segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Doença do palhaço

O Eritema Infeccioso também denominado megaloeritema, quinta doença ou doença do palhaço é uma infecção vírica benigna em crianças saudáveis, causada pelo parvovírus humano B19.

É uma doença comum. Ocorre mais frequentemente na Primavera e muitas vezes aparece na forma de surtos/epidemias nas crianças em idade escolar.

O vírus é transmitido por secreções respiratórias e por transfusões de produtos de sangue.

Muitas vezes a única queixa é o exantema (erupção cutânea), noutros casos a doença começa com sintomas inespecíficos como mal-estar, náuseas, mialgias (dores musculares), dor de cabeça ou febre. Dois a sete dias mais tarde aparece um exantema de cor vermelha vivo numa bochecha ou em ambas (sinal da bofetada). Este eritema facial geralmente é seguido por uma erupção também eritematosa, maculopapular (para além da mancha - mácula - também há elevação da lesão - pápula) na pele do tronco com extensão para os membros.

Na altura em que a erupção aparece, a virémia (vírus em circulação no sangue) desaparece, pelo que a criança já se sente melhor. Nesta fase as crianças deixam de ser contagiosas.

O eritema da face regride em 1 a 4 dias, mas as restantes lesões permanecem visíveis de 7 a 40 dias e neste período podem reaparecer ou agravar com a exposição ao sol, o exercício, o banho ou a fricção.

O diagnóstico do eritema infeccioso é clínico, não sendo necessários exames laboratoriais.

Não há tratamento específico. Deve-se assegurar uma hidratação adequada e medicar com antipirético se a criança está febril.

O prognóstico desta doença, em crianças saudáveis, é excelente. Crianças com anemias hemolíticas constitucionais crónicas (anemia falciforme, esferocitose e talassémias) ou imunodeficiências podem desenvolver uma crise aplásica (disfunção da medula óssea com diminuição da produção dos componentes sanguíneos - glóbulos rubros, glóbulos brancos e/ou plaquetas) transitória.

O parvovírus B19 não é teratogénico (ou seja, não é causa de malformações no feto) mas esta infecção nas mulheres grávidas, em raros casos, pode levar à morte fetal por hidropsia fetal.

Para reduzir a transmissão desta doença deve ser praticada uma boa lavagem das mãos.

A exclusão das crianças afectadas da escola não é recomendada porque as crianças não são contagiosas na altura em que a erupção está presente.

Por: Ângela Oliveira, com a colaboração de Carla Moreira, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos, Braga 

Escrever à mão mantém o cérebro mais activo

Investigadores norte-americanos descobriram que escrever manualmente ajuda a decorar conceitos e a aprender com mais facilidade fórmulas e símbolos. Os médicos portugueses encontram muitas vantagens na dactilografia, mas continuam a defender o abandono do uso dos computadores.

Antes de enviar um processo ao patrono, Cátia Nunes, advogada estagiária, escreve-o sempre primeiro à mão . Só depois é que transcreve o texto para o programa no computador. "Utilizo sempre o mesmo método. Se escrever à mão, as ideias fluem melhor. Consigo estruturar melhor o raciocínio. Ao computador, há palavras que não me ocorrem", confessa a rapariga de 25 anos, que vive em Coimbra.

Escrever à mão, seja cartas, relatórios ou mesmo trabalhos da escola, está cada vez mais em desuso. E nas salas de aulas os cadernos deixaram quase de fazer parte da decoração, e são cada vez mais substituídos pelos computadores.

No entanto, um novo estudo indica que a escrita manual é fundamental para decorar conceitos, aprender uma língua ou manter o cérebro activo.

Graças a testes e imagens recolhidas através de ressonâncias magnéticas, investigadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, concluíram que escrever à mão traz muitas vantagens, uma vez que são estimuladas e activadas mais conexões cerebrais, o que favorece a aprendizagem de fórmulas e também de símbolos.

"Quando escrevemos à mão, a palavra que imprimimos no papel está memorizada como um todo, como símbolos, sai como uma unidade única de significação", explica o neurologista do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, Alexandre Castro Caldas.

"Quando utilizamos o computador, o cérebro processa letra a letra, com base numa memória visual dos caracteres que se quer teclar. Na base está o acto de soletrar, um processo mais lento."

Para o director do Instituto de Ciências da Saúde, da Universidade Católica Portuguesa, é preciso desenvolver o processo da escrita à mão quando se é criança, porque ele favorece a elasticidade do cérebro, o que vai permitir desenvolver outras capacidades cognitivas como decorar ou exprimir pensamentos de forma mais clara.

