domingo, 13 de dezembro de 2015

RANKINGS ESCOLARES. NOTA FINAL

Sobre os rankings escolares já se escreveu imenso. Sobre o seu impacto maior ou menor, sobre a sua construção, sobre própria existência, sobre os seus resultados. Eu próprio já o fiz no Público.

Mas muito mais ainda há, não tanto para escrever, mas, sobretudo, para pensar em termos de política educativa que ao longo de décadas alimenta a situação que os rankings retratam, no de mais positivo como no de mais negativo. Era este o caminho que mais desejava ver percorrido. É a insistência em políticas que alimentam estes resultados que me preocupa, eles são consequência e não causa e a resolução ou minimização de problemas é mais eficaz e menos onerosa se for centrada nas causas para além de discorrer ou abordar "apenas" as consequências.

Dito isto uma nota final.

Apesar das melhorias evidentes que de uma forma geral se verificam na construção dos rankings, continuo embaraçado com a forma como alguma comunicação social os aborda com referências constantes "às melhores escolas" e às piores escolas". Também continuo embaraçado com a inserção de publicidade a escolas privadas e ao ensino privado nos suplementos dos jornais dedicados aos rankings.

Eu sei que é o mercado a funcionar. Mas também sei que esta situação é um bom serviço prestado aos negócios da educação que se inscrevem, aliás, no caminho de que falava acima.

Para o ano, para o ano depois do próximo ano, estaremos, provavelmente, face a um cenário sem diferenças substantivas apesar do esforço, dedicação e competência da esmagadora maioria dos professores, directores, funcionários das escolas e agrupamentos bem como das capacidades dos alunos e do trabalho educativo das suas famílias.

Texto de Zé Morgado

A ilusão dos rankings das escolas

Há cerca de 15 anos os jornais publicam os rankings, isto é, uma seriação, das escolas, com base nos resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais. Importa perguntar se a divulgação dos rankings ajudou a melhorar o sistema educativo. Ou se a competição entre escolas, por uma posição nos rankings, melhorou a qualidade do ensino e do seu funcionamento. Ou, ainda, se a informação divulgada permitiu melhorar a capacidade de escolha das famílias. É uma ilusão pensar que os rankings tiveram estes efeitos.

1. A divulgação dos rankings apenas veio reforçar a capacidade de recrutamento e de escolha dos melhores alunos por algumas escolas. Não foram as famílias que ficaram com mais informação para escolher a escola dos seus filhos, foram as escolas que passaram a poder escolher os melhores alunos, aqueles com quem o trabalho é mais fácil. Os alunos com quem o trabalho pedagógico é mais difícil passaram a ficar nas escolas que não escolhem. Neste sentido, a competição introduzida pelos rankings não melhora a qualidade do trabalho pedagógico. Apenas melhora os mecanismos de seleção dos alunos. As escolas “boas” ficam facilmente melhores, as “menos boas” ficam com mais dificuldades. O sistema educativo ficou assim mais afetado pela desigualdade escolar.

2. Os rankings têm sido usados para difundir uma imagem negativa das escolas públicas, apontadas como caras e ineficientes, e com piores resultados do que as privadas. O Governo da coligação PSD/CDS alimentou, objetivamente, a oposição público/privado, tomando decisões que favoreceram as escolas privadas e prejudicaram as escolas públicas, designadamente quando: (a) diminuiu a autonomia das escolas públicas, eliminando a margem de liberdade que existia para estas estabelecerem parte do currículo e definirem as suas ofertas formativas, ao mesmo tempo que concedeu às escolas privadas total autonomia pedagógica, administrativa e financeira; e (b) acabou com os programas de melhoria da qualidade do ensino e dos resultados escolares, ao mesmo tempo que aumentou significativamente as transferências de recursos públicos para as escolas privadas.

3. A experiência demonstra também que os resultados escolares não se melhoram com os rankings nem sequer com os exames. Nos últimos três anos, não faltaram rankings nem exames, mas o insucesso escolar aumentou em todos os anos de escolaridade. A melhoria dos resultados escolares exige mudanças e investimentos continuados em três planos. Primeiro, otimização da capacidade técnica e de inovação dos professores e de outros profissionais da educação. Segundo, reforço da inserção das escolas nas comunidades enquanto serviço público de proximidade sujeito à participação e escrutínio das famílias e das instituições locais. Terceiro, atribuição às escolas de instrumentos de organização adequados. A autonomia e melhoria da liderança e da gestão das escolas, nos planos científico, pedagógico e organizacional, devem traduzir-se na possibilidade de decidir sobre o tempo de trabalho-tarefa dos alunos, sobre as práticas pedagógicas e sobre a gestão dos currículos, dos programas e da diferenciação das ofertas formativas.

