que permite desenvolver a intuição”.

A chave para que uma criança desenvolva todo o seu potencial está em ver quais as partes do cérebro em que se apoia menos, para potencia-las. “Os seres humanos são como pianos com todas as suas teclas. Até por doença pode faltar alguma tecla, mas pode sempre tirar-se pela melodia. E isso sim, depende do intérprete que saia uma melodia ou outra”, explica.

Se numa criança, predomina mais o hemisférios esquerdo, o mais racional, “não podemos explicar-lhe alguma coisa que use só esse hemisfério, mas é preciso incentivar também o lado direito. Se tem de resolver um problema de matemática em que um rapaz tem quatro canecas podemos pedir-lhe para imaginar como é esse rapaz, qual a cor de cabelo ou como está vestido, por exemplo”.

“Ficamos inteligentes a aprender. Sermos capazes de resolver os problemas que nos angustiam é o que faz com que essa inteligência vá crescendo”, garante Alberca. “Por isso, é que os pais têm a possibilidade de motivar verdadeiramente os filhos”, defende o escritor, explicando que ao desenvolver cada parte do cérebro é possível estimular nas crianças “a memória, a concentração, a atenção, a intuição, a imaginação, a criatividade”.

É fundamental não confundir motivação com alento. “Não é dizer-lhes tu podes. Esse é o tipo de motivação utilizada pelos norte-americanos e que fracassou porque cria uma oportunidade nova para ficar mal e a criança tem medo do fracasso, pouco auto-estima”.

É preciso mostrar-lhe que “já foram capazes de fazer coisas grandes”. Em concreto, é fundamental que os pais não façam as coisas pelos filhos. “Há que deixar que eles vistam o casaco ainda que demorem mais, em vez de sermos nós a vesti-lo. Fazer com que resolva os seus pequenos problemas. Ao não protege-los excessivamente estamos a torna-los capazes de resolver os seus problemas”.

“Se quisermos que o nosso filho seja autónomo, capaz, que se sinta seguro perante um exame, temos, quanto antes, de ensinar-lhes a ser independentes”, explica Alberca.

Quanto aos trabalhos de casa, o investigador defende que se existe alguém que acompanha a criança quando faz os deveres, deve começar a separar-se gradualmente. “Pode até estar sentada ao lado, mas não é preciso que indique com o dedo os exercícios que tem de fazer”, concretiza.

As actividades fora da escola podem ser uma oportunidade para estimular partes do cérebro, mas é preciso “que seja sempre a criança a dominar a situação, não o contrário”, adverte Fernando Alberca. “Tudo o que for preencher o dia com aprendizagens está bem, mas até certo limite”, explica, até porque o sítio onde as crianças aprendem mais é em casa, com os pais ou os avós.

Para educar uma criança, faz falta tempo e ama-lo muito, tanto quanto trabalhar para que seja independente o quanto antes. O maior problema das crianças, hoje, é a sobreprotecção dos pais, não a falta de tempo, nota Fernando Alberca.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Lançamento do livro "Educação Inclusiva: dos conceitos às práticas de formação"


Convite para o lançamento do livro "Educação Inclusiva: dos conceitos às práticas de formação" - David Rodrigues (org.). 2 de Fevereiro, às 18h15, sala 7 do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. 

Apareçam!




quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O Grande Livro dos Medos e das Birras

Sinopse

Todos os dias é a mesma coisa, não quer tomar banho e foge aos berros da casa de banho. Hoje estávamos no supermercado e como não lhe comprei o que queria começou a espernear, aos gritos, a deitar-se no chão.... Uma vergonha! De cada vez que lhe digo que não pode ver televisão, começa aos berros e quer morder-me. A hora da refeição cá em casa é crítica, agora não gosta de nada e chora convulsivamente em frente ao prato. Num momento está muito bem, no outro não sei bem porquê desata aos gritos e a chorar... será preciso descrever mais cenários, ou o panorama, além de assustador, é bem conhecido dos leitores que todos os dias têm de lidar com as birras dos seus filhos?