"A escrita à mão é uma habilidade que deriva da arte de traduzir ideias e palavras numa linguagem gráfica legível", define também o neuropsicólogo e presidente do Instituto da Inteligência, Nelson Lima.

Rosa Evangelista tem 66 anos. Nunca teve computador e também não pensa vir a adquirir um. Não porque não possa, mas porque simplesmente não quer. "Nem nunca cheguei a ter máquina de escrever. Os meus filhos e amigos estão sempre a perguntar o porquê de não comprar um computador cá para casa. E eu respondo que não me seduzem. Gosto demasiado de escrever à mão e de ler para ficar agarrada a uma máquina, como eles fazem", conta a professora reformada das disciplinas de Português e Francês.

Na altura em que dava aulas na Escola Secundária da Sé, na Guarda, até o formulário dos testes os alunos recebiam sempre escrito à mão. "Eles já não estranhavam e como tenho uma letra muito redondinha nunca tive problema para entenderem a minha letra."

Para Rosa, o computador não traz muitas vantagens, "facilita demasiado", acredita.

"Vejo as novas gerações a escrever cada vez pior, e, como consequência, a falar cada vez pior. São as abreviaturas e os códigos que utilizam entre eles. Deixaram de saber escrever sem erros gramaticais por causa do corrector do computador", acusa, defendendo a escrita à mão acima de tudo: "Obriga a pensar e é importante para desenvolver capacidades cognitivas e de raciocínio."

O neuropsicológo João Anacleto, do Instituto do Cérebro, não podia estar mais de acordo. "Através da escrita manuscrita existe tendência a uma maior concentração, e consequentemente facilidade de interiorização da informação. Inclusive para a realização dos testes, que são manuscritos", defende.

Nelson Lima assina por baixo: "A escrita à mão é geralmente mais lenta e exige uma maior concentração, o que permite uma mais demorada, ainda que curtíssima, elaboração mental para transformar ideias e palavras em linguagem escrita."

E dá como exemplo os escritores que " preferem criar as suas obras usando primeiro a escrita à mão, talvez porque lhes dá uma maior liberdade criativa e expressiva".

Para o especialista, escrever as palavras à mão é mais exigente sob o ponto de vista intelectual, o que significa que contribui para a agilidade cognitiva. "O uso excessivo dos teclados poderá levar a uma perda das habilidades manuais para a escrita e, como consequência, de certas habilidades do pensamento."

Embora Nelson Lima encontre vantagens da escrita manuscrita, defende que o processamento de texto no computador também é importante.

"A aplicação de um não anula o interesse prático, expressivo e intelectual do outro", defende o especialista.

"A escrita à mão é uma competência que se consegue graças à ligação do cérebro com a mão dominante e como consequência de um acto consciente e voluntário", começa por explicar.

"Nos teclados, as letras já lá estão, e apenas precisam que os dedos as construam através de uma espécie de jogo digital que, nos mais experientes, é algo quase automático."

«Fez-se luz» sobre a síndrome Nicolais-Baraitser

No espaço de um ano, o geneticista Sérgio Sousa foi distinguido internacionalmente duas vezes pela investigação que tem vindo a realizar sobre a rara síndrome Nicolais-Baraitser. São agora conhecidos 40 casos em todo o mundo, mas antes do estudo deste português tinham sido diagnosticados apenas quatro.

Recentemente foi-lhe atribuído o Prémio John M. Opitz Young Investigator, graças a um artigo publicado na revista "American Journal of Medical Genetics". Sérgio Sousa encarou-o como um “estímulo” para continuar a trabalhar. Na sua área, “é o melhor prémio que se poderia receber, ainda mais por vir de um país [EUA] onde a investigação em genética já tem um grande historial”, disse ao “Ciência Hoje”, revelando a sua satisfação.

A investigar a doença em Londres, onde em 2009 iniciou um projecto de doutoramento no Institute of Child Health (University College London), o médico do hospital pediátrico de Coimbra conseguiu identificar as suas características, um trabalho nunca antes realizado.

“É uma síndrome malformativa que se manifesta desde a nascença. Revela-se com disformismos faciais e físicos, atrasos mentais, graves dificuldades na fala, microcefalia, enrugamento progressivo da pele e convulsões”, explicou o geneticista de 32 anos, acrescentando que “é provável que os seus portadores tenham uma esperança média de vida reduzida” devido aos múltiplos problemas de que sofrem.

Em Portugal não há casos diagnosticados, mas há “suspeitas”, esclareceu o médico, que ainda não realizou testes que possam confirmar as suas dúvidas. Além disso, uma vez que é uma doença rara e pouco conhecida, o diagnóstico “torna-se mais difícil”, podendo haver muitos mais casos do que os que foram revelados.

