quarta-feira, 25 de julho de 2012

UM CAMPEÃO DE MUITAS PROVAS

Trata-se de uma notícia verdadeiramente histórica e que mereceria o destaque que, provavelmente, não vai ter. Ao que parece, pela primeira vez nas história dos Jogos, um atleta com deficiência intelectual estará presente nos Jogos Olímpicos, Pedro Isidro de seu nome. O atleta vai participar na prova de 50 Km marcha, uma prova de uma extraordinária exigência, para cuja preparação se exigem requisitos de perseverança, empenho e motivação extraordinários, para além, naturalmente de condições físicas adequadas.

A vida de muitas pessoas com deficiência é, na verdade, uma constante e infindável prova de obstáculos, muitas vezes intransponíveis, que ampliam de forma inaceitável a limitação na mobilidade e a funcionalidade em diferentes áreas que a sua condição, só por si, pode implicar. Como é evidente, existem muitas áreas de dificuldades colocadas às pessoas com deficiência, designadamente, educação e emprego em que a vulnerabilidade e o risco de exclusão são enormes.

Aliás, na peça do Público sobre esta figura notável, são evidenciados muitos desses obstáculos e dificuldades. Do meu ponto de vista, esta notícia não deveria estar na secção de desporto, deveria ser título primeiro na secção política.

Reafirmo algo que recorrentemente subscrevo, os níveis de desenvolvimento das comunidades também se aferem pela forma como lidam com as minorias e as suas problemáticas.

Provavelmente o feito desportivo de Pedro Isidro não terá o relevo que merecia. As primeiras páginas, mesmo no desporto, não são para estes indivíduos, as pessoas com deficiência não têm "glamour", não enchem estádios e fazem gastar milhões, não são colunáveis, são apenas, simplesmente, campeões, a sério.

Texto de Zé Morgado

In: Blogue Atenta Inquietude

terça-feira, 24 de julho de 2012

Autismo carece de diagnóstico

O autismo afecta 67 milhões de pessoas em todo o Mundo. Em Portugal não há números oficiais, mas os dados indicam que há 100 mil crianças e jovens com perturbações do desenvolvimento, onde se inclui o autismo. 

Os sinais da doença nem sempre são valorizados pelos pais, que atribuem a mimos ou surdez. O autismo é "uma perturbação neurobiológica complexa", designada, actualmente, de Perturbação do Espectro Autista (PEA). A partir de dados norte-americanos, a proporção de casos é de 1 em 80, explica o neuropediatra Nuno Lobo Antunes.

A doença não tem cura e afecta mais o sexo masculino. "Não existem medicamentos que curem o autismo, embora sejam úteis devido à probabilidade de ansiedade. Utilizam-se técnicas comportamentais para tentar melhorar o comportamento das crianças. Quanto ao género predominante, há quem afirme que os rapazes têm até dez vezes mais do que as raparigas", refere.

As PEA começam antes dos três anos de idade e permanecem durante a vida da pessoa. "Um diagnóstico precoce permite uma intervenção rápida, com apoio de um psicólogo, terapeuta da fala e técnico psicomotricista. Há que interpretar os sinais de alerta para melhorar a sociabilização dos doentes", refere a presidente da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo de Lisboa, Maria Paula Figueiredo. Para as associações do autismo, o problema reside no número de crianças sem diagnóstico que são afastadas de qualquer resposta social.

"NASCE-SE AUTISTA", Nuno Lobo Antunes, Neuropediatra

Correio da Manhã - Qual a perturbação do desenvolvimento que mais afecta as crianças portuguesas?

Nuno Lobo Antunes - O défice de atenção, mais associado à dislexia, lidera o topo das disfunções de desenvolvimento. Logo a seguir vem o autismo.

- A origem do autismo também está nas emoções?

- Não há ligação definida entre aspectos emocionais na gravidez e o aparecimento do autismo. Nasce-se autista, resulta de uma disfunção cerebral.

- Ter já um filho autista aumenta a probabilidade?

- Têm um maior risco, cerca de 3%, incidência semelhante à que se verifica nos gémeos falsos.

O MEU CASO: CATARINA ABREU

"A CATARINA SÓ COMEÇOU A FALAR AOS 5 ANOS"

Catarina Abreu, de oito anos, teve a confirmação de que era portadora de autismo quando tinha dois anos. Antes disso, com 18 meses, a sua educadora já identificara os sinais de alerta.

A menina vive em Torres Vedras, onde frequenta o ensino regular e tem apoio estruturado. Adora brincar sozinha e os legos são a sua brincadeira preferida. "A Catarina só começou a falar aos cinco anos. Ela fala mas não conversa connosco. Isola-se e não aprende porque se distrai muito", conta a mãe, Andreia Abreu.

A primeira dificuldade começa logo pela manhã. A Catarina ainda não tem autonomia para tomar banho, lavar os dentes ou vestir-se sozinha. "Espero pelo dia em que a minha filha será independente. Tive receio quando estava grávida do meu segundo filho [Tiago, de cinco anos], de que ele também viesse com autismo", refere a mãe. Por outro lado, o gasto em terapias é elevado. "São 250 euros para a neuroterapia e a equitação terapêutica. O resto, ela tem na escola". O futuro é, por isso, uma preocupação para os pais da Catarina. "Tenho medo que ela não arranje emprego. Um autista adulto não se insere em lado nenhum. Deviam criar programas de empregos para eles".

