quarta-feira, 16 de maio de 2012

Implante ocular devolve visão a cegos

Os primeiros testes do implante de retina em pacientes britânicos que sofrem de retinite pigmentosa, doença genética incurável que causa cegueira, foram bem sucedidos. A confirmação foi anunciada na semana passada pela empresa que desenvolveu o mecanismo, a Retina Implant AG.

Os primeiros implantes deverão abranger, no total, 12 pacientes, e estão a decorrer em Londres, sob a orientação de Tim Jackson e, em Oxford, por Robert MacLaren, ambos cirurgiões óticos.

Desde que receberam o aparelho sem fios, em meados de Abril, os dois primeiros pacientes da experiência começaram a recuperar a visão no dia-a-dia. Os indivíduos puderam detetar luz imediatamente após o microchip ter sido ativado. Ambos são ainda capazes, agora, de localizar objetos brancos em locais escuros.

Num comunicado da Retina Implant, Tim Jackson e Robert MacLaren referem estar entusiasmados com o seu envolvimento “neste implante sub-retinal pioneiro e em anunciar que os primeiros pacientes implantados tiveram sucesso”. Os resultados terão excedido as expectativas dos dois profissionais.

Robert Millar, um dos primeiros pacientes a receber o implante, referiu: “Desde que liguei este aparelho que sou capaz de detetar luz e distinguir os contornos de certos objetos. Até sonhei a cores pela primeira vez em 25 anos, pelo que uma parte do meu cérebro que estava a dormir acordou”.

Equipamento testado em vários países

Este equipamento tem estado a ser experimentado nos últimos seis anos. Os pacientes envolvidos receberam microchips de 3x3m2 com 1.500 elétrodos implantados por baixo da retina. Os primeiros resultados, publicados em 2010, mostraram que os pacientes eram capazes de reconhecer objetos estranhos e de ler letras para conseguir formar palavras.

Mais tarde, na Alemanha, os testes mostraram ainda mais melhorias visuais. Os nove pacientes alemães são os que demonstraram melhores resultados até à data, tendo conseguido restaurar praticamente a total capacidade de visão útil. Agora, a Retina Implant está a expandir o estudo à participação de outros países.

“Os implantes no Reino Unido representam um grande passo para a missão da Retina Implant de restaurar a visão dos doentes de retinite pigmentosa em todo o mundo”, disse Walter-G Wrobel, CEO da Retina Implant AG.

“Queremos continuar aquilo que alcançamos de forma a que o aparelho seja submetido para aprovação comercial assim que esta fase da pesquisa esteja terminada”, acrescentou.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Os filhos fazem com que os pais sejam pessoas mais felizes?

Dois novos estudos quebram a linha de investigações anteriores que concluíam que as famílias com filhos eram menos felizes, mais deprimidas e tinham casamentos menos satisfatórios do que os casais sem filhos. Esta terça-feira é o dia internacional da família. 

Dois estudos que analisaram um total de 130 mil adultos apontam para a conclusão de que, actualmente, as pessoas que têm filhos podem ser mais felizes do que os casais sem filhos. Uma das investigações foi realizada com casais a viver na Alemanha e no Reino Unido e outra com feita com base nas respostas das famílias norte-americanas a dois inquéritos nacionais. Os trabalhos foram apresentados no encontro anual da Population Association of America, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo de questões populacionais, e divulgados pelo jornal USAToday. 

“Não encontrámos nenhuma prova que indique que o bem-estar parental diminua depois do nascimento de uma criança. Encontramos dados que confirmam que o bem-estar aumenta enquanto as pessoas estão a planear e a esperar o nascimento de uma criança e também no primeiro ano de vida do filho”, assinala o estudo realizado por investigadores do Max Planck Institute, na Alemanha. Os cientistas que analisaram “os níveis de felicidade” de casais britânicos e alemães, durante cinco anos antes de ter um filho e nos cinco anos seguintes ao nascimento, concluiram que o impacto de um filho é, de forma geral, positivo. Os níveis de felicidade dos pais foram comparados com os níveis que estas mesmas pessoas tinham quando não tinham filhos. 