Artigo elucidou muitos especialistas

A descrição e caracterização clínica é um passo fundamental para que novos casos sejam descobertos. “Antes do meu artigo, as pessoas não estavam muito alerta”, algo que começa a acontecer com os resultados agora divulgados. Os próprios pais de crianças que têm essa síndrome começam a ser capazes de fazer o diagnóstico e médicos de várias partes do mundo têm contactado Sérgio Sousa no sentido de lhe pedir esclarecimentos sobre o assunto.

O geneticista está agora a trabalhar no sentido de desvendar as causas da síndrome e, embora haja fortes suspeitas de que sejam genéticas, ainda não foi possível sabê-lo com certezas.

Sem baixar os braços, Sérgio Sousa tem a esperança de, dentro de seis meses, resolver este mistério. Neste momento, tem a colaboração de centros da Holanda e da Bélgica que, através de meios mais avançados de sequenciação do genoma, estão a ajudá-lo a descobrir o que está na origem desta síndrome e também a detectar casos mais leves. Além disso, caso esta descoberta seja bem-sucedida, poderá ser viável, daqui a uns anos, obter uma forma de travar a doença.

Começar do zero

Até há três anos, o investigador sabia muito pouco sobre o assunto pelo qual foi agora premiado. Tudo começou num estágio que estava a realizar em Londres, no Great Ormond Street Hospital for Children, o maior hospital pediátrico da Europa.

“Vimos [Sérgio Sousa e Raoul Hennekam, um dos mais conceituados dismorfologistas do mundo] um doente que levantou suspeitas de ter a doença e interessei-me pelo assunto. Ao pesquisar, descobri que havia muito pouca informação e decidi debruçar-me sobre isso”, explicou.

Na investigação foram envolvidos doentes de 15 nacionalidades. “Fui a casa da primeira pessoa a quem a doença foi diagnosticada, contactei médicos e hospitais, sobretudo no Reino Unido, Holanda e França” na expectativa de “descobrir” pessoas que tivessem características correspondentes à síndrome Nicolais-Baraitser.

Foi assim que se iniciou este trabalho, arrancado em 2007, para identificar de que forma a doença se manifesta nas crianças, com o intuito de haver um melhor diagnóstico.. Actualmente, Sérgio Sousa está em Londres a investigar também outros síndromes cuja causa ainda não é conhecida e que são ainda mais raros.

Impacto nas famílias

O estudo do português tem tido muito impacto sobretudo na vida dos doentes e dos seus familiares. Estes têm-se unido e criado fortes relações. Já foi realizado um encontro mundial, no Reino Unido, com os pais de portadores desta doença, “que se sentem reconfortados por alguém dar atenção a este problema e se dedique a estudá-lo”, contou o investigador. Além disso, já foi criada uma associação de pais de portadores da síndrome Nicolais-Baraitser, um grupo na rede social Facebook e na Wikipédia

domingo, 21 de novembro de 2010

São João da Madeira tem o 1º Táxi adaptado para pessoas com deficiência de Aveiro

O distrito de Aveiro conta, desde o dia 6 de Novembro, com o sétimo táxi do país adaptado a pessoas com mobilidade reduzida. O veículo, especializado no transporte de pessoas de cadeira de rodas, também presta serviços de táxi convencional (como qualquer outro táxi) e cobra a mesma tarifa.

O motorista deste táxi especial é o Sr. Álvaro Braga, antigo motorista de pesados, que deixou o seu emprego e comprou uma carrinha e levou-a a uma empresa de Gaia para fazer as adaptações. Apesar de não fazer parte da central de táxis, para pedir o serviço é só ir à praça de táxis ou ligar ao motorista.

Rudely Interrupted – Uma Banda Formada Por Pessoas Com Deficiências

"À primeira vista a Rudely Interrupted é uma banda pop qualquer, com uma “vibe” dos anos 80. No entanto cinco dos seis membros da banda são deficientes mentais, alguns com deficiências realmente severas. O vocalista, Rory Burnside, por exemplo, tem Síndrome de Asperger, mas também tem um tom perfeito. Marcus Stone, o tecladista, além de Asperger tem apenas 20% da capacidade auditiva. A percussionista Connie Kirkpatrick tem Síndrome de Down e é completamente cega. O único membro da banda que não é deficiente é o terapeuta musical Rohan Brooks, que teve a ideia da banda para ajudar seus pacientes. E o Rudely Interrupted é muito melhor do que várias bandas que temos por aí. Ouçam o som deles irão ver ver que eles são realmente contagiantes."