domingo, 21 de fevereiro de 2010

Zoro e médico do Benfica ajudam Tiago

Existem gestos de louvar, este é um deles.

Este gesto não devia ser notícia, devia ser algo habitual nos nossos dias, ajudar o próximo é um dos valores mais importantes a ensinar à Sociedade actual.

Independentemente do clube, do jogador, importa o Ser Humano...

"O Tiago tem 16 anos, sofre de paralisia cerebral e vive com a avó e o irmão numa casa camarária em Setúbal. Se podia deslocar-se, era porque a avó Alice lhe empurrava a cadeira de rodas. Era assim até ontem, quando recebeu uma cadeira de rodas que ele mesmo comanda. Devia ter sido o futebolista Pedro Mantorras a entregá-la, mas quem esteve em Setúbal e pagou a cadeira foi o osteopata da equipa médica do Benfica, Honório Canelas.

Também Zoro, jogador emprestado ao Vitória de Setúbal, se associou a esta iniciativa, prometendo ao Tiago uma cadeira de banho. "Muitos jogadores de futebol ajudam. Eu aprendi com os mais velhos, como o Nuno Gomes. Podemos ajudar com uma pequena parte do nosso dinheiro", alertou o atleta, enquanto o Tiago experimentava os comandos da cadeira, orçada em 6900 euros, sem nunca desfazer o sorriso. "


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ciclo de Sábados - "Falando com quem faz": "Processo de Identificação das NEE"


Hoje, dia 20 de Fevereiro de 2010, o Ciclo de Sábados - "Falando com quem faz", actividade organizada pela Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, contou com mais uma sessão do "Falando com quem faz", mais uma sessão bastante pertinente.

Este sábado estava subordinado ao tema "Avaliação dos alunos com necessidades educativas especiais: Processo de Identificação das NEE" e tivemos o privilégio de contar com uma jovem dinamizadora, a Professora Ana Paula Joaquim.

Foi outra sessão que decorreu numa manhã de sábado e que contou com uma sala bem composta de profissionais ligados à Educação Especial.

A Professora Ana Paula começou a sua prelecção referindo que é essencial para este processo dotar "os professores do regular de sabedoria" para identificar de forma correcta as dificuldades de cada criança. É evidente que todo o procecesso de identificação está condicionado por juízos de valor, mas cabe-nos a nós sensibilizar toda a comunidade educativa para todo este processo, de modo a minorar muitas das dificuldades dos alunos.

Realçou ainda, a importância da articulação entre o Professor do Regular ou Educador e Professor de Educação Especial, sem nunca esquecer a o papel da família como figura central no decorrer destas etapas.

Realçou que os professores devem fazer uma reflexão crítica da sua Prática Pedagógica, uma auto-avaliação e de seguida uma observação directa do aluno nos diversos contextos.

 Se os problemas subsistirem, então devemos avaliar de forma a compreender melhor as dificuldades na aprendizagem específicas de cada aluno, mas numa primeira instância devemos aferir se a criança tem alguma dificuldade visual e/ou auditiva e até devemos estar atentos a algumas mudanças ambientais que possam ter decorrido num contexto específico do aluno. De seguida, devemos adequar estratégias de ensino/aprendizagem e se mesmo assim as dificuldades continuarem devemos elaborar um Plano de Recuperação ou um Plano de Acompanhamento.

Depois de termos seguido todos estes passos, com base em todos estes aspectos anteriormente descritos, passamos ao processo de Referenciação. Aqui devem estar todas as informações relevantes da criança e da sua família, devidamente fundamentadas.

Esta informação deve ser obtida através de uma avaliação compreensiva dos diversos contextos da criança e sempre com a intervenção de uma equipa pluridisciplinar.

Realçou-se a importância da necessidade de articulação entre docentes de forma a delegar competências, funções e práticas. Estas práticas devem ser partilhadas, conjugadas e reflectidas num espírito de cooperação, sempre com o aluno como "centro" de todo o processo.

Foi mais uma sessão de grande qualidade, onde se pretendia reflectir sobre práticas do dia-a-dia, tendo este objectivo sido alcançado com distinção, uma vez que o diálogo foi bastante enriquecedor.

Uma palavra sobre a "convidada", apesar do nervosismo inicial, demonstrou corresponder às expectativas. Fomentou o diálogo e interagiu com todos os presentes. Demonstrou que a experiência, apesar de muito importante, não é um "bem necessário" para práticas de qualidade.

No próximo sábado, dia 20 de Março, a "convidada"  será Paula Alves e o Tema "Unidades de Ensino Estruturado – Autismo".

Para quem queira efectuar a inscrição no "Ciclos de Sábados", durante 2010, poderá fazê-lo através do link:

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Visita a uma criança muito especial

Hoje, durante a tarde, tive o prazer de visitar um Menino muito especial, numa sala com Meninos simplesmente espectaculares. Cheia de profissionais de uma qualidade de enaltecer. Apenas vos digo que muitos sonham ser como vocês, eu sou um dos que sonha.

Mas a minha visita, para além de conhecer o espaço, tinha um objectivo...conhecer um menino que me tem cativado pelas palavras meigas da sua mãe. É claro que são os gestos dele que a fazem escrever, por isso estão os dois de Parabéns!