Os problemas mais graves do sistema educativo no nosso país são o insucesso, o abandono e a desigualdade escolares. Problemas que se agravaram nos últimos três anos, apesar dos rankings.

Por: Maria de Lurdes Rodrigues

Ministra da Educação do XVII Governo Constitucional, professora de Políticas Públicas no ISCTE-IUL. A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico

Rankings escolares: nada de novo

Esta época, entre outras coisas, traz-nos a sazonal divulgação das classificações das escolas, os rankings, elaboradas a partir dos resultados dos exames nacionais. O Ministério da Educação divulga os resultados escolares e alguns dados relativos às escolas, a imprensa e algumas entidades, estruturas de ensino superior por exemplo, analisam esses dados e produzem-se umas classificações “criteriosas”, com “indicadores ponderados”, utilizando “diferentes critérios”, etc., etc. É verdade que tem vindo a melhorar a abordagem aos resultados e à sua divulgação levando em conta outras variáveis importantes para além dos resultados dos exames. De entre estas variáveis, importa considerar dimensões de natureza sociodemográfica como o nível de escolaridade dos pais ou o número de alunos que estão abrangidos pelos dispositivos de acção social escolar.

Estou a escrever estas notas sem conhecer os dados deste ano mas, provavelmente, teremos os padrões que têm sido razoavelmente estáveis apesar de algumas oscilações. Recordo que numa iniciativa recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos foi apresentado um estudo, Ranking das escolas: o impacto nas escolas públicas e privadas, da responsabilidade da Nova School of Business and Economic, que analisou o desempenho de 652 escolas (137 privadas, 515 públicas) considerando os rankings publicados entre 2003 e 2010.

Em síntese, verificou-se predomínio persistente e claro das escolas privadas, que, aliás, durante o período considerado aumentou e a constatação de que a mobilidade ascendente no ranking também se verifica maioritariamente entre as escolas privadas. Verificou-se também que durante o período considerado houve uma tendência de encerramento das escolas privadas que consistentemente apresentavam piores resultados, o mercado não perdoa.

Neste cenário não parece difícil antecipar a supremacia genérica das escolas privadas face às públicas nos lugares cimeiros. Aliás, prevejo que o contraste entre ensino público e privado tenderá a acentuar-se, mas veremos o que nos dirão os resultados.

As escolas do litoral apresentarão globalmente melhores indicadores que as do interior, sendo ainda que os pólos de Lisboa, Coimbra, Porto e Braga acolhem as escolas que genericamente melhores resultados evidenciam apesar de alguns resultados menos positivos de escolas situadas em territórios educativos com maiores problemas sociais. As escolas das regiões autónomas e do interior do país mostrarão globalmente piores indicadores.

Apesar das possíveis excepções atribuídas ao esforço e competência dos professores e à colaboração das famílias, será este o cenário, creio. Sendo certo que a escola e o trabalho da escola podem fazer a diferença, existem experiências notáveis por vezes desenvolvidas em circunstâncias particularmente adversas, globalmente, a tradição ainda é (será) o que era.

Parece-me claro que para quem conhece minimamente o país educativo estes dados são previsíveis. Embora entenda que a informação relativa aos resultados dos alunos possa e deva ser tratada e divulgada, a minha questão é: “Qual o contributo significativo da organização e divulgação destes rankings para a melhoria da qualidade do sistema?”. No meu entendimento, a resposta é “pouco relevante”. Primeiro, porque é possível antecipar os seus resultados sem grande margem de erro e, segundo e mais importante, porque não se traduzem de forma robusta em medidas de política educativa.

Apesar de sublinhar a fortíssima importância da análise do desempenho escolar, sobretudo para as decisões a tomar em cada escola ou agrupamento, a elaboração dos rankings parece servir mais para alimentar uma obsessão com resultados e um equívoco sobre a promoção da excelência e do rigor.

Como afirma Gert Biesta da Universidade Stirling numa obra notável, Good Education in a Age of Measurement – Ethics, Politics, Democracy, uma obsessão centrada na medida, assente na gestão continuada de uma dúvida, "medimos o que valorizamos ou valorizamos o que medimos?" Aliás, numa entrevista ao PÚBLICO em 2011, o Professor Biesta afirmava sugestivamente: "Os rankings são muito antiquados e não devem ter lugar numa sociedade civilizada".