O pediatra best-seller em Portugal Mário Cordeiro garante: não é anormal fazer birras, nem indica qualquer desvio comportamental. Os pais não precisam de se sentir envergonhados e é normal os pais sentirem-se cansados e esgotados perante as birras. Impotentes sem saberem como atuar . A birra é apenas uma expressão de uma multiplicidade de sentimentos, logo, para a compreender há que perceber a sua relação com esses mesmos sentimentos, designadamente o medo e a frustração, o temperamento individual e as etapas do desenvolvimento da criança.

Neste livro prático, Mário Cordeiro aborda o tema dos medos e das birras, nas suas mais diferentes situações: à mesa, no banho, no carro, na escola, nas férias, nas compras... Cenários onde a criança tem sono, fome, está cansada, se vê num ambiente estranho, frustrada ou perante estranhos, e explica-lhe como deve atuar em cada uma delas: - Mantenha-se calmo perante uma birra...

Disponível para aquisição na livraria virtual Wook.pt.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

PUBLICAÇÃO DO LIVRO EDUCAÇÃO INCLUSIVA E EDUCAÇÃO ESPECIAL: UM GUIA PARA DIRECTORES

Encontra-se disponível para download a publicação Educação Inclusiva e Educação Especial: Um guia para Directores.

Elaborado com base nos contributos de diversos profissionais que se disponibilizaram a partilhar as suas práticas, e fruto de uma aprofundada reflexão sobre as mesmas, este Guia pretende constituir um suporte à acção dos diretores de agrupamentos de escolas e de escolas.

Se pretender o livro em formato impresso poderá solicitar, através de dseease@dgidc.min-edu.pt, que o mesmo lhe seja enviado devendo, para o efeito, identificar o agrupamento ou escola e o respectivo endereço postal.

Fonte: DSDC/DSEEASE

In: DGIDC

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Novo Livro "Um Pé de Vento"!


Já está à venda o NOVO livro "Um Pé de Vento" da Colecção 4 Leituras da Editora Cercica. 

Para Encomendas:

Paulo Rosário - Consultor Comercial
encomendas@editoracercica.com

Tel. 21 465 85 90

Site: www.editoracercica.com

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Lançamento do livro "Deficiências / capacidades : manual para parlamentares"

No próximo dia 15 de Fevereiro, terça-feira, das 11h00 às 13h00, vai realizar-se no Auditório do Edifício Novo da Assembleia da República a cerimónia de lançamento do Manual elaborado pela ONU sob o título Deficiências/ Incapacidades, com o objectivo de apoiar os parlamentares nos seus esforços e iniciativas para implementar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada pelo Estado Português em 2007 e ratificada em 2009.

A cerimónia contará com intervenções da Directora do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., do Sr. Professor Catedrático Gomes Canotilho (com contributos relevantes, entre outros, no âmbito dos direitos fundamentais), e de deputados da 11ª Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública. O encerramento da cerimónia será feito pela Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Salvador Serrão.

A edição deste manual pelo Instituto Nacional para a Reabilitação, IP é mais um passo na concretização dos direitos das pessoas com deficiência, de que podem beneficiar todos os agentes públicos e privados, que de algum modo estejam envolvidos nesse processo, designadamente, as organizações não governamentais que representam as pessoas com deficiência e também os vários parceiros governamentais que no domínio das respectivas políticas precisam de ter em devida conta as especificidades das pessoas com deficiência.

Dado que a cerimónia decorre no auditório do edifício novo da Assembleia da República, é necessário confirmar a participação ao INR, IP até às 13 horas do dia 11 de Fevereiro. 
 
In: INR

sábado, 18 de dezembro de 2010

Livro “Tudo sobre a Síndrome de Asperger” do psicólogo clinico Tony Attwood

Ontem, dia 16 de Dezembro, a Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger lançou o livro “Tudo sobre a Síndrome de Asperger” sobre a doença, que afecta cerca de 40 mil crianças e jovens em Portugal.

O livro é baseado na experiência directa, de quase trinta anos, do psicólogo clínico e autor do livro, Tony Attwood, que afirma dar os parabéns às crianças a quem é diagnosticada a síndrome. "Isto não significa ser maluco, mau ou deficiente, mas sim pensar de maneira diferente", explica.

“A Síndrome de Asperger é uma forma de autismo e afecta sobretudo as competências sociais das crianças, que sentem dificuldade em socializar. Suspeita-se que personalidades como Fernando Pessoa, Albert Einstein, Isaac Newton, Mozart, Darwin, Stanley Kubrick ou Andy Warhol sofreram desta doença”.
 