O estudo europeu considera que há factores, como a idade, que podem ter uma importante influência no bem-estar. Segundo explicam, as pessoas que se tornam pais em idades mais jovens têm uma maior tendência para uma redução da sua felicidade enquanto que os que têm os filhos mais tarde conseguem níveis mais altos de felicidade após o nascimento da criança. Por outro lado, os investigadores notaram ainda outro dado interessante: a felicidade vai mudando com o número de filhos. “O primeiro filho aumenta significativamente a felicidade. O segundo aumenta um pouco, e o terceiro já não aumenta de todo”, nota Mikko Myrskylä, co-autor da investigação

Felicidade dos que não têm filhos

Um outro estudo analisou os dados de dois inquéritos realizados nos EUA entre 1972 e 2008 e concluiu algo diferente. As respostas mostram que os pais eram menos felizes do que as pessoas sem filhos na década entre 1985-95 mas daí para a frente (até 2008) revelam que os pais são mais felizes. 

Chris Herbst, investigador da Arizona State University e co-autor do estudo, avança com uma explicação sugerindo que o nível de felicidade dos pais não aumentou de facto. O que diminuiu, defende, foi a felicidade das pessoas sem filhos o que faz com que os pais pareçam mais felizes por comparação. Segundo este investigador, não é possível afirmar com certeza se a generalidade dos pais é menos feliz do que alguém sem filhos. Mas, adianta, “é inegável, no entanto, que ao longo das últimas décadas os pais se tornaram mais felizes do que as pessoas que não têm filhos”. 

Os estudos divulgados no encontro da Population Association of America tocam um tema polémico e sugerem alguns problemas em investigações anteriores – que concluíam que as famílias com filhos eram menos felizes, mais deprimidas e tinham casamentos menos satisfatórios do que os casais sem filhos – criticando métodos de análise da informação disponível. Até agora, a maioria dos estudos indicava que a felicidade dos casais podia ser lida como um gráfico em forma de U, em que existe um pico na altura do casamento e enquanto não existem filhos, uma quebra quando eles nascem e depois uma recuperação para os níveis anteriores, à medida que os filhos vão ganhando a sua autonomia. 

A notícia do USAToday foi alvo de muitos comentários e mostra como o assunto é delicado e discutível. Entre os leitores que fizeram questão de dar a sua opinião sobre o assunto há quem defenda que não seria nada sem os seus preciosos filhos e também quem festeje o facto de nunca os ter tido. Depois há ainda muitos comentadores que questionam os resultados do estudo alegando, entre outros argumentos, que a noção de felicidade inclui muitas variáveis difíceis de analisar. Por fim, há quem simplesmente conclua que esta felicidade depende acima de tudo de um ponto fulcral: ter um filho ou não o ter foi resultado de uma escolha? Se a resposta é afirmativa, provavelmente as duas partes tem motivos para estar felizes.

In: Público

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Seminário: “A Educação Inclusiva e a Família”




Bem-vindo ao Seminário: “A Educação Inclusiva e a Família” promovido pela Associação Nacional de Docentes de Educação Especial e pela Federação de Associações de Pais do Concelho de Oeiras. 

Neste Seminário contaremos com a presença, entre outros, do Prof. Doutor David Rodrigues, Dr. Joaquim Colôa e Dr.ª Ivone Félix, que na conferência e diferentes mesas abordarão as seguintes temáticas: “A Família no Contexto da Educação Inclusiva” e “A relação Centros de Recursos para a Inclusão (CRI) e Escola”. 

Foi preocupação da Comissão Organizadora promover um evento que fosse ao encontro dos interesses e motivações de todos aqueles, que por uma razão ou outra, se encontram ligados à Educação Especial e Inclusiva, sejam docentes, famílias ou profissionais na área. 

Esperamos que se junte a nós para tornar este evento memorável. 

Contamos consigo! 



Data: 23 de junho de 2012 

Das 8h30 às 18h00 

Local: Auditório do CENTRO SOCIAL PAROQUIAL DE NOVA OEIRAS 

Preço da inscrição: 10 euros (almoço incluído) 


Data limite de inscrição: 20 de junho de 2012 

A ORGANIZAÇÃO




sexta-feira, 11 de maio de 2012

Audição Parlamentar sobre Educação Especial

Realizou-se no dia 9 deste mês na Comissão de Educação Ciência e Cultura uma audição parlamentar sobre Educação Especial. Esta audição parlamentar teve 420 participações.

O debate nesta Comissão procura contributos para melhorar o Decreto-Lei 3/2008.

O áudio da audição com cerca de 3:30 horas encontra-se neste link.