É reconhecido que existem escolas, privadas e públicas, que recusam matrículas de alguns alunos para proteger a sua posição no ranking e também o facto de em algumas escolas acontecer que alunos que podem comprometer os resultados não são levados a exame ou são desviados para modalidades como o “ensino vocacional”, cujo modelo será alterado pela nova equipa do Ministério da Educação.

Merece ainda referência que uma sobrevalorização da avaliação externa, os exames, pode não ser o maior e melhor contributo para o sucesso como vários especialistas e a OCDE têm vindo a alertar.

No entanto, julgo ser de acentuar a importância que a avaliação externa assume como factor contributivo para a regulação do sistema educativo, o que não implica tornar-se no tudo do trabalho educativo. Neste sentido, a mediática extinção do exame final do 4.º ano, medida que que me parece acertada e de acordo com o que se passa na grande maioria dos países da Europa, pode criar alguns riscos se não se acautelarem dispositivos de apoio a alunos e professores e uma regulação externa que as provas de aferição, por exemplo, asseguravam.

A política mais recente do ministério foi clara no sentido de mais do que avaliar importa medir, medir tudo, esquecendo que os processos educativos são complexos e não cabem numa fórmula ou conjunto de fórmulas que se entendem como "infalíveis" ou "objectivas". Se assim fosse, não seriam necessários professores ou políticas educativas que solicitam escolhas, conhecimentos, metodologias, valores éticos e morais, etc., bastariam uns burocratas a debitar conteúdos (metas), outros burocratas a medir saberes com instrumentos normalizados e uns outros ainda a construir fórmulas de gestão num qualquer serviço centralizado.

No entanto, como muitas vezes tenho afirmado, não tendo uma atitude fundamentalista, admito que se elaborem rankings com o maior cuidado possível mas que sobretudo se promova a análise em cada escola do seu próprio trabalho. Sendo um defensor intransigente de uma cultura e prática de exigência, avaliação e qualidade, parece-me bem mais importante o aprofundamento dos mecanismos de autonomia e responsabilização e a constituição obrigatória em todos os agrupamentos ou escolas de Observatórios de Qualidade que integrem também elementos exteriores à escola. Existe capacidade técnica e recursos suficientes e muitas escolas têm este dispositivo.

O trabalho realizado por esses Observatórios, este sim, deveria ser divulgado e discutido em cada comunidade e passível de leituras cruzadas com os resultados nacionais.

Para terminar, a questão central, mais do que ordenar escolas a partir dos resultados dos alunos e independentemente das variáveis consideradas no tratamento, é reflectir seriamente sobre o que fazer para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem traduzida, também, nos resultados em exames. Neste sentido, parecem-me preocupantes alguns dos caminhos que nos últimos anos foram percorridos.

Um primeiro exemplo será o aumento do número de alunos por turma que em muitas comunidades educativas é claramente excessivo. Tivemos também uma reforma curricular e o estabelecimento de metas curriculares que, apesar da importância da definição do que deve ser aprendido, estão formuladas em moldes pouco sustentáveis e que poderão vir a ser parte do problema e não da solução, como alguns estudos em curso relativos ao 1.º ciclo, os que conheço, sugerem e como também defendem diferentes associações de professores.

Uma referência à necessidade de uma verdadeira autonomia das escolas que ultrapasse a desconfiança clássica do ministério face a professores e escolas. A autonomia é uma ferramenta imprescindível à promoção da qualidade face às especificidades de contexto próprias a cada escola ou agrupamento e ainda temos um sistema altamente centralizado.

Uma nota ainda para a criação de dispositivos de apoio suficientes, oportunos e adequados que minimizem ao longo dos anos de cada ciclo o risco de insucesso nos exames finais e dos níveis inaceitáveis de retenção que o Conselho Nacional de Educação divulgou em Fevereiro deste ano.

Finalmente, uma alusão ao desinvestimento no ensino e escola pública em nome de uma chamada “liberdade de educação” em modelos cujos efeitos noutros sistemas sugerem a maior das prudências. Em educação, apesar da necessidade de contenção e combate ao desperdício, não existe despesa, existe investimento.

Veremos o sentido anunciado da mudança de políticas educativas que tem de ser mais consistente que medidas bandeira como o fim dos exames do 4.º ano ou a extinção do ensino vocacional no modelo que estava em funcionamento. São, do meu ponto de vista, medidas positivas mas exigem acção continuada e sólida.

