quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Rede apoia pais especiais

Estima-se que existam em Portugal perto de um milhão de pessoas portadoras de deficiência. Mas mesmo este número, avançado por organizações ligadas às áreas de apoio, pode estar muito longe da realidade. Não há estudos concretos nem actuais.

Os únicos dados apoiam-se nos Censos de 2001, onde foram contabilizados 636.059 cidadãos com necessidades especiais: um valor estatístico que poderá representar apenas a ponta do iceberg, como considera Maria do Carmo Cotta, vice-presidente do Pais em Rede (PER), uma associação que presta ajuda aos familiares que têm a seu cargo pessoas com deficiência.

"Os estudos nesta área são dispersos e foram feitos na perspectiva dos serviços. Os pais nunca foram ouvidos", disse a responsável ao Correio do Ribatejo, no final de uma reunião realizada sábado na Casa do Brasil, onde foi constituído o embrião de um núcleo desta rede em Santarém.

Um dos objectivos do PER passa assim por realizar um "Diagnóstico de Situação", já que "o país tem de saber qual é a verdadeira amplitude do problema", e o seu impacto na estrutura social.

A Universidade de Évora e o Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) estão a desenvolver a metodologia de trabalho e os questionários que serão dirigidos a técnicos e familiares.

Por outro lado, segundo a responsável, o PER pretende "promover uma união de esforços", uma vez que existe "um grande número de associações dirigidas a patologias ou problemas específicos, resultando numa pulverização de recursos".

O Pais em Rede pretende agregar estas sinergias, no sentido de promover a intervenção precoce e a inclusão na escola e vida activa dos cidadãos portadores de deficiência.

"O PER não é apenas um movimento de pais e familiares de pessoas com necessidades especiais. É um movimento cívico, uma vez que a inclusão diz respeito a todos", disse Carmo Cotta.

Fundada em Novembro de 2008, conta já com dez núcleos distritais espalhados pelo país e cerca de dois mil associados.

Vera Colaço vai ficar responsável pelo núcleo de Santarém. É mãe do Tomás, de sete anos, que nasceu com uma paralisia cerebral profunda. E o que lhe tem faltado em apoios sobra-lhe em disponibilidade para cuidar do filho.

Deixou o emprego e confessa que no início sentiu "enormes dificuldades", sobretudo pela falta de respostas adequadas ao caso do Tomás.

"As mães chegam à conclusão que não podem estar sozinhas nesta luta pela inclusão dos seus filhos como cidadãos de pleno direito", afirmou.

Por isso, decidiu aceitar o desafio de partilhar a sua experiência porque, diz, precisa de ajuda mas também de ajudar.

"Há um grande choque inicial, sobretudo quando esperamos o primeiro filho - e com ele é gerado um conjunto de expectativas e esperanças - ao recebemos a notícia da deficiência", disse Ana Félix da Costa, outra responsável do PER e também mãe de uma criança ‘especial’.

"Durante a primeira infância não há apoios e as famílias fecham-se dentro do seu sofrimento", afirmou, acrescentando que "há, no país, a ausência de projectos para uma escola inclusiva desde o infantário".

A este factor somam-se falhas na "orientação que é prestada pelos profissionais de saúde e no plano das respostas para a idade adulta e início da vida activa".

No distrito, responsáveis da APPACDM, Agrupamento de Escolas da Lezíria do Tejo, autarquias de Santarém e Abrantes e Governo Civil (GCS), disponibilizaram-se para estabelecer parcerias com o Pais em Rede.

Garcia Correia, Promotor Distrital das Pessoas com Deficiência, disse ao Correio do Ribatejo que o trabalho desenvolvido por aquela associação vem ao encontro daquele que é desenvolvido pelo seu gabinete.

"Os pais precisam de mais ajuda", considerou o promotor do organismo tutelado pelo GCS, sublinhando que é também "fundamental que se mudem mentalidades e se faça cumprir a legislação no que respeita às barreiras arquitectónicas que condicionam a mobilidade".
 

2 comentários:

  1. Admiramos o seu blog, por isso viemos entregar o selo Cantinho Inclusivo.

    Vc o encontra no endereço abaixo:

    http://escolasinclusivas.blogspot.com/2010/12/selinho-cantinho-inclusivo.html

    Feliz Natal e Próspero Ano Novo.
    Abraço fraterno
    Kekel

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  2. Olá!

    Muito obrigado pelo selo e por todo o significado! Espero continuar a merecer os seus elogios.

    Feliz Natal e um Excelente Ano de 2011 para si e toda a sua família.

    Abraço

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