Alguns dos contributos enviados para esta audição podem ser vistos aqui.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Do "3" ao "21"


A Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República organizou no dia 9 de Maio uma audição parlamentar sobre a Educação Especial. O grupo de deputados do Grupo de Trabalho de Educação Especial é coordenado pela deputada Margarida Almeida e integra também os deputados Rita Rato, Inês Teotónio Pereira, Ana Drago, Maria Manuela Tender e Jacinto Serrão. Esteve ainda presente o Presidente da Comissão, deputado José Ribeiro e Castro. 

Não cabe neste espaço – pela sua vocação e exiguidade – comentar a abundante matéria de reflexão que se pode extrair de momentos tão ricos. Comentarei por isso só um “pequeno” tema que sempre vem ao de cima nestas discussões. Trata-se da possibilidade dos alunos poderem ser escolarizados em escolas especiais e não em escolas regulares. Chamaria a este debate o “3” (decreto 3/2008) e o “21” (despacho 21/2008) e enunciaria 5 linhas orientadoras da discussão: 

1. Quando falamos em Educação Inclusiva, não gostamos de ser chamados “românticos” ou “irrealistas”. Gostaríamos que todos soubessem que as posições que defendemos favoráveis à Inclusão Educativa são sufragadas pela Investigação (exemplo: “What Really Works in Special and Inclusive Education, Routledge, 2011) e pelos documentos internacionais que Portugal é signatário (ref: Documentos da UNESCO e nas Nações Unidas). Este debate entre “realistas” e “românticos” está, pois viciado: talvez seja sim um debate entre quem conhece a investigação e o enquadramento legal e quem não conhece. 

2. Sempre se disse que a reforma inclusiva pressupõe a reforma da escola tal como a conhecemos. Reforma no sentido de modificar as formas transmissivas, uniformes e indiferenciadas como os alunos são tratados na escola “tradicional”. Na mencionada Audição, um professor dizia que não conseguia ensinar Inglês aos alunos mais fracos nas turmas regulares mas que os conseguia ensinar em turmas de alunos com dificuldades. Isto não constitui um argumento contra a Inclusão porque falta saber o que é que ele faz numa e noutra situação e saber se o conhecimento pedagógico que ele tem é transferível de uma situação para a outra. 

3. Quando se pedem recursos para a escola, tem que se ter em mente que estes recursos são para contribuir para a inclusão. Se os recursos que chegam à escola se destinam a criar uma escola especial numa escola regular, são recursos é certo, mas não são recursos que sejam usados de forma inclusiva. Assim, temos de saber que os professores especializados, os terapeutas, os psicólogos, etc. etc. devem ter como objetivo central do seu trabalho ensinar e desenvolver capacidades num contexto inclusivo. Se não fizermos isso a inclusão torna-se sim um “romantismo”. 

4. E vem sempre a questão: “Todos (mas mesmo todos) os alunos devem estar incluídos?”. E eu diria: “Não, mas…”. Explico: A Inclusão pressupõe que a escolarização das crianças deve ser feita em ambientes “ecologicamente válidos” isto é que sejam representativos da diversidade da sociedade e da comunidade em que os alunos vivem. Há sim crianças que pela gravidade das suas condições de saúde e pela ausência (reparem: ausência) de capacidades de aprendizagem escolar não têm vantagem em estar em escolas regulares. Falamos de um número extremamente reduzido que necessita mais de cuidados de saúde do que de educação. Mas não esqueçamos: a escolarização é da responsabilidade da escola e um critério de qualidade da escola é o facto de ela ser diversa e na qual as diferenças entre os alunos sejam usadas para a melhoria da aprendizagem e da ética de todos. 

5. E por fim… evocar o despacho 21/2008 para sancionar que os alunos (todos?) com dificuldades possam (na verdade, devam, por falta de opção) ir para uma escola especial é um absurdo. Sabemos que a exclusão da escola regular – por muito benigna que se apresente – é uma medida de consequências muito graves. A investigação em Educação mostra que dos alunos que são separados, só 3% têm possibilidade de voltar ao grupo (três por cento). O sonho é que os “bons” não sejam atrasados pelos “maus”. Na verdade é um objetivo social bem curioso. É o princípio que leva as pessoas a pensar que as crianças, os idosos, os emigrantes, as pessoas com deficiência, nos atrasam… 

A verdadeira opção não é pois entre a escola regular e a escola especial: a opção é entre a escola regular que sonha com a homogeneidade e sem recursos e a escola regular que conhece a heterogeneidade e tem recursos. E não nos falem de romantismos… deixem lá isso para o Almeida Garrett… 

Por: David Rodrigues 
Presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial 

In: Editorial da newsletter de maio de 2012 (1ª Quinzena)