No entanto e para já, como de costume, vamos então analisar as diversas abordagens aos resultados escolares, traduzidas nos rankings que vão ser divulgados e que, como disse, nada de surpreendente me parece que irão trazer.

Por: José Morgado

Professor e investigador do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

10 Easy Changes Teachers Can Make to Facilitate Inclusion

"Over, under, around or through find a way, or make a way" is a quote by Paula Kluth that recently reminded me of how I found ways to include all my students in a classroom activity, regardless of their ability level. While I am speaking with Dr. Cheryl M. Jorgensen about this topic on an upcoming podcast, I wanted to share one of the most successful ways that I used as a classroom teacher to facilitate inclusion. 

In order to have students aquire the same learning experiences, teachers have to be prepared for the differences in their student's abilities and learning styles. This technique is known as "differentiation". Differentiation can be created by making changes. Changes can take place in many ways in the classroom, depending on the student's needs, teacher's level of knowledge and support of school personnel. Big or little, however, change can make a difference in how students with special needs are included in the classroom.

Here are 10 easy changes teachers can make to facilitate inclusion:

  • Time - change the time of day the activity is planned for, the duration of activity, the time of week or even the month.
  • Space - change the physical seating arrangement in the class, change the environment (turn off the lights, shut the door or open the windows), change the workspace or even the room (go to the library or sit outside).
  • Method – change how the lesson is delivered. Use charts, music, books, props, video or posters. Stand at the front of the class, the back of the class. Have the students remain sitting at their desks, on their desks or sit at a carpeted area.
  • Materials – have students produce their work using crayons, markers, paint, modeling clay, computer software, cameras, popsicle sticks, or cheerios.
  • Product – change the assignment from writing to drawing, art, music, or drama. Have students create a poster, diorama or power point presentation.
  • Quantity – change the number of questions, length of assignment, amount of homework, or ask for odd-numbered answers only.
  • Groupings – change how the students are grouped for the lesson. Will they work in pairs, small groups or be independent? Will the student work with a teacher, a paraprofessional or other support personnel?
  • Grade – change the grade-level expectations of the activity. Go down a grade or up a grade depending on the student’s ability.
  • Teacher – yes, change the teacher! Ask the Special Ed teacher to deliver the lesson, a co-teacher, the principal, a parent, or another student.
  • Resources – change the resources you use for class activities. Look for new textbooks, web sites, on-line teaching communities and experts. One small, new idea can lead to something big!

In: theinclusiveclass

Via Facebook

Bruxelas propõe regras sobre acessibilidade de deficientes a serviços e produtos

A Comissão Europeia propôs que sejam adotados requisitos comuns de acessibilidade a pessoas com deficiência a produtos e serviços essenciais, como os transportes e a caixa multibanco.

A Comissão Europeia propôs que sejam adotados requisitos comuns de acessibilidade a pessoas com deficiência a produtos e serviços considerados essenciais, como os transportes e a caixa multibanco, entre outros.

Os serviços e produtos em causa foram escolhidos em consulta com os cidadãos, organizações da sociedade civil e empresas e entre eles contam-se as caixas automáticas (ATM) e os serviços bancários, os computadores pessoais, os telefones e equipamentos de televisão, os serviços de telefonia e audiovisuais, os transportes, os livros eletrónicos e o comércio eletrónico.

A diretiva (lei europeia) hoje proposta deverá fomentar a inovação e multiplicará a oferta de produtos e serviços acessíveis para os cerca de 80 milhões de pessoas com deficiência na União Europeia (UE).

Na elaboração dos requisitos, foi considerada a necessidade de garantir a proporcionalidade, em particular para as pequenas e as microempresas, com a inclusão de uma “cláusula de bom senso” para evitar que os requisitos de acessibilidade tenham encargos desproporcionados, estando também previstas medidas de conformidade menos rigorosas para as microempresas.

As pessoas com deficiência passarão a dispor de uma maior oferta de produtos e serviços acessíveis a preços mais competitivos.

A melhoria da oferta destes produtos e serviços pode também beneficiar os cidadãos mais velhos que têm necessidades semelhantes em matéria de acessibilidade, bem como pessoas que se deparem com dificuldades decorrentes de um acidente, uma doença temporária ou um ambiente onde as condições de luz ou ruído, por exemplo, não sejam as melhores.

Cerca de 80 milhões de cidadãos da UE são, em maior ou menor grau, afetados por uma deficiência.

Em virtude do envelhecimento demográfico, prevê-se que este número venha a aumentar para 120 milhões até 2020, segundo a Comissão Europeia.