quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Editorial da newsletter da PIN-ANDEE de setembro

Partilho o editorial da newsletter da PIN-ANDEE, Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, de setembro escrito pelo presidente Prof. Doutor David Rodrigues.


Caros sócios e amigos:

Há quem compare a vida de professor ao mito do eterno retorno… Quando se encontra, no final de um ano letivo, um certo equilíbrio de informação, conhecimento e relação, eis que tudo regressa ao princípio com um novo ano cheio de surpresas de… informação, conhecimento e relação.

Eu penso que esta é uma forma muito convencional e redutora de encarar a vida e sobretudo a vida de professor. Pensar que a vida é um eterno retorno apela a uma representação em círculo; quer dizer que andaríamos à volta, à volta, tendo só por certeza que no futuro havemos de voltar a passar pelos lugares que já passamos mil vezes antes. A vida de professor não é (ou não deve ser) um eterno retorno é talvez mais que um círculo, uma espiral em que sempre vamos vendo coisas diferentes de ângulos e perspetivas elas também diferentes. O facto de parecer que andamos em círculo não nos deve iludir: nunca passaremos pelas mesmas situações da mesma maneira: se virmos as situações iguais aos que já vimos é porque não estamos a ver claro e se pensarmos que os problemas de hoje ou do futuro se resolvem com as soluções que encontramos no passado estaremos certamente a “economizar” no esforço e no compromisso que precisamos de ter para os resolvermos.

Sei que os tempos não vão bons para a participação. Estamos no meio de uma crise que muitas vezes não percebemos nem como nela entramos nem como dela saímos. Estamos num buraco mas não sabemos quem tirou a terra nem para onde é que ela foi. (É verdade… a terra que falta no buraco foi para qualquer lado…). Nesta situação tudo nos convida a “esperar para ver” e a ter a ilusão que se ficarmos quietos talvez o assunto não piore ainda mais…

Queria iniciar este ano letivo de 2012 desejando a todos os professores em nome da direção da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, um ano lúcido, um ano de compromisso em que façamos ouvir a nossa voz certos que a participação democrática é imprescindível e é talvez o único reduto que temos de preservar a todo o custo. Porque a democracia, como muito bem nos ensinou o ideário do 25 de Abril de 1974, é a chave do desenvolvimento por muito trabalhosa que possa parecer.

Um bom ano profissional e pessoal para todos! E não se esqueçam: esta associação existe para amplificar a vossa voz. Não se afastem do microfone!

David Rodrigues

Presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial

Editorial da newsletter de setembro de 2012 (1ª QUINZENA)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Exames - o Santo Graal da educação!

Havia quem culpasse os alunos, outros o sistema e alguns a si mesmo, colocando em causa todo o trabalho e competência. Os técnicos, no meio daquilo, faziam contas ao futuro porque maus resultados também significa ineficácia do projeto que financia os seus salários.

Antes... 
Era uma vez uma escola. Como todas as outras, feita de professores, técnicos especializados, funcionários, alunos e encarregados de educação. Uma escola que funcionava como oásis de uma comunidade desprotegida. Fora da escola as crianças tinham de lidar com a fome, com a delinquência, com a pobreza extrema e com situações emocionais que não há teclas de computador que permitam retratar. Dentro da escola eram apenas crianças... cujas vidas madrastas não a impediam de ter e partilhar momentos de absoluta felicidade. 

Toda e qualquer atividade era pensada para elas, atendendo às suas características, pensando no seu ponto de partida e apostando nas suas potencialidades. Era uma escola em que se trabalhava muito, onde a dedicação tinha de ser extrema e que, admitamos, levava alguns dos adultos a desistirem mais cedo que as crianças. Os que não desistiam sentiam uma necessidade enorme de ver que o seu esforço tinha dado resultados, tinha surtido efeito, tinham sido bem-sucedidos. Mas como? 

Felizmente os ventos que sopram desde a 5 de Outubro facilitam esta angústia propondo que tudo em educação seja classificado de acordo com os resultados dos exames nacionais a Português e Matemática. Basicamente, aquela como todas as outras escolas do país, recorreria ao mesmo exercício de autoavaliação: ver os resultados dos alunos nos exames de Português e Matemática e senti-los como espelho do trabalho. 