In: Ajudas

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

António Damásio: A história da consciência como nunca a tínhamos ouvido contar


Há dez anos, em O Sentimento de Si, o neurologista português António Damásio explicava pela primeira vez a sua visão de como o cérebro humano constrói a consciência. Agora, em O Livro da Consciência, volta ao mesmo tema, mas com uma "receita" muito mais apurada e onde mistura ingredientes que até aqui tinham ficado esquecidos nas gavetas das neurociências. Com a vibrante prosa que o caracteriza e o profundo enraizamento das suas ideias na arquitectura e nas aflições cerebrais, conta-nos a emergência da consciência no cérebro humano como nunca a tínhamos ouvido contar.


"Fa franziu o sobrolho e olhou para a sua barriga, levou a mão direita à cabeça e disse: 'tenho uma imagem'. Abandonou a escarpa e apontou para o bosque e o mar: 'estou ao pé do mar e tenho uma imagem. É uma imagem de uma imagem. Estou - disse, levantando a cara e franzindo o sobrolho - a pensar."


William Golding (mais conhecido como o autor d'O Senhor das Moscas) escreveu estas linhas em Os Herdeiros (The Inheritors, 1955), um romance onde imagina o encontro, há dezenas de milhares de anos, de duas espécies de seres humanos. Uma mais evoluída (nós?), os "cara de osso", imberbes, erguidos, magros, com rituais e ferramentas mais complexos; a outra mais primitiva (os Neandertais?), peluda, robusta e ágil a trepar às árvores.

Uma das características mais salientes da estranha e maravilhosa narrativa de Golding é o número de vezes que recorre à palavra "imagem". Os Neandertais estão constantemente a "ter" imagens e a declarar que têm imagens (que portanto lhes pertencem) e a reflectir sobre essas imagens. Enquanto isso, as imagens, combinadas com o que vai acontecendo no mundo exterior e com a memória do passado, vão gerando emoções e sentimentos que geram outras imagens e orientam os seus actos, tanto exteriores como interiores. Estas personagens primitivas são seres perfeitamente conscientes do mundo e de si próprios, dotados de uma história pessoal e individual.

Os hipotéticos neandertais têm contudo alguma dificuldade em manipular ideias complexas - talvez um sinal de que as suas capacidades de memória ainda não desabrocharam totalmente. A tribo mais evoluída, essa, tem muito mais jeito para todos esses exercícios mentais (algo que o autor talvez quisesse sugerir quando abandona o uso da palavra "imagem", mesmo no fim, mal o relato passa a ser do ponto de vista dos "cara de osso"). 

Os humanos modernos tornaram-se mestres na produção de imagens mentais, na sua análise consciente e na análise, também consciente, dos sentimentos que elas provocam em nós. O nosso cérebro produ-las em contínuo e nem sequer quando dormimos conseguimos interromper o seu fluxo. Somos todos cineastas mentais natos. 

As imagens são "a principal moeda da nossa mente", explica António Damásio no seu novo livro, intitulado O Livro da Consciência. E a palavra não se esgota apenas nas imagens visuais, mas aplica-se aos padrões, aos "mapas" neuronais auditivos, viscerais, tácteis e por aí fora, que o cérebro constrói em permanência. Nem os sentimentos fogem à regra: são igualmente imagens. Mais ainda, o nosso cérebro que é "viciado" na criação de mapas, também mapeia o seu próprio funcionamento, gerando imagens totalmente abstractas. "Estou convencido", escreve Damásio, "que os matemáticos e os compositores sobressaem neste tipo de criação de imagens."

Esse filme super-multimédia que vemos na nossa cabeça começa na nossa infância - e de facto, através das relações sociais, da cultura e da aprendizagem, remonta até muito mais longe no passado, quando ainda não tínhamos nascido. Mais ainda, conseguimos antecipar o futuro e agir sobre ele em nosso benefício, individual e colectivo. E mais mais ainda, sentimos que o filme é nosso e só nosso (e de facto, somos o público exclusivo do espectáculo da nossa mente). 

Mas como é que lá chegámos? O que aconteceu no nosso cérebro que tornou a consciência possível? 