Por: Débora Carvalho


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Escola à deriva

Tenho constatado a ocorrência de fenómenos muito perturbadores em contexto escolar, que gostaria de partilhar, na medida em que em nada contribuem para o tão apregoado sucesso dos nossos alunos. 

Um dos fenómenos a que venho assistindo há bastante tempo é a desmotivação quase generalizada do pessoal docente. Sendo a motivação o impulso interno que leva à ação e tendo esta uma importância determinante para o bom desempenho de qualquer trabalhador, então algo de muito errado se passa. 

Sei que a mudança é necessária, e que todos nós estamos a ser submersos por uma vaga de mudança que não está a ser fácil de digerir, mas a onda da desmotivação docente permanece há já muito tempo. Por isso, temo as consequências nefastas que esta possa trazer à educação e, em consequência, ao nosso país! 

Como motivar os alunos, estando os professores profundamente desmotivados? Seria importante refletir sobre as causas desta situação e tomar medidas para a inverter.

O ritmo a que a legislação muda é outro fenómeno assustador! O que hoje é verdade amanhã é facto completamente obsoleto! O ritmo de produção de novas leis, a alterar o que já estava legislado e há pouco tempo, é tal que duvido muito que haja tempo para fazer uma reflexão cuidada das implicações que tais leis possam trazer. Quando as regras se alteram a "meio do jogo", então tudo se complica ainda mais. 

Posso dar um exemplo em que eu, como responsável pelo Serviço de Psicologia e Orientação, estou diretamente implicada, juntamente com os alunos que orientei no âmbito do processo de orientação escolar e profissional. 

O Decreto-lei n.º139/2012 de 5 de julho, vem alterar as regras de acesso ao ensino superior, para os alunos que frequentam cursos profissionais. Como esta lei surgiu já depois do final do ano letivo e já depois de finalizado o processo de orientação escolar e profissional, os alunos dificilmente poderão refletir no impacto que as novas mudanças terão nos seus projetos. Para os alunos que já frequentam os cursos profissionais, as regras mudam sem ter em conta os pressupostos em que estes tomaram as suas decisões. Quanto aos elementos dos órgãos de gestão das escolas, eu questiono se terão tempo para dormir, pois durante o dia têm múltiplas tarefas a realizar e, à noite, terão de ler páginas e páginas do Diário da República. Se não o fizerem, terão certamente pesadelos diurnos, cujo conteúdo será, eventualmente, uma nova lei que não foi lida, a persegui-los até à loucura!

Mas o pior ainda está para ser relatado. Tenho assistido a um enorme corte do pessoal docente nas escolas, que não se justifica pelo excesso de professores, mas por medidas gravosas que põem em causa a qualidade do ensino (aumento do número de alunos por turma, diminuição do tempo letivo de várias disciplinas, fim do Estudo Acompanhado e da Formação Cívica, etc.). Os professores contratados são simplesmente despedidos. Os dos Quadros são obrigados a concorrer a outras escolas. Os critérios para selecionar os professores dos Quadros que saem são cegos: professores excecionais, com elevadas competências técnicas e humanas, são, em muitos casos, os primeiros a sair. Sem exagerar, alguns dos que mais trabalharam para a escola são os que são obrigados a procurar outra, pois aquela onde estavam já não tem vagas para eles. 

Para que serve a avaliação docente? Nestas situações não deveria ser tida em consideração? Como é que professores que foram avaliados com "excelente" são colocados fora só porque se encontram no fim da lista graduada? Para os que ficam a mensagem é "Trabalhar mais e melhor não é certamente o mais importante, pois tudo passa pela posição ocupada na lista graduada". Agora provem-me que esta decisão de cortar o pessoal docente, e com estes critérios, foi bem ponderada e que foi a melhor para aumentar a qualidade do ensino e a motivação dos professores! 

Como gostaria que esta reflexão tivesse algum contributo para a mudança positiva!

Por: Adriana Campos

In: Educare

Adormeceram Professores e Acordaram Sem Turmas

Uma excelente reportagem de Graça Barbosa Ribeiro a retratar o drama de quem se viu envolvido em ausência da componente letiva.

“Não ficam desempregados, como os professores contratados, mas não sabem o que farão em Setembro. Mudanças como a revisão dos currículos e o aumento do número de alunos por turma deixaram milhares com horário zero, ou seja, sem aulas para dar. Tinham uma situação que julgavam estável e uma escola que consideravam sua. Do ministério dizem que muitos serão “repescados”; eles aprendem a viver com a incerteza.”








Via: Blogue Arlindovsky

sábado, 21 de julho de 2012

Funcionamento dos cursos profissionais de nível secundário

O Despacho n.º 9815-A/2012, vem introduzir alteração ao despacho n.º 14758/2004 que define algumas das condições de funcionamento dos cursos profissionais do nível secundário de educação. 

Do novo ordenamento criado por este diploma, destaco o seguinte:

26.1 — As turmas de cursos profissionais do nível secundário de educação que integrem jovens com necessidades educativas especiais de caráter permanente, sem necessidade de adequações curriculares e cujo programa educativo individual assim o determine são constituídas por um número máximo de 20 alunos, não podendo incluir mais de dois alunos naquelas condições.

In: Incluso