Não seria este exercício redutor? ... 

Durante... 
Era sexta-feira e o ambiente era tenso. As pessoas estavam na escola e tinham assumido cada uma delas uma avaliação pessoal mediante os resultados que sairiam nos próximos minutos. Os resultados foram saindo. No 6.º ano fomos excelentes, no 9.º ano terríveis. A euforia espalhou-se pelos professores bem-sucedidos, tal e qual, uma criança quando ganha o brinquedo pelo qual tanto esperou. Do outro lado, havia uma depressão generalizada. Havia quem culpasse os alunos, outros o sistema e alguns a si mesmo, colocando em causa todo o trabalho e competência. Os técnicos, no meio daquilo, faziam contas ao futuro porque maus resultados também significa ineficácia do projeto que financia os seus salários. 

Depois... 
Minutos depois a depressão deu lugar ao conformismo e ao "não podemos fazer nada". Havia quem se sentisse melhor neste discurso, havia quem livrasse os professores destes maus resultados e havia quem adotasse estes resultados como espelho do seu trabalho. Como disse uns parágrafos acima, não raras vezes, eram os adultos a desistir mais cedo e assim foi. 

Alguns alunos e encarregados de educação decidiram pedir reapreciações de provas. Numa turma de 20, foram seis os alunos a pedirem a reapreciação de uma das provas. Curiosos foram os resultados deste inconformismo da parte dos pais... 

Todas as seis provas foram reavaliadas com notas mais elevadas e três delas implicaram, mesmo, a mudança de nível (1 para 2 ou 2 para 3). Numa delas a diferença entre a primeira correção e a reavaliação foi apenas de 16 pontos em 100... 

A depressão aligeirou um pouco, dando lugar à revolta. Afinal, que método é este que se apresenta como infalível e, afinal, é profundamente erróneo? Onde está o Santo Graal prometido pelo Sr. Ministro? Que é feito da exigência tantas vezes propalada pelos nossos dirigentes? Mas, acima de tudo, o que sente um aluno, uma família, quando vê duas avaliações tão distintas a uma mesma prova? O que pensarão eles sobre a escola? Que credibilidade lhes confere?

Por: Simão Monteiro

In: Educare

Menino com paralisia cerebral dá primeiros passos

Joel Rogers, de 8 anos, é a prova viva que nunca se deve desistir. Este menino britânico, que sofre de paralisia cerebral, deu os seus primeiros passos após um ano de fisioterapia intensiva.

Joel nasceu prematuro, dez semanas antes de completar nove meses, e sofreu uma hemorragia na cabeça que provocou lesões no cérebro originando uma paralisia cerebral.

Porém, há cerca de um ano, tudo mudou: Joel foi submetido a uma operação inovadora, no hospital de Chesterfield, em Inglaterra, que ao cortar as ligações nervosas que provocavam convulsões nas pernas, permitiu que o menino desse os seus primeiros passos.

Em declarações à BBC News, o pequeno Joel conta que a ajuda da fisioterapeuta tem sido essencial para o progresso registado em um ano. “Ela ajudou-me muito, em coisas como dar-me mais força para conseguir fazer aquilo que faço agora”, explica.

Para que a evolução continue a ser possível, o menino realiza sessões de fisioterapia no hospital onde foi operado todas as semanas e quando, chega a casa, tem outros tantos exercícios para fazer.

A mãe do menino, Jodie Rogers, afirma que apesar do “processo ter sido mais intenso do que esperava para toda a família, agora que Joel deu os primeiros passos tudo valeu a pena”, diz à BBC News.

Apesar dos bons indicadores, esta jornada ainda não chegou ao fim: os profissionais de saúde do hospital calculam que sejam precisos mais dois anos de fisioterapia para se puder alcançar melhores resultados.