Cérebro, mente, consciência

Como já aconteceu nos seus livros anteriores, as respostas que Damásio se propõe dar a estas perguntas só podem ser válidas se forem firmemente ancoradas na biologia. Afinal de contas, os neurónios que suportam a mente e a consciência são células vivas como as outras; afinal de contas o cérebro, com as suas várias subdivisões e as ligações nervosas entre elas que suportam a mente e a consciência, é a mente e a consciência. Afinal de contas, tudo o que se passa na nossa mente passa-se na nossa cabeça e no nosso corpo (where else?). "De entre as ideias apresentadas neste livro, nenhuma é mais importante do que a noção de que o corpo é o alicerce da mente consciente" escreve Damásio.O Livro da Consciência é a mais recente incursão neste território do célebre neurologista português (radicado nos EUA desde 1975 e figura de primeiro plano não só da comunidade internacional das neurociências, mas também, desde o seu O Erro de Descartes, de 1995, junto do grande público). O título original em inglês do novo livro, Self Comes to Mind, talvez seja mais sugestivo do que o da versão portuguesa, editada pela Temas e Debates/ Círculo de Leitores, que vamos poder ler a partir de hoje (o original só será publicado nos EUA e na Europa em Novembro). 

Mas o que importa sublinhar é que o livro define um programa para a futura investigação nesta área. Damásio é o primeiro a admitir que ainda está longe de ter resolvido o mistério do que é a consciência humana (se é que alguma vez o poderá fazer), que está meramente a arranhar a superfície, que nem sequer tem uma teoria, mas apenas um "enquadramento" teórico da questão.

Mas acha que, apesar de haver quem considere a tarefa impossível, ainda é muito cedo para os cientistas desistirem de explicar o que é a consciência em termos rigorosos e testáveis através da experimentação. Tanto mais quanto, nos últimos dez anos, os avanços das técnicas de imagens médicas têm permitido visualizar de forma cada vez mais sofisticada, ao vivo e em directo, o cérebro de pessoas (com e sem lesões neurológicas) a realizar diversas tarefas - para ver qual a região do cérebro que entra em acção a cada instante. Essas manchas de cor nas imagens poderão ser apenas um eco longínquo do filme na nossa cabeça, mas têm muito para nos contar.

A quarta dimensão

Toda essa massa de trabalho científico teve como consequência, para o pensador atento, metódico, profundo que é Damásio, uma mudança radical das premissas do empreendimento. O estudo do aparecimento da consciência humana, explica no livro, já não pode ser encarado da mesma maneira que há dez anos. Tornou-se preciso contar a história da consciência humana de outra maneira - e, por vezes, virada do avesso. 

Em primeiro lugar, acrescenta-lhe uma "quarta dimensão": a perspectiva da evolução das espécies. Para conseguir perceber como surge e como funciona a mente humana - e em particular a mente consciente - é preciso abandonar a ideia de que ela é única em todos os seus aspectos. É única nalguns, que não deixam de ser espectaculares (a cultura e as artes estão lá para o provar). Mas a mente nasceu nos organismos vivos muito antes de a espécie humana aparecer na Terra. A consciência não é o apanágio do cérebro humano.

"A evolução brindou-nos com diferentes tipos de cérebro", lemos, "no que diz respeito à mente e à consciência. Temos o tipo de cérebro que produz comportamento mas que parece não ter mente nem consciência, como, por exemplo, o sistema nervoso do Aplysia californica, [um] caracol marinho (...). Existe o tipo de cérebro que produz toda uma vasta gama de fenómenos - comportamento, mente e consciência -, de que o cérebro humano é, claro está, o principal exemplo. Há ainda um terceiro tipo de cérebro que produz claramente comportamento, é provável que dê origem a uma mente, mas em que o grau de consciência é problemático. É o caso dos insectos."

Há mesmo, segundo Damásio, uma série de animais que poderão, ao que tudo indica, possuir uma consciência rudimentar: "os lobos, os nossos primos os símios, os mamíferos marinhos, os elefantes, os felídeos e, claro está, aquela espécie especial chamada cão doméstico".O que lhe permitiu chegar a uma tal conclusão? "A organização dos seus cérebros e a sofisticação dos seus comportamentos sociais", responde-nos, numa troca de e-mail com o Ípsilon. E significa isso que esses animais são conscientes, tal como nós? Que sabem que existem? "Claro que a sua consciência não é tão abrangente como a nossa, mas penso que eles sentem as suas mentes e os seus comportamentos." 