As palavras faltam-me para descrever o que senti, por isso deixo-vos com um excerto do "Principezinho":

"Ora vê; por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti..."

Este menino cativou-me por inteiro...
As palavras de sua mãe descrevem-no na perfeição. A dedicação e amor serão um exemplo que me marcará para sempre!!!
Obrigado!!!

O meu muito obrigado à Professora Elvira pela excelente amiga que tem sido e por ter partilhado este grande momento comigo. Um agradecimento especial à Professora Fátima e à Professora Mila pela forma tão acolhedora com que nos receberam. E não me podia esquecer das Auxiliares desta sala, pelas excelentes profissionais que demonstraram ser.

Convite

Caros amigos, "hoje iniciou-se mais um voo! Com apenas uma certeza...o céu é o limite..."

Este projecto está apenas no começo, mas já cheio de "promessas"...promessas essas que não cairão pois estão nas mãos de um "Gigante" da Educação Especial.

Iniciou-se o primeiro voo do blog:


Convido-vos a uma visita.

Geração Ritalina


"O grande aumento no consumo destas substâncias verificou-se em 2004, quando a venda destes medicamentos deixou de pertencer ao domínio das farmácias de certos hospitais e passou a fazer-se em qualquer farmácia.

"Gostava que abordassem o tema "geração ritalina" (ritalin generation). Começa a dar os seus primeiros passos nos EUA com os School Shootings".

Paulo Abrantes

"A prescrição de medicamentos para tratamento da Perturbação da Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) aumentou, em todo o mundo, 274%, entre 1993 e 2003. O número de países que começaram a recorrer a este tipo de drogas subiu de 31 para 55. Os dados foram publicados no jornal americano Health Affairs. Uma em cada 25 crianças e adolescentes norte-americanos estão a ser medicamentado para PHDA.

Calcula-se que em Portugal entre seis e oito mil crianças e adolescentes estejam a tomar este tipo de medicação (números de 2006, com base nas vendas). Em 2004, estimava-se que três mil crianças tomassem medicamentos para PHDA, enquanto que em 2003 eram apenas 400."

Revista Pais & Filhos. Edição de Maio de 2007. Pág. 102

Metilfenidato é o nome químico de ritalina e concerta, psicoestimulantes usados no tratamento da Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA). O grande aumento no consumo destas substâncias verificou-se em 2004, quando a venda destes medicamentos deixou de pertencer ao domínio das farmácias de certos hospitais e passou a fazer-se em qualquer farmácia. Antes de explorar melhor o significado deste crescimento estrondoso na prescrição de ritalina, parece-me fundamental explorar melhor o que é que diferencia o cérebro de uma criança hiperactiva do das outras ditas não hiperactivas. A PHDA, segundo estudos realizados, é uma perturbação do desenvolvimento infantil com base neurobiológica, na medida em que os lobos frontais, que são responsáveis por funções executivas, tais como a atenção, a capacidade de antecipar consequências e organizar tarefas, apresentam certas alterações. Estas alterações estão associadas ao facto de a dopamina, que é um neurotransmissor, apresentar níveis inferiores aos normais, o que dificulta a comunicação entre as células. Ao prescrever o metilfenidato, pretende-se aumentar os níveis de dopamina e, consequentemente, melhorar o grau de funcionalidade dos lobos frontais. Esta melhoria, segundo o folheto informativo do concerta, traduz-se pelo aumento da atenção e pela diminuição da impulsividade e da hiperactividade, em doentes com Perturbação de Hiperactividade e Deficiência de Atenção.

A grande questão que se coloca é se existem actualmente mais crianças com PHDA do que antigamente. Sendo esta uma perturbação com uma componente biológica, a sua incidência é, com certeza, a mesma que no passado (cerca de 3% a 5%); o que aumentou foi a capacidade de diagnóstico desta patologia. A quantidade de informação que tem sido divulgada sobre esta problemática é verdadeiramente astronómica, o que conduz a um maior conhecimento e uma maior atenção e sensibilidade por parte das pessoas em geral e dos técnicos em particular para a sua identificação. Note-se, no entanto, que o excesso de informação pode também ter um efeito perverso, pois pode gerar confusão e, consequentemente, falsos diagnósticos de PHDA, pois em cada esquina parece existir um "especialista" nesta área. Só é possível efectuar um diagnóstico preciso quando vários sintomas persistirem por mais de seis meses, em diferentes contextos: familiar, escolar e extra-escolar. Para evitar diagnósticos precipitados é, por vezes, necessário que a criança seja avaliada por uma equipa pluridisciplinar, constituída por pediatra, psiquiatra, psicólogo e técnico do ensino especial. A informação fornecida pelos pais e pelos professores, mediante o preenchimento de um questionário relacionado com o comportamento da criança, é também fundamental para a realização de um diagnóstico correcto.

Para além do que já foi exposto, existem muitas outras questões às quais é importante dar resposta, tais como: A existência de um fenómeno de "sobrediagnóstico" relativamente à PHDA é uma hipótese a desprezar? Haverá uma procura excessiva e um uso abusivo de metilfenidato? Haverão efeitos secundários a curto e a longo prazo em resultado da ingestão de ritalina? A acção do metilfenidato leva à cura da hiperactividade?"

De: Adriana Campos