Porém, Joel mostra-se feliz. Afinal de contas, agora pode já brincar mais com o irmão sem o andarilho, que usou durante oito anos, os atrapalhar.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Anel com câmara dá assistência a invisuais

Uma equipa de investigadores norte-americanos, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), desenvolveu uma mini-câmara com voz integrada e de fácil transporte, aliás é um anel e poderá substituir a bengala branca dos invisuais.

O dispositivo, chamado de EyeRing, “é intuitivo”, segundo dizem os cientistas Suranga Nanayakkara e Roy Shilkrot. Para usá-lo basta coloca-lo no dedo, apontar para um objecto e carregar num botão. Assim, a câmara do EyeRing tira uma fotografia e, em segundos, redige uma mensagem áudio com pormenores como a distância a que fica o objecto.

As capacidades desta nova tecnologia não ficam por aqui, já que se o utilizador pronunciar as palavras “cor” ou “dinheiro”, o anel por reconhecer a cor e dizer o preço de um objecto ou mesmo identificar de quanto é uma nota.

Portanto, se apontarmos para uma camisa numa montra e clicarmos duas vezes num pequeno botão na lateral e determinarmos a função desejada (identificar moedas, textos, preços em etiquetas e cores), a imagem é enviada via Bluetooth para o telemóvel, onde uma aplicação usa algoritmos de visão computacional para processar a foto e anunciar em voz alta o que ele está a ver (verde, 20 euros, etc.). Para tal, basta apontar, falar, carregar no botão e ter um smatphone no bolso.

O EyeRing é revestido de plástico, inclui uma minúscula câmara, um processador e ligação Bluetooth. A melhor parte é que nem sequer é necessário tirar o telefone do bolso e desbloquear o teclado.

Os engenheiros pretendem ainda melhorar o protótipo antes de comercializá-lo. O objectivo é reduzir o tamanho do anel, para que seja mais confortável usá-lo durante um período mais longo, acrescentar-lhe algumas funções, especialmente uma câmara em tempo real.

Os investigadores consideram que poderá ser um objecto com várias funcionalidades e mesmo ser usado como guia turístico interactivo.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Alteração às condições de aplicação das medidas de ação social escolar

Foi publicado o Despacho n.º 11886-A/2012 que define as condições de aplicação das medidas de ação social escolar para o ano letivo de 2012-2013 e introduz alterações e aditamentos ao despacho n.º 18987/2009, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 158, de 17 de agosto de 2009, com as alterações entretanto introduzidas.
Através do presente diploma, reforça-se no ano letivo de 2012-2013 o apoio a crianças e jovens que frequentam escolas de referência ou unidades de ensino estruturado e de apoio especializado que passam a ter comparticipação no transporte, garantindo-se assim o pleno direito à educação a todas as crianças e jovens.

O diploma altera, ainda, a alínea b do n.º 1 do artigo 13.º relativo aos alunos com necessidades educativas especiais, passando a ficar com a seguinte redação:

1 — Os alunos com necessidades educativas especiais de carácter permanente com programa educativo individual organizado nos termos do Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de janeiro, na redação que lhe foi dada pela Lei n.º 21/2008, de 12 de maio, têm ainda, supletivamente em relação às ajudas técnicas a prestar por outras entidades de que beneficiem, direito às seguintes comparticipações da responsabilidade dos municípios ou do Ministério da Educação, no âmbito da ação social escolar e nos termos do artigo 8.º:
a) Alimentação — totalidade do custo;
b) Transportes — totalidade do custo para os alunos que residam a menos de 3 km do estabelecimento de ensino;
c) Manuais e material escolar de acordo com as tabelas anexas para a generalidade dos alunos, no escalão mais favorável;
d) Tecnologias de apoio — comparticipação na aquisição das tecnologias de apoio a que se refere o artigo 22.º do Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de janeiro, até um montante igual ao atribuído para o material escolar do mesmo nível de ensino, no escalão mais elevado, conforme o anexo III do presente despacho.
2 — No caso de não poderem ser utilizados os transportes regulares ou os transportes escolares, a comparticipação a que se refere a alínea b) do número anterior é da responsabilidade do Ministério da Educação.

Via: Incluso