Mas então, como imagina o autor a mente de um cão "desde o interior"?, perguntámos ainda. Como "um fluxo muito rico de imagens situadas no presente, com uma leve penumbra de passado e nem a mais mínima ideia de futuro". Mesmo assim, todos sabemos isso, uma mente capaz de amar, de sentir tristeza, medo ou ciúmes... mas não de reflectir sobre a sua condição, não de saber que sabe o que sente.

Seja como for, uma consequência não trivial desta perspectiva evolutiva é que, desde os primórdios da vida na Terra, os cérebros, seja qual for sua sofisticação, sempre estiveram e permanecem dedicados em primeiro lugar à manutenção da integridade dos organismos que os contêm, humanos e não humanos. "A forma mais directa de explicar o motivo pelo qual a consciência prevaleceu na evolução é dizer que contribuiu de modo significativo para a sobrevivência das espécies com ela equipadas. A consciência chegou, viu e venceu", escreve Damásio no seu livro.

Os andares da consciência

Para o demonstrar, o cientista vai, por um lado, desmontar os diferentes sistemas e processos, de complexidade crescente, que culminam na consciência; e, por outro, especular de forma cientificamente informada sobre os locais no cérebro candidatos a ser o "lugar" onde cada um tem a sua sede principal (sem esquecer que o cérebro faz tudo de forma relativamente deslocalizada, o que também não significa que a totalidade do cérebro participe em todas as funções cerebrais; algumas estruturas são mais adequadas do que outras para o desempenho de uma dada função). A cada passo da construção (ou desconstrução), Damásio fornece uma profusão de provas baseadas na observação de doentes com problemas cerebrais muitas vezes trágicos - adultos com Alzheimer, epilepsia, coma, estado vegetativo, síndrome locked-in, crianças que nasceram sem córtex cerebral, a camada exterior do cérebro responsável por todas as funções cognitivas de alto nível a começar pela linguagem, lesões cerebrais maciças ou localizadas - e na de pessoas que não são doentes neurológicos. O seu conhecimento da anatomia do cérebro e a sua capacidade de interpretar sinteticamente os resultados da investigação (a própria e a dos outros), sempre em relação com essa anatomia, constitui um acto de autêntico virtuosismo. O que não significa que o seu livro seja de fácil leitura; antes pelo contrário. Seguir os meandros das explicações encadeadas de Damásio exige a concentração de um jogador de xadrez.

A construção da consciência começa pela formação de um "proto-eu", seguido de um "eu nuclear" e coroado por um "eu autobiográfico". Estes três módulos foram sendo acrescentados um por cima do outro ao longo da evolução e nós humanos possuímos os três, simplesmente porque não podemos prescindir de nenhum deles. 

O proto-eu é uma semente, um germe primitivo do eu. A partir das imagens mentais que vêm do corpo, escreve Damásio, o proto-eu produz "sentimentos primordiais" (por exemplo, diversos níveis de dor e de prazer, o "sentir" de base), que são espontâneos e contínuos quando estamos acordados e que "garantem a experiência directa do nosso corpo vivo, sem palavras, sem adornos e sem qualquer outra ligação que não seja a própria existência". Ou seja, um primeiro sinal de que as nossas imagens mentais são nossas, ponto de partida indispensável da consciência.Cérebro arcaico

A principal consequência disto, segundo Damásio, é que a existência da consciência humana é assegurada em parte por sistemas muito "arcaicos" do cérebro, tais como certas estruturas da parte superior do tronco cerebral (o tronco cerebral liga a espinal medula ao cérebro). Isto não fazia até agora parte dos "ingredientes" habituais da consciência. "São muito poucos os cientistas com trabalhos publicados a defender esta ideia", diz-nos Damásio. No livro, escreve: "O cérebro não começa a edificar a mente consciente ao nível do córtex cerebral, mas sim ao nível do tronco cerebral. Os sentimentos primordiais não só são as primeiras imagens geradas pelo cérebro, como também manifestações instantâneas de consciência. São o alicerce que o proto-eu prepara para a construção de níveis mais complexos do eu." E acrescenta: "estas ideias estão em conflito directo com os pontos de vista tradicionais sobre a consciência".

