quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Novo Estatuto do Aluno publicado em Diário da República

O novo Estatuto do Aluno, que entra em vigor no próximo ano letivo, prevê multas para os pais dos estudantes incumpridores, proíbe captação de imagens ou sons nas aulas e permite a transferência daqueles que agridam colegas ou professores. 

Publicado hoje (05/09/2012) em Diário da República, o diploma reuniu a discordância da Oposição, no Parlamento, tendo contado somente com votos favoráveis da maioria PSD/CDS. 

Os representantes dos pais também apresentaram reservas, considerando que a medida que prevê multar os encarregados de educação dos alunos faltosos é "um presente envenenado" para as escolas, por se tratar de matéria para os tribunais de menores.

Os pais dos alunos faltosos passam a ser responsabilizados pelos comportamentos dos filhos e podem ser punidos com coimas que podem ir dos 13 aos 79 euros, tendo por base os valores em vigor.

O Estatuto refere que a falta de cumprimento "consciente e reiterado" por parte dos pais e encarregados de educação de alunos menores a um conjunto de deveres, "aliada à recusa, não comparência ou ineficácia das ações de capacitação parental determinadas constitui contraordenação".

Entre as obrigações listadas estão a matrícula, frequência, assiduidade e pontualidade dos alunos, a comparência na escola sempre que os filhos atinjam metade do limite de faltas injustificadas ou em caso de audição obrigatória devido a procedimento disciplinar, mas também a realização pelos estudantes das medidas de recuperação definidas pela escola.

Quando aqueles deveres não são cumpridos, a escola deve comunicar à comissão de proteção de crianças e jovens ou ao Ministério Público, mas também avançar para contraordenações "punidas com coimas de valor igual ao máximo estabelecido para os alunos do escalão B do ano ou ciclo de escolaridade frequentado pelo educando" para aquisição de manuais escolares.

Os deveres do aluno incluem estudar, respeitar a autoridade e instruções dos professores e pessoal não docente, tratar com respeito e correção qualquer membro da comunidade educativa ou respeitar a integridade física e psicológica de todos.

Na lista das obrigações consta não possuir ou consumir substâncias aditivas, como drogas, tabaco ou bebidas alcoólicas, não utilizar equipamentos tecnológicos, como telemóveis, nos locais onde decorram aulas, e não captar sons ou imagens sem autorização dos professores.

"Não difundir, na escola ou fora, nomeadamente via Internet, sons ou imagens captados nos momentos letivos e não letivos, sem autorização do diretor da escola", pode igualmente ler-se no diploma.

Entre as medidas disciplinares corretivas previstas no Estatuto estão a advertência, ordem de saída de aula, realização de tarefas e atividades de integração na escola ou na comunidade, condicionamento de acesso a alguns espaços ou mudança de turma.

Um aluno que agrida física ou moralmente um colega ou um professor pode ser transferido para outra turma a pedido dos agredidos.

As medidas disciplinares sancionatórias são a repreensão registada, suspensão até 12 dias, transferência de escola ou expulsão.

"A lei protege a autoridade dos professores" garante o diploma e os crimes cometidos contra a sua pessoa ou património, no exercício da profissão, levam a penas agravadas em um terço nos seus limites mínimo e máximo.


In: Educare

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Lenine Cunha conquista medalha de bronze

Um salto de 6,95 metros garantiu esta terça-feira a Lenine Cunha a conquista da medalha de bronze na prova do salto em comprimento F20 (deficiência intelectual) dos Jogos Paralímpicos Londres'2012.

A prova foi ganha pelo espanhol Jose Exposito, com a marca de 7,25 metros (novo recorde paralímpico), que se impôs ao croata Zoran Talic (7,09), medalha de prata.

O atleta português, que tinha como melhor marca do ano 6,70 metros, melhorou o seu recorde pessoal de 6,74 metros. Lenine Cunha, de 29 anos, estreou-se em competições paralímpicas nos Jogos Sydney'2000, e esteve ausente durante 12 anos devido ao facto de a deficiência intelectual ter sido retirada do programa.

In: Record

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Congresso 2013 - "Educação Inclusiva e Equidade"

III Congresso Internacional 
“Educação Inclusiva e Equidade” 

31 out. 1 e 2 nov. 2013 

Oradores: 
  • António Nóvoa (Universidade de Lisboa) 
  • Renato Opertti (IBE - UNESCO) 
  • José Morgado (ISPA - IU) 
  • José Pacheco (Escola da Ponte - Vila das Aves)

Local: Aula Magna do Instituto Piaget de Almada (Lisboa) 

Submissão de Comunicações e Posters: 30 set. 2012 a 30 mar. 2013


A PIN - ANDEE pondera a realização de uma Mostra de Tecnologias e Recursos no dia 31 de Outubro de 2013, das 9h às 16h.

