quarta-feira, 8 de maio de 2013

Conferência "Educação Inclusiva - Uma Perspetiva Internacional de Seamus Hegarty

A Pró-Inclusão- ANDEE em parceria com o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, irá realizar no próximo dia 18 de maio, a conferência "Educação Inclusiva - Uma Perspetiva Internacional de Seamus Hegarty.

A conferência é gratuita para associados com quota regularizada e alunos do Instituto de Educação. Para outros interessados o valor é de 10€.

Faça já a sua inscrição para proandee@gmail.com


terça-feira, 7 de maio de 2013

"OS EXAMES CORRERAM BEM". Claro, os professores e os pais são gente responsável

É recorrente. Em cada época de exames nacionais emerge a discussão sobre a maior facilidade ou dificuldade dos exames. A diferença é que este ano a época abriu mais cedo com os exames do 4º ano.

Naturalmente existem opiniões. Em primeiro lugar a opinião do Ministro Nuno Crato de que a “operação exames” correu bem no seu primeiro dia. Claro que era suposto correr bem apesar das circunstâncias estranhas da operação. Do meu ponto de vista, o Ministro Nuno Crato olha para o acessório, a logística e o desenrolar dos exames e algo que como escrevi me parecia claro, a serenidade da maioria dos miúdos. Na verdade, os pais e os professores, ao contrário do que o Ministro entende, são, de uma forma geral, competentes e empenhados e gente com bom senso pelo que fariam o necessário para que tudo corresse da forma mais tranquila possível.

No entanto, para além de aspectos como a deslocalização dos miúdos, a questão essencial continua em aberto, a função dos exames, a adequação e importância dos exames nestes termos, obrigatórios e com efeitos na progressão ao fim de quatro anos de escolaridade.

Ainda não conheço opiniões significativas de docentes mas ao que alguma imprensa refere as crianças não acharam os exames difíceis.

Em Portugal, a tradição no que respeita à dificuldade dos exames assenta no mesmo pressuposto que o Natal, ou seja, é quando e como um homem quiser. Dito de outra maneira, os exames são um instrumento político e o seu maior ou menor grau de dificuldade acaba por ser interpretado, justa ou injustamente, pela apropriação política dos resultados obtidos pelos alunos à luz dos diferentes interesses em jogo. Já assistimos, aliás, a opiniões diferentes sobre o mesmo exame por parte de diferentes associações de professores da mesma disciplina.

A análise dos discursos produzidos em cada época de exames mostra isto mesmo. Continua a faltar a discussão do essencial.

Texto de Zé Morgado

III Congresso Internacional Educação Inclusiva e Equidade!


III Congresso Internacional 

Educação Inclusiva e Equidade!



Sejam bem - vindos ao III Congresso Internacional Educação Inclusiva e Equidade!

31 out. 1 e 2 nov. 2013 

Local: Aula Magna do Instituto Piaget de Almada (Lisboa)


Para informações detalhadas sobre o congresso, clique aqui.

Para efetuar a sua inscrição clique aqui.

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"Exames da 4ª classe só podem ser bons para os psiquiatras"

Rui Amando Santiago, doutor em Ciências da Educação, defende que os exames do 1.º ciclo do ensino básico que se realizam esta semana provocam nas crianças uma angústia desnecessária.

Foi há 50 anos, mas Rui Armando Santiago, especialista em educação e professor da Universidade de Aveiro, lembra-se bem da angústia que sentiu no dia em que fez o exame da quarta classe na atual Escola Secundária Avelar Brotero, em Coimbra e não na escola primária em Ceira, onde vivia. Por isso, discorda em absoluto do regresso das provas, que se realizam amanhã, 7 de maio (Português) e na próxima sexta-feira, dia 10 (Matemática).

"Quando estava no quarto ano de escolaridade fiz uma série de exames. Para além do exame da quarta classe, que até íamos fazer de gravata ou laço, havia o exame de admissão ao liceu ou à escola técnica. Isso não me trouxe muita vantagem para a minha vida", recordou ao Expresso.

"Estão de volta os exames e imagino a angústia que as crianças estão a sentir. Ao fim de quatro anos de escolaridade, fazer estes exames só pode ser bom para os psiquiatras. Daqui a alguns anos podem ter mais alguns clientes", ironiza Rui Santiago.

"Para os miúdos nem sempre são experiências positivas. Faz lembrar o Estado Novo", acrescenta.

Doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Aveiro, Rui Santiago defende que o Governo deveria estar mais preocupado em "não deixar ninguém para trás, não desistir das pessoas".

"É o que me parece que está a agora a acontecer no ensino básico. Está-se a desistir das crianças que têm dificuldades de aprendizagem, que têm necessidades educativas especiais, bem como daqueles que falham, entre aspas", argumenta.

"Não desistir é uma das características que marcam o estado de desenvolvimento de uma sociedade" e no caso de Portugal, sublinha o professor, estamos a retroceder ao período da sua infância.