Não é possível esgotar em poucas palavras a complexidade do pensamento de Damásio, mas podemos tentar alinhar os personagens e o enredo da peça da consciência. Além do proto-eu, existem mais dois participantes que completam o elenco da consciência: o eu nuclear (que se desenvolve "numa sequência de imagens que descrevem um objecto a interagir com o proto-eu e a modificá-lo") e o eu autobiográfico (que surge quando todas essas sequências de imagens de múltiplas origens, "cuja totalidade define uma biografia", geram por sua vez "impulsos de eu nuclear" e ligam o eu "ao passado bem como ao futuro antecipado"). O proto-eu, com os seus sentimentos primordiais, e o eu nuclear constituem um "eu material". O eu autobiográfico, que abrange todos os aspectos da pessoa social, constitui um "eu social" e um "eu espiritual".

Mas para realizar o estado de consciência plena - aquele a que só os humanos temos acesso - ainda falta no palco da mente "um dono, um protagonista da existência, um eu que analisa o mundo interior e exterior, um agente que parece a postos para a acção. Falta o narrador que não apenas sabe, mas que sabe que sabe, o "conhecedor" que permite atingir o mais alto patamar da consciência tal como a conhecemos hoje. São o eu nuclear e o eu autobiográfico que vão "dotar-nos a mente [desta] outra variedade de subjectividade", escreve Damásio. "A consciência humana normal corresponde a um processo mental onde operam todos estes níveis do eu".

Dez anos depois

Onde é que as etapas finais da construção da consciência se operam no cérebro? Onde é que se concretiza a subtil e complexa coordenação dos processos que permitem a sua emergência? Devido à sua posição no cérebro e as ligações nervosas que estabelecem com outras regiões, o tálamo, situado entre o tronco e o córtex cerebrais, e uma área do córtex chamada PMC (córtex postero-medial) recolhem o voto favorável de Damásio. Mas isso não significa que exista uma separação de funções: o cérebro não funciona assim. Cada uma dessas três principais "grandes divisões anatómicas" contribui para algum aspecto da "tríade directora" da consciência, formada pelo estado de vigília, a mente e o eu.

Perguntámos a Damásio o que, ao longo desta década, tinha tornado necessária esta sua nova viagem à consciência humana. "Muitas, muitas coisas", diz-nos por e-mail. E especifica que "embora tenha sempre reconhecido o valor das estruturas subcorticais, a perspectiva d'O sentimento de Si era predominantemente centrada no córtex. A d'O Livro da Consciência não é; o subcórtex e o córtex partilham os papéis - e o papel principal vai mesmo para o tronco cerebral." "Embora [no primeiro livro] também tivesse chamado a atenção para o córtex postero-medial, considerei-o como principalmente relacionado com o eu nuclear. Dez anos volvidos, com base em todos os resultados de neuroanatomia e neurofisiologia (...), vejo o seu papel como principalmente ligado ao eu autobiográfico. (...) Fiz ainda alterações teóricas a partir da reavaliação do comportamento das criaturas 'pequenas', das bactérias e por aí fora - e mais geralmente, daquilo que no seu conjunto descrevo como a quarta perspectiva.

E qual a maior novidade no novo livro? "É o que digo sobre o tronco cerebral e sobre a fusão, literalmente, do corpo e do cérebro, que são duas caras da mesma moeda. Este é sem dúvida um dos pontos centrais do livro - e talvez o mais original e o mais sujeito a controvérsia."

segunda-feira, 12 de julho de 2010

SARA, A LUZ

Depois de um lançamento, onde a grande "estrela" foi a Sara, aqui fica pequeno aperitivo...

O relato da aventura única de Sandra e Sara. O livro, que está repleto de dicas, técnicas, dados clínicos e outros conselhos úteis e baseados na experiência, torna-se, assim, num verdadeiro manual para quem é pai de uma criança com Trissomia 21. Mas também num documento inspirador para todos os que pensam que o nascimento de uma criança diferente - seja com Trissomia 21 ou com outra diferença qualquer - significa entrega e resignação. "Sara, a Luz", que é, de facto, uma extraordinária lição de vida, abre as portas da esperança para todos os que se julgam infortunados.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Livro "Sara, a Luz!"