Manifeste o seu interesse em receber mais informação sobre o congresso:congressospinandee@gmail.com

Pode também consultar o blogue: http://congressospinandee.blogspot.pt

Era uma vez um “autista”

Ainda era um jovem professor e já a dúvida o atormentava... Talvez por ser o mais jovem - e considerado inexperiente - confiaram-lhe a turma mais pequena da escola. Porém, certo dia, recebeu a visita da senhora diretora. Vinha acompanhada por um moço, que andaria aí pelos treze anos. E logo foi dizendo:

O senhor professor é um privilegiado! A sua turma só tem quarenta e oito alunos, mas trago-lhe mais um, que lhe vai dar mais trabalho do que a turma toda junta. E já o aviso: o moço é autista e é perigoso.

Naquele tempo, ninguém usava o termo "inclusão", nem expressões como "aluno com necessidades especiais". Muito menos tinha sido inventado o TDA, o DDA, o TDA-H, a Ritalina não estava na moda, nem se reconhecia haver o que, hoje, se designa por hipercinético... Naquele tempo, o moço era deficiente. E pronto!

Naquele tempo, em plena ditadura, ninguém ouvira falar de um russo chamado Vigotsky, que discordava de um tal de Piaget, porque esse tal de Piaget dizia que o desenvolvimento do pensamento na criança "parte do pensamento autístico não verbal à fala socializada e ao pensamento lógico, através do pensamento e da fala egocêntricos". Naquele tempo, vivíamos na mais escura treva teórica. 

O jovem professor recorreu ao dicionário: "autismo é uma disfunção global do desenvolvimento". Ficou a perceber o mesmo... Agarrou-se à tábua salvadora do processo que acompanhava o aluno. Nele dizia que o autista havia arrancado os brincos da professora e que, nesse violento gesto, tinha rasgado as orelhas da mestra, que fora receber tratamento hospitalar. O processo só não dizia por que razão o "autista" arriscara o tresloucado gesto. Somente acrescentava que, consumado o delito, o aluno fora expulso.

Aquele jovem professor não era daqueles que cedo desistem de aprender. Com a informação de que dispunha (nenhuma), meteu mãos à obra. No dia seguinte, dividiu o quadro negro em quatro partes e em cada uma delas escreveu tarefas para cada série. Coisa de demorar uma meia hora a fazer. Posta a classe em ação, dirigiu-se para o fundo da sala, onde o autista se instalara. 

Quando já estava a menos de alguns passos do "autista", prudentemente, deteve-se. O "autista" balançava a cabeça e isso talvez não augurasse algo bom... Recordou o aviso da senhora diretora: "este aluno é autista e é perigoso". O jovem professor recuou. A situação repetiu-se, vezes sem conta, ao longo desse dia: a cada aproximação, novo movimento pendular da cabeça do "autista"; a cada arremetida, novo estratégico recuo. E o professor regressou a casa, preocupado. Não conseguira chegar sequer à fala com o "aluno especial", ou de "inclusão", como, hoje, seria designado . Muito menos conseguiu ensinar-lhe algo, enquanto durou o que restava daquele ano letivo.

Muitos anos decorridos sobre este incidente, o professor, já menos jovem e com algumas noções de prática teorizada, compreendeu que aquele aluno nunca tinha sido autista. Apenas lhe tinham colocado um rótulo. Aliás, compreendeu algo bem mais importante e decisivo para a tomada de decisões que, alguns anos depois, o conduziram a uma profunda mudança na sua prática. Há quarenta anos atrás, o professor compreendeu que, na sua sala, não havia um "autista" - havia tido quarenta e nove. Ou melhor: seriam cinquenta os "autistas". Porque, dentro das quatro paredes da "sua sala de aula", todos estavam... sozinhos.

Por: José Pacheco

In: Educare

Regresso

Durante algum tempo andei "desaparecido"... Esses dias serviram para reflectir, para me divertir e claro...para trabalhar :)

Deste tempo de reflexão apenas uma certeza...Cada vez tenho mais vontade e força para "abraçar esta causa"...

Felizmente já sei onde estarei no próximo ano lectivo, apenas uma certeza nada influenciará a minha maneira de ser e de estar... 

A quem não conseguiu entrar espero, com muita sinceridade, que o consigam em breve!

A Todos um bom regresso ao trabalho e um excelente ano lectivo...