Pela primeira vez, estas provas valerão 25% da nota final dos quase 107 mil alunos que as irão realizar. Os resultados serão conhecidos a 12 de junho.

In: Expresso online

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O Défice de Atenção não existe só nas crianças

A aproximação do final do ano lectivo e das provas de avaliação leva a que, todos os anos, por esta altura, surjam anúncios, notícias e debates sobre medicamentos que visam aumentar as capacidades de atenção e memória e, consequentemente, melhorar o rendimento escolar.

Sejam de venda livre (na maioria dos casos só vantajosos para quem os vende, quando não prejudiciais para quem os toma), sejam princípios activos que carecem de prescrição cuidadosa e indicação específica (que, quando as não têm, podem acarretar riscos acrescidos para a saúde) são, por norma, todos tratados por igual, sem distinção de eficácias ou de contra-indicações e, muito menos, de possíveis indicações clínicas.

As dificuldades de aprendizagem podem contudo ter causas que devem ser esclarecidas. Algumas delas são do foro médico ou psicológico e podem ser tratadas. Entre estas, uma das mais estudadas é a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA).

A PHDA é caracterizada por um conjunto de sinais e sintomas de desatenção, impulsividade e agitação motora que perturbam o rendimento escolar e profissional, a vida familiar e as relações sociais das pessoas que dela sofrem. Claramente exagerados, atendendo à idade e às situações, estes sinais manifestam-se em todas, ou quase todas, as circunstâncias da vida. Presentes logo desde a infância, prolongam-se pela adolescência e, frequentemente, pela vida adulta.

A PHDA resulta de uma perturbação no desenvolvimento do sistema nervoso (antes ainda do nascimento) e tem um componente hereditário. A probabilidade de um adulto com PHDA ter um filho com o mesmo problema é de 50%. Por isso, é frequentemente identificada nos pais e nos irmãos de crianças a quem foi inicialmente feito o diagnóstico.

Cerca de 5 a 8% das crianças em idade escolar têm PHDA. Destas, cerca de metade, continuarão a ter sintomas de PHDA ao longo de toda a vida.

Nas crianças a PHDA é diagnosticada mais frequentemente nos rapazes (eventualmente por a hiperactividade ser mais exuberante nestes). As raparigas, mais sossegadas e com menos sinais de hiperactividade, serão menos notadas, apesar de sofrerem igualmente de Défice de Atenção.

Contudo, é o Défice de Atenção que, a médio prazo, conduz a uma maior taxa de insucesso (escolar, profissional, mesmo social…). O Défice de Atenção traduz-se na grande dificuldade em fixar e manter a atenção e a concentração, sobretudo quando se trata de assuntos que o próprio considera menos interessantes ou mais monótonos. A dificuldade de controlar a atenção pode ainda manifestar-se por uma atenção exagerada e desadequada em determinadas situações, com tendência para se “arrastar nas coisas”. A isto chamamos “hiperfocagem” e é tão típica da PHDA como o é a desatenção.

A forma como a PHDA se apresenta nos adultos é necessariamente diferente da forma como se manifesta nas crianças. O crescimento, a vivência e, consequentemente, o “amadurecimento” da personalidade, contribuem para que algumas das manifestações mais exuberantes, como a extrema irrequietude ou agitação, sejam raras no adulto.

A impulsividade e, sobretudo, a desatenção tendem porém a persistir e podem causar incapacidades importantes no funcionamento emocional e social, particularmente evidentes nas relações interpessoais e no desempenho profissional. As mudanças de humor, as práticas de risco, o insucesso académico, a mudança repetida de emprego, as mudanças de objectivos, os projectos que se iniciam com entusiasmo e se largam de seguida, o desencontro dos ritmos de sono e vigília, a dificuldade em estabelecer prioridades e em gerir o tempo, são sinais que surgem associados à PHDA.

Em todos os casos, há que ter a certeza que as manifestações de hiperactividade, de impulsividade ou mesmo as de desatenção, não são explicáveis por outras causas (alterações do sono, consumo de substâncias, doença psiquiátrica, etc.). O diagnóstico de PHDA é clínico, e não existem análises ou exames médicos que o permitam fazer. Tem como base a avaliação da história clínica e a análise do comportamento nos vários locais (escola, emprego, casa, tempos livres). 

No caso de suspeita de PHDA, deverá ser consultado um médico ou psicólogo com experiência nesta perturbação. Só eles poderão fazer o diagnóstico.

É grande a importância de diagnosticar e tratar a PHDA. O tratamento adequado não só diminui os sintomas da perturbação, como restitui à pessoa a possibilidade de usar as capacidades que realmente tem. Finalmente, tratando a PHDA diminuem os riscos de aparecimento de outras perturbações que frequentemente lhe estão associadas (ansiedade, depressão, comportamentos de risco, etc.).

Por: Carlos Nunes Filipe

O autor é médico psiquiatra e director científico do CADIn – Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil

In: Público