Hoje de manhã ao abrir o meu e-mail deparei-me com um que me prendeu bastante a atenção...Um lançamento de um livro...

"Sara, a Luz!", da Primebooks, tem lançamento marcado para o próximo dia 09-07-2010, pelas 19:00 horas na Igreja da Santa Bárbara, dentro da Fortaleza de Peniche, em Peniche. 

O evento encontra-se também no Facebook:


Olá Pais e amigos,

Tantas vezes vos falei, há já tanto tempo, que talvez já nem se recordem, mas a minha história de amor com a Sara ficou finalmente pronto e já tem capa. Estamos agora em conjunto com a CMPeniche a acertar os detalhes para a data e hora de lançamento, que será aqui em Peniche com o apoio da autarquia.

Se é uma das grandes riquezas que esta terra tem é as portas das entidades e instituições abertas para apoiar, ajudar, nomeadamente a diferença integrando-a, portanto este lançamento terá o apoio da autarquia.

"Sara a Luz!" resume o que a Sara é para mim e a Luz que me iluminou, ao ponto de ter escrito um livro e estar aqui convosco a partilhá-lo, anexando para o efeito a capa do livro. Espero que conjuntamente com outros testemunhos já editados e muito importantes (Carmo Teixeira, Bibá Pitta, Fátima Marinho e outros) possa ajudar a quebrar as barreiras sociais, a desmistificar, ajudando outros pais a ver que não tem de ser mau, não é mau, é uma forma diferente de amar e apreciar a vida.

Quantos mais testemunhos escritos e publicados houver, mais a sociedade encara esta temática com a naturalidade, normalidade e respeito que merece, apoiando, abrindo as suas portas e integrando. Há mães com blogs para publicar, material para narrar, há um imenso manacial pronto a ser partilhado em prol de um bem comum - a desmistificação, o respeito. "Sara a Luz!" pretende ser mais um reforço, mais uma ferramenta, mais um caminho rumo a um futuro com esperança, baseado em Amor Incondicional, acreditando sempre, tendo o Céu como Limite.

Para já fica apenas esta informação, assim que haja mais detalhes de lançamento, partilharei convosco. "Sara a Luz!" é tão sómente uma Lição de Amor a ser partilhada com todos aqueles que acreditam ou querem acreditar que é de facto possível Amar assim, e quando amamos e acreditamos o POder do Amor revela-se.

Heroínas e heróis somos todos nós, pais que aceitamos os nossos filhos diferentes como são, os amamos tanto assim, mas acima tudo eles são as estrelas que brilham a cada momento do nosso viver.

Fica aqui a partilha.

De: Sandra Morato, Peniche

terça-feira, 27 de abril de 2010

Bullying foi mais duro do que o tumor cerebral

Há quem lhe chame ‘xamuar macua’ por ter nascido em Moçambique, onde viveu uma infância risonha. Lizete Lopo, não é só a autora do livro que narra a história de Miguel, é também a mãe da criança. «Quero viver», com o prefácio de Marcelo Rebelo de Sousa, é uma obra de 400 páginas onde cabe um pouco de tudo – angústia e esperança, crítica e agradecimento, lágrimas e força, mas especialmente amor… materno. O lançamento foi em Viseu, no dia 28 de Novembro passado, e ontem, no Porto, a publicação, de novo apresentada, deu origem a um breve debate sobre ‘bullying’.

"Pior do que ter um tumor cerebral, para mim, foi ter sido vítima de ‘bullying’". João Miguel, agora com 15 anos, tinha sete quando a doença lhe fora diagnosticada e após travá-la, embora ainda fragilizado, regressou para a escola onde foi agredido verbalmente, humilhado e desrespeitado pelos seus colegas, segundo contou ao «Ciência Hoje».

“As pessoas diziam que eu devia escrever este livro, mas eu brincava com isso. No entanto, um dia fui picada por uma abelhinha, isso dói, mas também nos dá força para mudar aquilo que nos faz mal”. A autora não quis revelar qual foi a “abelhinha” que a picou e apenas salientou que o importante é "deixar uma mensagem à sociedade marginalizada".

Daniel Serrão, especialista em Bioética, sublinhou claramente que “pode parecer, mas não é um livro lamechas. É factual e conta uma situação que pode acontecer a qualquer um, sem passar pela pieguice”. O médico confessou que quando recebeu a obra não a queria ler, talvez por ter vivido momentos semelhantes. Daniel Serrão foi vítima de bullying em criança e teve, igualmente, um filho com cancro, mas este acabou por não resistir à doença.

O especialista deambulou entre diferentes aspectos do livro, sem fazer nenhuma concessão. “Primeiro, quase que podemos dizer que inaugura um estilo narrativo porque faz um balanço permanente dos factos. É um tema difícil, duro, mas real e contado em estilo claro. Segundo, é também uma poderosa análise ao nosso Serviço Nacional de Saúde – enquanto conta a sua odisseia, tanto revela aquilo que encontrou de mau como de bom – e, por fim, é uma demonstração exuberante do poder do amor”, referiu.

Para Daniel Serrão, a atitude positiva e a esperança foram a melhor terapêutica no caso de Miguel. “Já foi demonstrado que uma atitude de confiança tem um efeito positivo nos linfócitos T, permite que estes reforcem a eliminação de bactérias e agentes microbianos. Temos de ter em conta que a Medicina não é uma ciência exacta, é uma prestação de meios”, assinalou ainda.

Defesa/Punição

A apresentação/debate contou com a participação de Paulo Santos, advogado e comentador jurídico. “Se o ‘bullying’ já é uma situação difícil, a intimidação, a agressão em cima disto [combater o cancro] é mais do que perverso”. Segundo o defensor, o quadro normativo é claro: “O papel do professor é prevenir e intervir em aspectos comportamentais e o estatuto do aluno prevê que tenham salvaguardada a sua segurança e integração, mas aqueles que tenham um comportamento desviante não podem ser tratados como os outros”, afirmou. E continuou: “O tecido das escolas é o espelho das sociedades e quando estas não actuarem podem ser atacadas civil e criminalmente, porque é tempo de dizer chega!”

Contudo, para Paulo Santos, é imperativo que cada indício seja investigado para se descobrir “se, de facto, existe bullying ou calúnia” e acredita que os pais devem ser intolerantes e inflexíveis relativamente ao primeiro caso.

Miguel frequenta agora o 10º ano, numa escola do Porto, que disse gostar "muito", com um sorriso bem delineado. “Aconselho a aqueles que passem por uma situação destas que desabafem para terem a possibilidade de serem ajudados”, concluiu.

«Quero viver» é uma edição de autor e parte das receitas do livro (cinco por cento) reverte para a Associação Acreditar. A discussão foi moderada pelo jornalista da RTP, Mário Augusto e trata-se de mais uma iniciativa apoiada pela Universidade Católica, no âmbito do projecto Porto Cidade Solidária.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Lançamento do livro "Dom Leão e Dona Catatua"

Hoje, dia 31 de Março, durante a tarde decorreu no Centro Cultural de Cascais a sessão de lançamento do livro "Dom Leão e Dona Catatua", da Colecção 4 Leituras.

Era com grande expectativa que aguardava o lançamento deste livro devido à qualidade dos dois livros lançados anteriormente, "O Segredo do Sol e da Lua" e "Gato Gatão, Poeta de Profissão", todos da responsabilidade da Editora Cercica.

A sessão começou com um momento mágico,  a representação, da história, por parte de um grupo de alunos surdos do Agrupamento de Escolas Dr. Sousa Martins. Foi um momento delicioso, cheio de qualidade, que engrandeceu a tarde e "deu brilho" à sessão.

De seguida seguiu-se o protocolo, deu-se a palavra à autora, à ilustradora e aos patrocinadores, colaboradores e parceiros na dinamização/criação do Livro e de toda a colecção.

Esta colecção tem tido o apoio do Ministério da Educação e é muito bem-vinda, pela sua qualidade e pertinência. É um conjunto de livros "acessível a todos" e que está disponível em 4 formatos diferentes: 

   - Versão escrita com DVD interactivo que inclui versão áudio;

  - Versão adaptada em Símbolos Pictográficos para a Comunicação (incluida no DVD interactivo);
  
   - Versão em Língua Gestual Portuguesa (incluida no DVD interactivo);
  
   - Versão em Braille e em formato Daisy.

Para terminar apenas posso dizer, Excelente inicativa, Excelente livro!

Fico a aguardar para onde foi o Vento Maroto...Não perderei o próximo livro!